Taniguchi e a Inteligência Artificial (IA)
R.
Santana
Dois anos depois que conheço “Tanaguchi”, esta
semana, eu vim conhecer parte de sua história de vida. Não nasceu no Brasil,
foi trazido por seus pais do Japão, da cidade de Yokohama, com 5 anos de vida,
aqui, cresceu, trabalhou na agricultura familiar e graduou-se em engenheiro
agrônomo na cidade de Cruz das Almas. Outra curiosidade é que, eu pronunciava
seu nome errado: - Tanaguchi ao invés de Taniguchi, aliás, Hikaru Taniguchi. Depois das minhas desculpas, ele
amenizou: “não se preocupe amigo da prosa, a maioria me conhece por Tanaguchi.
Hikaru Taniguchi é para os íntimos e a família.”. Depois da explicação, ele foi
fundo:
- Eu lhe conheço, qual é a prosa de hoje?
- Meu amigo, vim lhe ver – eu menti.
- Obrigado!
- Porém, uma coisa estar inquietando-me!
- O quê?
- A Inteligência Artificial (IA).
- Narvil, o dicionário tem duas palavras coirmãs: o
fato e a hipótese. O fato é o que aconteceu, provado e comprovado. O fato é
real, a discussão do fato é estéril, existe por si. Existe um provérbio popular
que diz: “se alguém leva uma bofetada nem Deus tira”, é fato. Mesmo que o
esbofeteado revide, sua dor moral será para sempre. A hipótese causa discussão,
às vezes, discussões futuras. Quero lhe dizer que a IA é fato não é hipótese,
gostemos ou não, não podemos mudar esse fato.
- Amigo Taniguchi, a IA é um fato. Porém, o
conteúdo desonesto dessa ferramenta produz estrago irreparável, além, da
extinção de muitas profissões e empregos. Taniguchi, veja o caso dos bancos, a
maioria fechando os bancos físicos, tudo é feito nos bancos virtuais, com
prejuízo de milhares de empregos.
- Companheiro, essas tecnologias não terão mais
retorno, é o tempo, novas tecnologias virão e novos tempos. Quando era jovem, a
Teoria de Malthus me assustava, de acordo essa teoria, ia faltar comida na
mesa, porque a população crescia mais do que a produção de alimentos. Hoje, o
Brasil alimenta a China. As máquinas fazem na agricultura o que não fariam uma
dezena de homens, sem falar nos drones (máquinas autônomas) que mapeiam a área
plantada, pulverizam os defensivos, aplicam fertilizantes e os custos reduzidos
– acrescentou:
- Narvil, conhece George Orwell, o “Grande Irmão”?
- Claro, Taniguchi!
- Pois é, estamos vigiados pelo “Grande Irmão”, é
câmara para todos os lados, até a polícia usa câmara em seu uniforme. Hoje, os
criminosos não se escondem, são pegos facilmente pela polícia e justiça.
- E, aí, Hikaru Taniguchi?
- Meu caro Narvil, o processo de mudança é
incômodo, porém, quando as condutas se ajustam, é um novo normal. Veja, as
compras virtuais, digitais. As empresas como Amazon, Shopee, Mercado Livre,
dentre outras empresas vendem tudo pela internet, produtos de qualidade e, em
tempo recorde de entrega.
- Mas, o desemprego...
- Li em algum lugar, que Deus chamou o anjo Gabriel
e deu-lhe uma missão, visitar a casa de seu José e dona Maria. Gabriel encontrou uma
casa de adobe, esburacada, 4 filhos, uma miséria absoluta. Estupefato com
tanta miséria, perguntou ao seu José como sobrevivia? “Eu tenho mimosa, uma
vaquinha, ela dá 4 ou 5 litros de leite todos os dias, eu vendo leite e compro
alimento para mim e para mulher e filhos”. O anjo Gabriel disse a Deus, "... é grande a miséria
do casal, que o casal e os filhos eram sustentados pela vaquinha mimosa..." Deus disse-lhe: “volte e
mate mimosa”. “Mas, mas... Senhor tenha compaixão, eles vivem do leite de
mimosa. Com seu perdão não me mande fazer isso!” O Senhor insistiu: “... não me
desobedeça”, na casa do sem jeito, Gabriel matou mimosa. Dez anos depois, Deus
chamou o anjo Gabriel e mandou que, ele fosse visitar o casal José e Maria.
Para surpresa do anjo Gabriel, encontrou o casal em grande prosperidade: casa
bonita, carro, moto, filhos na faculdade, etc. Então, Gabriel, perguntou: “José
como adquiriu tanto Patrimônio?”, José respondeu-lhe: “...depois da morte de
mimosa, fui trabalhar numa fábrica. Maria comprou uma máquina, depois mais outra,
começou costurar pra fora e com as bênçãos de Deus, estamos prósperos!” Quando
voltou, disse: “Senhor, Senhor, perdoa-me por não ter confiado nos seus desígnios”
– Taniguchi acrescentou:
- Moral da história, Narvil: “... em tempo de
murici, cada um cuida de si", ou seja, na dificuldade é que surge a
solução – continuou:
- O brasileiro é trabalhador, criativo,
inteligente, polivalente, se o banco físico fechou, o mundo é grande, ele lhe
oferecerá outras opções.
- Hikaru
Taniguchi, você não nega sua origem de “Terra do Sol Nascente”. Eu saio daqui,
com a certeza, que o problema não é a “Inteligência Artificial”, mas, a
“Inteligência Natural”. Deus ilumine mais seu saber e obrigado!
Autoria:
Rilvan Batista de Santana
Membro
da Academia de Letras de Itabuna – ALITA
Foto:
Google
Link: rilvanbatistadesantana.blogspot.com
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