ESCOLA
PÚBLICA
R. Santana
Estamos, praticamente, no início do ano
letivo de 2006. As escolas particulares, geralmente, começam suas atividades no
meado de fevereiro, enquanto as escolas públicas iniciam de fato, sem
embromação e o famoso “faz-de-conta que o professor ensina e o aluno aprende”,
depois do carnaval oficial, acrescido a priori, de datas agendadas para abril
ou maio de algum movimento paredista (em nosso estado virou praxe, em parte
pelo descaso das políticas de valorização salarial do trabalhador do ensino: em
parte, pela falta de compromisso de alguns profissionais que já começam o ano
letivo com atestados médicos ou outros estratagemas menos oficiais), com
interstícios no calendário de março de algumas datas prefixadas de paradas
estratégicas, de alerta às autoridades educacionais e à comunidade.
Alguém já disse que o professor em nosso
país está no final da “linha de produção”, não pelo fato dele não produzir, mas
pelo fato do estigma histórico, herdado dos jesuítas, que o magistério é um
sacerdócio, que o normal é o sacrifício pessoal do trabalhador em educação e da
sua família, para manter a imagem poética de um abnegado... Claro que no Século
XXI, com uma sociedade capitalista, consumista, essa imagem de eterno
injustiçado não poderá subsistir por muito tempo. Por isso, esse confronto
perene de gestores do governo e trabalhadores em educação só irá terminar
quando a sociedade e os governantes priorizarem a educação em todos os níveis
de ensino. Começando com a implantação de mecanismos de produtividade e
estímulos, passando parte desse serviço para a iniciativa privada com
instrumentos de fiscalização e cobrança regidas por uma legislação moderna e
desburocratizada que impedisse qualquer arapuca (atualmente, o número de
escolas particulares e de cursos, crescem mais do que a capacidade do governo
em fiscalizá-los), de se credenciar ao MEC. Hoje, o sistema educacional privado
se caracteriza pela visão empresarial distorcida do lucro desonesto e sem
compromisso institucional, para justificar, lembraria o caso divulgado pela
mídia nacional de um analfabeto funcional (um pedreiro) ter feito vestibular em
uma “conceituada” universidade do rio de Janeiro e ter sido aprovado.
De vez em quando surgem paradigmas, métodos
e ideias salvadoras para solucionar o problema da educação, consequentemente,
da aprendizagem, do cognitivo: Escola Nova, Escola Grapiúna, Escola Paulo
Freire, Escola Piagetiana, Escola de Vygotsky. Ultimamente, um senhor judeu,
chamado Reuven Feuerstein, que criou uma teoria metodológica (Programa de
Enriquecimento Instrumental-PEI), para recuperação da aprendizagem das vítimas
II Guerra Mundial, invadiu o mercado brasileiro e empurrou goela adentro do
governo baiano esses instrumentos de aprendizagem, com o objetivo de melhorar a
aprendizagem dos alunos da rede estadual (um programa de 10 anos de custo
financeiro elevado e controle editorial triplicado), esse programa se salva não
pelo fato de ter aumentado a capacidade cognitiva dos nossos alunos, mas por aumentar
a carga horária e o salário de muitos profissionais do ensino, principalmente,
os excedentes. Senão, seria mais um dinheiro jogado no ralo do desperdício
público.
Entretanto, é necessário que citemos bons
exemplos pedagógicos. Em nossas escolas públicas, funciona um instrumento que
se não tivesse sido tão descaracterizado em seu objetivo inicial, seria um
grande mecanismo de justiça pedagógica e administrativa, chamado: Conselho de
Classe. Caro leitor (que ainda não fechou a página o link), o Conselho de
Classe é um colegiado constituído de professores, coordenadores, representante
da direção e, quando a escola tem uma linha mais democrática , um representante
de classe, cujo objetivo é a promoção do aluno (o Conselho não reprova), ou a
sua manutenção na série por baixo rendimento de aprendizagem – além da falta de
aprendizagem, eram acrescidas análises de condutas inadequadas do aluno .
