“ ...Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos.”
-Isaac Newton.
“
...Manhã vem chegando devagar, sonolenta; três quartos de hora de atraso,
funcionária relapsa. Demora-se entre as nuvens, preguiçosa, abre a custo os
olhos sobre o campo, ai que vontade de dormir sem despertador, dormir até não
ter mais sono!... Obrigada a acordar cedíssimo para apagar as estrelas que a
Noite acende com medo do escuro...”
-Jorge Amado.
UMA MANHÃ EM ILHÉUS.
Praia. Areias finas com grãos de brilho.
Água amniótica no
útero da terra unia,
a eternidade do momento nos ungia
naquela manhã feita de mãe para filho.
O Sol, dourado como um grão de milho,
nos beijava por inteiro; a pele se aquecia,
simbiose de seixos rolando na maresia
cantava no vento um cósmico estribilho.
Eu, catava tatuzinhos na areia molhada.
Sob olhos e abraços da divindade materna
brincava no colo da feliz cidade ilhada.
Andorinhas surgiam em alquímica revoada
e você, me vendo como herança paterna,
o “Concerto Para Um Verão” entoava.
Sérgio Brandao, 20.04.2012.

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