8.22.2026

Poetas Revisitam o Poeta Pessoa* - Cyro de Mattos

 

              Poetas Revisitam o Poeta Pessoa*

                    Cyro de Mattos

             

             Luís de Camões cantou um pequeno Portugal de marinheiros com os seus feitos maravilhosos por mares nunca dantes navegados. É considerado o poeta mais abrangente e expressivo da lusitanidade, voz poderosa do humanismo renascentista que transformou a obra-prima Os Lusíadas (2003, no Brasil) em monumento de imaginação e arte nas letras mundiais. Fernando Pessoa é um dos fundadores da modernidade literária portuguesa, criador de uma obra poética de dimensões universais como um caso genial, que dá vida a personagens de qualidades poéticas de alto nível. Cada uma delas com a sua biografia própria, ideias próprias, maneira própria de fazer poesia, a simular pensamento e sentimento diante de tudo, ligar o eu ao externo no enigma do existir.

Esse demiurgo lúcido, poeta dos heterônimos, gênio do eu reflexivo  no espelho do mundo, nasceu em Lisboa , em 13 de junho de 1888 e faleceu em  30 de novembro de 1935, com uma obra poética que superou como nunca se tinha visto em tempos modernos as fronteiras estreitas de Portugal. Fernando Pessoa, em sua feição instigante de poeta singular e plural, tornou-se o mais famoso dos poetas da língua portuguesa. “Minha Pátria é a Língua Portuguesa”,  disse, ganhando dimensões admiráveis cada vez mais toda a extensão desse dizer, como resultado de uma poesia calcada em dois elementos de natureza fortíssima, a imagística de seu lirismo e o visionarismo mítico de seu pensamento.

Poetas revisitam Pessoa (2003) é a antologia que o professor João Alves das Neves organizou para homenagear Fernando Pessoa.  Foi publicada pela Editora Universitária de Portugal. João Alves Neves das Neves é escritor especializado em Fernando  Pessoa, professor-pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, em São Paulo, presidente do Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa em São Paulo. Na antologia que organizou com poetas brasileiros e portugueses, observou “que estamos numa fase em que a poesia  e a prosa de Fernando Pessoa  prende o leitor e o especializado em todas as áreas, inclusive os poetas”. Acrescentou que “nos últimos anos, demos início a uma colheita de poesias  dos mais variados autores e tendências, não só a partir do autor ortônimo mas também dos   heterônimos.” Entre os poetas portugueses, brasileiros e de outros países preferiu selecionar para a sua antologia os de língua portuguesa.

Livre e genial, dono de um eu reflexivo incrível,  quem  foi Fernando Pessoa? Ele mesmo respondeu: “O que sou essencialmente – por trás  das máscaras involuntárias do poeta, do raciocinador e do que mais haja -  é dramaturgo”. Por isso mesmo em outro de seus versos  disse que se tudo isso aqui é ilusão melhor é sabê-la.

Na antologia organizada pelo escritor e professor universitário João Alves das Neves, foram selecionados  cinquenta poetas, entre portugueses e brasileiros, que escreveram poesia inspirada no poeta e em seus famosos heterônimos Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Entre os poetas de Portugal que participam da antologia foram relacionados Adolfo Casais Monteiro, Agostinho da Silva, Miguel Torga, Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teresa Rita Lopes e Vasco Graça Moura. Do lado brasileiro foram elencados, dentre outros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Mário Chamie, Alberto da Costa e Silva, Álvaro Alves de Faria, Ariano Suassuna, Carlos Felipe Moisés,  Eduardo Alves da Costa, Glauco Matoso, Miguel Jorge e Neide Archanjo.

Além da homenagem que é prestada ao imenso poeta, que se sentiu um transeunte inútil, estrangeiro no cotidiano de Lisboa, a “errar em salas de recordações”, essa antologia traz um conjunto harmonioso de notas afetiva e intelectual, nacional e universal, que ressoam como descobertas preciosas no próprio Fernando Pessoa, autor de poemas breves e leves, sonoras canções e versos “ocultistas”.

Da singularidade de uma poesia fingida, produzida por eus fictícios, a antologia sinaliza em Alberto Caeiro o poeta materialista desses estados do ver e do conhecer relacionados com a realidade imediata através de sentimentos inocentes. Externa em Ricardo Reis o timbre de uma poesia clássica, que tem como modelo Horácio, antigo poeta romano. Confere em Álvaro de Campos aquele poeta impressionado com o mundo tecnológico, anunciador de ventos velozes, por meio da máquina construtora dos tempos modernos, após a Primeira Guerra Mundial.  

