Uesc conquista patente de fermentador automatizado que promete elevar a qualidade do cacau brasileiro
Uma
inovação desenvolvida na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) poderá
representar um importante avanço para a qualidade das amêndoas de cacau
produzidas no Brasil. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
concedeu à universidade a Carta Patente nº BR 102020021546-9 para o Fermentador
de Cacau com Hélice Rotativo Autônomo, tecnologia criada pelo professor doutor
Jorge Henrique de Oliveira Sales, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em
Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia da instituição.
O
equipamento foi projetado para automatizar uma das etapas mais importantes do
pós-colheita do cacau: a fermentação. Considerado um processo decisivo para a
formação dos aromas, sabores e características sensoriais do chocolate, o
manejo adequado da fermentação é fundamental para a valorização das amêndoas e
para a obtenção de produtos de maior qualidade.
Tradicionalmente,
a fermentação exige o revolvimento manual periódico da massa de amêndoas para
garantir a oxigenação e a uniformidade do processo. A nova tecnologia substitui
essa operação por um sistema automatizado composto por um cocho cilíndrico de aço
inoxidável equipado com um eixo central dotado de hélices rotativas,
responsáveis por misturar as amêndoas em intervalos programados.
Além
da automação mecânica, o fermentador incorpora um avançado sistema de
monitoramento contínuo. Doze sensores acompanham em tempo real variáveis
essenciais para o processo, como temperatura, umidade e pH. Com base nos dados
coletados, o sistema ajusta automaticamente a velocidade das hélices para
manter a temperatura ideal da fermentação, entre 45°C e 50°C, faixa considerada
ideal para o desenvolvimento dos precursores de aroma e sabor do chocolate.
Outro
diferencial é a possibilidade de acompanhamento remoto por meio de conexão
Wi-Fi, permitindo que produtores e técnicos monitorem o processo à distância. O
equipamento foi dimensionado para trabalhar com até 666 quilos de amêndoas e
conta ainda com um sistema de drenagem destinado ao escoamento do mel de cacau
e dos líquidos produzidos durante a fermentação.
Segundo
o professor Jorge Henrique Sales, a proposta da tecnologia é democratizar o
acesso à inovação, especialmente para os pequenos produtores de cacau, que
representam parcela significativa da atividade no sul da Bahia e em outras
regiões produtoras do país.
De
acordo com o pesquisador, a adoção de uma solução de baixo custo e fácil
operação pode contribuir para elevar a qualidade das amêndoas comercializadas
pelos agricultores familiares, agregando valor ao produto e ampliando as
oportunidades de acesso a mercados mais exigentes.
Especialistas
destacam que a fermentação é uma das etapas que mais influenciam a qualidade
final do chocolate. Processos conduzidos de forma inadequada podem gerar
amêndoas com excesso de amargor, adstringência e características sensoriais
indesejadas. Ao promover maior uniformidade térmica e química durante a
fermentação, a nova tecnologia contribui para a obtenção de lotes mais
padronizados e com maior potencial para a produção de chocolates finos e
especiais.
O
projeto contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da
Bahia (Secti), além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) e da própria Uesc.
Paralelamente
ao desenvolvimento do fermentador automatizado, o grupo de pesquisa também
criou um secador alternativo de amêndoas movido a energia solar, iniciativa que
busca reduzir custos operacionais e ampliar o acesso dos agricultores
familiares a tecnologias sustentáveis para o beneficiamento do cacau.
A
conquista da patente reforça o papel da Uesc como um dos principais centros de
pesquisa e inovação voltados à cacauicultura brasileira, contribuindo para a
modernização da cadeia produtiva e para o fortalecimento da competitividade do
cacau nacional nos mercados de maior valor agregado.
Fonte: Pimenta Blog / Mercado do Cacau
Enviado
pela dra. Renée Albagli Nogueira
Foto:
Produção
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com
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