8.09.2026




O DEUS DE SPINOZA

Agilson Cerqueira


Se a necessidade de acreditar em Deus ainda habita teu espírito, acredita no Deus de Spinoza.

Não no Deus que recompensa alguns e castiga outros; não no Deus que intervém para alterar o curso da natureza, suspendendo as leis que Ele próprio teria criado. Acredita naquele que não se ofende com perguntas, porque toda pergunta sincera já é uma forma de reverência.

Esse Deus não vive escondido atrás das nuvens, nem aguarda ser encontrado em templos de pedra. Sua morada é o universo. Está no movimento silencioso das galáxias, no curso dos rios, na geometria das folhas, na persistência das montanhas e na dança invisível das partículas que sustentam a matéria.

Ele não fala por meio de profetas. Fala pela gravidade que mantém os mundos em equilíbrio; pela luz que atravessa milhões de anos para alcançar nossos olhos; pela semente que rompe a terra sem jamais ter estudado botânica; pelo nascimento e pela morte, que obedecem à mesma ordem eterna da existência.

Não exige joelhos dobrados, mas olhos abertos.
Não deseja submissão, mas compreensão.

Conhecer uma árvore, compreender um rio, admirar uma nebulosa ou reconhecer a complexidade de uma única célula talvez seja uma forma mais profunda de oração do que muitas palavras repetidas sem reflexão.

Nesse Deus não existe separação entre o sagrado e o natural. A natureza não é sua obra; ela é sua própria manifestação. Tudo o que existe participa da mesma realidade infinita. Nós não estamos diante dela como espectadores. Somos uma expressão passageira dessa imensa totalidade que chamamos de Universo.

Talvez por isso o espanto seja mais importante que a certeza. A dúvida não enfraquece a fé; amplia o horizonte do conhecimento. Quem pergunta com honestidade aproxima-se mais do mistério do que quem acredita possuir todas as respostas.

Esse Deus não promete um paraíso futuro como recompensa. O paraíso possível é a consciência desperta, capaz de perceber a extraordinária beleza daquilo que sempre esteve diante de nós e que, por hábito, deixamos de contemplar.

A liberdade não nasce do medo do castigo, mas da compreensão da ordem que sustenta todas as coisas. Amar esse Deus é amar a realidade como ela é, com suas leis, seus ciclos, suas transformações e sua infinita capacidade de criar formas de existência.

Se precisares acreditar, acredita nesse Deus.

 
No Deus que não divide os homens entre escolhidos e esquecidos.
No Deus que não pertence a uma religião, a um povo ou a um livro.

No Deus que respira em cada estrela, floresce em cada árvore, pulsa em cada ser vivo e permanece inteiro mesmo quando ninguém pronuncia o seu nome.
Porque, talvez, o maior ato de fé não seja esperar um milagre.

Talvez seja contemplar o Universo, reconhecer-se parte dele e compreender, com humilde serenidade, que conhecer a Natureza é aproximar-se do infinito.


Agilson Cerqueira 
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons.

 


Dia 10 de agosto: celebrar 114 anos de Jorge Amado - Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões)

Dia 10 de agosto: celebrar 114 anos de Jorge Amado

Por Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões)

 

No dia 10 de agosto, ao celebrarmos os 114 anos de Jorg e Amado, reconhecemos a permanência de uma obra que continua a produzir sentidos e que, para além de sua dimensão estética, constitui-se como espaço de memória, identidade e representação de um povo. Cada romance configura uma cartografia cultural na qual o território se converte em linguagem e a linguagem, por sua vez, transforma-se em patrimônio.

É nesse horizonte que a grapiunidade adquire centralidade. Antes de alcançar o mundo, Jorge Amado encontrou, na Região Cacaueira da Bahia, o núcleo de uma experiência humana que marcaria definitivamente sua criação. O universo do cacau, longe de ser simples cenário, configura um território simbólico onde se entrecruzam relações de poder, migrações, conflitos, solidariedades e afetos. A paisagem deixa de ser mero pano de fundo para tornar-se protagonista da história.

