Leandra Nel — Cores e Mídia
Nascida em um tempo em que a tv era
acores
Eu, Não me via nela.
Eram poucos os negros em uma
incrível janela.
Meu cabelo crespo não tinha
representatividade.
Tranças ,prender e alisar eram as
opções .
Negra com traços finos, negra de
alma branca,
filha de negro com branco…
Falas com estereotipias repetidas
na rua e na TV.
Eu nunca me achei a donzela de
contos de fadas.
Não me via e aquilo me feria.
As bonecas que eu brincava nem
negras eram.
O tempo passou e o jogo virou
reconheço agora minha ancestralidade
Em toda parte jornal, tv, internet
.
Podemos falar abertamente da
descendência
Dos nossos orixás, do nosso batuque
.
Da nossa negritude.
Derrubada de estatua de racista nós
podemos fazer.
E se falar do meu Black podemos
colocar a boca no trombone.
Vejam a força do navio negreiro da
Senzala e do quilombo.
E a casa grande pira quando vê nós
negros invadindo a grande mídia.
Sobre o poema:
Leandra Nel traça uma linha do tempo da própria consciência racial — da
ausência de referências negras na TV de sua infância até o reconhecimento da
ancestralidade. O poema documenta como a representatividade (ou sua falta)
forma e deforma identidades desde cedo.
Autora: Leandra Nel
Foto: Google
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos