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10.31.2025

Princípio Teórico das Possibilidades - R. Santana


Princípio Teórico das Possibilidades

R. Santana

 

     Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócioambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades:

     a) Necessárias;

     b) Contingenciais;

     c) Reais.

     Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como ideia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

     A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom-senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão:

     - Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata.

     - Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde... –

    - Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido.

     As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias...

     A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócioambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco. O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo.

     O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”.

     Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Texto do meu Livro: “O homem nasce pra ser feliz?”

Imagem: Google

 

Entrevista (on-line) - R. Santana


Entrevista (on-line)

R. Santana

 

     Não faz muito tempo que conheci Jota Alves, eu o conheci pelo Facebook com essa mania de publicação das minhas produções aos finais de semana. Jota Alves é um jovem estudante de jornalismo que se interessa por poesia, crônica, romance, enfim, tudo que a criatividade vem antes do fato. Argumentei ao preclaro jovem que os meus textos não têm tanto valor literário, mas, uma maneira de libertar-me do dia a dia. Tanto foi sua insistência que resolvi lhe conceder esta entrevista com a condição que fosse registrada em áudio não em imagem, que usasse depois o desaigner de IA para ilustrá-la em seu trabalho de jornal. Vejamos:

 

     J. A.: Quem é R. S.?

     R. S.: Uma pessoa comum, que é simples e vive na simplicidade.

     J. A.: Qual o método que o senhor usa na construção dos seus textos?

     R. S.: Geralmente, recebo um insight do tema, em seguida, concilio a criatividade com a realidade.

     J. A.: Como assim?

     R. S.: A criatividade não prescinde da realidade.

     J. A.: O senhor escreve para vários sites literários, é membro de uma academia de letras e me disse em “Off” que não é escritor. O senhor não é incoerente?

     R. S.: Parece, an passant, que “estou plantando verde pra colher maduro”, não é verdade, se o escritor não tem uma editora, não tem o reconhecimento de sua comunidade ou da sociedade, no máximo, para adocicar o ego, ele é um escritor amador, ou seja, escreve por diletantismo, sem compromisso com a forma e a técnica literárias.

     J. A.: Quais os seus escritores e poetas preferidos?

     R. S.: O mundo está repleto de grandes poetas e ótimos escritores em profusão, porém, em nosso país, eu gosto de Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Carlos Drummond, Clarice Lispector e Mário Quintana, lá fora, eu gosto de Alexandre Dumas, Fernando Pessoa, Morris West, Sidney Sheldon e Antoine de Saint-Exupéry, etc.

     J. A.: Como chegou à Academia de Letras de Itabuna – ALITA?

     R. S.: Fui convidado por Dr. Marcos Bandeira, naquela época, Juiz de Direito de Direito da cidade itabunense.

     J. A.: Sua produção literária aumentou depois que ingressou na academia?

   R. S.: Não! O objetivo da academia é o zelo pelo idioma, preservar os bens culturais, apoiar seus membros em qualquer atividade cultural, apoiar na edição e lançamento de seus livros e preservar a memória do acervo cultural da instituição.

     J. A.: O senhor já publicou quantos livros e os títulos?

    R. S.: Bem... eu tenho vários livros em forma de PDF publicados em plataformas específicas, mas impresso por editora, eu publiquei: “O empresário” e “Maria Madalena”.

    J. A.: Chegamos ao fim, obrigado por disponibilizar seu tempo para esta entrevista, gostaríamos que o senhor desse sua autorização no final para que possamos publicar no blog “Notícias Culturais”.

     R. S.: Ok!

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana (Coautoria)

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

 

 

A Vida Eterna - R. Santana


 

A Vida Eterna

R. Santana

 

     Desde que o mundo é mundo que o homem se pergunta: “quem sou eu”, “de onde vim” e “para onde vou”. O homem, conforme sua cultura, suas convicções intelectuais, religiosas e morais, busca essas respostas. Sócrates, o filósofo grego, Século V a.C., tinha como princípio filosófico: “Conhece-te a ti mesmo”, cujo objetivo é descobrir o autoconhecimento e a sabedoria. Porém, “quem sou eu” dentre as perguntas: é descobrir sua identidade, sua essência, eu sou o quê? Qual a minha missão neste mundo? “De onde vim”, o mistério de sua origem, antes do nascimento e, “Para onde vou” que é a vida no fim, o mistério da vida depois da morte.

     A maioria dos fundadores das religiões prega a vida eterna de acordo sua doutrina, todos dão essa esperança ao homem que a vida não termina aqui, Jesus Cristo, Maomé, Siddartha Gautama (Buda), Abraão e o pai do espiritismo Allan Kardec, porém, só Jesus Cristo fala de vida eterna pela ressurreição. As demais religiões e crenças asseguram a vida depois da morte, algumas religiões até estabelecem graus de evolução espiritual para se chegar à vida eterna como a reencarnação, o inferno, o paraíso e o céu.

     Por isso que o provérbio popular “religião, política e mulher, não se escolhe, se abraça” ganha força cada vez mais, o homem crê pela fé, não que a religião responda às suas necessidades existenciais e espirituais. Todas religiões têm em comum chegar a Deus, Jeová ou Deus Pai e Filho e Espírito Santo, porém, os caminhos são diferentes.

     O homem não entende essa história de “pecado original” que traz no nascimento e, é redimido com a morte. Ele não entende porque Deus permite o sofrimento, a dor, os conflitos existenciais, os desastres ambientais e o bem seja tão desigual. O homem não entende como Deus permite o sofrimento e a dor dos pequeninos e a morte prematura, às vezes, sinistra desses seres humanos pequeninos inocentes que nunca praticaram o mal, mas promoveram o bem em curto tempo na família. O poeta Leandro Gomes de Barros canta em seus versos, o mistério da vida, do pecado e do sofrimento: “Se eu conversasse com Deus”, Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto / Quando viemos pra cá? / Que dívida é essa / Que a gente tem que morrer pra pagar? // Perguntaria também / Como é que ele é feito / Que não dorme, que não come / E assim vive satisfeito / Por que foi que ele não fez / A gente do mesmo jeito? // Por que existem uns felizes / E outros que sofrem tanto? / Nascemos do mesmo jeito / Moramos no mesmo canto / Quem foi temperar o choro / E acabou salgando o pranto?...

     Creio que o sofrimento humano não é permitido por Deus. Nenhum pai deseja o mal de seu filho: “Qual homem, do meio de vocês, se o filho pedir pão, dará uma pedra?” (Lucas 11, 9:13). Imagine leitor, se o nosso Pai celestial iria desejar o mal da humanidade, é que vivemos no “Mundo das Possibilidades” .Veja o livro de minha autoria: “O homem nasce para ser feliz?”, nós somos as nossas circunstâncias, independente de nossa escolha, tudo é possível.

     Não sou adepto da teoria de Friederich Nietzsch do niilismo, que Deus não existe. Também, não somos frutos da evolução de Darwin, fomos criados por um Ser Superior, uma energia cósmica inteligente, onisciente, onipresente e infinita, porém, Ele fez o homem finito, termina com a morte: “Tu és pó e ao pó voltarás” (Gênesis:3:19), ou seja, a morte é o fim.

     Tudo leva crer que não existe alma ou espírito independente do corpo, todos os fenômenos vitais desparecem com a morte. No Século XIX, Allan Kardeck fundou o espiritismo com base nos fenômenos das mesas giratórias. Hoje, a Parapsicologia explica de maneira científica todos esses fenômenos anormais. Padre Óscar González-Quevedo Bruzón, Padre Quevedo, ele explica em seus livros que, mediunidade é a capacidade que certos indivíduos possuem de converter sua energia em fenômenos materiais ou projetar no outro seu desejo inconsciente. Por exemplo, quem leu “Vozes do Além”, de Chico Xavier, os pais de um filho morto por acidente, “manifestou-se” e contou sua vida e que estava bem no além,.. Para o padre Quevedo, houve, apenas uma conexão entre as mentes, Chico Xavier captou as energias dos pais potencializadas e verbalizadas pelo filho morto.

     Por isso, baseado na experiência e estudo, existe convicção formada, que por falta de fatos, de provas, que não existe vida eterna, o sujeito é sepultado ou cremado, decisão a priori, de acordo suas convicções religiosas em vida, então, é o fim da matéria e da consciência. Porém, isto não significa negar Deus, pois quando o homem nega (lógica reversa) o Criador, ele está afirmando sua existência.

     Qual o papel da religião? A tradição religiosa, alimentar no homem a fé e a manutenção das obras religiosas, pois em Tiago (2:17 ), “a fé sem obras é morta". O cristão e o espírita acreditam na ressurreição e na reencarnação, movidos pela fé em Jesus Cristo e nos estudos mediúnicos de Allan KardecK. As demais religiões e seitas, também, o substrato da religião é a fé, a crença.

     É dito que o apóstolo Paulo não conheceu Jesus Cristo pessoalmente, o conheceu misticamente pela fé, por isto, a Igreja o coloca, ao lado de Pedro, como uma coluna mestra de nossa fé.

     Enfim, o mistério da Providência é conhecido pela fé. Não se nega a existência de Deus nem a narrativa religiosa, mas não existe nada que se  conclua que a vida é eterna, somente, a crença religiosa.

 

"Todo o homem é mortal, Wilson é homem, logo, Wilson é mortal" 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna  ALITA.

Imagem: Google

 

 

Vale a pena - R. Santana


Vale a pena - R. Santana

     A vida vale a pena? Sim! Por mais que a vida seja íngreme, que a vida seja difícil, que brotem dificuldades aos borbotões, que a vida seja curta ou longa, que os percalços da vida sejam quase intransponíveis, vale a pena viver a vida. É na dificuldade que se processa a aprendizagem e o desenvolvimento intelectual e moral. Se o homem não encontrasse obstáculo no seu dia a dia, ele se estagnaria nem se desenvolveria.

     Deus deu ao o homem o dom da vida e o livre arbítrio, caber-lhe-á realizar seu destino que começa com suas escolhas. Se o indivíduo não tem projeto de vida e faz suas escolhas erradas, não deverá colocar na conta da Providência suas adversidades, sua má fortuna. Ninguém será feliz se não tiver vontade, determinação e disciplina. Conta-se que um homem escreveu nas paredes do seu pobre quarto: “Eu sou rico!”, “Eu sou rico!”, “Eu sou sou rico!”, “Eu sou rico!”, perseguiu à riqueza com propósito e comprometimento que se tornou rico, muito rico.

     Porém, o homem deve passar pela vida como um Cometa, breve, mas deixando uma cauda, um rastro de empatia, generosidade, solidariedade, compaixão e amor. Para Pavlovich Chékhov: “É bom que cada um de nós deixe algo que demonstre que nossas vidas não passam sem deixar rastro, mas que levam vestígios para eternidade”. Uma vida que passa presa ao egoísmo, à individualidade, às coisa fúteis, à matéria, sem pensar no outro, é reduzir a vida ao nada.

     A família é o ponto de apoio físico, emocional e moral do homem, seu porto seguro, um homem de 50 anos de idade, para sua mãe, ela tem a mesmo cuidado e preocupação de um filho de 5 anos de vida. Aliás, para os pais, os filhos são consequências de amor e bênçãos. Ninguém nasce de um toco, mas da união de duas pessoas que se amam ou não se detestam. O homem jamais será feliz se negar sua origem biológica ou social, o ambiente por mais inóspito que seja, fará parte de sua memória afetiva sempre.

     Faz-se necessário esclarecer que a família, aqui, é a família tradicional, pai, mãe e filhos, não é a família criada pela sociedade atual de pais do mesmo gênero. Este tipo de família moderna irá transferir para o “filho” uma carga psicológica distorcida à mente da criança que a tornará um adulto de complexos psicológicos, frustrações e vida mal resolvida, ou seja, uma estrutura emocional e cognitiva comprometidas.

     Mesmo com dor e sofrimento, vale a pena viver a vida, pois, ela é única, não existem outras vidas. Se a vida não tem sentido, dê-lhe sentido... Lamúrias e lamentações não resolverão nenhuma situação adversa, a sabedoria popular diz: “... faça do limão uma limonada” ou “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Tudo se acaba no fim da vida, até os nossos mais nobres propósitos.

     A filosofia niilista também não resolve os problemas existenciais. Sustentar como fez Nietzscher a morte de Deus ou rejeitar a existência e a vida não trazem solução, porque não se pode negar aquilo que existe independente da vontade do homem, mesmo numa construção metafísica. Portanto, a solução para vida é viver e viver plenamente.

     Nenhum homem vive numa ilha, isolado o suficiente para não precisar do outro, todos nós somos animais sociais, regido pelo processo interativo, por isto, é necessário que a vida em sociedade seja regida por leis que limitam as ações humanas e estabelecem comportamentos aceitáveis para o seu bem-estar político e social.

     Finalmente, que a vida seja feliz enquanto dure, que se aproveite cada momento da vida com alegria e satisfação, não importa se a vida é curta ou longa.

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

O Estudante - R. Santana


O Estudante  - R. Santana

     Não faz muito tempo, mas um tiquinho de tempo, o eterno presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, Wilson Caetano, sugeriu-me que eu escrevesse a minha história de vida, respondi-lhe: “... meu amigo Caetano, não tenho muito jeito para falar de mim mesmo, acho um vitupério... Mas se um dia resolver, quero começar pelo meu tempo de estudante do fundamental e médio, que será o I Capítulo”.

     Não fui um aluno brilhante, daqueles que o currículo é recheado de 10, fui um aluno disciplinado e esforçado, era bom naquilo que gostava, quando não gostava, estudava para nota de aprovação. Gostava mais das Ciências Humanas e algumas Ciências da Natureza. Quando fazíamos Admissão ao ginásio, os nossos pais, a maioria semianalfabetos, eles recomendavam mais o estudo de Português e Matemática.

     Durante toda minha vida estudantil, eu trabalhava pelo dia e estudava pela noite. Quando chegava da escola o corpo pedia cama enquanto a mente recusava-se aprender. Não dispunha de recursos de aprendizagem, a exemplo de uma pequena biblioteca, reforço escolar, material didático, além de tempo para estudar ou pesquisar, portanto, a nota ruim refletia a privação de recursos.

     Naquela época não se valorizava muito o pensamento crítico, o raciocínio, aquele que tivesse a faculdade de memória avançada, tinha certa vantagem com os demais, as provas eram discursivas e, não objetivas com questões alternadas, por exemplo: “Quem descobriu o Brasil?”, ao invés de respostas: a,b, c e d. No 2º. Ano Científico, eu tive um professor de Física que nos fez decorar as fórmulas de dilatação linear, superficial e volumétrica, ao invés de desenvolvê-las logicamente. Na faculdade, eu descobri em Descartes, a famosa frase: “Cogito, ergo sum”. que se traduz: “Eu penso, logo existo”. O pensamento determina a existência.

