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3.31.2026

Cafezinho – Rubem Braga

 





Cafezinho – Rubem Braga

Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

- Ele foi tomar café.

A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um "cafezinho". Para quem espera nervosamente, esse "cafezinho" é qualquer coisa infinita e torturante.

Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

- Bem cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

- Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

- Ele está?

- alguém dará o nosso recado sem endereço.

Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

- Ele disse que ia tomar um cafezinho...

Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

- Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...

Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

***

A crônica Cafezinho, de Rubem Braga, integra o livro O conde e o passarinho & Morro do isolamento, publicado em 2002. No texto acompanhamos as reflexões do autor diante de uma situação em que um repórter vai falar com um delegado e precisa esperá-lo por longo tempo, pois o homem havia saído para tomar um cafezinho.

Esse é um bom exemplo de como as crônicas podem abordar assuntos do cotidiano para mergulhar em questões subjetivas e profundas da vida. Assim, é a partir de algo corriqueiro que Rubem nos fala sobre a tristeza, o cansaço, o destino e a morte.

*****

Autoria:  Rubem Braga

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

 

 

O JUMENTINHO VAIDOSO

 








O JUMENTINHO VAIDOSO

Um jumentinho chegou em casa todo contente e disse para  sua mãe:

- Mãe você não sabe como sou querido!!!  Fui a Jerusalém e todo mundo me aplaudiu e gritava:

"Viva, viva, salve, salve..."

 

Então a mãe perguntou:

- Quem você estava carregando?

 

- Ah mãe.. era um tal de Jesus Cristo!!!

 

Então a mãe lhe disse:

- Amanhã volte lá, mas não carregue ninguém.

 

No outro dia o jumentinho foi para Jerusalém e voltou triste...

- Mas, mãe, como pode !?... As pessoas nem me olharam, passei despercebido entre as pessoas, e teve gente que até me enxotou.

 

E a mãe, sabiamente, esclareceu:

- É isso aí meu filho...


...VOCÊ SEM JESUS, É APENAS UM JUMENTO !!

 

LEMBRE-SE SEMPRE DISSO !!

 

Autoria – Desconhecida

Foto – produção

Amavisse - Hilda Hilst

 





Amavisse

Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse (favas douradas

Sob um amarelo) assim te apreendo brusco

Inamovível, e te respiro inteiro

 

Um arco-íris de ar em águas profundas.

 

Como se tudo o mais me permitisses,

A mim me fotografo nuns portões de ferro

Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima

No dissoluto de toda despedida.

 

Como se te perdesse nos trens, nas estações

Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:

De redes e de anseios inundada.

 

Os versos acima compõem a parte II de uma série de vinte poemas publicados em 1989 sob o título Amavisse. A lírica amorosa de Hilda Hilst, até então pouco conhecida pelo grande público, foi lançada pelo selo Massao Ohno. Mais tarde, em 2001, Amavisse foi reunido com outros trabalhos e acabou por ser publicado numa antologia chamada Do desejo.

O título do poema acima já chama a atenção do leitor, Amavisse é uma palavra latina que, se traduzida, quer dizer "ter amado". De fato, os versos retratam uma paixão profunda, com uma entrega sem fim por parte do eu-lírico.

A composição de Hilda Hilst é altamente erótica, basta reparar nas expressões sensuais utilizadas como "assim te apreendo brusco", "te respiro inteiro". Há um excesso, uma violência, um desejo de posse, de trazer o outro para capturá-lo.

É interessante observar que o poema carrega os três elementos essenciais: fogo, ar e água. O fogo pode ser lido no verso "favas douradas sob um sol amarelo”; o ar e a água são encontrados no trecho “um arco-íris de ar em águas profundas”.

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

3.30.2026

O Que Vê Antes de Ver, Vê! - Agilson Cerqueira






Desesperançado 
Óleo Sobre Tela 
Agilson Cerqueira 

O Que Vê Antes de Ver, Vê!

Agilson Cerqueira 


Há momentos em que me detenho à beira de mim mesmo e me pergunto, sem pressa de resposta: o que pesa mais — conhecer ou preservar-se na ignorância do que se poderia saber?

O conhecimento, quando chega, não vem só. Ele arrasta consigo a sombra do que ainda escapa, do que permanece fora do alcance. Saber, por vezes, é abrir uma ferida ou ferir onde antes havia apenas silêncio. É tocar o limite e, ao tocá-lo, perceber o quanto ainda falta.