Na antologia Poetas revisitam Pessoa, lendo-se Agostinho da Silva, por exemplo, fica-se sabendo dessas reflexões de Alberto Caeiro: Ser só um elo/ eu ao que é tudo / mas que sem mim / seria mudo (p. 19). Sente-se em Alberto da Costa e Silva que o eterno é agora e em si mesmo morre (p. 21). Em Carlos Drummond de Andrade percebe-se que por mais que se busquem as identidades do poeta essas são difíceis de serem achadas. Afinal, quem é quem na maranha /de fingimento que mal finge / e vai tecendo com fios de astúcia / personas mil na vaga estrutura / de um frágil Pessoa? (p. 40).

Nos desejos de saber por entre versos que tocam as cordas íntimas da angústia, da solidão no mundo, Carlos Drummond de Andrade prefere ignorar esse enigma com seus diversos eus independentes, expostos, oblíquos em véu de garoa. Encontra-se ainda em Miguel Torga o poeta de Mensagem como o vidente filho universal / dum futuro-presente Portugal,/ outra vez trovador e argonauta (p. 88).

Assim temos uma antologia que diz da singularidade dos sentimentos de Fernando Pessoa e sua multiplicidade pensante de eus fictícios, criados como fingimento pelo poeta para conhecer-se e conhecer   o outro na leitura do mundo. Com os poetas Adolfo Casais Monteiro, Glauco Matoso, Mário Chamie, Murilo Mendes, Natália Correa, Sophia de Mello Breyner Andresen e Vasco Graça Moura, o poeta buscador sem pátria do “outro” que somos e nos habita é tocado de afinidades eletivas, apresentando-se de novo com a necessidade de multiplicar-se para sentir-se.

Para que fosse possível essa multiplicidade tão dele, sabe-se que construiu uma obra poética a partir de relação sensitiva e imediata com o ver, desenvolvida por atividade criadora maiúscula em que precisou refletir tudo, sustentar todo o peso terrestre através de seus males e mistérios. Entre a ilusão do ver e da lúcida consciência do saber, nesse conflito diante do mundo, fez-se um dos maiores fingidores de gente que já apareceu na existência através dos sinais marcantes e simbólicos da poesia. De maneira genial. Foi urdida uma idealização da realidade multifacetada para alcançar o sonho composto de humanidade tão dele, tecida, nas profundezas da alma e labirintos do cérebro, com temas vários questionadores da existência.

          O conhecimento e a compreensão de poetas portugueses e brasileiros nessa antologia para homenagear Fernando Pessoa expressam as mais diversas realidades e situações de um poeta incomum com o seu caso heteronímico. Limita-se o elogio a uma convivência de pensamento nos círculos da boa poesia, de argumentos cúmplices relacionados com o voo altíssimo de sentimento do belo na poesia da vida, retomado agora sob uma ótica própria, bem pessoal.

         Trata-se de antologia que, nas reflexões, lembranças, sonhos, labirintos, amores e dores, resulta em testemunho importante desse poeta que até hoje desafia a crítica, apaixona intelectuais e leitores.

          Ele, o genial poeta português, que com Alberto Caeiro confessou:

        

       Não tenho ambições nem desejos.

       Ser poeta não é uma ambição minha.

       É a minha maneira de estar sozinho.

 

         Nessa antologia organizada com bom gosto, arguto senso crítico, fomos contemplados com um poema de nossa autoria, que também integra a revista Saudad, de poesia com poetas relevantes do mundo,  editada pelo escritor português  Antonio José Queirós,  Associação Amarante Cultural, Edições do Tâmega, número 3, , dezembro de 2002.

Este é o poema. 

Mar de Fernando Pessoa

Para Graça Capinha

 

Daqui este mar

Estende-me ilhas

Dos que quiseram

Sonho e caverna

A subir das espumas

O momento de sabê-lo.~

 

Daqui este mar

Define-me anseios

À sombra de uma nau

Mais antiga com ventos

Vagando na areia

De onde venho e vou.

 

Daqui este mar

Que lugar remoto

Estar dentre dele

Deus a não querer

Aos que pagaram

Um preço pela  vida

Que o sono vencesse.

 

Daqui este mar

O riso das  gaivotas

Perfurava o peito.

A língua ferida

Na fome da fama,

Valeu a pena

Pisar a terra rica?

 

Daqui este mar

Fado vazando veia

De repente a Pátria

 Molhadas as tristezas

A terra inteira visse.