A literatura de Jorge Amado demonstra que os territórios são também construções culturais. A Região Grapiúna emerge como espaço de memória coletiva, onde vozes, costumes, saberes e narrativas resistem ao apagamento. Nesse contexto, escrever é preservar modos de existência, reafirmar pertencimentos e transformar a experiência regional em patrimônio da humanidade. Aí reside muito da singularidade de sua obra. O escritor não universaliza a Bahia porque abandona o regional; universaliza-a porque mergulha profundamente em sua cultura. Quanto mais enraizada é sua narrativa, mais ampla se torna sua capacidade de dialogar com diferentes povos e tempos. O local converte-se em linguagem universal.

Os clássicos permanecem porque continuam produzindo novas leituras e novos sentidos. Jorge Amado permanece entre nós não apenas pela força de seus personagens, mas porque sua obra nos convida, continuamente, a revisitar os territórios da memória, a reconhecer a diversidade como fundamento da cultura e a compreender que a literatura é também uma forma de resistência ao esquecimento.

Ao celebrar seus 114 anos, celebramos também a vitalidade da grapiunidade como patrimônio cultural e literário. Nesse encontro entre memória, território e palavra — Cacau, Terras do Sem-Fim, São Jorge dos Ilhéus, Gabriela, Cravo e Canela e Tocaia Grande —, Jorge Amado permanece vivo, lembrando-nos de que as identidades não se encerram no passado: renovam-se cada vez que a literatura devolve uma comunidade à consciência de si mesma. E sabemos que sua obra atravessa as fronteiras regionais e conta-canta a Bahia.

A permanência da obra de Jorge Amado projeta-se também para além do campo literário. Seus romances transformaram-se em poderosos mediadores da imagem da Bahia no Brasil e no mundo, convertendo a ficção em experiência cultural e turística. Leitores de diferentes países percorrem ruas, mercados, praias, terreiros e cidades movidos pelo desejo de reencontrar os cenários da narrativa. Trata-se de um singular exemplo em que a literatura não apenas representa um território, mas contribui para sua valorização simbólica, sua preservação e o fortalecimento de sua economia criativa.

O turismo literário, nesse contexto, constitui uma forma de leitura do espaço, na qual memória, patrimônio e identidade se entrelaçam, reafirmando a cultura como um dos mais relevantes ativos do desenvolvimento regional. Assim, Jorge Amado, mais do que um grande romancista, afirma-se como um dos maiores embaixadores culturais da Bahia. Sua obra continua atraindo leitores, pesquisadores e visitantes de diferentes partes do mundo, fortalecendo a imagem da Bahia e, particularmente, da Região Grapiúna como território da cultura, da memória e do turismo literário.

Celebrar seus 114 anos é reconhecer que sua literatura permanece viva, renovando, a cada leitura, o diálogo entre o local e o universal e reafirmando que a identidade de um povo também se escreve pela força de suas narrativas.

 



Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões) 

Membro da cadeira 19, 

Academia de Letras de Ilhéus.

Fonte: Jornal Direitos

Foto: Produção


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5 poesias de Ana Maria Machado para se encantar

5 poesias de Ana Maria Machado para se encantar

 

Ana Maria Machado (1941) é escritora e  jornalista brasileira. Autora de  livros infantis foi a primeira desse gênero a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Foi eleita para a presidência da Academia para o biênio 2012/2013. Livros infantis

Ana Maria Machado nasceu em Santa Tereza, Rio de Janeiro, no dia 24 de dezembro de 1941. Filha de Mário de Sousa Martins, jornalista e político, e de Diná Almeida de Sousa Martins. Ana é irmã do jornalista Franklin Martins. Desde criança era apaixonada por histórias que ouvia de seus pais e de sua avó. Quando aprendeu a ler, antes dos cinco anos de idade, tornou-se uma leitora assídua.

