6.27.2026

A Tempestade Invisível - Ademilton Batista



A Tempestade Invisível - Ademilton Batista


A tempestade que assusta, 

é também a que renova. 

Seus pingos não trazem destruição, 

trazem vida, esperança e transformação.


Há os que se escondem em suas redomas 

para não molharem as suas vestes, 

e os que se permitem sentir a chuva.


Mas são os que saem,

deixando rastros nas calçadas, 

que inspiram os outros 

e ajudam a terra a florescer.


E quando a tempestade se dissipa, 

o sol limpa suas lágrimas quentes 

e o céu se abre em azul celeste. 


Porque a vida sempre encontra 

um jeito de recomeçar.


Novas sementes. 

Novas esperanças. 

Um novo tempo.


É a vida encontrando seu novo jeito 

de dar sentido, recomeçando 

e replantando suas novas sementes 

de esperança e paz para 

um novo tempo que virá.




Ademilton Batista


Natural de Salvador, reside em Itabuna, Bahia, desde 1989. Escritor, ator e comunicador, é autor do livro “Vencendo o Tempo” e prepara novos lançamentos, incluindo “Incrível Amor” e “O Meu Céu”, além de outras obras inéditas em poesia, contos e romance de época. Acadêmico em diversas instituições literárias nacionais e internacionais, já foi premiado e publicado em países da América Latina, Europa, África e Ásia, sendo também três vezes nomeado Embaixador da Palavra pela Fundación César Egido Serrano, em Madrid. Apresenta, junto ao filho Vitor Augusto Xavier, o programa multimídia “Café com Poesia e Cinema” (TVI/YouTube) e idealiza o projeto “Poesia que Cura”, levando recitais a hospitais, creches e abrigos. No cinema, participou do drama “Arthur” e interpreta Adonias Filho em uma obra de ficção. Na Academia de Letras de Itabuna – ALITA, ocupa a Cadeira nº 4, cuja patrona é Helena Borborema.


Autoria: Ademilton Batista

Foto: Acervo Pessoal do Autor / Produção


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com


VIVER FAZ BEM - João de Paula

 









VIVER FAZ BEM

João  de Paula .

Ser diferente é normal.

É! Se você souber aceitar bem a definição  de ser diferente,  original, único, importante, maravilhoso, benquisto, benigno, vivo.

O importante é viver feliz, com prazer,  com emoção, com saúde, com paz, com bom exemplo,

com satisfação, com amor a vida e a Deus, que é o doador e provedor de toda vida.

Comer

Saborear.

Viver.

Agradecer.

Produzir.

Compartilhar.

Dançar.

Cantar.

Nadar.

Praticar gentilezas e cortesias. São estas coisas ou ações que nos fazem ser diferentes dos iguais, que elevam os nossos níveis e geram felicidades.

Existem o ditado que diz  " somos todos iguais" , que a entrada e a saída da vida são iguais para todos.

Sim!

Agora o diferencial é  amar o próximo, os amigos, as famílias e as comunidades em que vivemos e poder  edificar obras que beneficiam a humanidade, em relação aos templos de virtudes, bem querer em  viver bem com amor e gratidão, ou mais.

A bondade vem de Deus.

O amor vem de Deus

O belo vem de Deus e por isso devem

 

Autoria: João de Paula

Foto: Produção


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

ZITO: O HOMEM QUE MANDOU ATÉ EM PELÉ

 

ZITO: O HOMEM QUE MANDOU ATÉ EM PELÉ

Se Pelé foi o rosto mais brilhante do Santos e do futebol brasileiro, José Ely de Miranda, o eterno Zito, foi uma de suas consciências mais fortes. Líder por natureza, dono de personalidade imponente, inteligência tática e um senso de responsabilidade raro, Zito foi muito mais do que um volante vencedor: foi o eixo emocional, competitivo e moral de uma das maiores equipes da história do futebol. Em um time repleto de craques, ele era o homem que dava equilíbrio, ordem e alma ao espetáculo.

Zito nasceu em 8 de agosto de 1932, em Roseira, no interior de São Paulo, cidade pequena do Vale do Paraíba. Vinha de origem humilde, como tantos jogadores de sua geração, e cresceu em um Brasil ainda profundamente desigual, onde o futebol aparecia como possibilidade de ascensão e reconhecimento. Desde cedo, aprendeu que talento sem disciplina não bastava, e sua formação como homem e atleta seria marcada por esse princípio.

Antes de chegar ao Santos, Zito despontou no futebol amador de sua região e encontrou a projeção profissional no Esporte Clube Taubaté, o tradicional "Burro da Central". Foi lá que ele não demorou para chamar atenção pela combinação rara de força física, inteligência de marcação e liderança. Ele não era um volante limitado ao desarme. Tinha boa técnica, sabia sair jogando, possuía leitura de jogo e, sobretudo, entendia o futebol como poucos. Em campo, parecia sempre perceber o que a partida pedia antes dos demais.