Então, por defesa ou a falta dela, ignoramo-nos. Não por ausência de capacidade, mas por uma espécie de pacto íntimo consigo mesmo. Um acordo silencioso onde a incompletude não dói — porque não é nomeada.

Mas ignorar, quando não é escolha lúcida, é também uma forma de permanência. Deixar que as coisas sobrevivam em sua forma mais estreita, protegidas de qualquer expansão que as desestabilize. É um abrigo — mas também um confinamento.

E assim seguimos, entre o risco de saber e o alívio de não saber, sustentando essa tensão invisível onde a consciência, às vezes, avança ... e outras, recua para dentro de si.




3.29.2026

Meu Destino - Cora Coralina

 





Meu Destino

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

Confira também a nossa.

 


Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

 

Passando por Mudanças Vocacionais - Por Jim Langley

 

Passando por Mudanças Vocacionais

Por Jim Langley

 

Vários de meus amigos têm lidado com novas direções em suas vidas profissionais. Não são indivíduos que estão simplesmente iniciando uma carreira, mas trabalhadores maduros que muito contribuíram para com suas respectivas companhias durante boa parte de suas vidas. Alguns deles receberam indenizações substanciais, compatíveis com o seu tempo de serviço, mas nem mesmo uma “bolada” pode afastar a incerteza que o futuro guarda. 

 

Nenhum daqueles homens estava pronto para deixar a força de trabalho e ficar em casa vivendo de modo improdutivo. Entretanto, até encontrar uma nova colocação onde empregar suas habilidades e dons profissionais, imagino que por vezes eles se sentirão um tanto perdidos e sem saber que rumo tomar. Isso acontece quando nos sentimos confortáveis com nossa carreira e deixamos de dar atenção ao que Deus planejou para o próximo estágio de nossa vida. 

 

Tendo desfrutado de uma longa carreira como agente de seguros, posso falar a respeito. Bem cedo me tornei consciente de que meu emprego estava frequentemente em risco, já que eu constantemente solicitava permissão para trabalhar com novos clientes em potencial. Durante anos, alimentei essa incerteza, confiando que Deus iria prover os clientes dispostos a trabalhar comigo e confiar a mim seus assuntos financeiros. Em anos recentes, também passei pela experiência de ver Deus me levando a aprimorar minhas aptidões para escrever, embora isso me afaste das atividades de geração de rendimentos. Mesmo assim, por meio de tudo isso, Ele continua a prover para minha família – e eu devo permanecer obediente ao Seu chamado.

 

A Bíblia oferece um dos melhores exemplos de paciência para esperar pela direção de Deus em I Samuel 16, onde um jovem pastor chamado Davi foi ungido pelo profeta Samuel para ser rei de Israel. A partir daquele dia, o Espírito do Senhor estava com Davi, mas ele teve que esperar vários anos antes de assumir formalmente o papel de rei. Nesse intervalo, ele foi caçado pelo rei Saul e seus homens. 

 

Após a morte de Saul, Davi se tornou primeiramente rei de Judá, e mais tarde rei de Israel, em Jerusalém. No total, ele reinou sobre o povo de Deus por mais de quarenta anos. A Bíblia nos diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus, e mesmo tendo experimentado momentos de grandes fracassos, permaneceu obediente a Deus até a morte. 

 

Assim como Davi esperou pelo tempo perfeito de Deus para começar seu reinado, nós devemos esperar pacientemente por seja lá o que for que Deus tenha planejado para nossa vida. Em Jeremias 29:11 somos lembrados: “Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar danos, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” 

 

Tenho certeza de que Ele tem um plano para cada um de meus amigos, quer eles venham a trabalhar em uma nova empresa, iniciar seu próprio negócio ou dedicar seu tempo a alguma paixão especial que Deus coloque em seus corações – mesmo que isso signifique que eles tenham que apertar o cinto para fazer frente a suas despesas.