 

Leitura Sugerida

In:“Encontros com Fernando Pessoa”, do livro Kafka, Faulkner, Borges e Outras Solidões Imaginadas”, Cyro de Mattos, EDUEM – Editora da Universidade Estadual de Maringá, Paraná, no prelo. 

**Poetas revisitam Pessoa, antologia de poetas portugueses e brasileiros,        organização João Alves das Neves, Universitária Editora, Lisboa, 2003.

 

 Fonte: WhatsApp da ALITA

Foto: Google



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BOM DIA, MEU DIA VITORIOSO!

 







BOM DIA,

MEU DIA VITORIOSO!

De: João  Batista de Paula- Escritor e Jornalista.

Esta é minha visão, opinião, que aprendi desde cedo : O  que é bom para você, pode não ser bom para mim, para outra pessoa, para nosso vizinho..

Faz bem saber que cada coisa tem o seu sabor todo especial. Uma maravilha ser sal ou ser açúcar, óleo e ser água.

Bom dia!

O que te faz feliz hoje,?

Então, seja feliz.

Dia Bom.

Dia Regular

Dia Ótimo.

Dia  Excelente.

Dia Insuficiente

Bom dia!

Meu irmão.

Minha irmã.

Dia reparador.

Dia Alegre.

Dia triste.

Dia feliz.

Dia maravilhoso.

Dia do sim.

Dia do não.

Dia da dúvida.

Dia da certeza.

Dia do amigo.

Dia de acao de graça.

Dia de paz e bem.

Dia do trato feito.

Dia de saltar de felicidade.

DEUS  não dorme.

DEUS cuida de você dia e noite.

Deus cuida de cada um de nós.

Eu creio!

Bom dia!

Meu dia de glória.

Tenha o seu dia todo especial.

Na verdade tudo ê uma questão de amor, fé, crença, religião, espiritualidade, conexão com o divino e procurar viver muito bem  amando, servindo, sendo útil

Tem gente que pode estar  no inferno e ser feliz, causando revolução de amor, beijando e abraçando, perdoando, falando de Deus e do  amor perfeito.

Como esta pessoa foi parar no inferno?

Pode ter ocorrido um engano.

O diabo vai expulsar esta pessoa de lá, por ser boa demais..

Pode crer.

O importante é não esquecer que o sol brilha para todos.

Que a grande luz é o próprio Deus .

Veja que caminhos percorrer e refazer para as  vivências dos bons dias.

  limpo?

Tudo numa boa?

Enfim  vamos gerar felicidades

O que está  fazendo de bom agora?

Uma avaliação e reflexão para chegarmos ao topo e ao fim do dia com exito;  deitar e rolar feliz,  sem culpa ou remorso, faz bem para mantermos o equilibrio e o amor amplo em nossos corações.

Tenho dito; só cresce quem se renova.

Como foi seu dia?

Foi...

Vitorioso

Glorioso

Gostoso

Prazeroso

Iluminado

Milagroso

Abençoado

Certeiro.

Feliz.

Contemplativo.

O imprevisto não manda aviso prévio, se não houve imprevisto para as realizações, é bom demais!

Vamos ficar torcendo por nossos encontros e dias maravilhosos.

Chegar ao fim do dia sem culpa de ter omitido o bem , a verdade e o Belo:  é  uma riqueza imensa. Um merecimento encantador e exemplar.

É maravilhoso concluir o dia e a noite, afirmando:

Dia abençoado por Deus,

Saltei de felicidade.

Realizei o que projetei e organizei,

Edifiquei meu projeto de vida,

Pratiquei boas ações,

Promovi a paz, a bondade    o amor, a esperança, a gratidão.

Fiz boa viagem.

Fiz meu Pé de meia com segurança.

Realizem bons encontros e bons negócios.

Sou um vitorioso.

Já vencedor.

Fiz alguém feliz, bem mais feliz com a própria vida.

Obrigado meu Deus.

Bom dia!

Para todos nós

Para os dias bons:

a gratidão:

Para os dias ruins:

a  esperança, fé, oração, confiança..

Para todos os dias:

a paz , o  amor, a bondade, a atenção,  a gentileza, a doação, a compaixão, a caridade,  a  saúde e a prosperidade.

O abraço fraternal,

O elogio sincero,

O perdão,

As carícias,

Os carinhos,

A bondade a mil; e

a espera de um milagre  sempre devem fazer parte de nossas aspirações e desejos , porque o milagre  acontece.

Deus pode.

Deus quer.

Deus faz.

Dormir e acordar em oração,  em regozijo e  louvores em agradecimento a Deus pelo amor a vida, pelo  sol  e pela a beleza da natureza:

ê um grande milagre.

É  uma bênção poder  seguir avante com a vida,

por mais  um dia,

por mais uma semana,

por mais um 

mês,

por mais um ano,

ou mais.

Chegar ao feliz aniversário é  uma dádiva divina.

Trata-se de uma mudança de elevado nível com felicitações, presentes e congratulações nobres e de coração.

Bom dia!

Um feliz ano novo para você.

A verdade ê a vida...

O que somos,

O que queremos,

O que praticamos,

O que pensamos,

O que realizamos de bom ou ruim fazem parte do viver.

Vamos sorrir e cantar.

Vamos segurar firmes nas mãos gloriosas do Pai Eterno.

Não importa o que VOCÊ enfrenta na vida, 

o importante é não largar das mãos de DEUS.

Segurar firme,  porque Dias Melhores virão, porque

Deus nos fará justiça

Bom dia!

Irmão.

Bom dia!

Irmã.

Vamos saltar de felicidade, sim. Agora. Hoje.

Amanhã é um novo dia.

Nada de lamúrias, reclamação, 

xingamentos,

ira, 

ódio,

rancor,

raiva,

Intrigas

fofocas,

disse me disse,

Injustiça,

traição,

separação,

mesquinheis,

maledicências,

Falsos testemunhos,

desejos de vingança e tocaias no seu dia a dia, porque esta stmosfera gera infelicidade com as filhas da sanguessuga: quero mais  quero mais.

Esta atmosfera infernal desagrada a todos e, por isso mesmo, deve ficar bem longe de todos nós filhos amados do pai

Bom dia com os pés no chão e o olhar voltado para o futuro, porque .um

dia seremos todos iguais.

Bom dia nada custa...

O homem da atualidade é  que vai sempre preferir uma nota de cem reais do que cem moedas de um real.

Sejamos felizes com a nota ou com as moedas.

Bom dia!

Excelente dia, porque riqueza maior ê o amor de Deus,

o amor a vida.

Bom dia com Jesus. porque

DEUS é nossa Fortaleza,

Nosso  conselheiro e guia de luz.

Bom dia.

Boa tarde.

Boa noite.

 

Autor: : João Batista de Paula- Escritor e Jornalista.

Foto: Produção


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8.21.2026

CARTA A UM VELHO POETA - Rainer Maria Rilke

 

CARTA A UM VELHO POETA

 

…É preciso ter paciência como um doente e ter confiança como um convalescente, pois talvez o senhor seja ambas as coisas. Mais ainda: o senhor também é o médico que tem de tratar de si mesmo. Mas em toda doença há muitos dias em que o médico não pode fazer nada além de esperar…

 

- Rainer Maria Rilke  (em carta a um jovem poeta)

 

Então, querido leitor e melhor amigo,

tenho que dizer-te a verdade sobre isso.

Toda vez que te lances sobre teu umbigo

é a solitude que te cobra o compromisso.

 

Entao, escreva como se buscasse abrigo

num mundo onde a alma tem mais viço.

Este espaço onde com palavras brigo

Ate encontrar meu eu poético e omisso.

 

Ele vem a superfície de maneira sorrateira

pouco a pouco rouba a cena do cotidiano

e no poço da imaginação senta-se à beira

 

É quando vejo o céu me incendiando.

Um fogo acendendo a grande fogueira,

a que nos faz seguir poetizando.

 

S. R. P. Brandão

Foto: Google

03.11. 23.


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Taniguchi e a Inteligência Artificial (IA) - R. Santana

Taniguchi e a Inteligência Artificial (IA)

R. Santana

Dois anos depois que conheço “Tanaguchi”, esta semana, eu vim conhecer parte de sua história de vida. Não nasceu no Brasil, foi trazido por seus pais do Japão, da cidade de Yokohama, com 5 anos de vida, aqui, cresceu, trabalhou na agricultura familiar e graduou-se em engenheiro agrônomo na cidade de Cruz das Almas. Outra curiosidade é que, eu pronunciava seu nome errado: - Tanaguchi ao invés de Taniguchi, aliás, Hikaru Taniguchi. Depois das minhas desculpas, ele amenizou: “não se preocupe amigo da prosa, a maioria me conhece por Tanaguchi. Hikaru Taniguchi é para os íntimos e a família.”. Depois da explicação, ele foi fundo:

- Eu lhe conheço, qual é a prosa de hoje?

- Meu amigo, vim lhe ver – eu menti.

