6.12.2026

Zélia Lessa - A Música e o Tempo - Ademilton Batista.


      Zélia Lessa

Há pessoas que passam pela vida. Há outras que ajudam a construir o lugar onde vivem. E há aquelas raras criaturas que se confundem com a própria história da cidade. Zélia Lessa pertence a essa última categoria.

Quando nasceu, em 12 de junho de 1926, Itabuna ainda era uma jovem cidade em crescimento, movida pelo sonho do cacau e pela coragem de seus pioneiros. As ruas eram outras, os costumes eram outros, os sons eram outros. O mundo ainda aprendia a conviver com a eletricidade, os automóveis eram novidade para muitos e a televisão sequer fazia parte da imaginação popular. Foi nesse cenário que uma menina começou a descobrir os segredos da música.

Ainda criança, aproximou-se do piano como quem encontra um velho amigo. Algumas pessoas aprendem notas; Zélia parecia ouvir o que as notas tinham a dizer. Aos poucos, os sons transformaram-se em linguagem, e a linguagem transformou-se em missão. Enquanto muitos buscavam apenas uma profissão, ela encontrou um propósito.

O tempo passou. As décadas vieram e foram embora. Governos mudaram, costumes mudaram, gerações nasceram e desapareceram. Mas havia algo que permanecia constante em Itabuna: a presença discreta e firme daquela mulher dedicada à arte de ensinar.

Em salas de aula, em apresentações, em ensaios e encontros, Zélia foi espalhando sementes invisíveis. Algumas floresceram em músicos. Outras em professores. Outras apenas em cidadãos mais sensíveis à beleza da vida. Mas todas carregavam um pouco da sua influência.

A música, afinal, nunca foi apenas música para ela. Era educação. Era disciplina. Era afeto. Era construção de humanidade.

Quando fundou o Coral Cantores de Orfeu, em 1955, talvez nem imaginasse que estava criando uma das mais duradouras instituições culturais da região. O coral atravessaria décadas, encantaria plateias, revelaria talentos e faria da música um elo entre gerações. Quantas vozes passaram por suas mãos? Quantas histórias começaram em um ensaio? Quantos jovens encontraram ali um caminho para sonhar?

Talvez ninguém consiga responder. Há contribuições tão profundas que escapam às estatísticas.

Ao longo dos anos, Zélia tornou-se uma guardiã da memória cultural grapiúna. Em suas composições, especialmente na célebre Rapsódia Grapiúna, não estavam apenas notas musicais. Estavam os sons da terra do cacau, os costumes de um povo, as lembranças de uma região inteira transformadas em arte.

Enquanto muitos registravam a história com palavras, ela a registrava com melodias. E as melodias, às vezes, duram mais que os discursos

Chegar aos cem anos já é um feito raro. Chegar aos cem anos carregando uma vida dedicada ao conhecimento, à cultura e à formação humana é algo ainda mais extraordinário.

Zélia viu o mundo mudar diante de seus olhos. Viu o rádio chegar às casas. Viu a televisão transformar hábitos. Viu o homem chegar à Lua. Viu o surgimento da internet.

Viu gerações inteiras crescerem, envelhecerem e passarem adiante aquilo que aprenderam.

E, em meio a tantas transformações, continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer: ensinar, inspirar e construir pontes entre pessoas através da música.

Talvez o maior legado de uma vida não esteja nos títulos recebidos, nas medalhas conquistadas ou nos aplausos acumulados. Talvez esteja nas marcas invisíveis que deixamos nos outros.

Se assim for, Zélia Lessa construiu uma obra monumental. Sua verdadeira biografia não está apenas nos livros ou nos registros oficiais. Está espalhada pelas salas de aula, pelos palcos, pelos corais, pelas famílias e pelos corações daqueles que, em algum momento, tiveram suas vidas tocadas por sua dedicação.

A cidade que a viu nascer cresceu. A menina tornou-se mestra. A mestra tornou-se referência. E a referência transformou-se em patrimônio afetivo de uma região inteira.

Aos cem anos, Zélia Lessa já não pertence apenas à sua família, aos seus alunos ou aos seus admiradores. Pertence à memória cultural de Itabuna. E algumas pessoas, quando alcançam essa condição, deixam de ser apenas personagens da história. Passam a ser parte dela.

 






Ademilton Batista

Escritor, Poeta, Ator e Comunicador

Brasil, Bahia, Itabuna. DRA12.06.2026







Ademilton Batista - SONETO: VOCÊ!

 






SONETO: VOCÊ!


Você chegou como a luz da alvorada,

Rompendo o frio da noite vazia,

Fez do silêncio meu jardim de poesia,

E da tristeza uma estrada encantada.


Você é chama serena e sorriso dourado,

Ave que canta esperança e harmonia,

Mesmo distante conserva a magia,

Que faz o meu coração sentir-se abrigado.


Você é rio de paz de correnteza e ternura,

Brilho sutil que dissolve a amargura,

Sopro de amor que renasce e conduz.


E quando o mundo se cobre de vazio,

Seu rosto aquece meu peito do frio,

Como um eterno amanhecer de luz.


Ademilton Batista

Brasil Bahia Itabuna 

Do Livro 30 Sonetos

Foto: Produção

DRA27052026



Crônica: Dr. Muhammad - O médico dos pobres

Crônica: Dr. Muhammad - O médico dos pobres

Por: Autoria desconhecida

Nunca teve carro. Nunca teve telefone. Nunca viveu no luxo. Mas salvou mais vidas que muitos hospitais inteiros.

Dr. Muhammad Mashali — o médico dos pobres — foi muito mais que um profissional da saúde no Egito. Ele foi um milagre vivo, uma lenda que andava pelas ruas de Tanta, uma cidade no Delta do Nilo, com os pés no pó da terra e o coração inteiro voltado ao céu.

Por mais de cinquenta anos, caminhou todos os dias até sua modesta clínica. Atendia até cinquenta pacientes por dia, a maioria sem cobrar sequer um centavo. Seu consultório custava o equivalente a menos de um dólar, mas, para muitos, significava a única esperança de continuar vivos. Quando não podia ajudar com remédios, tratava com humanidade. E isso bastava.

Formado com honras em 1967, sua missão nasceu de uma promessa feita a Deus: após ver o quanto seu pai sofreu para pagar seus estudos, jurou que nunca cobraria de um pobre por atendimento médico.

E cumpriu essa promessa até o fim.

Quando um milionário do Golfo Pérsico tentou recompensá-lo com 20 mil dólares, um carro e um apartamento, ele vendeu tudo para comprar mais equipamentos e continuar servindo os necessitados. Muçulmanos, cristãos coptas — todos eram acolhidos sem distinção. Porque ele não tratava religiões, tratava pessoas.

Trabalhava mais de 10 horas por dia. Dava de si, do seu tempo, do seu salário, e até do que não tinha. Costumava colocar dinheiro no bolso dos pacientes para que pudessem comprar os remédios que ele receitava.

Era um médico com alma de santo. Um herói sem capa, mas com o coração do tamanho do céu.

Dr. Mashali partiu em 2020, aos 76 anos. Não deixou riquezas, propriedades, nem homenagens em vida. Mas deixou algo muito maior: um legado eterno de compaixão, sacrifício e amor ao próximo.

Num mundo cada vez mais frio e egoísta, ele foi um lembrete vivo de que a verdadeira grandeza não está no que se tem…


Fonte: Dr. Muhammad Mashali

Foto: Produção

 

 

Vencendo a Ira - Rick Boxx

 

Vencendo a Ira

Por Rick Boxx

Anos atrás, meu chefe na ocasião, escolheu-me para presidir uma força tarefa para tratar de um problema importante da nossa companhia. Para mim, aquilo representava uma mina terrestre política - uma situação clássica de quando não existe uma solução satisfatória. Meu chefe provavelmente esperava que eu o protegesse de possíveis estilhaços causados pela decisão da força tarefa, coisa que eu não fiz

Por suas descobertas, a força tarefa chegou à conclusão de que a questão real estava na abordagem que meu chefe tinha adotado para lidar com o problema que estávamos pesquisando. Logo depois que meu relatório foi finalizado e apresentado, fui rebaixado de posto. Meu chefe, que sempre advogara em meu favor, tornou-se meu inimigo.