Ana Maria Machado foi aluna do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do MOMA de Nova Iorque. Iniciou sua carreira como pintora, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 1964 formou-se em Letras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Fez pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ana Maria Machado escreve  poesias, contos, romances; para o público infantil, jovem e adulto. A sua pluralidade garantiu uma carreira literária vasta, com mais de cem livros publicados, mais de vinte milhões de exemplares vendidos, publicados em vinte idiomas e 26 países. Abaixo você vai conhecer 5 poesias de Ana Maria Machado, que fazem parte do livro Sinais do Mar:

 

Estrelas

Cinco pontas

cinco destinos

são areias tontas

de desatinos

 

Cinco sentidos

cinco caminhos

grãos tão moídos

por mares e moinhos

 

Estrela-guia

em alto mar

outra Maria

veio me chamar

2. 

Cabeça de palavras povoadas

Conversas de amplidão imaginada

Mas que leitura tanto poderia?

 

Cheiro salgado a entrar pelas narinas

E a dança leve de algas submarinas

Sal azul, movimento de água fria

 

O que se leu mostrava o infinito

Só não se imaginava tão bonito

Tão pleno de surpresas e imprevistos

 

Mesmo em tantasbelezas celebradas

Por todas as palavras encantadas

Por mares nunca dantes entrevistos

 

Primeiro mar

Tantas páginas lidas muito antes

Tantos livros que enchiam as estantes

Tantos heróis a povoar os sonhos

Tantos perigos, monstros tão medonhos

Nos tempos sem tevê e sem imagem

Palavras fabricavam paisagem

 

Tesouros, mapas, ilhas tropicais,

Argonautas, recifes de corais,

Perigos na neblina entre rochedos,

Vinte mil léguas cheias de segredos.

 

Histórias de naufrágio e abordagens,

Ulisses, Moby Dick, mil viagens,

Robinson, calmarias, um motim,

Descobertas, veleiros, mar sem fim.

 

Maresia

Brisa na restinga

traz maresia

a onda respinga

a gota suspira

o ar que se inspira.

 

Nariz abre a asa

narina é casa

de aroma morar.

 

É o lar que inspira

é o mar que respira.

 

Naus e Nós

Naus

saem de Sagres

e deixam infantes,

partem de portos

e deixam mortos,

sangram amores

e rumam ao longe.

 

Singram

águas salgadas

algas sargaças

a pouco nós.

 

Lonas e telas

pranchas e cascos

cordas e cabos

rangem e puxam,

fazem e desfazem

nós.

 

Velas sem vento

almas sem calma

encalham em sargaços

nas águas salgadas.

 

Algumas naufragam

soçobram em escolhos

só sobram sem escolha,

sem escolta,

poucas naus

– e nós.

Adaptado de Livro & Café Livros e literatura


Fonte: Pensar Contemporâneo

Foto: Google

 

 

‘Sonho de um sonho’, de Carlos Drummond de Andrade

 







‘Sonho de um sonho’, de Carlos Drummond de Andrade

 

Sonhei que estava sonhando

e que no meu sonho havia

um outro sonho esculpido.

Os três sonhos superpostos

dir-se-iam apenas elos

de uma infindável cadeia

de mitos organizados

em derredor de um pobre eu.

Eu que, mal de mim! sonhava.

 

Sonhava que no meu sonho

retinha uma zona lúcida

para concretar o fluido

como abstrair o maciço.

Sonhava que estava alerta,

e mais do que alerta, lúdico,

e receptivo, e magnético,

e em torno a mim se dispunham

possibilidades claras,

e, plástico, o ouro do tempo

vinha cingir-me e dourar-me

para todo o sempre, para

um sempre que ambicionava

mas de todo o ser temia…

Ai de mim! que mal sonhava.