Em 1952, após impressionar em um amistoso, Zito chegou ao Santos Futebol Clube. O clube ainda não era o império mundial que se tornaria nos anos seguintes, mas já se estruturava para uma transformação histórica, e a presença do volante seria decisiva nesse processo. Ao longo da década de 1950, ele se firmou como titular e se transformou em um dos alicerces do time. Antes mesmo da explosão definitiva de Pelé, Zito já era uma figura central na Vila Belmiro.

O contexto em que sua carreira floresceu é essencial. O futebol brasileiro atravessava uma fase de reconstrução emocional após o trauma da Copa de 1950, enquanto os clubes paulistas e cariocas disputavam protagonismo nacional. O Santos ainda buscava romper as fronteiras de um grande clube estadual para se tornar uma potência nacional e, depois, internacional. Foi dentro dessa transição que Zito se transformou em peça-chave.

Quando Pelé surgiu e a geração dourada começou a se consolidar, Zito já era um líder pronto. Ao seu redor, o Santos passou a reunir um elenco extraordinário: Gilmar, Mauro Ramos, Lima, Dalmo, Calvet, Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Dentro desse universo de craques, Zito exercia um papel vital. Era o volante que protegia a defesa, organizava a transição, orientava os companheiros e sustentava emocionalmente a equipe nos momentos de pressão.

Não por acaso, recebeu o merecido apelido de “Gerente”. O nome resumia perfeitamente sua função, pois Zito administrava o time dentro de campo como se fosse um treinador calçando chuteiras. Era ele quem organizava, cobrava, acalmava, empurrava e mantinha a estrutura coletiva funcionando. Sua liderança era prática e diária. Em uma equipe famosa pelo talento ofensivo avassalador, Zito era o homem que garantia que o brilho não se transformasse em desordem.

Sua autoridade era tão incontestável que Zito era, possivelmente, a única pessoa no mundo do futebol com total liberdade para dar broncas homéricas no Rei. Se Pelé prendesse demais a bola, tentasse enfeitar uma jogada de maneira desnecessária ou deixasse de voltar para ajudar na marcação, o grito ríspido do capitão ecoava pelo estádio, muitas vezes exigindo: "Toca essa bola, garoto!". O mais impressionante era a reação: Pelé abaixava a cabeça, pedia desculpas e obedecia. O camisa 10 compreendia que, enquanto ele era o gênio indiscutível com a bola nos pés, Zito era o comandante do campo, sendo reconhecido pelo próprio Pelé como o grande líder que o manteve com os pés no chão desde sua estreia aos 15 anos.

Para que essa engrenagem funcionasse, sua parceria com Mengálvio foi uma das mais importantes da história do Santos. Se Mengálvio era a costura refinada, o passe limpo e a inteligência silenciosa, Zito era a imposição, a voz, o choque, o combate e a liderança emocional. Juntos, davam o equilíbrio perfeito ao meio-campo, permitindo a liberdade criativa plena de Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Sem eles, o Santástico dificilmente teria alcançado a mesma consistência avassaladora.

A grandeza do Gerente, contudo, não se limitou ao Santos. Ele também foi um personagem crucial da Seleção Brasileira, participando das Copas de 1958 e 1962, sagrando-se bicampeão do mundo em ambas. Em 1958, na Suécia, integrou a equipe que mudou a história do esporte no país. Tamanha era a sua imposição no vestiário nacional que, mesmo ao lado de gigantes como Didi e Nilton Santos, Zito assumiu a faixa de capitão da Seleção Brasileira em diversas oportunidades na ausência de Bellini ou Mauro Ramos.

Sua importância em 1962, no Chile, foi especialmente imensa. Com a lesão de Pelé ainda na fase inicial, a Seleção precisou reorganizar suas forças. Garrincha brilhou como protagonista, mas o time necessitou desesperadamente da maturidade de Zito para manter a estabilidade em meio à pressão. A coroação desse protagonismo ocorreu de forma inesquecível na grande final contra a Tchecoslováquia, quando o volante, aparecendo como elemento surpresa, marcou o gol da virada que colocou o Brasil em vantagem (2 a 1) no jogo que terminaria com a taça e o placar de 3 a 1.

No Santos, a lista de conquistas impressiona a qualquer fã do esporte. Zito foi parte essencial do time que colecionou Campeonatos Paulistas, Torneios Rio-São Paulo, Taças Brasil, Copas Libertadores, Mundiais Interclubes e Recopas. Era um vencedor serial, um homem acostumado a competir no mais alto nível imaginável.

Apesar de toda essa inteligência tática, após encerrar a carreira nos gramados em 1967, Zito recusou o caminho natural de se tornar treinador. Ele afirmava, com total franqueza, que seu nível de exigência era tão alto que perderia a paciência facilmente com jogadores que não tivessem o mesmo compromisso e a mesma disciplina cega que ele entregava em campo.