     Repito: “Não fui um aluno brilhante, daqueles que o currículo é recheado de 10”, nunca persegui esse feito, interessava-me ser aprovado com a nota máxima ou a nota mínima de aprovação. Porém, preenchia minhas lacunas intelectuais com muita leitura, principalmente, literatura. Era um leitor viciado, quando não tinha nada pra ler, lia até bula de remédio. No 3º Ano Científico já tinha lido as principais obras de Machado de Assis, Lima Barreto, Jorge Amado, Ernest Hemingwey, José Mauro de Vasconcelos, Antoine Saint-Exupéry, Morris West, Sidney Sheldon, Drummond, Guimarães Rosa, Cora Coralina, Mário Quintana, Euclides da Cunha, Franklin Távora, Alexandre Dumas, Camões, Fernando Pessoa Pessoa, Eça de Queirós, George Orwell, Dante Alighieri, etc.

     A “cola” nunca foi institucionalizada, mas, naquela época, a “cola” era uma ofensa extremamente grave, o colega nem “colava” nem se deixava colar. O professor que surpreendia alguém “colando” tomava o teste e lhe atribuía uma nota zero, além de lhe fazer um discurso moralmente condenável. Jamais esse aluno iria repetir o mesmo feito.

     As pesquisa eram realizadas na biblioteca da escola ou na biblioteca do município. O trabalho não era uma cópia, teria que ser lido e interpretado, depois se passava para o papel. Lembro-me que uma colega desavisada, fez um trabalho com uma velha ortografia, que se escrevia fósforo com “ph”, o professor tomou toda a aula para comentar sua falta de atenção e ignorância.

     Hoje, há 4 (quatro) níveis de ensino: infantil, fundamental (1 e 2), médio e superior. Naquela época, havia, o curso primário (admissão ao ginásio), ginásio, médio (magistério, clássico ou científico). Com a Lei nº5.692/71, foram criados os cursos técnicos profissionalizantes.

     O curso de Admissão ao ginásio era um “vestibularzinho”, tínhamos uma base sólida de Ciências, Matemática, Português, Geografia e História. O nosso conhecimento nessa fase de admissão ao ginásio era significativo, dominávamos todo conteúdo das disciplinas do curso primário,

     Estudante é a melhor fase da vida de um jovem, além do conhecimento adquirido, a formação moral, intelectual e o processo de integração dos indivíduos no grupo e o espírito de cooperação são relevantes e expressivos. Alguns encontros afetivos duradouros de casais se originaram no período estudantil.

     È durante a fase de estudante que descobrimos os docentes vocacionados, preparados, e, os docentes não vocacionados, despreparados. Nunca os esqueci e os guardei na memória até os dias de hoje. Nunca esqueci de Nestor Passos, latinista de mancheia, mestre da língua portuguesa; Flávio Simões, emérito professor de Sociologia; João Arbages, metódico professor de Matemática; Nair Assis Menezes, professora inesquecível do primário; Walter Moreira, o máximo de Química e Dr. Cândido de Física, que dizia: “Não há escuridão que a chama de uma vela não ilumine”.

Causos da vida estudantil:

     - Professor Arbages, vice-diretor do CEI, nos apresentou, 3º. Ano Científico, um professor de Jaguaquara, que além de professor, ele era odontólogo, que iria ensinar Biologia e Zoologia. Era um desleixado: paletó sem gravata, camisa aberta, calça na virilha, etc. Não daríamos “um tostão de mel coado”, porém, foi o melhor professor desse ano letivo de Biologia e Zoologia. Ele possuía completo domínio do conteúdo dessas disciplinas, além de ser um exímio desenhista, ele usava essa ferramenta para ilustrar suas aulas. Enfim, não se deve julgar um livro pela capa.

     - Final de ano, prova de inglês, professor Pantaleão, sargento do Exército Brasileiro, sediado em Ilhéus. Pantaleão era um sujeito inquieto de difícil conversação... Não sabemos a causa, mas, faltava muito, além disso, minha base no idioma inglês era fraca, havia muita lacuna na minha formação em idioma estrangeiro. Recorria ao escritor Eça de Queiroz: “Falar bem o nosso idioma, é falar mal o idioma estrangeiro”. Naquela noite, Pantaleão distribuiu as provas entre todos os alunos, uma página um pouco mais da metade de uma folha de papel ofício. Quando recebi a prova, eu descobri que pouco sabia, mas, alguém que foi levar a namorada na escola, deu uma encostada no poste com o carro e provocou um blackout, a escola ficou escuro e a prova foi transferida para semana subsequente. Pantaleão saiu recolhendo o material, eu guardei a minha prova e com ajuda de um velho Expedicionário da batalha de Monte Castelo, na Itália, Segunda Guerra Mundial. Ele traduziu o texto, ajudou-me responder o questionário e fui aprovado na prova.

     - Nilton Freire era professor de Física do 2º. Ano Científico, também era odontólogo, acho que não tinha vocação nem preparo para ensinar Física. Um dia qualquer, ele passou um problema que havia uma potência de ( 10 ) 7 = 10x10x10x10x10x10x10 = 10.000.000 / que é dez milhões. Porém, virou uma algazarra, cada aluno dava um resultado diferente, Nilton Freire, na casa do sem jeito, simulava uma dor de barriga e sumia... Foram 2 dias de bagunça e Nilton Freire deixou de ensinar Física em nossa sala.

     Ocorreram vários outros episódios, contudo, esses 3 ficaram guardados em minha memória. Foi um tempo inesquecível, que não tínhamos outras obrigações, senão, estudar. Era uma época difícil, não possuíamos os mesmos recursos atuais. Hoje, temos as bibliotecas eletrônicas, o Google, principalmente, e, a Inteligência Artificial. 

          Enfim, não fui criado por pais biológicos, mas, por tios, faltava tudo, menos os bons exemplos e o desejo de saber. Nos dias atuais, os jovens e moleques têm tudo, eles têm uma tecnologia avançada, acesso democrático à educação e menos vida sofrida, no entanto, os valores existenciais são outros, mais supérfluos e menos duradouros.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

Capitu - R. Santana


Capitu - R. Santana

     Na história da ficção não existe um romance que seus personagens sejam tão articulados quanto “Dom Casmurro” de Joaquim Maria Machado de Assis. Acho que Capitu foi uma personagem real como Messalina, Herodíades, Salomé e Cleópatra. Ela contribuiu para dezenas de teses e antíteses acadêmicas que defendem-na ou acusam-na de adultério, que ela traiu Bento de Albuquerque Santiago (Bentinho) com Ezequiel de Souza Escobar (Escobar) ou que nada aconteceu, senão, a paixão cega de Bentinho.

     Capitu, certamente, não foi uma Messalina que numa noite de orgia e sexo, em que cada ato sexual, ela brindava com uma coroa de flores ao seu deus grego e quando alvoreceu, ele queixou-se que “estava cansada, mas, não saciada”. Diria que Capitu em sua natureza dissimulada, ela aproximava-se de Cleópatra, rainha do Egito, que não gostava de homens fracos e quando a oportunidade lhe bateu à porta, Cleópatra levou para cama, o imperador romano Júlio César e o general Marco Antônio. Ela não era, também, igual às malucas de Herodes, Erodíades e Salomé.