 

Sonhei que os entes cativos

dessa livre disciplina

plenamente floresciam

permutando no universo

uma dileta substância

e um desejo apaziguado

de ser um com ser milhares,

pois o centro era eu de tudo,

como era cada um dos raios

desfechados para longe,

alcançando além da terra

ignota região lunar,

na perturbadora rota

que antigos não palmilharam

mas ficou traçada em branco

nos mais velhos portulanos

e no pó dos marinheiros

afogados em mar alto.

 

Sonhei que meu sonho vinha

como a realidade mesma.

Sonhei que o sonho se forma

não do que desejaríamos

ou de quanto silenciamos

em meio a ervas crescidas,

mas do que vigia e fulge

em cada ardente palavra

proferida sem malícia,

aberta como uma flor

se entreabre: radiosamente.

 

Sonhei que o sonho existia

não dentro, fora de nós,

e era tocá-lo e colhê-lo,

e sem demora sorvê-lo,

gastá-lo sem vão receio

de que um dia se gastara.

Sonhei certo espelho límpido

com a propriedade mágica

de refletir o melhor,

sem azedume ou frieza

por tudo que fosse obscuro,

mas antes o iluminando,

mansamente o convertendo

em fonte mesma de luz.

Obscuridade! Cansaço!

Oclusão de formas meigas!

Ó terra sobre diamantes!

Já vos libertais, sementes,

germinando à superfície

deste solo resgatado!

 

Sonhava, ai de mim, sonhando

que não sonhara… Mas via

na treva em frente a meu sonho,

nas paredes degradadas,

na fumaça, na impostura,

no riso mau, na inclemência,

na fúria contra os tranquilos,

na estreita clausura física,

no desamor à verdade,

na ausência de todo amor,

eu via, ai de mim, sentia

que o sonho era sonho, e falso.


Autoria: Carlos Drunmond de Andrade

Foto: Google

8.08.2026

Fábula: o ladrão e o cão de guarda

O ladrão e o cão de guarda

Um ladrão, desejando entrar à noite numa casa para a roubar, deparou-se com um cão que com os seus latidos o impedia. O cauteloso ladrão, para apaziguar o Cão, lançou-lhe um bocado de pão. Mas o Cão disse:

— Bem sei que me dás este pão para que eu me cale e te deixe roubar a casa, não porque gostes de mim. Mas já que é o dono da casa que me sustenta toda a vida, não vou deixar de ladrar enquanto não te fores embora ou até que ele acorde e te venha afugentar. Não quero que este bocado de pão me custe morrer de fome o resto da vida.

Moral da história do ladrão e o cão de guarda

A lição que fica é que devemos pensar no longo prazo, não nos deixando enganar pelo prazer imediato.

Na história vemos o animal ser mais esperto do que o homem. O ladrão, querendo assaltar a casa, pensa em uma maneira fácil de afugentar o cão. No entanto, o cão percebe a armadilha.


Fonte: Cultura Genial

Imagem: Produção

 

8.07.2026

Equilíbrio Entre Ser e Fazer Por Jim Langley

Equilíbrio Entre Ser e Fazer

Por Jim Langley

 

Hamlet, o clássico literário de Shakespeare, contém as famosas palavras: “Ser ou não ser - eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz ou pegar em armas contra o mar de angústias...”. Por meio delas, afirma Shakespeare, vemos a essência do "ser".

Durante anos estive intrigado com os conceitos de "ser"  e de "fazer". No meio empresarial e profissional fazer é fundamental para o trabalho que realizamos. Criamos listas de “coisas a fazer”;  mantemos agendas, manuscritas ou em computadores e smartphones; estabelecemos metas e objetivos específicos e mensuráveis; avaliamos o desempenho por meio de resultados que refletem vendas, produtividade e lucros. Tudo gira em torno de “fazer”. Mas e o “ser” como é que fica?

Há alguns anos, meu amigo Jay Carty escreveu um artigo que me tem intrigado muito. Ele admitiu que sua vida girava apenas em torno do “fazer”, mas que sua esposa Mary, o desafiara a não concentrar o foco em fazer, mas em simplesmente ser. No tempo devido ele descobriu que isso revolucionara sua vida.

