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4.30.2026

9 Anos sem Belchior! - Agilson Cerqueira

COMO NOSSOS PAIS 

Não quero lhe falar meu grande amor

Das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi

E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor é uma coisa boa

Mas também sei que qualquer canto

É menor do que a vida

De qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem

Há perigo na esquina

Eles venceram

E o sinal está fechado prá nós

Que somos jovens

Para abraçar seu irmão

E beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço

O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada

Como uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade

Não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento

Cheiro de nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva

Do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua

Cabelo ao vento

Gente jovem reunida

Na parede da memória

Essa lembrança

É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Como os nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos

E as aparências

Não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer

Que eu 'tô por fora

Ou então que eu 'tô inventando

Mas é você que ama o passado

E que não vê

É você que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a ideia

De uma nova consciência e juventude

'Tá em casa

Guardado por deus

Contando vil metal

Minha dor é perceber

Que apesar de termos feito tudo, tudo

Tudo o que fizemos

Nós ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos como os nossos pais

Foto: Google 

Rubem Braga - Dilva Frazão

Rubem Braga / Cronista e jornalista brasileiro - Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Biografia de Rubem Braga

Rubem Braga (1913-1990) foi um escritor e jornalista brasileiro. Tornou-se famoso como cronista de jornais e revistas de grande circulação no país. Foi correspondente de guerra na Itália e Embaixador do Brasil em Marrocos.

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, no dia 12 de janeiro de 1913. Seu pai, Francisco Carvalho Braga era proprietário do jornal Correio do Sul. Iniciou seus estudos em sua cidade natal. Mudou-se para Niterói, Rio de Janeiro, onde concluiu o ginásio no Colégio Salesiano.

Carreira literária

Em 1929, Rubem Braga escreveu suas primeiras crônicas para o jornal Correio do Sul. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em seguida transferiu-se para Belo Horizonte onde concluiu o curso em 1932. Nesse mesmo ano, iniciou uma longa carreira de jornalista que começou com a cobertura da Revolução Constitucionalista de 32, para os Diários Associados.

Em seguida, foi repórter do "Diário de São Paulo", fundou a "Folha do Povo", o semanário "Comício", e trabalhou no "Diretrizes", semanário de esquerda dirigido por Samuel Wainer. Em 1936, Rubem Braga lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho.

Com 26 anos, já era casado com a militante comunista Zora Seljjan. Não era filiado ao partido, mas militava ativamente na Aliança Nacional Libertadora. Depois de se envolver em um caso amoroso impossível decidiu mudar de cidade e de emprego.

Quando o cronista mudou-se para Porto Alegre, o Brasil vivia a ditadura do governo de Getúlio Vargas e o mundo preparava-se para entrar na Segunda Guerra Mundial. Ao por os pés em Porto Alegre, foi preso por suas crônicas sobre o regime. Graças à pronta intervenção de Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Folha da Tarde, logo foi solto.

Durante os quatro meses em que ficou em Porto Alegre, Rubem Braga publicou 91 crônicas na Folha da Tarde, que foram publicadas postumamente em “Uma Fada no Front" (1994). Os escritos mostram um cronista engajado contra a ditadura Vargas e o nazismo.

Na época, a luta política foi a nota dominante das crônicas da Folha. Por causa das muitas pressões da polícia e dos círculos palacianos do Estado, Braga teve que voltar ao Rio de Janeiro.

Em 1944, Rubem Braga foi para a Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, quando cobriu, como jornalista, as atividades da Força Expedicionária Brasileira. No início dos anos 50, se separou de Zora, que lhe deu um único filho Roberto Braga.

Rubem Braga foi sócio da "Editora Sabiá" e exerceu cargos de chefia do escritório comercial do Brasil no Chile, em 1955, e de embaixador no Marrocos, entre 1961 e 1963.

Características da obra de Rubem Braga

Rubem Braga dedicou-se exclusivamente à crônica, que o tornou popular. Como cronista mostrava seu estilo irônico, lírico e extremamente bem humorado. Sabia também ser ácido e escrevia textos duros defendendo os seus pontos de vista. Fazia crítica social, denunciava injustiças, a falta de liberdade da imprensa e combatia governos autoritários.

Últimos anos

Rubem Braga adorava a vida ao ar livre, morava em um apartamento de cobertura, em Ipanema, onde mantinha um jardim completo, com pitangueiras, passarinhos e tanques de peixes.

Nos últimos tempos, publicava suas crônicas aos sábados no jornal O Estado de São Paulo. Foram 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas, que reunia em seus livros.

Rubem Braga faleceu, no Rio de Janeiro, no dia 19 de dezembro de 1990.


Obras de Rubem Braga

O Morro do Isolamento (1944)

Um Pé de Milho (1948)

O Homem Rouco (1949)

A Borboleta Amarela (1956)

A Traição das Elegantes (1957)

Ai de Ti Copacabana (1960)

Recado de Primavera (1984)

Crônicas do Espírito Santo (1984)

O Verão e as Mulheres (1986)

As Boas Coisas da Vida (1988)

Frases de Rubem Braga

"Há um grande vento frio cavalgando as ondas, mas o céu está limpo e o sol muito claro. Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão."

"Sou um homem quieto, o que eu gosto é ficar num banco sentado, entre moitas, calado, anoitecendo devagar, meio triste, lembrando umas coisas, umas coisas que nem valiam a pena lembrar."

"Desejo a todos, no Ano Novo, muitas virtudes e boas ações e alguns pecados agradáveis, excitantes, discretos e principalmente, bem sucedidos."

"Acordo cedo e vejo o mar se espreguiçando; o sol acabou de nascer. Vou para a praia; é bom chegar a esta hora em que a areia que o mar lavou ainda está limpinha, sem marca de nenhum pé. A manhã está nítida no ar leve; dou um mergulho e essa água salgada me faz bem, limpa de todas as coisas da noite."


Fonte: Rubem Braga / Cronista e jornalista brasileiro - Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google

Notícia de jornal - Fernando Sabino

 

Notícia de jornal - Fernando Sabino

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem deu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

Mais uma crônica que traz um contexto jornalístico é Notícia de Jornal, do escritor mineiro Fernando Sabino. O texto integra o livro A mulher do vizinho, de 1997.

Sabino expõe suas ideias e indignação sobre o problema da fome no Brasil. Ele relata de forma pertinente a insensibilidade de boa parte da sociedade frente à miséria e o desamparo das pessoas em situação de rua.

Assim, apresenta o absurdo que é a naturalização da morte em plena cidade movimentada, à luz do dia e diante do público, que não se comove.


Autoria: Fernando Sabino

Foto: Google

Soneto XIII - Olavo Bilac (1865-1918)

 

Olavo Bilac (1865-1918)

Eleito como o príncipe dos poetas brasileiros pela revista Fon-Fon em 1913, Olavo Bilac foi um poeta e jornalista brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, é um dos principais nomes do parnasianismo no Brasil e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Conhecido por seus sonetos impecavelmente construídos, sua poesia é marcada pela busca da perfeição formal, com ênfase na métrica, na rima e no uso preciso da linguagem. Seus temas muitas vezes giram em torno do amor, da pátria e da beleza, com um lirismo refinado e um tom elevado.

Entre suas obras, também estão algumas prosas e diversos poemas voltados ao público infantil. Conhecido republicano, foi o liricista de Hino à Bandeira do Brasil, sendo que muitas de suas poesias exaltam a Língua Portuguesa, encorajam a participação cívica e buscam por uma noção de nação brasileira.

 

Soneto XIII


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

 

 E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 


Fonte: VISEU

Foto: Google

4.29.2026

Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus

 


Foto: Google 

Publicação: Agilson Cerqueira 

DIA INTERNACIONAL DA DANÇA








DIA INTERNACIONAL DA DANÇA  


Louvada seja a dança

porque liberta o homem

do peso das coisas materiais,

e une os solitários

para formar sociedade.

Louvada seja a dança,

que tudo exige e

fortalece a saúde, uma mente serena

e uma alma encantada.

A dança significa transformar

o espaço, o tempo e o homem,

que sempre corre perigo

de se desfazer e de ser somente cérebro,

ou só vontade, ou só sentimento.