Mesmo assim, seu maior legado pós-carreira esteve na construção de uma mentalidade vencedora e na descoberta de novos ídolos. Trabalhando como dirigente e coordenador das categorias de base, Zito se tornou um "olheiro de ouro", sendo o responsável por construir a ponte entre a Era Pelé e as gerações futuras. Foi ele quem descobriu Robinho no final dos anos 1990, levando-o para a Vila Belmiro. Anos depois, além de observar e aprovar Neymar e Ganso, Zito bateu o pé para que o Santos aceitasse um garoto ainda muito jovem, mas extremamente promissor, chamado Gabriel Barbosa, o Gabigol.

Zito faleceu em 14 de junho de 2015, aos 82 anos, deixando uma lacuna enorme na história santista e brasileira. Sua morte não representou apenas a perda de um ex-jogador, mas de uma das grandes consciências do futebol nacional. Um homem que viveu o esporte com seriedade, paixão e senso de missão inabaláveis.

Falar de Zito é falar de um tipo de grandeza que nem sempre aparece primeiro nos compactos ou nas manchetes, mas que sustenta as verdadeiras dinastias. É falar do volante que pensava o jogo, que protegia os companheiros, que liderava sem pedir licença e que ajudou a dar estrutura a um dos times mais mágicos de todos os tempos. Se Pelé foi o rei, Zito foi seu guardião e mentor mais importante. No Santástico, ele não foi apenas um coadjuvante de luxo. Foi a espinha dorsal emocional e competitiva de um império.

Para consolidar a imensidão desse legado, vale destacar algumas curiosidades importantes que ilustram a figura completa de Zito:

Seu nome completo era José Ely de Miranda: Muita gente conhece apenas o apelido histórico, mas seu nome completo raramente aparece nas narrativas mais populares. Recebeu o apelido de “Gerente”:

O apelido surgiu porque ele “administrava” o time dentro de campo: orientava, cobrava, organizava e liderava. Era praticamente um técnico jogando. Chegou ao Santos antes da explosão de Pelé: Ou seja, participou ativamente da construção da era vitoriosa santista antes mesmo de o clube se tornar o time mais famoso do planeta.

Era visto como o grande tutor dos mais jovens: No Santos e na Seleção, tinha postura de líder experiente, alguém que cobrava incessantemente, mas que também protegia o grupo de todas as pressões externas. Marcou na final e foi bicampeão mundial:

Conquistou as Copas de 1958 e 1962, sendo um dos jogadores fundamentais da estrutura tática, coroando sua trajetória com o gol da virada no Chile. Foi um dos homens mais respeitados do vestiário:

Pelé, Pepe e outros companheiros sempre destacaram a liderança inquestionável e a força de personalidade do volante. Tinha fama de durão, mas também de agregador:

Cobrava intensamente, discutia e exigia perfeição, mas tudo em nome da equipe. Era respeitado e amado justamente porque se comprometia totalmente com o coletivo. Sua dupla com Mengálvio foi uma das chaves do :

Sem o contrapeso perfeito oferecido pelos dois no meio-campo, o quarteto ofensivo não teria a mesma liberdade e proteção para destruir as defesas adversárias. Formou a realeza moderna da Vila Belmiro:

Depois de aposentado, não apenas ajudou a lapidar Neymar e Ganso, como foi o grande responsável por descobrir Robinho e Gabigol, mantendo a engrenagem de craques do Santos viva décadas após sua aposentadoria.

É considerado um dos maiores volantes da história do futebol mundial:  Mesmo sem a aura midiática de outros nomes ou atacantes, seu peso histórico é colossal, sendo a referência definitiva da camisa 5 no Brasil.

 

Fonte: Um Cadin de café

Foto: produção

 

 

6.26.2026

Quem foi Gertrude B. Elion?

Em 1937, uma jovem de 19 anos chamada Gertrude B. Elion se formou com as mais altas honras em química. Era o tipo de excelência acadêmica que normalmente abriria portas imediatamente, mas o mundo ao seu redor não funcionava assim. Ela tentou seguir adiante nos estudos, buscou bolsas, tentou ingressar em programas de pós-graduação em diversas universidades — e encontrou a mesma resposta repetida de formas diferentes: não havia espaço.

Quando procurou emprego em laboratórios de pesquisa, a rejeição também foi constante. Algumas instituições diziam abertamente que não contratavam mulheres para ciência. Outras eram mais sutis, mas igualmente claras: mulheres no laboratório seriam vistas como distração, não como cientistas. Aos poucos, aquela promessa de carreira brilhante foi sendo substituída por uma rotina de sobrevivência.

Para continuar próxima da ciência, ela aceitou trabalhos muito abaixo de sua formação. Trabalhou como supervisora de qualidade em alimentos, como recepcionista em consultório médico e como professora substituta no ensino médio. Em certos períodos, chegou a trabalhar sem salário em laboratórios apenas para não perder contato com a pesquisa, enquanto juntava dinheiro para estudar à noite. O caminho para um doutorado parecia cada vez mais distante — e, de fato, nunca viria.