Ao longo dos anos essa questão tem me incomodado. Foi fascinante aprender que ao falar com Moisés, Deus Se referiu a Si mesmo como, “Eu Sou”. Em Êxodo 3.14 Ele disse a Moisés: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês.” Parece que isto envolve o conceito de ser versus fazer.  

Fazer é nossa tendência natural e somos compensados por fazer coisas e não por nos sentarmos e ficarmos olhando pela janela. Mas parece que Deus não concentra particularmente Sua atenção em tudo o que fazemos. Ele está mais interessado em nosso relacionamento com Ele e com aqueles que Ele coloca à nossa volta. Isso tem mais a ver com "o que somos" do que com "o que fazemos".

Quando nos ocupamos demais fazendo coisas, reduzindo o tempo necessário para ouvir Deus, corremos o risco de deixar de perceber o que Ele quer de nós. Alguém disse que isso tem tudo a ver "com nossa disponibilidade e não com nossa habilidade".

Deus pode Se mover através do Universo mais rápido do que a velocidade da luz, enquanto mal-comparando, nós nos movemos à velocidade da lesma. Isso já é motivo suficiente para sermos sábios e diminuir nosso ritmo, tomando consciência da necessidade de olhar ao redor, apreciar a obra de Deus, experimentar Sua presença e discernir Sua vontade para nossa vida.

Você se considera uma pessoa cuja vida gira em torno do "fazer" ou está mais preocupado com o "ser"?

Questões Para Reflexão ou Discussão 

1.    Você se considera alguém cuja vida gira em torno do “fazer” ou do "ser"? Quais os pontos positivos e negativos disso?

2.    Em sua opinião, porque é tão difícil praticar o “ser” no ambiente de trabalho? Você acha isto possível?

3.    O que você acha que Deus quis dizer com a expressão “Eu Sou o que Sou”? Isto tem alguma relevância para o ambiente de trabalho?

4.    Você acha que separar tempo regularmente para ouvir Deus pode ter impacto positivo sobre seu desempenho como profissional ou empresário?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Mateus 5.1-12; João 6.29; 15.5; 1Coríntios 15.10; Efésios 2.8-10; Filipenses 4.13.

RETORNO DOS ÁTOMOS À ORIGEM - Agilson Cerqueira



RETORNO DOS ÁTOMOS À ORIGEM

Agilson Cerqueira


O Professor Lejeune Mirhan, um polímata, um renomado sociólogo, um professor, arabista e analista internacional brasileiro, amplamente reconhecido por sua vasta erudição e atuação como intelectual.  Perdemos um dos maiores intelectuais brasileiro. 
Consternado. 
Dedico:


Quando um professor parte,
não é uma vida que termina.

A gente perde um norte.
Perde uma direção.

E algo dentro de nós também se quebra,
como se uma luz antiga, conhecida e segura, simplesmente se apagasse no meio do caminho.

A bússola falha por um instante,
como se os ponteiros deixassem de saber para onde ir.

Ficamos meio órfãos do pensamento.
E isso não é silencioso — fica ecoando por dentro, em forma de lembranças, de vozes, de ensinamentos que ainda ficam na memória.

Tem um tempo de silêncio.
O professor  não está mais aqui.
Um silêncio pesado, quase físico,
a tristeza parece parar a cabeça.

As palavras tentam fazer sentido,
como se também estivessem de luto.
A sabedoria fica meio pálida.

Não porque acabou, mas porque perdeu uma de suas vozes — aquela que ajudava a clarear dúvidas, acolhia incertezas,
e transformava medo em curiosidade.

Um professor vai embora
e leva junto anos de leitura,
de perguntas sem resposta fácil,
de respostas provisórias,
de mãos estendidas ajudando outras pessoas a pensar.