A dança, porém, exige

o ser humano inteiro,

ancorado no seu centro,

e que não conhece a vontade

de dominar gente e coisas,

e que não sente a obsessão

de estar perdido no seu ego.

A dança exige o homem livre e aberto

vibrando na harmonia de todas as forças.

Ó homem, ó mulher, aprende a dançar

senão os anjos do céu

não saberão o que fazer contigo.


Autoria: Santo Agostinho

Foto: Google

Hoje me falaram em virtude - Pagu

 

Pagu (1910-1962)

Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, foi uma artista, jornalista, e ativista brasileira, nascida em São João da Boa Vista, São Paulo. Figura central do Modernismo e do movimento antropofágico, Pagu é autora de Parque Industrial (1933), o primeiro romance proletário do Brasil.

A escrita de Pagu é marcada por sua linguagem inovadora e por uma visão crítica da sociedade, especialmente no que diz respeito às questões de classe e gênero. Além de sua produção literária, Pagu foi uma importante militante e participou ativamente do cenário político e cultural brasileiro.

Sua poesia é um reflexo de seu engajamento político e de sua luta pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores. Pagu é lembrada como uma pioneira na literatura de vanguarda e um símbolo feminista brasileiro.

 

Hoje me falaram em virtude

Tudo muito rito, muito rígido

Com coisinhas assim mais ou menos

Sentimentais.

 

Tranças faziam balanças

Nas grandes trepadeiras

Estávamos todos por conta de.

 

Nascinaturos espalhavam moedinhas

Evidentemente estavam brincando

Pois evidentemente, nos tempos atuais

Quem espalha moedas

Ou é louco, ou é porque

está brincando mesmo.

O que irritou foi o porquê.


Autoria: Pagu

Foto: Google

Eu-Mulher - Conceição Evaristo (1946-

Conceição Evaristo (1946-)

Conceição Evaristo é uma escritora e poeta brasileira, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Sua obra aborda as questões de raça, gênero e classe no Brasil, com destaque para o romance Ponciá Vicêncio (2003).

Embora mais reconhecida por sua prosa, escrevendo alguns dos contos brasileiros mais icônicos em sua coletânea Olhos D’Água (2014), também escreveu poemas. Marcada pelo conceito da escrevivência que permeia toda sua obra, sua poesia também parte da experiência de vida da autora e de sua comunidade

Evaristo é uma voz importante na literatura contemporânea, especialmente na representação da mulher negra e periférica brasileira. Sua linguagem é direta, emotiva e carregada de significados sociais e históricos, com caráter antirracista e de resistência.

 

Eu-Mulher


Uma gota de leite

me escorre entre os seios.

Uma mancha de sangue

me enfeita entre as pernas.

Meia palavra mordida

me foge da boca.

Vagos desejos insinuam esperanças.

Eu-mulher em rios vermelhos

inauguro a vida.

Em baixa voz

violento os tímpanos do mundo.

Antevejo.

Antecipo.

Antes-vivo

Antes – agora – o que há de vir.

Eu fêmea-matriz.

Eu força-motriz.

Eu-mulher

abrigo da semente

moto-contínuo

do mundo.

 

Autoria- Conceição Evaristo

Foto: Google

4.28.2026

Ironia de Lágrimas - Cruz e Souza (1861-1898)

Cruz e Souza (1861-1898)

O maior representante do simbolismo no Brasil, Cruz e Souza foi um poeta nascido em Santa Catarina. É conhecido por sua poesia marcada por uma linguagem elaborada e pela exploração de temas como a morte, o sofrimento e a espiritualidade.

No que diz respeito à forma de seus poemas, preferia o soneto, mas também experimentou com estruturas menos rígidas. Tem como característica o pessimismo, com teor existencial, contemplativo e misterioso.

Sua obra é marcada por uma busca pela transcendência, utilizando imagens sugestivas e uma linguagem rica em metáforas e sinestesias. Permeado por sua subjetividade, Cruz e Souza é uma figura central na literatura brasileira.