 

Não se surpreenda se algum dia você se encontrar em uma situação semelhante à que esses amigos estão enfrentando, imaginando o que Deus planejou para o próximo capítulo de sua vida. Meu conselho para eles – e para você – é: confie que Ele de fato tem um plano para o seu futuro. Isaías 60:22 afirma: “O mais pequenino se tornará mil, o menor será uma nação poderosa. Eu sou o Senhor; na hora certa farei que isso aconteça depressa.” Esta última frase fez-me tomar consciência de que o tempo de Deus não é o meu tempo, mas aprendi que Seu tempo é perfeito, e todos nós precisamos ser pacientes e nos esforçarmos para ouvir Sua voz enquanto Ele realiza Seu maravilhoso plano em nossa vida, para Sua glória. 

 

Como Provérbios 3:5-6 nos instrui, “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e Ele endireitará suas veredas.” Nos é prometido que Deus conhece Seus planos para todos aqueles que nele confiam. Nossa parte, nem sempre fácil, é esperar pelo Seu tempo perfeito!

 

3.28.2026

Poema As Sem-Razões do Amor - Carlos Drummond de Andrade


 





Poema As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

A cigarra e a formiga - Fábula de Esopo

 

A cigarra e a formiga

A história da cigarra e da formiga talvez seja a mais famosa e difundida fábula de Esopo. A narrativa breve, de apenas um ou dois parágrafos, traz dois animais antagônicos como personagens: a formiga, símbolo do trabalho e do empenho, e a cigarra, representante da preguiça e da displicência. Enquanto a formiga pensou no longo prazo e trabalhou durante o verão para se abastecer no inverno, a cigarra, imediatista, passou o verão a cantar, sem pensar na estação que viria a seguir.

A cada bela estação uma formiga incansável levava para sua casa os mais abundantes mantimentos: quando chegou o inverno, estava farta. Uma cigarra, que todo o verão levara a cantar, achou-se então na maior miséria. Quase a morrer de fome, veio esta, de mãos postas, suplicar à formiga lhe emprestasse um pouco do que lhe sobrava, prometendo pagar-lhe com o juro que quisesse. A formiga, que não é de gênio emprestador; perguntou-lhe, pois, o que fizera no verão que não se precavera.

— No verão, cantei, o calor não me deixou trabalhar.

— Cantastes! tornou a formiga; pois agora dançai.

MORAL DA HISTÓRIA: Trabalhemos para nos livrarmos do suplício da cigarra, e não aturarmos a zombaria das formigas.


Fonte: Cultura Genial

Imagem: Google

3.27.2026

Epoché - Agilson Cerqueira






Antropomorfismo II
Óleo sobre tela. 
Agilson Cerqueira 

Epoché 

Agilson Cerqueira 

Recolher-se não é simplesmente afastar-se do mundo, mas suspender, ainda que provisoriamente, o regime de evidências que o mundo impõe. É um gesto de interrupção. Um desacordo silencioso com a pressa das coisas, com a necessidade constante de responder, agir, significar.

Ao voltar-se para dentro, não se encontra um refúgio estático, mas um campo em permanente elaboração. A consciência, longe de ser um recipiente passivo, revela-se como um espaço onde o pensamento se forma e se desfaz antes mesmo de adquirir linguagem. Escutar esse movimento exige mais do que atenção: exige desaceleração.

O ruído exterior — vozes, tempo, acontecimentos — não desaparece; ele apenas perde centralidade. O que se desloca é o eixo da experiência e, nesse deslocamento, o silêncio deixa de ser ausência para se tornar condição. Não um vazio, mas uma presença não ocupada.

É nesse ponto que algo decisivo se insinua: a percepção de que a interioridade não é um lugar, mas um processo. Um caminho que não se percorre avançando, mas suspendendo. E que só se revela à medida que o sujeito abdica da urgência de compreender.

Assim, o recolhimento não conduz a respostas, mas a uma outra forma de relação com o desconhecido — mais próxima da escuta do que da interpretação, mais próxima da presença do que da definição.

E talvez seja nesse estado, rarefeito e atento, que a maturidade racional — se assim podemos nomeá-la — encontre não um destino, mas a possibilidade de continuar se desvelando.


Meu Rosário - Conceição Tavares

 









Meu Rosário - Conceição Tavares

 

Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.

Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo

padres-nossos, ave-marias.

Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques do

meu povo

e encontro na memória mal-adormecida

as rezas dos meses de maio de minha infância.

As coroações da Senhora, onde as meninas negras,

apesar do desejo de coroar a Rainha,

tinham de se contentar em ficar ao pé do altar

lançando flores.

