8.09.2026

5 poesias de Ana Maria Machado para se encantar

5 poesias de Ana Maria Machado para se encantar

 

Ana Maria Machado (1941) é escritora e  jornalista brasileira. Autora de  livros infantis foi a primeira desse gênero a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Foi eleita para a presidência da Academia para o biênio 2012/2013. Livros infantis

Ana Maria Machado nasceu em Santa Tereza, Rio de Janeiro, no dia 24 de dezembro de 1941. Filha de Mário de Sousa Martins, jornalista e político, e de Diná Almeida de Sousa Martins. Ana é irmã do jornalista Franklin Martins. Desde criança era apaixonada por histórias que ouvia de seus pais e de sua avó. Quando aprendeu a ler, antes dos cinco anos de idade, tornou-se uma leitora assídua.

Ana Maria Machado foi aluna do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do MOMA de Nova Iorque. Iniciou sua carreira como pintora, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 1964 formou-se em Letras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Fez pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ana Maria Machado escreve  poesias, contos, romances; para o público infantil, jovem e adulto. A sua pluralidade garantiu uma carreira literária vasta, com mais de cem livros publicados, mais de vinte milhões de exemplares vendidos, publicados em vinte idiomas e 26 países. Abaixo você vai conhecer 5 poesias de Ana Maria Machado, que fazem parte do livro Sinais do Mar:

 

Estrelas

Cinco pontas

cinco destinos

são areias tontas

de desatinos

 

Cinco sentidos

cinco caminhos

grãos tão moídos

por mares e moinhos

 

Estrela-guia

em alto mar

outra Maria

veio me chamar

2. 

Cabeça de palavras povoadas

Conversas de amplidão imaginada

Mas que leitura tanto poderia?

 

Cheiro salgado a entrar pelas narinas

E a dança leve de algas submarinas

Sal azul, movimento de água fria

 

O que se leu mostrava o infinito

Só não se imaginava tão bonito

Tão pleno de surpresas e imprevistos

 

Mesmo em tantasbelezas celebradas

Por todas as palavras encantadas

Por mares nunca dantes entrevistos

 

Primeiro mar

Tantas páginas lidas muito antes

Tantos livros que enchiam as estantes

Tantos heróis a povoar os sonhos

Tantos perigos, monstros tão medonhos

Nos tempos sem tevê e sem imagem

Palavras fabricavam paisagem

 

Tesouros, mapas, ilhas tropicais,

Argonautas, recifes de corais,

Perigos na neblina entre rochedos,

Vinte mil léguas cheias de segredos.

 

Histórias de naufrágio e abordagens,

Ulisses, Moby Dick, mil viagens,

Robinson, calmarias, um motim,

Descobertas, veleiros, mar sem fim.

 

Maresia

Brisa na restinga

traz maresia

a onda respinga

a gota suspira

o ar que se inspira.

 

Nariz abre a asa

narina é casa

de aroma morar.

 

É o lar que inspira

é o mar que respira.

 

Naus e Nós

Naus

saem de Sagres

e deixam infantes,

partem de portos

e deixam mortos,

sangram amores

e rumam ao longe.

 

Singram

águas salgadas

algas sargaças

a pouco nós.

 

Lonas e telas

pranchas e cascos

cordas e cabos

rangem e puxam,

fazem e desfazem

nós.

 

Velas sem vento

almas sem calma

encalham em sargaços

nas águas salgadas.

 

Algumas naufragam

soçobram em escolhos

só sobram sem escolha,

sem escolta,

poucas naus

– e nós.

Adaptado de Livro & Café Livros e literatura


Fonte: Pensar Contemporâneo

Foto: Google

 

 

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