Ironia de Lágrimas

Junto da morte é que floresce a vida!
Andamos rindo junto a sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
Da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
Do nosso corpo, Fausto sem ventura…
Ela anda em torno a toda criatura
Numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
E a marteladas lúgubres e tredas
Das Ilusões o eterno esquife prega.

E adeus caminhos vãos mundos risonhos!
Lá vem a loba que devora os sonhos,
Faminta, absconsa, imponderada cega!

 

Autoria: Cruz e Souza

Foto: Google

 

Versos Íntimos- Augusto dos Anjos (1884-1914)

 

Augusto dos Anjos (1884-1914)

Nascido na Paraíba, Augusto dos Anjos foi um professor e poeta, representante do pré-modernismo brasileiro. Eu (1912), sua única obra publicada em vida, chocou a sociedade da época.

Caracterizado por uma visão materialista e desencantada da vida, expressa isso em imagens fortes e muitas vezes revoltantes. Tem uma estética própria, da podridão e da decomposição, com caráter biológico, cético e mórbido.

Sua poesia aborda temas como a morte, a decadência e a angústia existencial. É única em sua fusão de elementos simbolistas e parnasianos com uma linguagem científica e filosófica, sendo considerado um dos autores brasileiros mais originais de todos os tempos.

Versos íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

Autoria: Augusto dos Anjos

Foto: Google

 

Comprometimento - Jim Mathis

Comprometimento

Por Jim Mathis

Existem diferentes tipos e níveis de compromisso. Minha analogia preferida é o café da manhã americano composto de ovos e bacon. Podemos dizer que a galinha que forneceu os ovos esteve envolvida, mas o porco que deu o bacon esteve totalmente comprometido com a refeição.

Alguns parecem que nunca são capazes de se comprometer com alguma coisa. Outros são rápidos para assumir compromissos, mas igualmente rápidos para descomprometer-se. Outros ainda são lentos para decidir, mas uma vez assumido o compromisso, seguem em frente com entusiasmo. Eu me encaixo no último grupo.

Anos atrás minha esposa e eu nos envolvemos com um grupo de estudo bíblico semanal. Nós Nos reunimos todas as quintas à noite durante quase sete anos. Faltamos apenas umas poucas vezes por estarmos viajando de férias. Composto por seis casais, era raro que todos estivessem presentes. Isso sempre foi um mistério para mim: por que as pessoas não conseguem se manter fiéis aos seus compromissos?

Por fim, descobri que as pessoas se comprometem de forma diferente: umas com pessoas e outras com o evento. Para nós, o estudo da Bíblia era importante, mas os relacionamentos eram mais. Estávamos comprometidos com as pessoas e não com o evento em si. Teria sido fácil para nós não participar do estudo, mas sentíamos que não podíamos deixar nossos amigos na mão, mesmo que a maioria demonstrasse pelas atitudes, que não tínhamos a mesma importância para eles.

Isto se aplica ao mundo de negócios. Minha esposa e eu nos comprometemos com evento, produto ou serviço, mas com freqüência nosso compromisso primeiro é com as pessoas envolvidas. Quando um procedimento ou programa é colocado acima dos relacionamentos geralmente surgem atritos. Por isso, buscamos manter negócios com quem gostamos. As melhores empresas entendem isso. Elas contratam pelas qualidades que desejam e depois treinam as pessoas para capacitá-las e não o contrário.

Para os que são inclinados a se comprometer com eventos, eis um pequeno teste. Se você e um amigo planejarem fazer algo juntos, como ir ao cinema, e ele precisar cancelar o encontro, você decide ir mesmo sozinho, ou com outra pessoa ou agenda para quando seu amigo puder ir junto? As situações são diversas, mas cada um de nós tem uma tendência: ou nos comprometemos com evento, com agenda ou com pessoas. 

Fiz parte do quadro de dirigentes de uma organização sem fins lucrativos e tomamos a decisão de deixar de atrair eventos e começar a atrair pessoas. Não sei ao certo se realizamos mais dessa forma, mas nos descobrimos muito mais felizes e apreciamos os relacionamentos que desenvolvemos. Especialmente nas crises é preciso compreender o nível de compromisso das pessoas que estão conosco. Como diz a Bíblia, “Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais apegado que um irmão” (Provérbios 18.24).