As contas do meu rosário fizeram calos

nas minhas mãos,

pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,

nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.

As contas do meu rosário são contas vivas.

(Alguém disse que um dia a vida é uma oração,

eu diria porém que há vidas-blasfemas).

Nas contas de meu rosário eu teço entumecidos

sonhos de esperanças.

Nas contas do meu rosário eu vejo rostos escondidos

por visíveis e invisíveis grades

e embalo a dor da luta perdida nas contas

do meu rosário.

Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.

Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome

No estômago, no coração e nas cabeças vazias.

Quando debulho as contas de meu rosário,

eu falo de mim mesma em outro nome.

E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas,

vidas que pouco a pouco descubro reais.

Vou e volto por entre as contas de meu rosário,

que são pedras marcando-me o corpo-caminho.

E neste andar de contas-pedras,

o meu rosário se transmuda em tinta,

me guia o dedo,

me insinua a poesia.

E depois de macerar conta por conto do meu rosário,

me acho aqui eu mesma

e descubro que ainda me chamo Maria.

               (Poemas de recordação e outros movimentos, p. 16-17).



Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Vencendo a Ira - Rick Boxx

                                                                
                                             Vencendo a Ira

Por Rick Boxx

 

Anos atrás, meu chefe na ocasião, escolheu-me para presidir uma força tarefa para tratar de um problema importante da nossa companhia. Para mim, aquilo representava uma mina terrestre política - uma situação clássica de quando não existe uma solução satisfatória. Meu chefe provavelmente esperava que eu o protegesse de possíveis estilhaços causados pela decisão da força tarefa, coisa que eu não fiz.

 

Por suas descobertas, a força tarefa chegou à conclusão de que a questão real estava na abordagem que meu chefe tinha adotado para lidar com o problema que estávamos pesquisando. Logo depois que meu relatório foi finalizado e apresentado, fui rebaixado de posto. Meu chefe, que sempre advogara em meu favor, tornou-se meu inimigo. 

 

Por mais de dois anos abriguei uma ira tóxica em relação a ele. Eu me sentia injustamente tratado e caluniado. Eu fora o bode expiatório de um problema que meu próprio chefe causara. Procurando dar o troco e de algum modo me vingar, toda vez que tinha a oportunidade, eu falava mal daquele homem para outras pessoas. 

 

Depois de carregar esse peso de ira e amargura, sem nenhuma esperança de que o executivo viesse a corrigir o erro que cometera para comigo, cheguei à chocante, embora libertadora conclusão: Minha ira estava me ferindo muito mais do que afetando a ele. Ainda que meus comentários negativos conseguissem diminuir meu chefe aos olhos dos outros, minha ira não era apaziguada. 

 

Foi então que passei a fazer algo que deveria ter feito muito antes: determinei-me a ler, meditar e aplicar o que a Bíblia ensina a respeito da ira, justificada ou não. Por exemplo, Efésios 4:26 ensina: “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha, e não deem lugar ao diabo.” Pensando sobre sua exortação, me ocorreu que o sol se pusera sobre a minha ira literalmente centenas de vezes, e a supuração da amargura que eu sentia continuamente estava dando ao diabo ampla oportunidade de sabotar aquilo que Deus estava tentando fazer em mim e através de mim. 

 

Então, comecei a ponderar sobre Mateus 6:15, onde Jesus afirma:  “Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai Celestial não lhes perdoará as ofensas.”

Palavras duras de serem lidas. Enquanto eu apontava um dedo acusador para meu ex-chefe, parecia que os demais dedos da minha mão apontavam diretamente para mim. Ponderando sobre isso, o Senhor me convenceu de que já que eu não tinha perdoado meu ex-chefe, como poderia esperar que Deus perdoasse os meus muitos pecados? Tomei consciência de que além de perdoar meu ex-chefe – mesmo que ele nunca pedisse isso – eu também precisava pedir a Deus que perdoasse meus tantos pecados, inclusive meu espírito não perdoador. 

 

Para saber o que Deus queria que eu fizesse a seguir eu li Mateus 5:23-24, onde Jesus diz: “Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.”

 

Depois de mais de dois anos desde quando minha ira começou, finalmente iniciei o processo de reconciliação telefonando para o meu ex-chefe e pedindo seu perdão. Isso não consertou o que ele tinha feito, mas pelo menos eu estava livre da ira tóxica e seus efeitos devastadores. A ira é um câncer emocional cuja cura é o perdão.