     Capitu era filha de Pádua e dona Fortunata. Ele funcionário administrativo da Marinha, homem de quase nenhum recurso e nenhum saber, que enxergou o namoro de sua filha com Bentinho, filho único de dona Glória, mulher abastada, um meio de ascensão social.

     Bentinho foi prometido, pois dona Glória havia perdido o primeiro filho e na segunda gravidez, ela fez promessa a Deus que se nascesse “varão”, faria dele um padre. Todos da casa sabiam dessa promessa, seu irmão Cosme, prima Justina e José Dias, o agregado. Numa conversa não cuidadosa, Bentinho ouviu sua mãe dizer ao agregado que estava próximo de interná-lo no seminário.

     Bentinho não se adaptou ao seminário, não tinha nenhuma vocação, jamais seria padre, além de Capitu não sair do seu pensamento, noite e dia, pensava nela, fizeram juras de amor eterno, que não iria cumprir a promessa de sua mãe, teria que haver uma saída, porque sem o amor de Capitu, a vida lhe era de somenos importância.

     No seminário encontrou Escobar, que se tornaram amigos, ambos tinham em comum, o desejo de nunca serem padres. Ezequiel Escobar era filho de uma família de comerciantes do Sul do país e Bento Santiago filho de dona Glória, uma viúva rica. Escobar foi apresentado à família de Bento Santiago e a Capitu que com os “olhos de ressaca” não demonstrou interesse de sua amizade.

     Escobar com o tempo, ganhou a confiança da família Santiago, principalmente, a amizade de dona Glória e conseguiu lhe convencer que por falta de vocação de seu filho, que não seria um bom padre, melhor seria se patrocinasse os estudos de um jovem pobre vocacionado. Ela ofereceria para Igreja Católica um bom padre e cumpriria, assim, sua promessa: - o problema foi solucionado.

     Foi “a sopa no mel” para Capitu. Bentinho foi estudar direito no Largo São Francisco em São Paulo e tornou-se doutor Bento de Albuquerque Santiago, enquanto, seu amigo Escobar tornou-se um próspero comerciante. Logo, logo, Bentinho casa-se com seu grande amor Capitolina e Escobar casa-se com Sancha, antiga colega de colégio de Capitu.

     Os casais tornam-se “unha e carne”, um “dueto afinadíssimo”, as visitas eram recíprocas e constantes. Dentre pouco tempo, Sancha deu à luz uma linda menina que recebeu o nome de “Capitolina” em homenagem à amiga Capitu. Alguns anos depois, Capitu teve um filho que o casal retribuiu a homenagem com o nome de Ezequiel.

     Não há tempo bom que não se acabe nem tempo ruim que perdure para sempre. Ezequiel tinha por hábito, antes do Sol nascer, tomar seu banho matinal no mar e, num dia qualquer daquele Verão, o mar lhe tirou a vida. Foi um grande infortúnio, uma adversidade, um trauma inexplicável e doloroso. Ezequiel tinha um corpo de atleta e ainda moço.

     O menino de Capitu cresce em sabedoria e semelhança com Escobar, “cuspido e escarrado” e, “o filho do seu pai”. A desconfiança e o desespero começam tomar conta de Bento Santiago. As discussões são frequentes com a mãe do pequeno Ezequiel, Ele já não consegue disfarçar, às vezes, cuida do menino com irritação. Pensou beber uma xícara de café envenenado, pensou também, envenenar o menino, porém, só conseguiu dizer: “eu não sou seu pai”, que foi ouvido sem querer por Capitu. Ela sustenta que é mera semelhança e jura de pés juntos que não o traiu, contudo, Bento não é convencido e, resolvem se separar.

     Bento Santiago levou a mãe e o filho para Europa. De quando em vez, encenava uma viagem para o exterior com o pretexto de visitá-los, ficava algum tempo lá, porém, não ia vê-los. Capitu tentou reatar com o ex-marido, todavia, foi rejeitada sempre, o garoto foi o empecilho.

     Depois de muitos anos, Capitu morre na Europa, Ezequiel Santiago volta para o Brasil e esbarra na frieza do pai que o recebe com tanta distância que o rapaz é convidado para uma pesquisa arqueológica e morre de febre tifoide em Jerusalém.

     A história da ficção jamais perdoou ou perdoará Capitu. Ela traiu Bentinho e foi traída pela natureza, é impossível dois seres de genomas diferentes, terem o mesmo fenótipo genético e comportamental. Desde a primeira infância que Ezequiel Santiago não tirou a mãe da culpa, já era o Escobar infantil.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna -ALITA

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Clodomir Xavier de Oliveira ALITA: Patrono, cadeira nº. 24 R. Santana (*)


Clodomir Xavier de Oliveira

ALITA: Patrono, cadeira nº. 24

R. Santana (*)

 

“Todo o escritor que é original é diferente. Mas nem todo o que é diferente é original. A originalidade vem de dentro para fora. A diferença é ao contrário. A diferença vê-se, a originalidade sente-se. Assim, uma é fácil e a outra é difícil”. (Vergílio Ferreira)

     Clodomir Xavier de Oliveira (1910 - 1995) - jornalista, poeta, educador, escritor, político, cacauicultor, artista plástico, Juiz de Paz e professor de Português e Desenho, sindicalista, 5 vezes presidente do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. Fundou em Ubaitaba o CNEG e o CNEC, onde foi professor por vários anos.

     Não se pode falar da grandeza de Clodomir Xavier de Oliveira sem falar de sua cidade Ubaitaba, lugar que, ele morou e desenvolveu sua atividade de educador, poeta, escritor, político, cacauicultor, jornalista e artista plástico nos momentos de ociosidade.

     Ubaitaba, cidade irmã de Aurelino Leal, um pouco mais de 17 mil habitantes, na mesorregião do Sul da Bahia, às Margens do rio das Contas, dentro da Mata Atlântica, dista 450 Km da capital Salvador e que lhe deu o nome o dr. Cleóbulo Santana e Souza. Emancipada por Decreto do Estado da Bahia em 27 de julho de 1933, nessa data foi desmembrada da cidade de Itacaré (BA).

     Ubaitaba é a cidade das canoas, um celeiro cultural, na música se destacou Fernando Luna, grupo “Gang Cidade”, “Jangada Elétrica”, o grupo “Arrocha” e grupo “Kapricho” e de notoriedade o percussionista o José Henrique da Silva Oliveira. No esporte se destacaram na canoagem, Jefferson Bispo de Lacerda e sua principal estrela, Izaquias Queiróz. Ubaitaba ainda se destaca por cultivar o esporte da PETECA e a CAVLGADA.

     Ubaitaba se destaca na literatura com Clodomir Xavier de Oliveira (Closinho), descendente direto daquele que é considerado um dos fundadores da cidade, o Dr. Francisco Xavier de Oliveira. Clodomir Xavier é um dos patronos da Academia de Letras de Itabuna. E, o poeta e compositor Webber Tannus, falecido em 2016,

     No dia 16 de Maio de 2025, aniversariou o professor Clodomir Xavier de Oliveira (Closinho). Se estivesse vivo, ele completaria 115 anos. Filho do Médico Francisco Xavier, o principal fundador desta cidade. Clodomir, era também, escritor, produtor rural e sindicalista.