Em muitas circunstâncias ter amigos com nível de comprometimento como o da galinha, que oferece ovos para o café da manhã, é o bastante. Mas às vezes precisamos de alguém pronto para comprometer-se como o porco.

Questões Para Reflexão ou Discussão

1.  Como você encara o contraste entre os estilos daqueles que se comprometem mais com pessoas, ou os que colocam eventos e programas acima dos relacionamentos?

2.  Que tipo de comprometimento é mais comum em você?

3.  Você se aborrece quando lida com pessoas com baixo nível de comprometimento? Já se sentiu desapontado com pessoas que não corresponderam às suas expectativas?

4.  Qual é, para você, o significado do versículo de Provérbios 18.24?

As vítimas das fraudes digitais - R. Santana

 

As vítimas das fraudes digitais

R. Santana


Leitor amigo, todos nós somos potenciais vítimas das fraudes digitais. Todos os dias surgem novas tecnologias, novos aplicativos e novas redes sociais, embora haja uma preocupação com a segurança digital, com novas camadas de proteção, os fraudadores, também, acompanham essas mudanças tecnológicas e continuam com novas fraudes digitais e novos crimes diuturnamente.

Todos nós estamos sujeitos às fraudes digitais, mas os idosos com pouco saber, são os mais vulneráveis. Eles vêm do Século passado, não havia celular “Smartphone”, notebook, computador, WhatsApp, Instagram, Facebook, “Xis”, Tik Tok, Kwai e Inteligência Artificial. As relações eram pessoais, os bancos físicos (estão substituindo pelos bancos virtuais), eram depositários do dinheiro do povo. As operações bancárias não eram feitas nos terminais eletrônicos e PIX, mas, em caixas funcionais, tête-à-tête.

Os cientistas afirmam que dentro em breve, o homem irá representar 5% de uma população do robores, androides, drones, híbridos, sintéticos e Elon Musk fala em exército de robores. E, o último conflito ratifica essa informação, é uma guerra vertical, com foguetes, bombas e drones. O homem será substituído pelo robô no trabalho. A relação de trabalho não muito longe será revista, hoje, os robores humanoides fazem todo trabalho doméstico.

Na China o robô está substituindo o médico, lá, o paciente entra numa cabine “médica”, é feito todos os exames pela máquina e o paciente sai com a receita e indicações da doença. A suíça e o Japão estão produzindo sangue sintético e prometem colocar o portador do Alzheimer numa máquina e tirar todas as enzimas nocivas do sangue e deixá-lo curado.

O leitor desavisado, poderá perguntar-me: “professor, não me interessa essa tecnologia de robores e as fraudes?”, no momento não, “tu tens razão amigo”, porém, fi-lo para lhe mostrar as duras mudanças e adaptações que a humanidade terá que passar. A humanidade, futuramente, será dividida em duas categorias de pessoas: as pessoas que dominam essas tecnologias e as pessoas que não as dominam.

As fraudes fazem parte dessa parafernália tecnológica de pessoas más, sujeitos sem escrúpulos, escondidos atrás de “paredes” virtuais.

A Inteligência Artificial serve para muita coisa, porém, veio somar às tecnologias anteriores em que os bandidos usam IA para copiar a foto, a voz e as expressões corporais.

Eu sou demais cauteloso com esses apetrechos eletrônicos.  Não clico em qualquer link, não respondo WhatsApp nem e-mail, nem telefonemas de pessoas que não estão entre os meus contatos. E, só adiciono plataformas e aplicativos que tenho conhecimento e de domínio público, que é confiável e  seguro. Todavia, já fui vítima de duas tentativas e um malfeitor já se apossou de meus parcos recursos financeiros num terminal eletrônico de banco em plena manhã. Vamos lá:

- Cheguei ao BB no Shopping e já estava uma fila formada. Coloquei o meu cartão na máquina e fiz a biometria. O cartão enganchou... Saiu não sei de onde um sujeito bem vestido que se disponibilizou ajudar-me: - É preciso recadastrar-se, todo mundo está se recadastrando, senão, a máquina rejeita o cartão, respondi-lhe: - Eu sou cliente do banco faz algum tempo, ele: - É formalidade... Leitor amigo, não entreguei o meu cartão ao sujeito, apenas, obedeci aos seus comandos. Chateado que não estava dando certo, deixei o banco, porém, acho que não finalizei e deixei a minha conta em aberto. Quando estava na praça de alimentação, tive uma sensação estranha, voltei ao BB, tudo funcionou, o sujeito tinha sacado R$ 3.000,00 (três mil reais), valor máximo de saque e agendado R$ 1.000,00 (um mil reais) para no dia seguinte. Quase tive um piripaque, corri à agência central, os funcionários cancelaram todas as senhas, tive que fazer uma carta contando toda história e o BB me ressarciu o prejuízo.

- Doutra feita, na época do celular analógico, recebi um telefonema em que os bandidos diziam que tinham sequestrado minha filha (ela estava ao alcance dos meus olhos), e, pediam resgate. Argumentei-lhe que não tinha dinheiro, então, surgiu uma dona no fundo das falas, chorando e rogando que negociasse o sequestro: “meu pai, eles vão me matar e chorava”, o bandido chefe, tomou-lhe o telefone e multiplicou as ameaças, disse-lhe que não fizesse aquilo (para ganhar tempo e brincar com o bandido), que iria resolver o problema, mas, ele aumentou as ameaças enquanto a minha falsa filha chorava. Farto da brincadeira, disse-lhe: Mata essa Peste! – Desliguei o telefone.

- Essa história foi recentíssima, numa demanda com o estado da Bahia para correção de nível funcional: recebi do meu “advogado” um documento pelo WhatsApp, timbrado, com o selo do Tribunal de Justiça da Bahia, que ia receber mais de 68.000,00 (sessenta e oito mil reais). Tudo parecia correto, mas quando, ele começou pedir meus dados bancários, fechei o aplicativo e o bloqueei. Quase que ia caindo no golpe, pois a foto do advogado e documento do TJB eram perfeitos.

Enfim, leitor amigo, plagiando um escritor bíblico: “Orai e vigiai sem cessar”, porque os golpes virtuais se aperfeiçoam cada dia.


Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Foto: Google


  rilvanbatistadesantana.blogspot.com

4.27.2026

MANDACARUS DO MEU JARDIM - Agilson Cerqueira

 


MANDACARUS DO MEU JARDIM

Agilson Cerqueira 

Quando o mandacaru floresce, 

Todos nós ficamos cheios de alegria,

Pois há poesia no nordeste.

É uma flor de um dia, 

Mas é a certeza da beleza por um dia! 

A flor do mandacaru 

Desafia a todos por um sorriso,

Ainda que seja timido,

Pois, o mandacaru em flor, 

É a flor da alegria, com sua flor de um dia.

Os mandacarus do meu jardim

Vão florescer por mais dias,

Não sei se sorrirei,

Mas os mandacarus do meu jardim 

Vão florescer por mais tempo,

Aguardando o meu

Tempo de sorrir!


Autoria: Agilson Cerqueira
Foto: Produção
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons


A Pessoa Mais Velha do Ambiente Por Rick Boxx

 

A Pessoa Mais Velha do Ambiente

Por Rick Boxx

 

Recentemente Kevin, um líder empresarial, mencionou ter descoberto que precisava se adaptar ao fato de ser, com frequência, a pessoa com mais idade presente em um recinto. Da mesma forma que costumava admirar os que eram mais velhos do que ele, Kevin disse que agora havia se tornado um daqueles “mais velhos”, e outras pessoas se dirigiam a ele em busca de orientação. Essa realidade, ele admitiu, pode ser tanto lisonjeira quanto assustadora. 

 

É semelhante a um atleta que passa a integrar uma equipe profissional na condição de novato. Ele compete ano após ano até que um dia se torna consciente de ser um profissional maduro – a pessoa para a qual os jogadores mais jovens olham em busca de liderança e experiência.  Há um senso de realização que vem com a longevidade, mas também a humildade que decorre do sentimento de ser o “veterano sábio” do qual se espera que indique o caminho e dite o ritmo da caminhada. 