3.26.2026

Acaso ... - Agilson Cerqueira


Acaso ...


Agilson Cerqueira


Percepção indutiva —
fragmento que se supõe inteiro.
Respostas em ruínas,
monossílabos como restos
de um pensamento que não se ergue.
A frase não nasce:
desarticulada,
assimétrica,
por vezes em guerra consigo mesma.
Oralidade mínima,
erosão da palavra —
aférese do sentido:
sim, não;
certo, errado;
tá, não tá.
Entre extremos,
nenhum intervalo habita.
E no silêncio que sobra
— não pausa, não há reflexão —
apenas o vácuo.
… Descaso!

Dinheiro e Felicidade - Não Necessariamente Ligados - Jim Mathis

 

Dinheiro e Felicidade - Não Necessariamente Ligados

Por Jim Mathis

 

Além do meu trabalho normal de restauro de fotografias antigas e retratos  executivos, sou também profissional em impostos de uma companhia nacional de preparação de declaração de rendas. Já fiz cerca de 1.000 declarações de rendas nos últimos anos e ganhei o título de “Agente Inscrito – Perito em Consultoria Tributária”. 

Com o decorrer do tempo isso me proporcionou uma boa compreensão da situação financeira da América. Conversando com as pessoas e obtendo uma visão de seus níveis de felicidade e contentamento, e depois olhando para suas finanças através dos impostos, observei coisas interessantes. 

Como você já esperava, não existe uma conexão entre rendas e patrimônio líquido. Algumas pessoas com rendas modestas acumularam grande riqueza, e muitas pessoas com altos rendimentos gastaram tudo e ainda mais. Um colega e eu estávamos revisando uma declaração de rendas recentemente quando comentei que isso prova que não é possível ganhar o suficiente para sobrepujar a tolice. As pessoas tolas quase sempre gastam mais do que ganham. 

Muitas pessoas pensam que se ganhassem um pouco mais seriam mais felizes. Provavelmente não. Se é que existe alguma correlação entre rendimentos e felicidade, ela é representada por uma curva em forma de sino onde as pessoas mais felizes estão situadas no meio dela. As pessoas com menores rendimentos e aquelas com as rendas mais elevadas estão situadas em ambas as pontas da curva, sendo as menos felizes. No caso de você estar duvidando, as pesquisas mostram que a mais alta porcentagem de pessoas que se declaram felizes ganham no máximo U$75.000 por ano. Ganhar mais não torna as pessoas mais felizes. 

 

O que nos leva à eterna questão: O dinheiro pode comprar a felicidade? Eu acredito que a resposta seja: Ele poderia, mas raramente o faz, porque as pessoas o gastam comprando as coisas erradas. Um carro novo não vai trazer felicidade, mas pegar a estrada e viajar com bons amigos deve resultar em bastante felicidade – e produzirá memórias afetuosas que durarão por muito tempo. 

Se é verdade que o dinheiro por si só não pode comprar felicidade, não deveríamos usá-lo de forma a promover pelo menos um certo grau de satisfação, realização e alegria? Sim, especialmente se seguirmos os princípios encontrados na Bíblia. 

Evite extremos.  Como já mencionei, as pessoas mais felizes parecem ser aquelas que poderiam ser classificadas como nem ricas, nem pobres, mas situar-se em algum ponto mediano. O desafio consiste em reconhecer onde está o “meio”. “Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. Se não, tendo demais, eu Te negaria e Te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor?’. Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus” (Provérbios 30:8-9).

O endividamento pode colocar as pessoas em escravidão física e emocional.  Muitas vezes “comprar” coisas com crédito pode satisfazer desejos imediatos, mas o custo no longo prazo pode ser devastador e restringir a flexibilidade financeira no futuro. “O rico domina sobre o pobre; quem toma emprestado é escravo de quem empresta” (Provérbios 22:7). 

Compartilhar com outros pode produzir grande alegria.  Com demasiada frequência as pessoas têm uma visão muito estreita sobre dar, seja para ajudar indivíduos ou apoiar causas caritativas.  Entretanto, saber que podemos usar um pouco dos nossos recursos para aliviar o fardo financeiro de outras pessoas pode ser recompensador. “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).         

 

 

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