A
Velhice
R. Santana
“Ninguém ama a vida como o homem que
está envelhecendo”
A idade da decadência
física, moral e subordinação. A velhice não é a melhor idade como eufemismo daqueles
que ainda não envelheceram. A velhice não traz esperança e não mais se projeta
o futuro porque o tempo que resta é exíguo. O pior da velhice não são as
comorbidades, as doenças crônicas, mas o estado de sujeição, o idoso fica
subordinado às condutas autoritárias de filhos, netos, às vezes, de estranhos.
Melhor cedo morrer do que viver muito tempo nessa idade decrépita.
Porém, não é a
antiguidade do sujeito que traz desilusão e falta de perspectiva, mas, os
problemas da falta de saúde e o preconceito social, com o tempo, ele torna-se
invisível, marginalizado para sociedade, exceto, se for um idoso depositário de riqueza e
afortunado, que com a idade física, suas faculdades mentais continuam sãs e
salvas. Não é incomum, grandes executivos privados e executivos políticos, à
administração de uma empresa ou de um país. Konrad Adenauer foi Chanceler da
Alemanha Ocidental com idade bem avançada. Ultimamente, Donald Trump, com 80
anos de vida, governa os Estados Unidos da América, o país mais bélico e de recursos econômicos do mundo.
A disposição de
espírito e o humor do idoso desaparecem quando ele é subestimado ou lhe impede
de exercer a função mais simples no dia a dia. O idoso é cônscio de sua
limitação física, todavia, não é um inválido, ainda lhe resta disposição física
e mental para certos afazeres. Sua saúde depende de movimento e sua capacidade
de pensar. A atividade e o pensamento são condições sine qua non para
existência em qualquer idade. Lamarck, um dos pais da Teoria da Evolução, disse
lá atrás que o órgão que não se usa atrofia, "uso e desuso", ou seja, em qualquer idade o corpo
precisa de movimento para não se degenerar.
Por outro lado, a
sociedade política e a sociedade civil criaram mecanismos recentes para
proteção do idoso na Lei nº. 10.741 / 2003 (Estatuto do Idoso). Essa Lei tem
por objetivo conceder aos idosos certas prioridades e punir os elementos das
más relações afetivas interpessoais, hoje, alguém que maltrata um idoso não
ficará impune, mas responderá em juízo sua conduta desprezível.
A velhice não é
privilégio de alguns por ter vivido muito, é uma condição humana (Quem moço não
morre, velho não escapa), portanto, o homem, potencialmente, ele nasce para ter
uma longa vida, se no percurso da existência, ele morre mais cedo, não é uma
regra, é uma exceção. Por isto, todos têm
que se preparar para envelhecer, sempre em mente: - Eu serei você amanhã!...
O Criador fez o homem e
a mulher e os colocou no jardim do Éden, deu-lhes livre arbítrio para escolher o
bem ou o mal, a árvore da vida e do conhecimento, eles desobedeceram e pecaram,
por isto, a velhice e a morte. Eles deixaram de ser criaturas espirituais
infinitas e assumiram a condição humana finita.
Peço perdão ao leitor
pela licença poética: o homem deveria nascer velho com longa vida e, à medida
que fosse se desenvolvendo, passaria pelas etapas conhecidas: criança,
pré-adolescente, adolescente, jovem adulto, adulto e idoso, iríamos ver e o
seguinte diálogo: “Compadre, qual a idade de seu menino João e do jovem Antônio?”,
“Compadre, João está com 100 anos de idade. Antônio já adquiriu a maioridade
com 150 anos de vida”. - Seria fantástico!...
Alguém poderia dizer: “Quê
maluquice, homem?”, Responder-lhe-ia: - Amigo, veja o exemplo das cidades: elas
nascem feias, toscas, caminhos esburacados, sem ruas, sem iluminação, sem água corrente,
mato por todos os lados, sem esgoto... porém, quanto mais velhas, mais bonitas
e mais aprazíveis.
Enfim, a velhice tira a
dignidade do homem, melhor seria se moço morresse.
Autoria:
Rilvan Batista de Santana
Membro
da Academia de Letras de Itabuna
Foto:
Google
Ponto
de Leitura: rilvan.santana.blogspot.com

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