E leva um pouco da gente também,
porque ninguém sai igual depois de ser ouvido por um mestre.

Mesmo assim, ele fica.

Fica em cada um que aprendeu a pensar,
em cada livro que abriu caminhos,
em cada ideia que não aceitou o óbvio,
em cada silêncio que agora carrega sua lembrança.

Fica também na saudade —  forma meio dolorida, meio bonita, de amor que não vai embora.

Hoje, perdemos um professor.
Perdemos uma referência.
Perdemos um intelectual.

Dói de um jeito calmo e fundo,
como se a ausência tivesse peso,
como se o mundo tivesse ficado um pouco mais vazio — e, ao mesmo tempo, mais grato.

Mas o pensamento dele continua ensinando,
porque não acaba quando o professor se vai; continua na cabeça de quem ele ajudou a despertar.



Agilson Cerqueira 
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons



O pobre poema - Mário Quintana

 





O pobre poema

Eu escrevi um poema horrível!

É claro que ele queria dizer alguma coisa...

Mas o quê?

Estaria engasgado?

Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternura mansa como a que se vê nos olhos de uma criança doente, uma precoce, incompreensível gravidade

de quem, sem ler os jornais,

soubesse dos sequestros

dos que morrem sem culpa

dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados...

Poema, menininho condenado,

 

bem se via que ele não era deste mundo nem para este mundo...

Tomado, então, de um ódio insensato,

esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável

verdade, dilacerei-o em mil pedaços.

 

E respirei...

Também! quem mandou ter ele nascido no mundo errado?


O pobre poema é uma meta poema, isto é, um poema que fala sobre a sua própria construção. É como se o poeta tirasse o véu que cobre o processo de criação e convidasse o leitor a espreitar o que se passa na oficina da escrita.

O poema aqui parece ganhar vida própria e o poeta, sem jeito, não sabe bem o que fazer com ele.

Comparando o poema com uma criança doente, o sujeito poético parece estar perdido, sem saber como conduzir a situação e como lidar com aquela criatura (o poema) que saiu de dentro dele.

A meio de uma crise de desespero, sem saber o destino daquilo que criou sabendo-o incompatível com a realidade do mundo, o poeta resolve rasgar o poema em muitos pedaços.


Fonte: Pensador

Autoria: Mário Quintana

Foto: Google

A Raposa e as uvas - Esopo

 


A Raposa e as uvas

A Raposa e as uvas, Uma Raposa se aproximou de uma árvore e viu que ela estava carregada de uvas maduras e apetitosas. Com água na boca, a raposa desejou comer as uvas e, para tanto, começou a fazer esforços para subir até elas. No entanto, as uvas estavam em uma altura absurda e a Raposa tentou, mas não conseguiu alcançá-las. Disse então:

- Estas uvas estão muito azedas e podem desbotar os meus dentes; não quero colhê-las agora porque não gosto de uvas que não estão maduras.

E dito isso, se foi.  Esopo

MORAL: Por vezes, quando não conseguimos ter uma coisa, tendemos a desvalorizá-la para não assumir a nossa falha.

Fonte: Pensador

Imagem: Google

8.06.2026

Ter um Emprego Melhor ou Fazer um Trabalho Melhor? Por Robert Tâmasy

 
Ter um Emprego Melhor ou Fazer um Trabalho Melhor?

Por Robert Tamasy

Quando você tem um emprego que aprecia, não importa o lugar que você ocupa no organograma da empresa ou o degrau em que está na escada corporativa - ir trabalhar é um prazer.  Você se levanta pela manhã ansioso para voltar ao ambiente de trabalho, entusiasmado com as oportunidades e desafios que vai encarar. 

