Ode ao
dois de julho (trecho)
Castro Alves
Não! Não eram dois povos,
que abalavam
Naquele instante o solo
ensangüentado...
Era o porvir—em frente do
passado,
A Liberdade—em frente à
Escravidão,
Era a luta das águias — e
do abutre,
A revolta do pulso—contra
os ferros,
O pugilato da razão — com
os erros,
O duelo da treva—e do
clarão!...
No entanto a luta
recrescia indômita...
As bandeiras — como
águias eriçadas —
Se abismavam com as asas
desdobradas
Na selva escura da fumaça
atroz...
Tonto de espanto, cego de
metralha,
O arcanjo do triunfo
vacilava...
E a glória desgrenhada
acalentava
O cadáver sangrento dos
heróis!...
Autor: Castro Alves
Foto; Google

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