Mas o que parecia uma história de bloqueio se transformaria, décadas depois, em uma das trajetórias mais influentes da medicina moderna.

Nascida em Nova York em 1918, filha de imigrantes, Elion cresceu com um talento acadêmico evidente desde cedo. Pulou séries na escola e terminou o ensino médio aos 15 anos. Foi também nessa idade que uma perda pessoal profunda marcou sua vida: a morte do avô, vítima de câncer gástrico. A incapacidade da medicina em salvá-lo deixou nela uma impressão duradoura — não apenas de dor, mas de propósito. A partir daquele momento, decidiu que sua vida seria dedicada a entender e combater doenças.

Conseguiu ingressar no Hunter College durante a Grande Depressão, em um contexto em que o acesso ao ensino superior era restrito e competitivo. A instituição, por ser pública e voltada à formação de mulheres qualificadas, acabou sendo uma das poucas portas abertas para seu talento. Ainda assim, o ambiente profissional à sua volta continuava profundamente desigual.

A virada decisiva aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Com muitos cientistas homens recrutados para o conflito, laboratórios e empresas farmacêuticas começaram a abrir espaço para pesquisadores que antes eram ignorados. Foi assim que Elion entrou na indústria farmacêutica, na Burroughs Wellcome, onde conheceu George Hitchings. Essa parceria mudaria não apenas sua vida, mas a forma como a medicina moderna seria desenvolvida.

Juntos, eles rejeitaram a abordagem tradicional de tentativa e erro na criação de medicamentos. Em vez disso, passaram a trabalhar com uma ideia inovadora para a época: entender as diferenças químicas entre células saudáveis e células doentes e, a partir disso, desenhar medicamentos capazes de agir de forma seletiva. Era o início de uma nova lógica na farmacologia — mais precisa, mais racional e mais eficaz.

Esse método levou a descobertas decisivas. Um dos primeiros grandes resultados foi a 6-mercaptopurina, que revolucionou o tratamento da leucemia infantil em um período em que o diagnóstico da doença era frequentemente uma sentença de morte. Depois vieram a azatioprina, fundamental para transplantes de órgãos ao reduzir a rejeição, e contribuições importantes para antivirais usados no tratamento do herpes e que abriram caminho para terapias posteriores contra doenças como a AIDS.

Em 1988, Gertrude Elion recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em Estocolmo. Tinha 70 anos. Nunca havia concluído um doutorado. Mas tinha ajudado a transformar profundamente a medicina e contribuído para salvar milhões de vidas ao redor do mundo.

Fontes.

1. Nobel Prize — Gertrude B. Elion Biography

2. National Institutes of Health (NIH) — Profiles in Science: Gertrude Elion

3. American Chemical Society (ACS) — Historical Profiles of Women in Chemistry


Fonte: História perdida 

Foto: Google

Amor e discos voadores

 

Amor

Outro dia liguei o rádio e ouvi que faziam um concurso entre os ouvintes procurando uma definição para amor. As respostas eram muito ruins, até dava para se pensar que nem ouvintes nem locutores entendiam nada de amor realmente; o lugar-comum é mesmo o refúgio universal, que livra de pensar e dá, a quem o usa, a impressão de que mergulha a colher na gamela da sabedoria coletiva e comunga das verdades eternas. O que aliás pode ser verdade.

Mas a ideia de definição me ficou na cabeça e resolvi perguntar por minha conta. Tive muitas respostas. A impressão geral que me ficou do inquérito é que de amor entendem mais os velhos do que os moços, ao contrário do que seria de imaginar. E menos os profissionais que os amadores __digo os amadores da arte de viver, propriamente, e os profissionais do ensino da vida.

Vamos ver:

Dona Alda, que já fez bodas de ouro, diz que o amor é principalmente paciência. Indaguei: e tolerância? Ela disse que tolerância é apenas paciência com um pouco de antipatia. E diz que amor é também companhia e amizade. E saudade? [...] Não. Afinal, o amor não vai embora. Apenas envelhece, como a gente.

A jovem recém-casada me diz que o amor é principalmente materialismo. Todos os sonhos das meninas estão errados. Aquelas coisas que se leem nos livros da Coleção das Moças, aqueles devaneios e idealismos e renúncias e purezas, está tudo errado. Quando a gente casa, é que vê que o amor não passa de materialismo. [...]

Um senhor quarentão, bem casado,  pai de filhos: "Amor, como se entende em geral, é coisa da juventude. Depois de uma certa idade, amor é mais costume. É verdade que tem a paixão com seus perigos. Mas você falou em amor e não em paixão, não foi?"

__ E de paixão, que me diz? __ Aí ele se fecha em copas. "Deixo isso para os jovens. Velhote apaixonado é fogo. E eu não passo de um pai de família."

A mãe da família desse senhor: "Amor? Bem, tem amor de noiva, que é quase só castelos e tolices. Tem o de jovem casada, que é também muita tolice __ mas sem castelos. Complicado com ciúme, etc., mas já inclui algum elemento mais sério. E tem o amor do casamento, que é a realidade da vida puxada a dois. Agora, o amor de mãe... Você perguntou também o amor de mãe?"

Respondi energicamente que não: amor de mãe, não. Quero saber só de amor de homem com mulher, amor propriamente dito.

Diz o solteiro, quase solteirão, que se imagina irresistível e incansável: "Amor é perigo. Só é bom com mulher sem compromissos. [...] O melhor é amor forte e curto, que embriaga enquanto dura e não tem tempo para se complicar. Aquela história de marinheiro com um amor em cada porto tem o seu brilho, tem  o seu brilho".

O pastor protestante diz que o amor é sublimar a atração entre os dois seres, é atingir a mais alta e pura das emoções. Não confundir amor com sexo! [...]

Já o padre católico não elimina o sexo do amor. Explica que, pelo contrário, o sexo, no amor, é tão importante como os seus demais componentes __ o altruísmo, a fidelidade, a capacidade de sacrifício, a ausência do egoísmo. E é tão importante que, para santificar o amor sexual __ o amor conjugal __, a Igreja o põe sob a guarda de um sacramento, o santo matrimônio. E ante a pergunta: se tudo é assim tão santo, por que os padres não casam? O padre velho não se importa com a impertinência, sorri: "Nós nos demos a um amor mais alto. Casamento, para nós, seria pior que bigamia..."

E por último tem a matrona sossegada que explica: "Amor? Amor é uma coisa que dói dentro do peito. Dói devagarinho, quentinho, confortável. É a mão que vem da cama vizinha, de noite, e segura na sua, adormecida. E você prefere ficar com o braço gelado e dormente a puxar a sua mão e cortar aquele contato. Tão precioso ele é. Amor é ter medo __ medo de quase tudo __ da morte, da doença, do desencontro, da fadiga, do costume, das novidades. Amor pode ser uma rosa e pode ser um bife, um beijo, uma colher de xarope. Mas o que o amor é, principalmente, são duas pessoas neste mundo".

 

(De "Cenas brasileiras", in Coleção Para gostar de ler. São Paulo, Ática, 1995)

 

Os discos voadores

     Eu por mim acredito. Por que não acreditaria? Nada vejo que justifique a descrença. Acredito em tudo. Que têm 15 metros de diâmetro, que são feitos de um metal desconhecido, brilhante como prata polida, que se compõem de três círculos concêntricos dos quais só um __ o do meio __ gira, fazendo o engenho mover-se; acredito que deixam um rastro luminoso por onde andam __ decerto a poeira fosforescente dos mundos siderais que percorreram. E acredito, principalmente, que sejam pilotados por homúnculos de meio metro de estatura, macrocéfalos, horrendos, vindos sabe Deus de que planeta, Marte, Vênus ou Saturno.

     Ah, acredito. Por que não seria verdade? Todo o mundo os tem visto, no Oriente e no Ocidente, no Pacífico e no Atlântico, nas costas da Califórnia, no Peru e no Amazonas, em Maceió, no Uruguai; e até mesmo aqui no Rio teve um cavalheiro que os viu durante 45 minutos; viu-os com os seus olhos que a terra há de comer, se me permitem a expressão, e por sinal chamou a radiopatrulha, no que se mostrou homem muitíssimo avisado.

     Ilusão coletiva uma conversa. Também a bomba voadora dizia-se que era ilusão coletiva. O povo sabe muito bem onde põe os olhos e os jornais contam muito mais verdades do que supõe o ingênuo público, viciado a acreditar em desmentidos. Se tanta gente tem visto discos voadores, é porque há discos voadores. E afinal de contas, neste mundo de aparência,  quem é que pode distinguir da realidade a dita aparência, e até onde se pode afirmar que uma coisa é concreta ou é ilusão dos sentidos? Arco-íris também é ilusão dos sentidos e neste mesmo instante lá está um, brilhando no céu, entre as nuvens molhadas, luminoso e autêntico como um corpo vivo.

     Eu creio nos discos e tenho medo deles. Sei muitíssimo bem que são o sinal positivo do fim do mundo. Se até está nos livros, se foi profetizado há muito tempo! E por que não seria o fim do mundo? Quais são os nossos méritos assim tão grandes para nos defenderem da catástrofe? Os dez justos que faltaram a Sodoma, com razão ainda maior, nos faltariam a nós.

    Quem tiver os seus pecados trate de ir-se arrependendo que a hora chegou e chegou feia. Quem não viu o que tinha de ver, procure olhar e fartar os olhos; quem não amou ame depressa, quem não se vingou se vingue. O tempo urge __ faça-se o que é mister ser feito, que o relógio já bateu. O mundo vai acabar-se.

     Pelo menos o nosso mundo. Outro pode nascer dos nossos destroços, mas há de ser um mundo diferente, povoado sabe Deus por quem __ só o não será pelos nossos netos, que esses não chegarão sequer a formar-se nas entranhas das nossas filhas. E estas estarão mortas conosco, belas, inocentes e malfadadas, perdendo a chama da vida antes de a poderem passar adiante.

     O mundo que virá depois há de ser deles, que já nos vigiam e já preparam o caminho. Então vocês não compreendem, irmãos, que esses discos misteriosos que pairam no alto, librando-se no ar como um gavião peneirando em cima da presa, pairam no alto e depois vão-se embora são os olheiros deles, são os quintas-colunas, os esculcas das multidões de homenzinhos de cabeça grande que estão destinados a ser os nossos senhores? Depois dos observadores, chegarão os exércitos com armas tão assombrosas que, perto delas, a bomba de hidrogênio do presidente Truman é como uma ronqueira de São João. E que idade terão atingido eles, se já minguaram assim no tamanho e cresceram tanto a cabeça?

     Como hão de estar apurados, refinados, 90% de matéria bruta __ e não tão bruta assim, já que pode ser tão pouca? Que poderemos nós contra eles, lerdos gigantes microcéfalos, mal saídos da grosseira idade do ferro e gatinhando ainda na infância da era atômica?

     Que pensarão de nós, vendo-nos tão atrasados, tão primitivos, tão irremediavelmente presos à carne e às suas misérias, divertindo-nos barbaramente com guerras de selvagens, usando engenhos grosseiros de metal rude e brutas explosões de pólvora e nitroglicerina?

     Ah, tenho medo, tenho medo. Que será de nós quando eles do céu se despencarem aos cachos, tão estranhos e terríveis, implacáveis na convicção cega do divino direito da sua sobrevivência à custa da nossa? De que modo nos irão destruir ou de que meios usarão para nos escravizar __ como animais de força bruta ao seu serviço? E como serão eles __ transparentes, gelatinosos, todo o músculo e osso apurado em matéria nobre, cérebros andantes, quase sem vísceras, talvez libertos das baixas necessidades da comida e do repouso? E terão um peito capaz de piedade, terão olhos capazes de ver além da nossa grotesca feiúra, da nossa maldade e da nossa imperfeição?

     Quem sabe são anjos; e virão destruir como os anjos destroem, sem ódio, sem prazer na carnificina, apenas cumprindo ordens mais altas, com a sua espada de fogo, coração feito de diamante, que nada empana, mas nada amolece. Contudo, também podem ter evoluído apenas na direção da besta, e como bestas na quinta-essência do aperfeiçoamento serão ferozes e implacáveis __ serão os próprios descendentes do Leviatã.

     Cuidado que eles estão chegando. Primeiro foi o aviso, mas em breve já não haverá avisos. Hão de baixar aos milhares e aos milhões, pequeninos e atrevidos, hão de conhecer todos os segredos, decerto se multiplicam em massa, ao sabor das vãs necessidades, produzem guerreiros e chefes ao seu gosto, terão aprendido o processo de reduzir a infância a apenas alguns meses, produzindo por sistema adiantadíssimo adultos temporões de corpo transparente e cabeça grande, no mesmo espaço de tempo que nós gastamos para fabricar um automóvel.

     Ah, os que não acreditam! Ah, os que zombam! Ah, os sábios que espiam nos seus estúpidos telescópios e negam o que o olho nu enxerga! Medem as estrelas com suas réguas, e depois vêm-nos dizer que não há perigo, que nos assustamos com simples meteoro. Isso mesmo deviam declarar os pajés das tribos americanas aos guerreiros assustados que pela primeira vez avistaram as asas das caravelas subindo no horizonte. São pássaros, são raios de sol __ são sonhos dos olhos! E assim os brancos chegaram, e acharam os guerreiros desprevenidos e inermes. O mesmo sucederá conosco. É mais cômodo duvidar, é muito mais fácil afirmar que tudo é engano e mentira.

   E, enquanto isso, os discos voadores partem aos milhares das suas bases de céu além, e cortam zumbindo o éter vazio, e escolhem para o seu pouso o que há de mais bonito e mais sedutor no mundo __ a Califórnia, o golfo do México, a Itália, as praias amenas do Atlântico Sul...


Fonte: Pensador

Foto: Google

O Homem Que Rejeitou o Perdão - Ken Korkow

 

O Homem Que Rejeitou o Perdão

Por Ken Korkow

 

Imagine ser condenado por um crime, premeditado ou não, do qual você se arrependeu profundamente, e receber uma oferta de perdão que o absolve de qualquer penalidade. Você aceitaria? Deixe-me contar-lhe sobre um homem que não aceitou.