Por mais de dois anos abriguei uma ira tóxica em relação a ele. Eu me sentia injustamente tratado e caluniado. Eu fora o bode expiatório de um problema que meu próprio chefe causara. Procurando dar o troco e de algum modo me vingar, toda vez que tinha a oportunidade, eu falava mal daquele homem para outras pessoas.

Depois de carregar esse peso de ira e amargura, sem nenhuma esperança de que o executivo viesse a corrigir o erro que cometera para comigo, cheguei à chocante, embora libertadora conclusão: Minha ira estava me ferindo muito mais do que afetando a ele. Ainda que meus comentários negativos conseguissem diminuir meu chefe aos olhos dos outros, minha ira não era apaziguada.

Foi então que passei a fazer algo que deveria ter feito muito antes: determinei-me a ler, meditar e aplicar o que a Bíblia ensina a respeito da ira, justificada ou não. Por exemplo, Efésios 4:26 ensina: “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha, e não deem lugar ao diabo.” Pensando sobre sua exortação, me ocorreu que o sol se pusera sobre a minha ira literalmente centenas de vezes, e a supuração da amargura que eu sentia continuamente estava dando ao diabo ampla oportunidade de sabotar aquilo que Deus estava tentando fazer em mim e através de mim.

Então, comecei a ponderar sobre Mateus 6:15, onde Jesus afirma:  “Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai Celestial não lhes perdoará as ofensas.”

Palavras duras de serem lidas. Enquanto eu apontava um dedo acusador para meu ex-chefe, parecia que os demais dedos da minha mão apontavam diretamente para mim. Ponderando sobre isso, o Senhor me convenceu de que já que eu não tinha perdoado meu ex-chefe, como poderia esperar que Deus perdoasse os meus muitos pecados? Tomei consciência de que além de perdoar meu ex-chefe – mesmo que ele nunca pedisse isso – eu também precisava pedir a Deus que perdoasse meus tantos pecados, inclusive meu espírito não perdoador.

Para saber o que Deus queria que eu fizesse a seguir eu li Mateus 5:23-24, onde Jesus diz: “Portanto, se você estiver apresentando a sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.”

Depois de mais de dois anos desde quando minha ira começou, finalmente iniciei o processo de reconciliação telefonando para o meu ex-chefe e pedindo seu perdão. Isso não consertou o que ele tinha feito, mas pelo menos eu estava livre da ira tóxica e seus efeitos devastadores. A ira é um câncer emocional cuja cura é o perdão.

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

- O que você pensa sobre a expressão “ira tóxica”? Você já experimentou isso? O que a causou e que impacto teve em você?

- Essa ira pode ser justificada? Abrigar tal amargura em relação a outra pessoa pelo que ela fez pode ter algum valor positivo?  Por quê?

- Que podemos fazer para pôr em prática a admoestação “Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha”? Você acha que isso é importante?

- Por que deveríamos perdoar outros pelo mal que nos tenham feito, mesmo que eles não peçam nosso perdão? É realista agir assim? Quais as consequências de não perdoarmos as ofensas dos outros?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12:16; 14:29; 15:18; 17:27; 18:19; 29:8,11; Efésios 4:31; Colossenses 3:8.

6.11.2026

Convite Triste - Carlos Drummond de Andrade

 








Convite Triste

Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.

Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira.
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.

Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.

Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.

Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.

(Em: Brejo das Almas)

Carlos Drummond de Andrade

Contratar com Eficiência? - Rick Foster

 

Contratar com Eficiência?

Por Rick Foster

Quando empregadores contratam uma pessoa, frequentemente invertem a ordem do que chamo de os “4 requisitos para contratar”: caráter, vocação, competência e química. Muitos procuram pessoas com um bom currículo e experiência na posição a ser ocupada. Quando a lista de candidatos se reduz, muitos escolhem aquele de quem gostam mais.

Uma boa abordagem seria contratar observando primeiramente o caráter. Contratar alguém de grande competência, mas sem caráter, pode ser o pior erro que se pode cometer. Um caráter deficiente pode se espalhar e destruir uma organização por inteiro. Competência é importante, mas a decisão final deveria se basear no nível de caráter revelado depois de checada a instrução, após entrevistas e testes de integridade.

Como I Coríntios 15:33 ensina: “Não se enganem. As más companhias estragam os bons costumes.”

Para dar ênfase à vocação uma grande companhia criou um programa de demissão voluntária (PDV). Anualmente, os empregados de seu “centro de satisfação” têm a oportunidade de se demitirem e receberem mais de U$ 5.000. A empresa descobriu a importância da vocação, contratando aquelas pessoas que se sentem chamadas ou são apaixonadas pela missão da organização.

Em João 6:65-66, Jesus proporcionou um exemplo: “E (Ele) prosseguiu: ‘É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai.’ Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo.” Jesus desqualificou muitos seguidores ao comunicar-lhes claramente Sua missão e dar-lhes a oportunidade de partirem. Se você deseja contratar o melhor, torne sua missão clara para os candidatos e elimine aqueles que não sentem vocação para o trabalho.

Depois de investigar o caráter de uma pessoa e determinar se ela se sente com vocação e apaixonada pela sua missão, o foco fundamental passa a ser selecionar a mais competente. Competência vem em terceiro lugar na minha lista porque muitas habilidades podem ser ensinadas se a pessoa certa tiver o caráter e a paixão desejados. Ao mesmo tempo, encontrar e admitir a pessoa com as melhores habilidades para o trabalho vai melhorar o desempenho de sua empresa e, por fim, a apreciação de seus clientes.

Provérbios 22:29 ensina: “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura.” O currículo com as habilidades de uma pessoa e seu histórico de trabalho serve como um bom ponto de partida, mas seria sábio desenvolver testes ou pequenos projetos de trabalho para determinar o verdadeiro nível de habilidade e competência de uma pessoa.

Por último, a quarta qualidade importante para se admitir alguém: química. Em uma conferência de que participei ouvi uma história a respeito da importância de contratar pessoas com as quais você tenha uma boa química. O pai do orador havia reduzido a decisão de contratação à escolha entre dois fortes candidatos para uma posição importante dentro de sua organização. Mas ele estava encontrando dificuldade para optar por um deles.

Esse empresário pediu a opinião de seu filho. O discernimento deste foi profundo: “Papai, com qual dos dois o senhor gostaria mais de estar quando viajarem juntos?” Ao escolher alguém para uma posição importante é sábio procurar por um indivíduo com quem se tenha afinidades de pensamento e com quem sua equipe também vai gostar de trabalhar. Como Provérbios 18:24 observa: “Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais apegado que um irmão.”

Perguntas para Reflexão ou Discussão 

1. Antes deste “Maná”, se alguém lhe perguntasse que qualidades ou características você buscaria em um futuro empregado, o que você diria?

2. Você concorda com as qualidades mencionadas no texto? Concorda com a ordem de importância que lhes foi atribuída? Por quê?

3. Você ou alguém que conhece já contratou alguém aparentemente muito competente, mas por ser deficiente em outras qualidades provou não ser a pessoa certa para sua empresa? Como lidou com a situação?

4. Qual das quatro características citadas é mais desafiadora para você? Você acha que colocar a ênfase principal à competência é sempre um erro

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Eclesiastes 4:12; Provérbios 14:15; 19:20; 25:4-5; 26:10; 27:23-27; Filipenses 4:9...