- Obrigado!

- Porém, uma coisa estar inquietando-me!

- O quê?

- A Inteligência Artificial (IA).

- Narvil, o dicionário tem duas palavras coirmãs: o fato e a hipótese. O fato é o que aconteceu, provado e comprovado. O fato é real, a discussão do fato é estéril, existe por si. Existe um provérbio popular que diz: “se alguém leva uma bofetada nem Deus tira”, é fato. Mesmo que o esbofeteado revide, sua dor moral será para sempre. A hipótese causa discussão, às vezes, discussões futuras. Quero lhe dizer que a IA é fato não é hipótese, gostemos ou não, não podemos mudar esse fato.

- Amigo Taniguchi, a IA é um fato. Porém, o conteúdo desonesto dessa ferramenta produz estrago irreparável, além, da extinção de muitas profissões e empregos. Taniguchi, veja o caso dos bancos, a maioria fechando os bancos físicos, tudo é feito nos bancos virtuais, com prejuízo de milhares de empregos.

- Companheiro, essas tecnologias não terão mais retorno, é o tempo, novas tecnologias virão e novos tempos. Quando era jovem, a Teoria de Malthus me assustava, de acordo essa teoria, ia faltar comida na mesa, porque a população crescia mais do que a produção de alimentos. Hoje, o Brasil alimenta a China. As máquinas fazem na agricultura o que não fariam uma dezena de homens, sem falar nos drones (máquinas autônomas) que mapeiam a área plantada, pulverizam os defensivos, aplicam fertilizantes e os custos reduzidos – acrescentou:

- Narvil, conhece George Orwell, o “Grande Irmão”?

- Claro, Taniguchi!

- Pois é, estamos vigiados pelo “Grande Irmão”, é câmara para todos os lados, até a polícia usa câmara em seu uniforme. Hoje, os criminosos não se escondem, são pegos facilmente pela polícia e justiça.

- E, aí, Hikaru Taniguchi?

- Meu caro Narvil, o processo de mudança é incômodo, porém, quando as condutas se ajustam, é um novo normal. Veja, as compras virtuais, digitais. As empresas como Amazon, Shopee, Mercado Livre, dentre outras empresas vendem tudo pela internet, produtos de qualidade e, em tempo recorde de entrega.

- Mas, o desemprego...

- Li em algum lugar, que Deus chamou o anjo Gabriel e deu-lhe uma missão, visitar a casa de seu José e dona Maria. Gabriel encontrou uma casa de adobe, esburacada, 4 filhos, uma miséria absoluta. Estupefato com tanta miséria, perguntou ao seu José como sobrevivia? “Eu tenho mimosa, uma vaquinha, ela dá 4 ou 5 litros de leite todos os dias, eu vendo leite e compro alimento para mim e para mulher e filhos”. O anjo Gabriel disse a Deus, "... é grande a miséria do casal, que o casal e os filhos  eram sustentados pela vaquinha mimosa..." Deus disse-lhe: “volte e mate mimosa”. “Mas, mas... Senhor tenha compaixão, eles vivem do leite de mimosa. Com seu perdão não me mande fazer isso!” O Senhor insistiu: “... não me desobedeça”, na casa do sem jeito, Gabriel matou mimosa. Dez anos depois, Deus chamou o anjo Gabriel e mandou que, ele fosse visitar o casal José e Maria. Para surpresa do anjo Gabriel, encontrou o casal em grande prosperidade: casa bonita, carro, moto, filhos na faculdade, etc. Então, Gabriel, perguntou: “José como adquiriu tanto Patrimônio?”, José respondeu-lhe: “...depois da morte de mimosa, fui trabalhar numa fábrica. Maria comprou uma máquina, depois mais outra, começou costurar pra fora e com as bênçãos de Deus, estamos prósperos!” Quando voltou, disse: “Senhor, Senhor, perdoa-me por não ter confiado nos seus desígnios” – Taniguchi acrescentou:

- Moral da história, Narvil: “... em tempo de murici, cada um cuida de si", ou seja, na dificuldade é que surge a solução – continuou:

- O brasileiro é trabalhador, criativo, inteligente, polivalente, se o banco físico fechou, o mundo é grande, ele  lhe oferecerá outras opções.

            -  Hikaru Taniguchi, você não nega sua origem de “Terra do Sol Nascente”. Eu saio daqui, com a certeza, que o problema não é a “Inteligência Artificial”, mas, a “Inteligência Natural”. Deus ilumine mais seu saber e obrigado!

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Foto: Google

 

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