6.17.2026

Leandra Nel — Cores e Mídia

 









Leandra Nel — Cores e Mídia

Nascida em um tempo em que a tv era acores

Eu, Não me via nela.

Eram poucos os negros em uma incrível janela.

Meu cabelo crespo não tinha representatividade.

Tranças ,prender e alisar eram as opções .

Negra com traços finos, negra de alma branca,

filha de negro com branco…

Falas com estereotipias repetidas na rua e na TV.

Eu nunca me achei a donzela de contos de fadas.

Não me via e aquilo me feria.

As bonecas que eu brincava nem negras eram.

O tempo passou e o jogo virou reconheço agora minha ancestralidade

Em toda parte jornal, tv, internet .

Podemos falar abertamente da descendência

Dos nossos orixás, do nosso batuque .

Da nossa negritude.

Derrubada de estatua de racista nós podemos fazer.

E se falar do meu Black podemos colocar a boca no trombone.

Vejam a força do navio negreiro da Senzala e do quilombo.

E a casa grande pira quando vê nós negros invadindo a grande mídia.

 

Sobre o poema: Leandra Nel traça uma linha do tempo da própria consciência racial — da ausência de referências negras na TV de sua infância até o reconhecimento da ancestralidade. O poema documenta como a representatividade (ou sua falta) forma e deforma identidades desde cedo.


Autora: Leandra Nel

Foto: Google

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