     “Closinho” como era carinhosamente apelidado, o professor também foi político, embora isso não lhe trouxesse grandes motivações. Exerceu mandatos de vereador e prefeito em Ubaitaba. O que mais lhe alegrava, porém, era a literatura, deixando obras importantes como os livros: Pulu (romance), Estórias de Ubaitaba e outros contos. Clodomir Xavier também era artista plástico e artesão. Foi colaborador do Jornal Tribuna da Região, escrevendo inúmeros artigos, contos e depoimentos.

     Clodomir além de intelectual, ele era escritor, produtor rural, e sindicalista. se caracterizou por grandes iniciativas. Foi fundador do Centro Educacional Ubaitabense (CEU), onde lecionou por muito tempo, ajudou na fundação do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. Lutou pela formação da Cooperativa dos Agricultores de Cacau, demonstrando dessa forma um ferrenho defensor do cooperativismo. “Closinho” como era carinhosamente apelidado, o professor também foi político, embora isso não lhe trouxesse grandes motivações. Exerceu mandatos de vereador e prefeito em Ubaitaba. O que mais lhe alegrava, porém, era a literatura, deixando obras importantes como os livros: Pulu (romance), Estórias de Ubaitaba (contos) e outros. Clodomir Xavier também era artista plástico e artesão. Foi colaborador do Jornal Tribuna da Região, escrevendo inúmeros artigos, contos e depoimentos. O município de Ubaitaba muito deve ao professor Clodomir Xavier que também emprestou seu nome para a única biblioteca publica que existia na cidade. É necessário uma campanha para reativar a Biblioteca Clodomir Xavier de Oliveira e instalar no seu acervo uma secção especial com a obra deste mestre que Ubaitaba nunca esquece, pois ele continua vivo.

Pais: Filho do Médico Francisco Xavier. Seu pai foi um dos principais fundadores de Ubaitaba.

Familia: Carmosina Paraíso de Oliveira (D. Zizi) - esposa. Celisa Oliveira de Almeida, filha. Netos: Maria do Socorro Oliveira de Almeida, Ione Catarina Oliveira de Almeida Gutierres, Marcelo Oliveira de Almeida e Cláudio Roberto Oliveira de Almeida. Foi bisavô e Trisavô.

Histórico Escolar: Primário na Escola Eloy Guimarães, em Salvador, Ginásio Ipiranga, Colégio Antônio Vieira e Ginásio São Salvador.

Produção Literária: Pulu, Estórias de Ubaitaba (Contos e Crônicas), Método Voisin, A Saga do Cacau, Cacau e Leite e Vozes do Cacau (Contos). Colaborou por muito tempo no jornal Tribuna da Região, com artigos, crônicas e contos. Pulu é um romance publicado em 1986 que retrata com sensibilidade e riqueza de detalhes a vida no interior da Bahia, especialmente na região do Vale do Rio das Contas. Poemas: O Meu Canto, Mãe, É a ti flor do cacau, Manezinho Capilé, Memórias de Chico Benício, etc, etc.

     Considerações sobre Clodomir Xavier (Patrono): Não li quase nada sobre Clodomir Xavier, de sua obra conhecia PULU, não sabia se ele era autor de prosa ou poesia, ou, ambos, eu não sabia que, ele havia nascido nem Itacaré, em Ubaitaba , ou, na cidade de Aurelino Leal, mas não manifestei a minha ignorância aos demais confrades, resignei-me com o ensinamento de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa”. Voltei para casa e consultei o “Google”, o pai dos burros e não o “Aurélio”, mas não encontrei nada ou quase nada de Closinho, agora, patrono da cadeira nº. 24, da Academia de Letras de Itabuna - ALITA.

     Recorri aos amigos, Humberto Hugo, Ceres Marylise e Kleber Torres, eles enviaram por e-mail algum material, porém, incipiente para o resumo biográfico do patrono Clodomir Xavier. Não disponibilizaram material necessário para se elaborar uma descrição mais completa para colocá-lo no quadro de patronos, mas valeu o desprendimento e a colaboração..

     ”Não obstante a escassez de referências bibliográficas do poeta e escritor Ubaitabense, suas raízes intelectuais são significativas na região do cacau, fez-se necessário transcrever, abaixo, a título de informação, na íntegra, uma carta enviada ao seu amigo e escritor Euclides Neto, sobre o livro “Os genros”:

Clodomir Xavier de Oliveira para Euclides Neto

Carta em “Os genros” - carta - Ubaitaba - 1981

“Acabei, agorinha mesmo, de ler Os genros. Aliás ler não é bem o caso. Reler, porque o li no chaboque — como você sabe.

Escritor vivo, só por política, é glorificado, por isto é que você é apenas o “escritor de Ipiaú”. Creio que os pósteros é que lhe vão dar o merecido lugar de “O príncipe dos escritores grapiunas. A trouxa de genros foi muito bem lavada.

A linguagem adequada ao assunto. A aplicação saborosa do jargão regional enfeitando a “inculta e bela” na formosura dos verbos bem conjugados e pronomes no lugar certo. As metáforas ilustrativas, sem carecer explicações. Livro gostoso e sério.

O assunto é enxugado de uma maneira tão saborosa e leve, que o leitor é convidado a reler cada capítulo, como o fiz em alguns, combinando o prazer.

Valeu-me também a colaboração que tive com cerca de cinquenta, entre vocábulos e expressões, para o dicionário de termos regionais, que estou tentando fazer.

E, para isto, vai aqui uma exploração: Encontrei à página 92: “. . .bebendo cabrecho no curral”.Que é “cabrecho”?

Aqui os meus parabéns pelo seu livro magistral. Recomende-me a sua senhora. Um abração do amigo” (Clodomir Xavier)

O poeta Gilberto Fernandes lhe prestou homenagem após a sua partida para eternidade, um poema com título HONRA AO MÉRITO, que é uma descrição biográfica do sua história devida:

HONRA AO MÉRITO

Em dia de Gloria e assaz beleza / Com jubilosas festas nos jardins da vida / Despontou mais um astro da língua portuguesa / Para grandeza de nossa pátria tão querida.

Clodomir Xavier de Oliveira, escritor, autodidata / Digno de pergaminho / Foi jornalista, escritor, poeta e educador / Mesmo tão longe tem aqui nosso carinho.

Notável cronista e até consagrado / Pelo estilo primoroso de escrever./ Deixou ao mundo, um público renomado / que até hoje lê suas obras com prazer

Seu nome está no resplendor da história com “Pulu” / Ou tudo mais que sempre fez e quis / Ubaitaba manterá sua memória / Esta homenagem o fará feliz.

Iluminou o caminho de muita gente / E ensinou de graça aos que não sabiam ler, / Mostrou ao mundo, provas de amor fremente / E ao irmão, nobre ensejo de aprender.

Na Central do Cacau foi grande presidente / Formidável, sábio excepcional / Seu nome está no bronze e na patente, / Por tudo isso, foi, pulcro final.

O homem morre, mas seu nome permanece / No pedestal da gloria que o projetou / O tempo pode passar, porém ninguém esquece / A batalha da vida que o imortalizou.

E quando o sol despontar no horizonte / E a aurora beijar as flores dos jardins / Acharás esta mensagem sobre os montes / Entre as saudades e perfumados jasmins. Poeta Gilberto Carlos Fernandes

CONCLUSÃO:

     Eu fui designado pela presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, confreira Raquel Rocha para elaborar uma minibiografia de Clodomir Xavier de Oliveira, patrono da cadeira nº. 24. No início tive alguma dificuldade material publicado na Internet, porém, pouco e pouco solicitei informações de amigos que moraram em Ubaitaba, a quem registro gratidão e, no caso do jornalista Humberto Hugo que privou de sua amizade, gratidão dobrada.

