8.10.2026

Biografia de Patativa do Assaré

Patativa de Assaré 

Biografia de Patativa do Assaré

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão.

Projetou-se nacionalmente com o poema "Triste Partida", em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

Infância e Adolescência

Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) nasceu no sítio Serra de Santana, pequena propriedade rural no município de Assaré no Sul do Ceará, no dia 5 de março de 1909. Foi o segundo dos cinco filhos dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva.

Com seis anos, perdeu a visão do olho direito em consequência do sarampo. Órfão de pai aos oito anos de idade, teve que trabalhar no cultivo da terra, ao lado do irmão mais velho, para sustentar a família. A terra de seu pai foi dividida entre os cinco filhos, quatro homens e duas mulheres.

Com a idade de 12 anos, Patativa do Assaré frequentou uma escola e durante quatro meses aprendeu a ler e se apaixonou pela poesia. Com 13 anos começou a fazer pequenos versos. Com 16 anos comprou uma viola e logo começou a fazer repentes com os motes que lhe eram apresentados.

Origem do Apelido Patativa do Assaré

Descoberto pelo jornalista cearense José Carvalho de Brito, Patativa publicou seus textos no jornal "Correio do Ceará". O apelido de Patativa surgiu porque suas poesias eram comparadas com a beleza do canto dessa ave nativa da Chapada do Araripe.

Com vinte anos, Patativa do Assaré começou a viajar por várias cidades do Nordeste e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe. Viajou para o Pará em companhia de um parente, José Alexandre Montoril, que lá morava.

Patativa passou cinco meses cantando ao som da viola em companhia dos cantadores locais. Nessa época, incorporou o Assaré ao seu nome. Patativa do Assaré foi casado com D. Belinha e teve nove filhos.

Primeiro Livro de Poesias

Entre 1930 e 1955, Patativa permaneceu na Serra de Santana, época em que compôs a maior parte de sua poesia. Nessa época, passou a declamar seus poemas na Rádio Araripe, quando foi ouvido pelo filólogo, José Arraes, que o ajudou na publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina” (1956), no qual reuniu vários poemas.

Triste Partida - poema mais famoso

Mesmo com um linguajar rude, falado pelo sertanejo, crivado de erros e mutilações, a poesia de Patativa do Assaré teve projeção por todo o Brasil com a gravação de "Triste Partida" (1964), imortalizada na voz de Luiz Gonzaga:

 

Setembro passou

Oitubro e Novembro

Já tamo em Dezembro

Meu Deus, que é de nós,

Meu Deus, meu Deus

Assim fala o pobre

Do seco Nordeste

Com medo da peste

Da fome feroz. (...)

A poesia de Patativa do Assaré mostra uma visão crítica da dura realidade social do povo sertanejo, o que lhe valeu o título de “Poeta Social”. Um exemplo é o poema “Brasi de Cima e Brasi de Baixo:

 

Meu compadre Zé Fulô,

Meu amigo e companheiro,

Faz quage um ano que eu tou

Neste Rio de Janeiro;

Eu saí do Cariri

Maginando que isto aqui

Era uma terra de sorte,

Mas fique sabendo tu

Que a miséra aqui no Su

É esta mesma do Norte.

 

Tudo o que procuro acho,

Eu pude vê neste crima,

Que tem o Brasi de Baxo

E tem tem o Brasi de Cima.

Brasi de Baxo, coitado!

É um pobre abandonado;

O de Cima tem cartaz,

Um do ôtro é bem deferente;

Brasi de Cima é pra frente,

Brasi de Baxo é pra trás. (...)

Mesmo longe dos grandes centro, Patativa estava sempre atento com os fatos políticos do país, a política também foi tema de sua obra. Durante o regime militar, ele criticou os militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas Já e, em 1984 publicou o poema "Inleição Direta 84".

Patativa do Assaré publicou inúmeros folhetos de cordel, viu seus poemas serem publicados em jornais e revista. Suas poesias foram reunidas em diversos livros, entre eles: “Cantos da Patativa” (1966), “Canta lá Que Eu Canto Cá” (1978), “Aqui Tem Coisa” (1994). Com a produção do cantor Fagner, ele gravou o LP “Poemas e Canções” (1979). Em 1981 lançou o LP  "A Terra é Naturá".

Bráulio Bessa (1985), poeta, declamador, escritor e palestrante cearense, conta que aprendeu a amar a poesia depois que conheceu os poemas de Patativa do Assaré.

Últimos Anos

Ao completar 85 anos, Patativa do Assaré foi homenageado com o LP "Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia" (1994), com participação das duplas de repentistas, Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio, Otacílio Batista e Oliveira de Panelas.

Os livros de Patativa do Assaré foram traduzidos em diversos idiomas e seus poemas tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.

Patativa do Assaré, sem audição e totalmente cego desde o final dos anos 90, faleceu em consequência de falência múltipla dos órgãos, em sua casa em Assaré, Ceará, no dia 8 de julho de 2002.

Poesias de Patativa do Assaré

A Festa da Natureza

ABC do Nordeste Flagelado

Aos Poetas Clássicos

A Terra dos Posseiros de Deus

A Terra é Naturá

A Triste Partida

Cabra da Peste

Caboclo Roceiro

Cante Lá, Que Eu Canto Cá

Casinha de Palha

Dois Quadros

Eu Quero

Flores Murchas

Inspiração Nordestina

Lamento Nordestino

Linguagem dos Óio

Mãe Preta

Nordestino Sim, Nordestino Não

O Burro

O Peixe

O Poeta da Roça

O Sabiá e o Gavião

O Vaqueiro

Triste Partida

Vaca Estrela e Boi Fubá


Fonte: Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google

 

 

 

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