 

Para nós que já estamos no mercado de trabalho há muitos anos, a insegurança pode nos levar a duvidar que tenhamos muito a oferecer, apesar das realizações e da experiência acumuladas. Os jovens geralmente exibem muito entusiasmo e energia, além de ideias revigorantes e inovadoras. Entretanto, à medida que amadurecemos, tanto pessoalmente quanto profissionalmente, Deus pode querer que aproveitemos aquelas ocasiões em que nossa voz e perspectivas, apresentadas com humildade, se tornem úteis  para conduzir os jovens líderes de nossas organizações. 

 

Algumas sociedades acatam os emergentes líderes jovens, reconhecendo que eles representam o futuro. Ainda assim, estaríamos cometendo um erro se deixássemos de utilizar a sabedoria coletiva e a perícia dos líderes mais velhos, extraídas de relatos comprovados de desempenho e sucesso. A Bíblia aborda o assunto de diversas maneiras: 

 

Estabeleça exemplos positivos. Os jovens precisam de modelos vigorosos e consistentes de comportamento, princípios e valores apropriados a serem usados no ambiente de trabalho. O que eles observam e aprendem vai ajudar a moldar a forma de abordar a própria carreira. “...Encoraje os jovens a serem prudentes. Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade; use linguagem sadia, contra a qual nada se possa dizer...”  (Tito 2:6-8). 

 

Passe adiante o que aprendeu e experimentou. A vida e o trabalho nos proporcionam uma bagagem rica de conhecimento e experiências. Deveríamos nos considerar administradores desses depósitos, estando prontos a compartilhar e transmitir isso para os membros mais jovens da equipe. “Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês.”  (Filipenses 4:9). 

 

Estabeleça um legado duradouro. Parte do nosso legado, profissional e pessoal, é estabelecido através do treinamento, equipagem e preparação daqueles que um dia nos sucederão no trabalho e em outros empreendimentos significativos. “E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fieis que sejam também capazes de ensinar outros.” (II Timóteo 2:2). 

 

Com a idade e a maturidade, tanto no trabalho, quanto no lar ou na comunidade, vêm responsabilidades adicionais. Antes de “passar o bastão adiante” a novos colegas de trabalho ou associados, devemos planejar servirmos de exemplo e sermos encorajadores, levando-os a práticas sadias nos negócios e colocando-os na trilha para o seu próprio sucesso.    

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

  1. Onde você se posiciona entre aqueles com os quais trabalha: entre os mais velhos do quadro de funcionários, entre os mais jovens ou está em um ponto intermediário? Se você está entre os mais velhos, o que se poderia esperar extrair de sua própria experiência? Caso esteja entre os mais novos, o que gostaria de receber daqueles com mais conhecimento e perícia?
  2. Em sua opinião, por que para algumas pessoas a consciência de ser um dos membros mais velhos da equipe pode ser inquietante?
  3. Como um trabalhador mais velho e maduro pode vencer a insegurança na interação com os membros mais jovens da equipe?
  4. Qual dos princípios bíblicos mencionados é mais significativo para você? Por quê? É importante ao estabelecer um exemplo ou um legado  transmitir o que você aprendeu? Explique sua resposta.  

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: I Coríntios 4:16-17;  II Coríntios 3:5;  Filipenses 3:17;  I Timóteo 1:18-19;  

Próxima semana tem mais!

 

4.26.2026

As sem-razões do amor, de Carlos Drummond de Andrade


As sem-razões do amor, de Carlos Drummond de Andrade

Celebrado como um dos melhores poemas da literatura brasileira, As sem-razões do amor trata da espontaneidade do amor. De acordo com o eu lírico, o amor arrebata e arrasta o amador independente da atitude do parceiro. O próprio título do poema já indica como os versos irão se desdobrar: o amor não exige troca, não é resultado do merecimento e não pode ser definido.


As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.​


Fonte: Cultura Genial

YouTube: As sem razões do amor

 

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