Mas, e quando você tem um emprego do qual não gosta?  E se o seu trabalho é 1) aborrecido, 2) nada desafiador, 3) estressante, 4) não compensador financeiramente, ou 5) não o deixa realizado?   Nesse caso, levantar e pensar em ir trabalhar não é agradável, mas algo que lhe assusta.  Você se encontra atraído pela “grama mais verde” do outro lado da cerca, ou olhando através da janela do escritório e imaginando como seria trabalhar em outro lugar com uma atmosfera melhor, maior compensação e benefícios, ou mais apreciação por parte de seus superiores. 

Algumas vezes tais sentimentos são uma indicação de que está na hora de atualizar o seu currículo, polir suas habilidades para entrevistas e começar a explorar outras oportunidades.  Entretanto, e se o senso de oportunidade não estiver correto?  E se o emprego estiver escasso e as chances de encontrar um trabalho melhor sejam bem pequenas?  Você não tem outra escolha, a não ser aceitar sem se queixar, como dizem, resignando-se com jornadas de trabalho cheias de infelicidade e frustração?

O falecido Charles “Tremendous” Jones, um homem de negócios, escritor e orador motivacional, lidou com esse dilema quando fez a seguinte observação:  “Não tente obter um emprego melhor, faça um trabalho melhor.  Faça um trabalho melhor e você terá um emprego melhor!”

Esse aviso parece ir contra a lógica:  Se não gostamos do nosso trabalho, como  fazê-lo com paixão e excelência?   Mas, na realidade, ele faz todo sentido.   Se nós resolvermos a fazer o nosso melhor, nosso “máximo”, então poderemos nos surpreender e descobrir o quanto uma situação aparentemente ruim pode melhorar. 

Posso pensar em diversas ocasiões em minha carreira quando meu “tempo” parecia estar chegando ao fim onde eu estava trabalhando, embora eu não tivesse outras opções de emprego e soubesse que simplesmente pedir demissão não fazia nenhum sentido.  Eu poderia ter deixado a insatisfação dominar e me dispor a fazer um trabalho inferior, mas um versículo da Bíblia me ajudou a manter o foco.  Colossenses 3:23 diz:  “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens.”  Meditando nessa passagem, me lembrei de que o meu “patrão” era Deus, e não a pessoa que estava sentada no escritório do CEO. 

Estes são mais alguns conselhos que a Bíblia dá sobre como lidar com as situações do trabalho tipo “não ideal”: 

Permaneça fiel, não importam as circunstâncias.  Quase todo mundo pode ter um desempenho excelente quando as condições de trabalho são ótimas, mas às vezes somos testados por Deus para ver se escolhemos ser diligentes e confiáveis onde estamos, antes que Ele nos destine uma nova tarefa.  “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito.”  (Lucas 16:10). 

Faça tudo o que puder no lugar onde está.  Ás vezes, evocamos grandes visões acerca do que poderíamos fazer para Deus, se estivéssemos em outro lugar.  Mas como alguém sabiamente observou, “Se não estivermos dispostos a servir a Deus onde estamos, como poderemos serví-Lo onde não estamos?”  Efésios 2:10 diz:  “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as  quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.”       

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Em uma escala de um a dez, como você avaliaria o seu atual emprego?  Por que você lhe dá essa pontuação?

2. Honestamente, você diria que quando está trabalhando realiza o seu trabalho com o melhor de suas habilidades?  Explique sua resposta.

3. Qual sua reação diante da sugestão de Charles Jones: ao invés de procurar um emprego melhor, faça um trabalho melhor – e talvez no processo você descubra que já tem um emprego melhor?

4. O que lhe vem à mente quando lê a afirmação de Jesus, “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito”?  Você acredita que Deus recompensará a nossa fidelidade em cumprirmos com nossas responsabilidades apesar das circunstâncias?  Por quê?

Nota.:  Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos Provérbios 14:23; 22:29;  Eclesiastes 3:1-3;  Filipenses 3:12-14;  Colossenses 3:15-17.  


https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

Destaques

O DEUS DE SPINOZA Agilson Cerqueira Se a necessidade de acreditar em Deus ainda habita teu espírito, acredita no Deus de Spinoza. Não ...

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