A ARTE DE VER
Agilson Cerqueira
Escrevo porque as perguntas me acompanham mais do que as respostas
Não busco convencer. Busco compreender. A palavra, para mim, não é um instrumento de afirmação, mas um caminho de investigação. Cada prosa é uma tentativa de tocar aquilo que escapa ao pensamento apressado: a consciência, o tempo, a natureza, a solidão, a beleza, a dúvida e o homem diante de si mesmo.
Não escrevo para defender verdades. Escrevo para iluminar inquietações. Talvez toda filosofia comece quando a certeza perde a voz e a contemplação aprende a escutar.
Se existe uma convocação nestes escritos, ele não está na promessa do extraordinário, mas no assombro diante do ordinário. Há grandeza numa folha que cai, numa criança que sorri, numa pedra moldada pelo rio e numa pergunta que permanece sem resposta.
Entre a razão e a sensibilidade não enxergo um conflito. A razão organiza o mundo; os sentidos lhe oferecem substância. O pensamento nasce desse encontro. Sem ele, o intelecto é vazio; sem ele, a poesia é apenas ornamento.
Estas palavras não desejam concluir. Desejam acompanhar o leitor por alguns instantes, como quem caminha ao lado de outro viajante. Se, ao final, restar uma única pergunta mais profunda do que aquela que existia no início, então a palavra terá cumprido seu ofício.
Contemplar, afinal, talvez seja a forma mais silenciosa de compreender.
Agilson Cerqueira
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.
Licença: Creative Commons.
Autoria: Agilson Cerqueira - professor, engenheiro e escritor
Foto: Produção

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