Esse
Colegiado também funciona no final de cada Unidade letiva, para uma avaliação
parcial da aprendizagem e a pontuação dos problemas daquela Unidade, sem
caráter progressivo.
O Conselho de Classe surgiu com o advento
da Lei nº. 5.692 /71, no bojo das preocupações das autoridades educacionais
dessa época, em adequar o nosso sistema educacional (tradicional, acadêmico e
inútil no dia-a-dia), ao sistema educacional dos norte-americanos, que
priorizavam um ensino técnico e profissionalizante, para atender às
necessidades de um mercado florescente de novas tecnologias e indústrias mais
automatizadas.
A preocupação inicial, quando o Conselho
foi implantado, que ele fosse um instrumento de avaliação qualitativa, isto é,
analisando o aluno em suas potencialidades e em sua conduta. Não o olhava mais
pelo viés da aprendizagem decorada e sem significado... Além disso, o Conselho
teria a função de corrigir as injustiças praticadas por alguns chefes de
disciplina travestidos de professor. Era comum o aluno ser reprovado por
décimos de ponto, pela autoridade autoritária e inquestionável do professor. O
Conselho de Classe chegou e fracionou essa autoridade, tornando o processo de
avaliação da aprendizagem e do comportamento do aluno uma responsabilidade de
todos os profissionais envolvidos no seu processo educacional.
A Lei nº.9.394/6l, no seu Art. 12, ratifica
e embasa juridicamente a independência pedagógica e administrativa (não
financeira, as escolas públicas não têm receitas próprias, recebem os recursos
financeiros dos governos), das unidades escolares quando afirma: “prover os
meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento ou, articular-se com as
famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a
escola“.
Como tudo na vida, o Conselho de Classe
envelheceu, hoje, não possui as mesmas prerrogativas iniciais, foi desvirtuado,
acrescido de novos elementos ao sabor dos coordenadores e do diretor de plantão
e, principalmente, pelo comodismo e falta de compromisso da maioria docente.
Seria necessário que o Conselho fosse reestruturado e conscientizado na
comunidade discente e docente. Sem casuísmo e ingerência tendenciosa de
coordenador, diretor (salvo, em casos estribados em suporte jurídico), e acima
de tudo, seria necessário que o professor como agente de transformação se
compenetrasse das suas responsabilidades e do seu papel de educador e usasse do
se bom senso (Descartes afirmava que todos jactam-se em tê-lo) nas mais
imprevisíveis decisões de avaliação.
Enfim, queremos fechar esta matéria com a
pretensão de levar ao conhecimento dos leitores que o problema da educação em
nosso país é sério e como tal deve ser encarado. Não existe fórmula milagrosa.
A sociedade e o governo têm de se compenetrar que para ter mudança, é
necessário que os programas públicos educacionais sejam cumpridos, o
profissional do ensino estimulado e exigido. Não se pode fazer do magistério um
“bico” e entulhá-lo de profissionais despreparados e desmotivados. Acabar com a
preocupação estatística de demonstrar o que não existe, para o mundo e os
organismos financeiros internacionais, com o objetivo de abocanhar
financiamentos para projetos sem operacionalidade prática e que só servem para
entulhar de papéis as mesas de técnicos e burocratas do governo e proceder como
procederam os países asiáticos, que a educação dos seus povos é a principal
função do estado e a pasta governamental de mais investimentos. E, não
continuar com uma educação de povos culturalmente e socialmente subdesenvolvidos.
Post
Scriptum:
a) Opinião de um educador. Escrito há vários anos, mas continua atual, reeditado em 19 de julho de 2026.
b) Hoje, existe uma crise de Leitura, não, somente, de crianças e adolescentes, mas. de adultos. Depois do celular Samsung, Smartphone, com voz e imagem em tempo real, ninguém se interessa por livro.
Autoria:
Rilvan Batista de Santana
Licença:
Creative Common
Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA
Ponto de Leitura: https://rilvanbatistadesantana.blogspot.com

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Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos