9.10.2026

A Velhice - R. Santana

A Velhice

R. Santana


“Ninguém ama a vida como o homem que está envelhecendo”

 

A idade da decadência física, moral e subordinação. A velhice não é a melhor idade como eufemismo daqueles que ainda não envelheceram. A velhice não traz esperança e não mais se projeta o futuro porque o tempo que resta é exíguo. O pior da velhice não são as comorbidades, as doenças crônicas, mas o estado de sujeição, o idoso fica subordinado às condutas autoritárias de filhos, netos, às vezes, de estranhos. Melhor cedo morrer do que viver muito tempo nessa idade decrépita.

Porém, não é a antiguidade do sujeito que traz desilusão e falta de perspectiva, mas, os problemas da falta de saúde e o preconceito social, com o tempo, ele torna-se invisível, marginalizado para sociedade, exceto, se for um idoso depositário de riqueza e afortunado, que com a idade física, suas faculdades mentais continuam sãs e salvas. Não é incomum, grandes executivos privados e executivos políticos, à administração de uma empresa ou de um país. Konrad Adenauer foi Chanceler da Alemanha Ocidental com idade bem avançada. Ultimamente, Donald Trump, com 80 anos de vida, governa os Estados Unidos da América, o país mais bélico e de recursos econômicos do mundo.

A disposição de espírito e o humor do idoso desaparecem quando ele é subestimado ou lhe impede de exercer a função mais simples no dia a dia. O idoso é cônscio de sua limitação física, todavia, não é um inválido, ainda lhe resta disposição física e mental para certos afazeres. Sua saúde depende de movimento e sua capacidade de pensar. A atividade e o pensamento são condições sine qua non para existência em qualquer idade. Lamarck, um dos pais da Teoria da Evolução, disse lá atrás que o órgão que não se usa atrofia, "uso e desuso", ou seja, em qualquer idade o corpo precisa de movimento para não se degenerar.

Por outro lado, a sociedade política e a sociedade civil criaram mecanismos recentes para proteção do idoso na Lei nº. 10.741 / 2003 (Estatuto do Idoso). Essa Lei tem por objetivo conceder aos idosos certas prioridades e punir os elementos das más relações afetivas interpessoais, hoje, alguém que maltrata um idoso não ficará impune, mas responderá em juízo sua conduta desprezível.

A velhice não é privilégio de alguns por ter vivido muito, é uma condição humana (Quem moço não morre, velho não escapa), portanto, o homem, potencialmente, ele nasce para ter uma longa vida, se no percurso da existência, ele morre mais cedo, não é uma regra, é uma exceção.  Por isto, todos têm que se preparar para envelhecer, sempre em mente: - Eu serei você amanhã!...

O Criador fez o homem e a mulher e os colocou no jardim do Éden, deu-lhes livre arbítrio para escolher o bem ou o mal, a árvore da vida e do conhecimento, eles desobedeceram e pecaram, por isto, a velhice e a morte. Eles deixaram de ser criaturas espirituais infinitas e assumiram a condição humana finita.

Peço perdão ao leitor pela licença poética: o homem deveria nascer velho com longa vida e, à medida que fosse se desenvolvendo, passaria pelas etapas conhecidas: criança, pré-adolescente, adolescente, jovem adulto, adulto e idoso, iríamos ver e o seguinte diálogo: “Compadre, qual a idade de seu menino João e do jovem Antônio?”, “Compadre, João está com 100 anos de idade. Antônio já adquiriu a maioridade com 150 anos de vida”. - Seria fantástico!...

Alguém poderia dizer: “Quê maluquice, homem?”, Responder-lhe-ia: - Amigo, veja o exemplo das cidades: elas nascem feias, toscas, caminhos esburacados, sem ruas, sem iluminação, sem água corrente, mato por todos os lados, sem esgoto... porém, quanto mais velhas, mais bonitas e mais aprazíveis.

Enfim, a velhice tira a dignidade do homem, melhor seria se moço morresse.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Foto: Google

Ponto de Leitura: rilvan.santana.blogspot.com

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