Em 1829, dois homens, George Wilson e James Porter, assaltaram o serviço de entrega dos correios dos Estados Unidos.  Ambos foram capturados e julgados por uma Corte de Justiça. Em maio de 1830, os dois homens foram considerados culpados de seis acusações e de “colocar em risco a vida do motorista”, e receberam suas sentenças: morte por enforcamento, a ser executada em 2 de julho.

Wilson foi executado como previsto, mas Porter não. Amigos influentes apelaram em seu favor e pediram clemência ao Presidente dos Estados Unidos, Andrew Jackson. O Presidente formalizou o perdão, retirando todas as acusações. Wilson teria apenas que cumprir uma pena de 20 anos por outros crimes. Inacreditavelmente George Wilson recusou o perdão!

Um relato oficial afirma que Wilson escolheu “abrir mão e declinar de qualquer vantagem ou proteção que pudesse advir do perdão”. Wilson também afirmou que “não tinha nada a declarar, e não desejava de maneira alguma tirar proveito com a finalidade de evitar a sentença”. A Suprema Corte determinou: “A Corte não pode dar ao prisioneiro o benefício do perdão, a menos que ele reivindique esse benefício. É uma concessão feita a ele; é sua propriedade; e ele pode aceitá-lo ou não, conforme queira.” O membro da Corte, John Marshall escreveu: “O perdão é um ato de graça, que procede do poder a que foi confiada a execução das leis; mas a entrega não se completa sem a aceitação. Ele pode, portanto, ser rejeitado pela pessoa a quem é oferecido, e não temos poder na Corte para impô-lo a ela.”

George Wilson cometeu um crime, foi julgado e considerado culpado. Foi condenado à execução, mas um decreto presidencial lhe garantiu perdão total. Ao escolher rejeitar o perdão, escolheu morrer. Lendo essa história extraordinária  podemos imaginar: “Como alguém pode rejeitar o perdão de uma sentença de morte? Esse homem foi um tolo.” Mas e se você também estiver rejeitando o perdão, aquele que capacita você a passar a eternidade na presença de Deus em lugar de estar eternamente separado Dele no lugar que a Bíblia chama de inferno?

A Bíblia ensina que todos somos pecadores, pessoas que têm quebrado as leis de Deus. Romanos 3.23, declara: “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.” E também: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (I João 1.8).

E quanto à penalidade pelo pecado, quais são suas consequências? Está escrito: “Pois o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23). O Antigo Testamento confirma: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4). Esta não é uma boa notícia para nós, mas Deus providenciou perdão e o tornou disponível a todos nós.

Em 2 Pedro 3.9 lemos: “O Senhor não demora em cumprir a Sua promessa... Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” E em 1 João 1.9 Ele explica que é preciso que aceitemos esse perdão: “Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

Se você ainda não fez isso, a pergunta é: você vai receber ou rejeitar o perdão? Cada um de nós deve fazer esta escolha.  “Quem Nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus”  (João 3.18). 

 

 

O poeta é um fingidor... - Fernando Pessoa

 





O poeta é um fingidor... 

   Fernando Pessoa

 

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

 

Descubra uma análise do Poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa.

6.25.2026

O Cultivo - Ademilton Batista

 






O Cultivo  


Não se cultiva letras,  

aonde não nascerão palavras.  


Não há vozes que ecoe,  

aonde há surdez.  


Entretanto,  

há visões e escutas  

no coração.  


Palavras,  

são como sementes.  

Só criarão raízes,  

em solo fértil.  


O cultivo,  

o tempo cria, nos seus  

próprios sons e ecos.  


Sendo implacável,  

a quem não o escuta. 






Ademilton Batista

Natural de Salvador, reside em Itabuna, Bahia, desde 1989. Escritor, ator e comunicador, é autor do livro “Vencendo o Tempo” e prepara novos lançamentos, incluindo “Incrível Amor” e “O Meu Céu”, além de outras obras inéditas em poesia, contos e romance de época. Acadêmico em diversas instituições literárias nacionais e internacionais, já foi premiado e publicado em países da América Latina, Europa, África e Ásia, sendo também três vezes nomeado Embaixador da Palavra pela Fundación César Egido Serrano, em Madrid. Apresenta, junto ao filho Vitor Augusto Xavier, o programa multimídia “Café com Poesia e Cinema” (TVI/YouTube) e idealiza o projeto “Poesia que Cura”, levando recitais a hospitais, creches e abrigos. No cinema, participou do drama “Arthur” e interpreta Adonias Filho em uma obra de ficção. Na Academia de Letras de Itabuna – ALITA, ocupa a Cadeira nº 4, cuja patrona é Helena Borborema.


Autoria: Ademilton Batista

Foto: Google / Produção


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

Geometria dos ventos - Rachel de Queiroz

 







Geometria dos ventos

Eis que temos aqui a Poesia,

a grande Poesia.

Que não oferece signos

nem linguagem específica, não respeita

sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.

como o sangue nas artérias,

tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.