     Clodomir Xavier de Oliveira foi um sujeito singular, autodidata literário, assim como Machado de Assis, escreveu romance, contos, poesias, colaborou com uma produção vasta e permanente no jornal Tribuna da Região, com artigos, crônicas, entrevistas, etc. Além de educador, sindicalista, político, cacauicultor e artista plástico.

     Ubaitaba, a cidade das canoas, de esporte como a CANOAGEM, a PETECA, e a CAVALGADA, na música, Fernanado Luna, vários grupos musicais de sucesso nacional, na literatura, destacaram-se Clodomir Xavier de Oliveira e o compositor e poeta Webber Tannus.

     Clodomir Xavier, apelidado pelos íntimos de CLOSINHO, teve seu reconhecimento em vida, dentre outros ficcionistas, Jorge Amado, Adonias Filho e Eucides Neto. Em PULU, vê-se a força de sua linguagem criativa e erudita e estilo original.

     Na política, CLOSINHO nadou de braçada, foi vereador e prefeito de Ubaitaba, foi um dos fundadores do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. A história ubaitabense que, ele se destacou como bom administrador no executivo dessas entidades políticas.

     Na Educação, ele fundou o Centro Educacional Ubaitabense (CEU), onde foi professor por muitos anos. Emprestou seu nome para Biblioteca Municipal de Ubaitaba.

     Enfim, Clodomir Xavier deverá estar sempre no panteão dos homens que construiram o Sul da Bahia com suas ideias, força de trabalho e patriotismo. E, que a posteridade jamais o esquecerá. Rilvan Batista de Santana

 

(*) Rilvan Batista de Santana - lecionou Matemática no curso médio no Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Instituto Municipal de Educação Aziz Maron – IMEAM, como professor. Foi vice-diretor e diretor do Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Assistente de Direção do IMEAM, foi professor do Colégio Diógenes Vinhaes em Itajuípe, coordenador de área de matemática por vários anos. Publicou seus primeiros artigos e crônicas no semanário SB Informações e Negócios – Itabuna e no jornal Diário de Itabuna. Foi vereador e 1º Secretário do Legislativo itabunense, secretário (secção Itabuna) do Movimento Democrático Brasileiro-MDB, hoje, PMDB. Agraciado com o “Título de Cidadão Itabunense”, em 28 de Julho de 2019, pela Câmera de Vereadores de Itabuna. “Título de Mérito Educacional”, em 16 de outubro de 2019, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Na Academia de Letras de Itabuna ocupa a cadeira 09 cujo patrono é Walker Luna. Desde cedo é leitor contumaz de poetas e romancistas brasileiros e estrangeiros, é um autodidata da literatura de ficção.

 

Fonte: Tribuna da Região / Jornal a Região / Site: Esteja a gosto / Site: euclidesneto.com / Wikipédia.

Corretor ortográfico - R. Santana

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Corretor ortográfico

R. Santana

 

     Faz algum tempo que entusiasmado com a impressão e edição do meu primeiro livro, procurei um amigo professor de literatura para que fizesse uma avaliação do livro, ou seja, avaliasse a trama boa ou ruim, a coerência, os personagens secundários, os protagonistas e a sequência de início, meio e fim, e, a apresentação e a conclusão. Não sei se ele leu o livro ou fez uma leitura rápida, eu sei que me devolveu o livro com observações de gramática, feitas a lápis com letras miúdas nas barras laterais ou no rodapé, isto é, solicitei do professor a interpretação do texto, o mal educado professor de literatura, desprovido de sensibilidade, devolveu-me filigranas de gramática.

     Por isso, é importante o trabalho do corretor ou revisor de texto na produção dum livro. Porém, o corretor deve-se limitar às correções de erros digitais, ortográficos, erros de concordância, etc. Porém, jamais substituir palavras, frases ou pontuação. A substituição de uma palavra por outra ou substituir uma frase por outra, essa correção mexe no estilo do autor e no enredo.

     Alguns escritores famosos que foram desleixados com a gramática: Lima Barreto, Guimarães Rosa, Cora Coralina e Carolina Maria de Jesus, etc. No entanto, outros escritores tinham a gramática embaixo do braço a exemplo de Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Rui Barbosa. Eu concordo com alguém que escreveu: “Mas o que você quer ser”, eu pergunto, “um escritor ou um gramático?”. Um escritor não precisa conhecer a definição de verbo defectivo — mas precisa ao menos intuir, graças a seu convívio diário com a língua”.         Para ser escritor é necessário criatividade, imaginação, memória factual, inspiração, inovação e a capacidade de urdir todos os elementos de uma história. Por isto, para ser escritor. não é condição sine qua non ser um gramático.

     Do outro lado, existem dois tipos de leitor: o leitor concentrado, silencioso e facilidade de interpretação e, o leitor que fragmenta o texto numa leitura superficial. Esse leitor está adaptado às notícias digitais, rápidas e exíguo tempo.

     Todavia, a profissão de revisor de texto, em breve se extinguirá por falta de demanda do mercado, com a chegada de novos recursos técnicos como o Corretor Ortográfico Automático e a Inteligência Artificial (IA). Outra tendência que se impõe no mercado editorial e nos meios de comunicação, é que os textos são curtos, hoje, valoriza-se mais a imagem que a escrita. As mensagens longas (cartas, memorandos, ofícios, etc.), e os livros espessos são coisas do passado. As comunicações atuais são feitas em textos diminutos com voz e imagem em tempo real.

     Se as teorias de Marshall MacLuhan tivessem sido implantadas no total, o livro e o revisor profissional eram fatos históricos. Porém, faz-se necessário esclarecer que, com toda evolução dos meios de comunicação, o livro não perdeu seu protagonismo, além do livro físico, existem os livros digitais que são acessíveis através da Internet.

     Os meios de comunicação, a exemplo das mídias tradicionais (televisão, cinema e rádio) e as mídias digitais (YouTube e plataformas multimídias), esses meios de comunicação não foram suficientes para extinguir o livro, haja vista, as feiras literárias de livros que se espalham por todo o país. Ariano Suassuna tinha uma explicação humorada: “... Eu gosto de ler livro, às vezes, leio na cama. Como irei me embolar na cama com computador?”

     O revisor de texto não é o autor, o revisor é imprescindível no processo editorial, ele corrige os lapsos digitais do escritor, porém, é o escritor que teve o feeling, a inspiração da história. O escritor que possui todos os direitos autorais de sua obra, mais ninguém, ele que se expõe ao fracasso ou sucesso.

     O trabalho do escritor é estafante, solitário, além da criatividade, disciplina, ele passa dias ou meses produzindo uma história até ficar pronta e mandar para editora, depois, lançar no mercado para retorno comercial, isto é, se houver retorno., quantos casos já ocorreram que o reconhecimento vem depois da morte do autor.

     Enfim, o revisor, apenas, é uma peça no custo de uma obra literária. O mal maior é que o brasileiro não gosta de ler, os índices de leitores e de livros lidos por ano, são baixos, diria baixíssimos. O escritor ou poeta brasileiro produz por amor à arte, não por remuneração de sua arte.

 

 

 

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google para qualquer audiência.

