Grupo Social / Antissocial
R. Santana
Nunca participei de um grupo social tão insosso, tão insípido, tão sem sal que o grupo social da Academia de Letras de Itabuna–ALITA. Faz algum tempo que o objetivo principal do grupo é registrar as efemérides de alguma data significativa, os aniversários de seus membros ou registrar o passamento de escritores importantes ou alguém conhecido na comunidade. O substrato do conhecimento é o pensamento e pouco se tem exercitado o pensamento, falta reflexão e sobra futilidade. O grupo tem que ser dinâmico, versátil, discutir as necessidades prementes da comunidade, o grupo pode cantar o "Rio Cachoeira" e o "Rio Salgado", antes, todavia, contudo, deve promover ações para despoluir esses rios.
Não existe interação entre seus membros, seria produtivo a contribuição de ideias positivas para resolução de problemas se os seus membros interagissem numa discussão saudável para produção duma literatura moderna que se adequasse aos novos tempos. Na academia de Aristóteles, os alunos (peripatéticos) interagiam caminhando, trocando ideias, porém, ninguém era o dono da verdade nem Aristóteles, gênio da humanidade.
Os grupos sociais literários atuais não podem viver numa redoma de vidro como se não fossem atingidos pela realidade do cotidiano. Além de escritor, poeta, cientista, sábio, padre, pastor, babalorixá, eles não são imunes de encargos do dia a dia. Nenhum homem é uma ilha, ele faz parte de um todo, por mais que se isole, os problemas externos atingem-no sem pedir licença.
Os egos inflados num grupo literário não influem para manifestação coletiva, os talentos inibidos jamais irão se manifestar, desenvolver seu potencial criativo, se alguém ou algumas pessoas de maneira presunçosa, vaidosa, alardeiam diuturno que já escreveu “n” livros e muitos foram premiados, aqui, ali e acolá, com medalhas de latão, mas, nunca escreveram um “Best Seller”, um prêmio Camões, um prêmio Jabuti, etc. Se algum curioso chegar no Galileu (escola de elite), perguntar ao 3º. Ano do ensino médio: “Conhece o escritor X de Itabuna”, 99%, vão responder que não conhecem.
As postagens feitas no “Grupo Social” da ALITA, acho que são tão ruins ou não são lidas que pensam: “Ninguém tá nem aí pra você”. Agora, se algum desavisado elogiar algum político, o “Regimento” adverte, depois expulsa por opinião imprópria, desvio de conduta e aplica-lhe infração “regimental”.
As políticas públicas têm que ser discutidas em qualquer ambiente social, pois, elas afetam a sobrevivência e a existência do homem. Hoje, os juros da dívida pública de 4 trilhões, contribuem para menos comida na mesa, menos saúde e menos educação. As estatais falidas e um judiciário político e desaprovado pela sociedade e o crime organizado infiltrado no poder público e assumindo as funções do estado, somente, os ignóbeis, não se dão conta que os seus filhos e netos estarão com o futuro ameaçado.
Quem leu “Farda, Fardão Camisola de Dormir” de Jorge Amado aprende que as grandes transformações sociais são feitas pelas camadas inteligentes da sociedade. O ignorante que não tem conhecimento dos seus direitos civis além de não ter nenhuma inspiração, ele está acostumado com a mediocridade que as circunstâncias lhe reservaram.
Essas velhas literaturas não contribuem para o desenvolvimento da nação. Se não houvessem homens de ações, como Jean-Jacques Rousseau, Napoleão Bonaparte, Gandhi, Mandela, Jesus Cristo (não escreveu uma linha), Montesquieu, Rui Barbosa, Franklin Roosevelt, ou seja, homens políticos, pensantes, literatos não sonhadores, o mundo ainda estaria na idade primitiva.
O líder de um “Grupo Social”, além de se preocupar com o espaço físico e outros afazeres, existe a necessidade de agregar pessoas, de lhes proporcionar bem-estar, de transformar um grupo social numa família, que não haja dissensões, isolamentos ou predileções. O líder não pode formar grupos que lhes são aperfeiçoados ou, ser tendencioso.
Argumento inconteste: um grupo minúsculo de 40 acadêmicos, 29 frequentam e a inadimplência é maior que a receita, a administração tem que se ressignificar.
Autoria: Rilvan Batista de Santana
Membro Fundador da Academia de Letras Itabuna - ALITA
Licença: Creative Commons
Foto: Google
Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com
02.06.2026
"Quem tenta ajudar umas borboleta a sair do casulo a mata. Há certas coisas que não podem ser ajudadas, tem que acontecer de dentro pra fora" Rubem Alves
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