E ao mesmo tempo tão elaborada -

feito uma flor na sua perfeição minuciosa,

um cristal que se arranca da terra

já dentro da geometria impecável

da sua lapidação.

Onde se conta uma história,

onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,

até à fronteira da loucura,

junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,

à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao mesmo tempo

fácil e insolúvel da sua tragédia.

Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema Geometria da dos Ventos de Álvaro Pacheco) Rachel de Queiroz


Fonte: Pensador

Foto: Google



Entusiasmo com a Excelência - Robert Tamasy

 

Entusiasmo com a Excelência

Por Robert Tamasy

Uma das coisas agradáveis da vida é ser beneficiado por um trabalho bem feito. Recentemente tivemos diversos trabalhadores empenhados em projetos de melhorias em nossa casa. Entre eles, um especialista em cerâmica para o banheiro, um carpinteiro, pintores, serviço de poda de árvores e fragmentador de tocos. Em quase todos os casos, o serviço deles foi excelente e eu não hesitaria em contratá-los novamente em caso de necessidade.

Esses trabalhadores tinham diversas características em comum.  Tinham orgulho de seu trabalho, desempenhando-o com alto grau de qualidade. Eram meticulosos, atentos a detalhes importantes. Sempre eram pontuais na chegada para o trabalho. Eram amigáveis. E faziam questão de deixar tudo limpo depois de fazer o serviço, mesmo que o projeto se estendesse até o dia seguinte. Eles deixavam tudo limpo e organizado como estava quando chegaram. 

Penso que todos nós admiramos e apreciamos tal diligência.  Entretanto, muitas pessoas parecem satisfeitas com o “razoável”, fazendo o mínimo possível para desempenhar suas atribuições ou compromissos. O orgulho por uma tarefa bem feita tem se tornado cada vez mais raro. Por isso, provavelmente, parece ser digno de nota quando é exibido no ambiente de trabalho. 

Desde o início da criação excelência tem sido uma marca distintiva, um atributo de Deus que tem sido transmitido a todos os que foram feitos “à Sua imagem”. Depois de cada dia da criação, relatada em Gênesis 1, nos foi dito: “E Deus viu que o que havia feito era bom.”  De igual modo, apesar de nossas imperfeições humanas, devemos ser capazes de olhar para trás para o nosso próprio trabalho e “ver que o que foi feito é bom”. Aqui estão algumas observações práticas extraídas da Bíblia sobre a qualidade de nosso trabalho: 

Fomos equipados para realizar boas obras. Quando somos confrontados por um trabalho desafiador, enfrentamos a tentação de dar uma desculpa: “Não posso” ou “Não estou à altura dessa tarefa”.  Entretanto, as Escrituras ensinam que Deus não pedirá que nós façamos alguma coisa para a qual Ele já não nos tenha dado a capacidade de realizar – juntamente com Sua força. “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.” (Efésios 2:10). 

O bom trabalho será reconhecido. A satisfação de realizar um trabalho com excelência deveria ser, por si só, uma recompensa. Mas também podemos ter a certeza de que nossa diligência e a qualidade do trabalho não deixarão de ser notadas. “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real;  não trabalhará para gente obscura.” (Provérbios 22:29).  

O bom trabalho eleva o nosso valor. Como um amigo meu sempre diz: “Para ganhar mais, você precisa merecer mais.”   Excelência e dedicação para realizar um bom trabalho nos tornam mais valiosos para nossas empresas, empregadores atuais e futuros, e para nossos clientes. Enquanto trabalhadores desmotivados e  descuidados se queixam por não receberem aumentos de salários e promoções,  o trabalho feito com excelência geralmente nos impelirá para posições de maior responsabilidade, mais autoridade e maiores compensações. “As mãos diligentes governarão, mas os preguiçosos acabarão escravos.”  (Provérbios 12:24). 

O bom trabalho deve ser constante. Tornar-se reconhecido como um trabalhador de excelência deve ser uma busca constante.  “Plante de manhã a sua semente, e mesmo ao entardecer não deixe as suas mãos ficarem à toa, pois você não sabe o que acontecerá, se esta ou aquela produzirá, ou se as duas serão igualmente boas.” (Eclesiastes 11:6). 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Você se lembra de recentemente ter sido beneficiado por um trabalho de alta qualidade realizado por outra pessoa? O que no trabalho ou na forma como foi feito impressionou você?

2. O quanto é prioritário para você realizar o seu trabalho com excelência? Explique sua resposta.

3. Por que, em sua opinião, excelência no trabalho parece ser mais a exceção do que a regra nos dias atuais? Você concorda com essa afirmação? Por quê?

4. O que você pode fazer para ser conhecido – se já não o é – como uma pessoa que se esforça pela excelência em seu trabalho? O que o motivaria a buscar esse objetivo?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Mateus 5:16; Provérbios 27:18; Eclesiastes 3:1-8, 9-12; 12:13-14; II Timóteo 3:16-17.  

 

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