Cabeça de homem, mas coração de menino - R. Santana

 


Cabeça de homem, mas coração de menino

R. Santana

 

     Acredito que as forças do universo conspiram para o bem e o mal não prevalecerá. Depois que Wilson Caitano de Jesus Filho, assumiu à presidência da ALITA (2022/2024), a minha história acadêmica tomou um novo rumo. Porém, não foi fácil, tive que provar a minha conduta ética, responsável, comprometido com a verdade, que jamais fui um "terrorista cultural". Wilson Caitano, apenas, junto aos demais pares, homens e mulheres de bem, corrigiu as  injustiças que sofri e fui reintegrado na entidade acadêmica itabunense, em junho de 2023.

     Não o conhecia pessoalmente, nos encontramos an passant no Shopping Jequitibá, depois o destino quis que, ele fosse vizinho de minha filha no condomínio VOG João de Goes em Ilhéus, então, os nossos encontros familiares tornaram-se mais amiúdes. Com o convívio, descobre-se que Wilson Caitano é uma pessoa proba, simples, correta, ética, princípios religiosos significativos, sensibilidade aflorada e, pela sua formação moral e jurídica, ele é inimigo da injustiça, seu bem maior é sua família, a esposa e os filhos.

     Wilson Caitano nasceu em Cipó, uma cidade pequena, mas aconchegante, águas quentes e poder de cura, águas descobertas em 1730, quando o padre Antônio Monteiro Freire que tinha recebido uma sesmaria em Itapicuru de Cima, escreveu uma carta ao vice-rei do Brasil, relatando essas águas termais, só em 1829 foi construída uma casa de banhos. Porém, o turismo hidrotermal ganhou impulso comercial em 19 de março de 1928.

     Os pais de Wilson Caitano eram conhecidíssimos em Cipó, social e politicamente. Ele comerciante e vereador, sua mãe, funcionária pública. Wilson Caitano fez até a 4ª. Série, no Grupo Escolar Getúlio Vargas, 8ª. Série no Colégio Cipoense e o curso médio na Escola Agrotécnica de Catu.

     É um homem festeiro, alegre, não perde uma festa junina, gosta do forró, forró do pé de serra de Luiz Gonzaga, do arrasta pé, das quadrilhas, bebe com sobriedade, mas, acompanhado da mulher e filhos. Aprecia ler às madrugadas e caminhar sem rumo na beira do mar.

     Desde 1990 que Wilson Caitano mora em Itabuna, veio para fazer o curso superior, aqui, comeu o pão que o Diabo amassou, sem dinheiro e longe da família, a angústia e o desespero quase tomaram conta, pouco e pouco, ele foi driblando as necessidades e tomou gosto pela terra. Hoje, “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, gostou tanto que encontrou, aqui, sua cara-metade, Renata Caitano, que lhe presenteou com 2 filhos bonitos e saudáveis.

     Wilson Caitano é um leitor contumaz. Graduado em Direito pela UNIME, Pós-Graduando em Direito Previdenciário, graduado em Ciências Naturais - UESC, graduado em Pedagogia pela FEVANI e Pós-Graduado em Processo Civil pela LEGALI.

     Foi eleito em 2022/2024 para presidir a Academia de Letras de Itabuna - ALITA e realizou uma administração profícua e honrou sua passagem na presidência da academia com os seguintes feitos:

a)Regularização do Estatuto e Regimento,

b) I Concurso Literário,

c)Noite de autógrafos - ALITA e Centro de Cultura Teosópolis (lançamento de escritores regionais),

d)Projeto: Pequenos autores e Grandes Leitores - ALITA / Centro de Cultura Teosópolis,

e)Participação de Stand da ALITA na FLI,

f)Participação do dia do poeta com a FICC, Praça José Bastos,

g)Homenagem a Ruy Barbosa, parceria da ALITA com o Centro de Cultura Teosópolis

h)Deu início na documentação para reconhecimento de utilidade pública da ALITA, com o vereador Israel Cardoso que não se reelegeu e não pode dar continuidade ao projeto,

i)Lançamento do Hino e da Bandeira da ALITA,

j) Título de presidente de Honra a Cyro de Mattos, etc, etc.

 

     Escritor de histórias infantis de mancheia, é o que lhe dar prazer. Certa feita me confidenciou que, aposentado, iria escrever mais histórias infantis e participar de todas as feiras-literárias. Escreveu: As Crianças da Vila, Um Estranho em Minha Casa e Uma Aventura ao Som do Berimbau. Este último é o livro que mais gosta, pois fala de capoeira, meio ambiente e cultura afrodescendente.

     Enfim, Wilson Caitano, além de escritor, advogado, professor, coordenador, educador, gestor educacional, é uma pessoa de caráter ilibado, humano, democrático e defensor da liberdade religiosa e pessoal.

     Ele é um pai de família exemplar, sua família está acima de qualquer projeto pessoal. E, devo-lhe gratidão sempre.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem da produção

A pobre, rica literatura do Sul da Bahia - R. Santana

 


A pobre, rica literatura do Sul da Bahia

R. Santana

 

     Eu quero, a priori, dizer que este texto é um estudo embasado na leitura e observação. E, dizer aos amigos e aos menos amigos, que este texto, também, foi produzido para chamar à atenção dos que fazem cultura no Sul da Bahia, que é pobre em literatura de qualidade e rica em produtividade literária. Invocando Ernesto Carneiro Ribeiro em polêmica com Rui Barbosa, na redação do Código Civil do Brasil, dizia que Rui Barbosa, o egrégio jurista, “nadava muito e afundava pouco”, ou seja, Ernesto Carneiro Ribeiro fez um apelo para análise, síntese e lógica dos conceitos do Código Civil e evitando prolixidade. Resguardando a genialidade de ambos, também, os escritores e poetas do Sul da Bahia, “nadam muito e afundam pouco”. Os produtores de cultura do Sul da Bahia, eles dão mais significado à quantidade que à qualidade do verso e da prosa.

     Numa terra de versadores e prosistas de boa qualidade, como escritores e poetas: Sósigenes Costa, Euclides Neto, Ariston Caldas, Ildásio Tavares, Plínio de Almeida, Firmino Rocha (Deram um fuzil ao menino! No Portal da ONU), Clodomir Xavier, Helena Borborema, Valdelice Pinheiro, Telmo Padilha, dentre muitos, eles deveriam ter sido reconhecidos pela crítica especializada do país, porém, suas produções não passaram do limite de suas cidades, na melhor avaliação, de sua Região. Qual a causa desses escritores e poetas que não foram reconhecidos lá fora? Acredito, que falta de originalidade, de criatividade, conteúdo esgotado, falta de talento literário e genialidade, não obstante, todos esses poetas e escritores foram intelectuais de nomeada do seu tempo.

     Não é a quantidade de literatura que produz um best seller, alguém pode escrever “n” livros e não vendê-los e esses livros morfarem nas estantes das bibliotecas.

    A história da literatura está cheia de poetas e escritores que escreveram pouco e são universais a exemplo de Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe), Euclides da Cunha (Os Sertões), Maquiavel (O Príncipe), Kafka (O Processo e Metamorfose), José Mauro de Vasconcellos (Meu Pé de Laranja Lima), Edgar Allan Poe (O Corvo), Emily Bronté (O Morro dos Ventos Uivantes), etc.

     Jorge Amado, escritor itabunense, diferente dos seus conterrâneos, deixou um legado literário e político significativos, com vasta produção literária, sua obra foi adaptada para o cinema e televisão e traduzido em mais de 80 países. Jorge Amado foi um escritor de literatura Sul baiana no mais lato sentido da palavra.

     Depois do verso livre, todo mundo se autointitula poeta ou escritor, a maioria sem qualificação, talento e vocação que, minhoca nunca será cobra, eles alimentam a vã ilusão que escrever é uma atividade fácil, de reconhecimento e retorno financeiro imediatos. Escrever é um ato solitário e publicar um livro, hoje, é dispendioso e necessário uma boa editora e serviço de marketing para disponibilizá-lo no mercado consumidor. O escritor e editor Monteiro Lobato, sustentava que “O livro é uma mercadoria como outra qualquer” se não vende, é que o livro não despertou o interesse do comprador, que não “presta”...

     Escrever é uma necessidade interior, um impulso incontrolável, como o ar que se respira, um dom de Deus. Clarice Lispector descreve a escrita como a “única forma de existir”. Quem escreve prosa ou escreve versos por diletantismo, não pode ser considerado escritor e poeta na acepção estrita da palavra. Não se faz um escritor ou um poeta na escola, mas, nasce o escritor e nasce o poeta, isto é, já nasce com natureza de escritor ou natureza de poeta.

     Produzir ideia, emoção ou beleza, não é tarefa fácil, é uma vida íngrime, introspectiva e solitária, muitos poetas e escritores ficcionistas vivem ou morrem numa penúria financeira de dar dó. Alguém acha que Fernando Pessoa, Drummond, Cora Coralina. Machado de Assis, Graciliano Ramos, Aluísio de Azevedo, e, tantos outros, viveram nababescamente? Ledo engano!

     Muitos sobreviveram de outras atividades, ajuda de família ou ajuda de amigos. Nem todo mundo nasce com a estrela de Paulo Coelho e Jorge Amado que venderam milhões de livros, afora direitos autorais para TV e Cinema. A maioria morre pobre e esquecido. Faz um tiquinho de tempo, que o poeta Mário Quintana, na penúria financeira, foi ajudado pelo jogador Paulo Roberto Falcão, que o alojou no "Hotel Royal" de sua propriedade, até sua morte.   

     Propositadamente, Adonias Filho ficou por último, porque, ele foi quase tão longe quanto Jorge Amado. Agraciado com várias honrarias, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), jornalista, ensaísta, crítico literário e romancista. Escreveu demais e literatura de qualidade, porém, não teve sucesso de venda de suas produções e suporte midiático. Dentre todos os seus romances, destacam-se: Corpo Vivo, Luanda Beira Bahia e Memórias de Lázaro, As velhas, etc. Na fundação da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, seus membros escolheram-no como patrono.

     Enfim, o objetivo desta crônica foi para chamar à atenção dos produtores culturais e autoridades municipais do Sul da Bahia, com a promoção de políticas públicas que embasem novas produções culturais, quanto à logística, quanto aos eventos e na edição de livros de poetas e escritores da terra do cacau, senão, o nosso acervo criativo ficará sempre restrito aos limites da cidade.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Imagem: Google

Cidade menina (II) - R. Santana

 


Cidade menina (II)

R. Santana

 

     O Rio Cachoeira atravessa a cidade de Itabuna, é o símbolo da cidade. O Rio Cachoeira é uma fonte  de inspiração para poetas e escritores. Não existe na cidade itabunense um poeta que não o tenha cantado em seus versos ou escritor que não o tenha relatado em sua prosa. Porém, sua beleza natural é empanada quando chove demais em suas cabeceiras e provoca enchentes e transtornos indescritíveis e prejuízos materiais e econômicos incalculáveis. O rio poético, cantado em verso e prosa, assume o seu lado natural agressivo e esmaga o homem.

     Itabuna, também, desfruta no seu entorno de todo bioma da Mata Atlântica. Sua economia está embasada no cacau, no comércio pujante, na pálida indústria, na incipiente pecuária e na agricultura familiar. Não é uma cidade turística, mas, é ponto de apoio para sua coirmã litorânea Ilhéus.

     Itabuna é uma cidade jovem, uma cidade menina de 115 anos... O quê significa um século para uma cidade? Nadica de nada. Quantas cidades milenares têm o mundo? Centenas! O itabunense é acolhedor, é solidário, é simpático e alegre, sempre se coloca no lugar do outro nas adversidades, porém, não poderia ser diferente, pois, Itabuna é o resultado da miscigenação do sergipano, do alagoano, do negro, do índio, do árabe e do português. Existe uma rivalidade folclórica que Itabuna é papa-jaca e Ilhéus é papa-caranguejo, contudo, não passa de folclore, são cidades coirmãs, uma é a extensão da outra.

     É maldade alguém dizer que Itabuna não tem “identidade cultural”, não tem “história cultural”, não tem “memória”, é negar Jorge Amado, Hélio Pólvora, Valdelice Pinheiro, Plínio de Almeida, Firmino Rocha, José Bastos, Zélia Lessa, Walter Moreira, Marcionílio, Kléber Torres, Ruy Póvoas, Luiz Caldas, Kokó, etc. Mais atual: Aldo Bastos, Jackson Costa, Wilson Caitano, Daniela Galdino, Iana Carolina, Lourival Pereira Júnior (Piligra), Lorenza Mucida, Emadilson Jesus Santos, Otoniel Neves e Rafael Gama, dentre outros poetas e escritores.

     Dizer que Itabuna não tem “identidade cultural” é negar a FICC, o Teatro Municipal Candinha Dórea, a “Litterarum”, a TV Santa Cruz (Globo), TV Cabrália (Record), a TVI, o Clube dos Poetas, as escolas de capoeira, o Centro Cultural Adonias Filho, onde se desenvolve dança de salão, ballet, jazz, fotografia, etc. Ela é coroada com as academias de letras ALITA e AGRAL.

     É verdade que Itabuna tem políticos honestos, desonestos e egoístas, que é comum em toda sociedade. Porém, Itabuna já teve políticos que além de honestos, foram emblemáticos e grandes executivos, como Ubaldo Dantas, Alcântara, Félix Mendonça e José Oduque e Fernando Gomes.

     É verdade que homens desonestos, criminosos, corruptos, malfazejos têm em todas as sociedades, desde que gente se entende por gente, porém, as sociedades abrigam, também, homens trabalhadores, corretos, de idoneidade ilibada, que graças ao Senhor é maioria, senão, estaríamos perdidos e Itabuna não é exceção nesse contexto.

     Não se pode negar o valor dos bens intelectuais, espirituais e morais na formação de um povo e quão são necessários na definição do comportamento e no caráter do homem, porém, o homem é corpo e alma, se alimenta de poesia, de fotografia, de prosa, de pintura, de dança, de filosofia de religião e doutras expressões culturais, mas se alimenta, também, de pão, de leite, de café, de feijão, de arroz, de carne, de galinha, de peixe, portanto, o homem é um ser interativo. O escritor por exemplo, é tão necessário quanto o padeiro, o açougueiro, o pedreiro, o pintor, o mecânico... todos têm sua importância comunitária.

     Enfim, Itabuna é uma cidade média que exige políticas públicas voltadas para educação, transporte, segurança e políticas sociais que atendam os vexames da população sofrida. É uma cidade como outra cidade do interior ou da capital, tem gente boa, tem gente má, mas é uma querida cidade, é a “Princesinha do Sul da Bahia” e sempre será.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

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