6.10.2026

Não é inovação, é exclusão - Mineia Gorki

 Não é inovação,  é exclusão - Mineia Gorki

O valor de uma sociedade não está na sofisticação de sua tecnologia, mas na forma como ela trata aqueles que têm mais dificuldade de acompanhá-la.

Uma sociedade que obriga uma pessoa de 70, 80 ou 90 anos a usar um smartphone para acessar os próprios direitos não é moderna; é uma sociedade que começou a abandonar seus idosos.

Em 2026, tudo virou aplicativo, senha, código ou portal digital. Mas muitos daqueles que construíram este país com o próprio trabalho hoje se veem analfabetos diante de uma tela dentro da própria casa.

Para marcar uma consulta, acessar um benefício ou pagar uma conta, muitas vezes é preciso depender de um filho ou de um neto — quando existe alguém para ajudar. O sistema, que deveria servir às pessoas, passa a excluí-las.

Isso não é inovação. É exclusão.

A tecnologia deve ampliar a dignidade humana, não determinar quem pode ou não exercer seus direitos. O progresso não pode ser medido apenas pela velocidade dos sistemas, mas pela capacidade de incluir aqueles que mais precisam deles.

Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo. Estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas.

Uma sociedade verdadeiramente avançada não substitui o humano pela tecnologia; usa a tecnologia para cuidar melhor do humano.

 

Autora: Mineia Goki

Foto: Google

Vencendo a Insatisfação do Empregado Por Rick Foster

 
Vencendo a Insatisfação do Empregado

Por Rick Foster

As empresas estão geralmente tão focadas no lema “maximizar ganhos” que relutam quando se trata de aumentar os custos com a folha de pagamento. Essa estratégia pode elevar as margens de lucros no curto prazo, mas exercer um impacto desastroso sobre as pessoas que realizam o trabalho que faz a companhia ser lucrativa.

Em inúmeras ocasiões tenho observado que uma ênfase excessiva nesse lema das empresas pode causar considerável descontentamento nos funcionários mal pagos, como temos observado repetidas vezes nas notícias a respeito de trabalhadores que protestam e se pronunciam publicamente em busca de salários mais altos. Vários fatores podem afetar a sensação de contentamento no trabalho, mas sentir-se sub-recompensado é uma das maiores causas de insatisfação. 

Uma forma radical de mudar isso seria que os executivos das empresas começassem a ver seus empregados de uma maneira mais pessoal, olhando-os como sua “família empresarial”, e não elementos que esgotam as finanças da companhia.

Isso se torna especialmente verdadeiro quando adotamos a perspectiva bíblica do relacionamento empregador-empregado.  Ao invés de serem “donos” ou “chefes”, Deus chama os líderes a considerarem seu papel como o de um “pastor”, responsável pelo bem estar das ovelhas – seu “rebanho”. Por exemplo, 1 Pedro 5:2-3 ensina: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso com ganância, mas pelo desejo de servir. Não hajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplo para o rebanho.” 

Outra passagem, esta do Antigo Testamento, oferece uma perspectiva similar: “Esforce-se para saber bem como suas ovelhas estão, dê cuidadosa atenção aos seus rebanhos, pois as riquezas não duram para sempre, e nada garante que a coroa passe de uma geração para outra...Haverá fartura de leite de cabra para alimentar você e sua família, e para sustentar as suas servas.”  (Provérbios 27:23-27). 

A questão é simples: Como líderes e executivos, nossa responsabilidade não é apenas salvaguardar os ganhos da empresa – embora para que um negócio sobreviva seja necessário que dê lucro. Somos mordomos de todos aqueles que trabalham para nós. Eles foram confiados aos nossos cuidados e temos a responsabilidade de assegurar que sejam tratados justamente e com equidade. Não deveria haver a necessidade de pressões externas que nos levassem a então provisionarmos adequadamente nossos empregados, e isto significa termos a disposição de recompensá-los generosamente, reconhecendo suas contribuições vitais para o sucesso corporativo.

Qual resultado traria o equilíbrio entre o cuidado para com os ganhos da empresa e igual consciência das necessidades financeiras de nossos trabalhadores? Com toda a probabilidade, isso resultaria em aumento da produtividade e da lucratividade.  Em outras palavras, os ganhos da empresa poderiam ser melhores ao pagarmos aos empregados o salário que merecem. Como diz 1 Timóteo 5:18:  “...Não amarre a boca do boi quando ele estiver pisando o trigo...O trabalhador merece o seu salário.” 

Se você deseja ter um ambiente de trabalho harmonioso e lucrativo, considere-se como um pastor, e não um ditador.  Estabelecer o tom para um ambiente de trabalho positivo, reconhecendo a valiosa contribuição dos trabalhadores, dando-lhes uma compensação generosa vai ajudar a assegurar o sucesso  corporativo.  

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

1. Sua empresa coloca os lucros bem acima de outras preocupações, inclusive a compensação dos empregados? Se não é o caso no momento, você já trabalhou para uma empresa assim? Como foi sua experiência?

2. Você já passou pela experiência de não se sentir adequadamente pago pelo trabalho que fazia? Como se sentiu?

3. Qual sua opinião sobre o conceito bíblico de comparar a liderança em qualquer contexto com o papel de um pastor – um mordomo para as pessoas sob seus cuidados?

4. Como você crê que a compensação financeira afeta o moral e o desempenho dos empregados? Existem outros fatores que exerçam impacto ainda maior na qualidade e quantidade de seu trabalho? Explique sua resposta.

Nota:  Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Marcos 10:44-45; Lucas 12:42-43; 16:10-13; Filipenses 2:3-4.

 

6.09.2026

Dimensões Conceituais - Agilson Cerqueira

 

Dimensões Conceituais

Agilson Cerqueira


O pensamento não caminha,

irradia.

Recusa a linha,

desdobra-se em planos

que não se deixam nomear.

E, ainda assim, exige:

ser inteiro

em cada fragmento

de si.

Agilson Cerqueira
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons

Ode ao Burguês - Mário de Andrade


Ode ao Burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar... — Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burgês!...

Em Ode ao burguês, publicado em Pauliceia Desvairada, o autor faz uma crítica em tom de sátira à classe burguesa e seus valores.

O poema tem relevância na obra de Mário, pois, além de ser um ícone modernista, foi recitado na Semana de Arte Moderna de 22, evento que foi realizado no Theatro Municipal de São Paulo e que contribuiria grandemente para a renovação cultural do país.

Na ocasião, quando foi declamado, o público ficou indignado e sentiu-se ofendido, pois grande parte das pessoas que estiveram na Semana integravam justamente a burguesia, e alguns inclusive contribuíram financeiramente para a realização do evento.

Entretanto, Mário não se intimidou e leu o texto em que defende seu ponto de vista contrário às futilidades e caráter mesquinho da aristocracia brasileira.

Note que o título “Ode ao” tem uma sonoridade que sugere a palavra “ódio”. Ode, em literatura, é um estilo poético - geralmente entusiasmado - em que as estrofes são simétricas.

Fonte: Pensador

Foto: Google

Biografia de Mário de Andrade


Mário de Andrade

Biografia de Mário de Andrade
Fonte: YouTube



 

Prioridades e Compromisso Pessoal - Rick Boxx

Prioridades e Compromisso Pessoal

Por Rick Boxx

Mark Cuban, empresário bilionário americano, e um dos investidores do reality show da tevê “Shark Tank – Negociando com Tubarões”, revelou suas prioridades pessoais ao criticar um dos empresários que fazia uma apresentação aos investidores, coletivamente conhecidos como “tubarões”.  Cuban disse querer que o comprometimento do empresário com o seu negócio fosse maior do que qualquer outra coisa  em sua vida. 

Cuban destacou que quando estabeleceu o seu primeiro negócio ficou sem tirar férias durante sete anos! Também falou de quando sua namorada lhe disse que ele teria que escolher entre ela e os negócios. Cuban gabou-se por ter escolhido os negócios. 

Um comprometimento total para com o trabalho parece não ser incomum para muitas pessoas.  Elas consideram ser um “workaholic”, alguém viciado em trabalho, uma virtude e não um indicativo de prioridades mal estabelecidas ou em desequilíbrio. Elas se orgulham de não perder um só dia de trabalho, ou de deixar de desfrutar dias ou semanas de férias aos quais têm todo o direito. Em algumas culturas não se conhece esse tipo de devoção ao trabalho, que chega a ser uma obsessão. A sesta depois do almoço, e mesmo várias semanas de férias, são comuns em algumas partes do mundo. Porém, em algumas sociedades ocidentais uma dedicação total, sem reservas ao trabalho é exibida como um emblema de honra. 

O objetivo não é desconsiderar aquelas pessoas que ao iniciar um negócio precisam sacrificar seu tempo e energia durante o período necessário para assegurar que o novo empreendimento esteja firmemente estabelecido. Depois disso, contudo, deve chegar a hora em que o dono do empreendimento ou o empregado faça uma merecida pausa em sua labuta.  Com nos diz Eclesiastes 3:1-5, “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu...tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou...tempo de derrubar e tempo de construir...tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las...”

O trabalho é parte da vida – uma parte muito importante – mas o trabalho não é a vida. Quando Deus declarou “Não terás outros deuses além de Mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra...” (Êxodo 20:3-4), estou certo de que Ele estava incluindo aí o trabalho e os negócios, porque eles também podem ser objeto de adoração. 

A Bíblia fala da “pessoa sã”, vendo-nos como indivíduos que apresentam muitas facetas, voltados para os relacionamentos e que precisam manter suas prioridades na devida ordem.   Quando Jesus respondeu uma pergunta afirmando “...Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.” (Mateus 22:37), Ele nos estava exortando a fazer de Deus nossa primeiríssima prioridade. Em seguida Ele nos ensinou que os relacionamentos – conjugais e familiares, em particular – devem ocupar o lugar seguinte em importância:  “...Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Mateus 22:39).

Sem dúvida, o trabalho é um elemento muito significativo de nossa vida diária. Através dele obtemos as provisões para satisfazer nossas necessidades cotidianas. O que somos vocacionados a fazer pode nos dar grande satisfação e senso de realização. Entretanto, a Bíblia nos exorta a mantermos uma visão ampla de nossas vidas. Em Lucas 9:24-25 Jesus ensinou:  “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá;  mas quem perder a sua vida por Minha causa, este a salvará. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?”. 

O senhor Cuban, sem dúvida, provou ser um líder empresarial extremamente bem-sucedido, mas a que preço? Muitos, no mundo dos negócios, presumem que atingir o sucesso exige colocar o trabalho acima de tudo o mais. As Escrituras nos dizem que Deus tem um plano melhor: Deus, família e só depois, trabalho.

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

1. O que você pensa do conselho desse famoso empresário de colocar o compromisso com os negócios ou trabalho acima de tudo o mais? Explique sua resposta.

2. Se não devemos colocar a devoção ao trabalho acima de tudo em nossa vida, como podemos manter equilíbrio, especialmente quando as exigências de tempo e energia no ambiente de trabalho se avolumam?

3. Você concorda com a ideia de que o trabalho pode se transformar numa espécie de deus, objeto de adoração ou ídolo? Por quê?

4. Quais são as suas prioridades na vida, profissional e pessoalmente? Você tem uma abordagem ou estratégia pessoal para certificar-se de que essas prioridades permaneçam na ordem correta?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 127:2; Mateus 6:19-24; Efésios 2:10; Colossenses 3:17, 23; II Timóteo 3:16-17.

Destaques

Zélia Lessa - A Música e o Tempo - Ademilton Batista.

      Zélia Lessa Há pessoas que passam pela vida. Há outras que ajudam a construir o lugar onde vivem. E há aquelas raras criaturas que se ...

Última semana