5.21.2026

O caso da aranha – Mario de Andrade

 

Crônica:  O caso da aranha – Mario de Andrade

Este primeiro dia de Paraíba tem que ser consagrado ao caso da aranha. Não é nada importante porém me preocupou demais e o turismo sempre foi manifestação egoística e individualista.

Cheguei contente na Paraíba com os amigos, José Américo de Almeida, Ademar Vidal, Silvino Olavo me abraçando. Ao chegar no quarto pra que meus olhos se lembraram de olhar pra cima? Bem no canto alto da parede, uma aranha enorme, mas enorme.

Chamei um dos amigos, Antônio Bento, pra indagar do tamanho do perigo. Não havia perigo. Era uma dessas aranhas familiares, não mordia ninguém, honesta e trabalhadeira lá ao jeito das aranhas. Quis me sossegar e de-fato a razão sossegou, mas o resto da minha entidade sossegou mas foi nada! Eu estava com medo da aranha. Era uma aranha enorme…

Tomei banho, me vesti, etc. fui jantar, voltei pro quarto arear os dentes, ver no espelho se podia sair pra um passeinho até a praia de Tambaú, mas fiz tudo isso aranha. Quero dizer: a aranha estava qualificando a minha vida, me inquietava enormemente.

Passeei e foi um passeio surpreendente na Lua-cheia. Logo de entrada, pra me indicar a possibilidade de bom trabalho musical por aqui, topei com os sons dum coco. O que é, o que não é: era uma crilada gasosa dançando e cantando na praia. Gente predestinada pra dançar e cantar, isso não tem dúvida. Sem método, sem os ritos coreográficos do coco, o pessoalzinho dançava dos 5 anos aos 13, no mais! Um velhote movia o torneio batendo no bumbo e tirando a solfa. Mas o ganzá era batido por um piazote que não teria 6 anos, coisa admirável. Que precocidade rítmica, puxa! O piá cansou, pediu pra uma menina fazer a parte dele. Essa teria 8 anos certos mas era uma virtuose no ganzá. Palavra que inda não vi, mesmo nas nossas habilíssimas orquestrinhas maxixeiras do Rio, quem excedesse a paraibaninha na firmeza, flexibilidade e variedade de mover o ganzá. Custei sair dali.

Os coqueiros soltos da praia me puseram em presença da aranha. O passeio estava sublime por fora mas eu estava impaciente, querendo voltar pra ver se acabava duma vez com o problema da aranha. Nuns mocambos uns homens metodicamente vestidos de azulão, dólmã, calça e gorro. Eram os presos. São eles que fazem as rodovias do Estado e preparam os catabios. Não fogem. E não sei porque não fogem.

E fiquei em presença da aranha outra feita. Olhei pro lugar dela, não a vi. Foi-se embora, imaginei. De-repente vi a aranha mais adiante. Está claro que a inquietação redobrou.. De primeiro ela ficara enormemente imóvel, sempre no mesmo lugar. Agora estava noutro, provando a possibilidade de chegar até meu sono sem defesa. Pensei nos jeitos de matá-la. Onde ela estava era impossível, quarto alto, cheio de frinchas e de badulaques, incomodar os outros hóspedes, fazer bulha. A aranha deu de passear, eu olhando. Se ela chegar mais perto, mato mesmo. Não chegou. Fez um reconhecimentozinho e se escondeu. Deitei, interrompi a luz e meu cansaço adormeceu, organizado pela razão.

Faz pouco abri os olhos. A aranha estava sobre mim, enorme, lindos olhos, medonha, temível, eu nem podia respirar, preso de medo. A aranha falou:

– Je t’aime.


Autoria: Mário de Andrade

Foto: Google

 

Inteligência Artificial - R. Santana

Inteligência Artificial

R. Santana

 

A.C. é um técnico com várias habilidades: engenheiro ambiental, matemático, professor do ensino médio, poeta, prosador e artista plástico. Há duas semanas, nós divergimos de maneira democrática sobre a panaceia da Inteligência Artificial (IA), ultimamente, usada em quase todas as atividades humanas. Ele pensa usar a IA num livro que está produzindo sobre “recuperação de áreas degradadas e taludes”.  O nosso desencontro ocorreu quando lhe disse que a IA é uma ferramenta tecnológica e jamais a usaria para produzir um livro, mesmo técnico, que muita gente tem usado essa ferramenta de maneira indiscriminada para produzir livros, TCC, pesquisas, teses de mestrado e doutorado. Abaixo, leitor amigo, a reprodução do nosso “fac-simile”:

                            Alô, Rilvan!

Foi bom você falar sobre IA, estou produzindo material técnico e sempre tenho que pesquisar e buscar conceitos, vou verificar se há algo não condizente e descartar. Vou fazer uma revisão geral e ficar atento.  Agradeço! (A. C.)

 Estimado amigo, agora virou moda o uso da Inteligência Artificial. Li que um cara em São Paulo, produziu mais de 40 livros com a IA. Conheço um cronista que fez umas crônicas com uso da IA, o pessoal não gostou, acho que não o fará mais.

Prefiro não usá-la! Quando preciso de uma informação, eu pesquiso, procuro entender, acrescento ou diminuo, mas, com as minhas palavras. Eu prefiro deixar de escrever do que entrar nessa moda. Acho que isso não é arte, não é literatura, não é criatividade... Fraternalmente, (R.S.)

 É muito complicado, eu fiz a produção de gráficos para meu livro, então paguei os gráficos gerados e apresentei a IA e ele me devolveu o gráfico bem acabado, perfeito. Então, esse uso é permitido, inclusive estava consultando o site do MEC e a CAPES sobre isso e, ambos, relatam que não há problema, ou seja, é o uso como ferramenta de suporte, não como produto artificial. A capa provisória do meu livro foi produzida pela IA para apresentar como sugestão a gráfica. Outra coisa, estou produzindo um livro técnico, às vezes preciso de uma equação com suas unidades de medidas tem que buscar no computador, hoje é tudo IA, no Google ou outros sites de pesquisa não se encontra mais nada. Portanto, o que resta ao pesquisador é pesquisar e filtrar, infelizmente. (A.C.)

Eu entendo, é uma ferramenta, agora, indispensável, não considere o que eu disse, sou um velho arcaico. Tenho que me adaptar aos novos tempos... Porém, já pensou que Einstein não usou a IA, para produzir a Lei da Relatividade? (R.S.)

Mas hoje ele usaria, até porque produziria muito mais. Eu acho que tem que haver racionalidade e ética. (A.C.)

Já lhe disse que não considere o que falei, eu estou obsoleto... (R.S.)

Tranquilo, R. S. Há mudanças aceleradas no mundo de hoje. Às vezes, sinto que estou um pouco ultrapassado também. Há um esforço muito grande em acompanhar a evolução tecnológica. O que me preocupa é não transgredir. Me lembro de um filme com Fernanda Montenegro, onde ela escrevia cartas para famílias distantes. Em uma entrevista, ela falava ser analfabeta digital. Então, aquela mulher letrada estava ultrapassada. Vamos devagar, mas temos que ir. (A.C.)

Estimado A. C., esse negócio de "obsoleto" é modéstia, eu não estou igual a Fernanda Montenegro, porém, por opção, eu prefiro não usar IA. O cérebro quer exercício, trabalhar as sinapses. Se eu acho tudo pronto, o cérebro fica preguiçoso. Parece-me que foi de Lamarck a lei do "uso e desuso". Se o órgão não funciona com o tempo fica atrofiado. As pessoas ainda não entenderam que IA é uma "ferramenta", um acessório, seu uso tem que ser disciplinado, não é tudo que se joga para IA. Acho que falou se Einstein tivesse essa ferramenta, ele teria produzido muito mais, acho que não, ele não teria pensado tanto e revolucionado a Física moderna. Permita-me lhe dar um exemplo do dia a dia: um caixa de mercado não sabe fazer uma conta de multiplicar se não usar a máquina. (R.S.)

Concordo com você em tudo, a IA deve ser usada como ferramenta. Ainda ontem, no Jornal Nacional, apresentou uma matéria sobre a regularização e uso da IA pelo MEC. Acho que assunto é controverso e o comentário, e o uso deve ser racionalizado. Eu conheço pessoas que ainda usam máquina de escrever, não tem celular nem computador, porque terminam sendo influenciados pelo mundo novo. Enfim, não vale a pena as discussões e justificativas, eu vou sempre usar a IA de maneira racional e ética.  Abraços! (A. C.)

Sucesso! (R.S.)

Graças a Deus, não houve vencido nem vencedor, cada qual no seu cada qual, não se muda a mente de ninguém num estalar de dedos, só o tempo dirá quem estava mais ou menos certo. Como diria o saudoso sábio do povo, tio Pedro: “Tudo vai ficar como antes no reino de Abrantes”.

O que é Inteligência Artificial (IA)? “É um conjunto de tecnologias que permitem que os computadores aprendam, raciocinem e realizem várias tarefas avançadas”, ou seja, essas tecnologias avançadas, programadas pelo homem, não por robores, imitam as funções do cérebro para comodidade do homem. No fim dos tempos, a humanidade será dividida em duas categorias: Os homens que pensam, detentores do conhecimento (dominantes), e, os homens que não pensam (dominados), A tendência será "o homem é o lobo do próprio homem" (homo homini lupus).

A Inteligência Artificial (IA) é programada por robores, portanto, por máquinas inteligentes. Porém, essa ferramenta sempre será desprovida de empatia, generosidade, misericórdia, compaixão e amor. A função da AI, sempre será conectar as “sinapses” tecnológicas para produzirem resultados programados.

A IA jamais terá a sensibilidade e criatividade de Van Gogh, Shakespeare, Fernando Pessoa, Drummond, ou, a narrativa de Machado de Assis e Jorge Amado.  A máquina, apenas, poderá ser programada para replicar esses conhecimentos, mas, desprovidos de emoções, de sentimentos.

Existe uma ameaça futura para essa automação digital, que a humanidade tenha homens com cérebros e homens descerebrados. O  cérebro é a mais perfeita “máquina” da inteligência deixada por Deus, possui 87 bilhões de neurônios e outro tanto de células não-neurônios. O homem precisa desenvolver mecanismos na Psicologia, Neurologia, Parapsicologia e na Psiquiatria  e usar todo esse potencial neurológico, segundo os cientistas expertos, o homem utiliza um pouco mais de 10 % dessa inteligência natural.


Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro fundador da Academia de Letras de Itabuna – Alita

Foto: Google


Ponto de leitura: rilvanbatistadesantana,blogspot,com

 

   

  

 

Inteligência Binet-Simon - R. Santana

Inteligência Binet-Simon

R. Santana

 

Inteligência pode ser definida como “faculdade de aprender, apreender ou compreender; percepção, apreensão, intelecto, intelectualidade, ou, qualidade de adaptar-se facilmente; capacidade, penetração, agudeza”, trocando em miúdos: “Capacidade de resolver problemas”. Não é à toa que vários filósofos e cientistas se debruçaram sobre essa faculdade mental, até escalas foram criadas para medir a inteligência: os famigerados testes de QI de Binet-Simon no campo da psicometria.

Não se pode negar o trabalho científico de psicometria de Alfred Binet e Theododre Simon na intervenção pedagógica daquela época, porém, o uso indiscriminado desses testes por pessoas não qualificadas, noutras instituições, frustrou e estigmatizou muita gente que o QI estava abaixo do padrão da escala Binet-Simon.

Hoje, é sabido que as funções cerebrais são muito mais complexas que a ciência possa imaginar. O sistema de neurônio ligado por sinapses levará muito tempo para que a ciência possa desvendar o significado de todos os impulsos nervosos, portanto, avaliar o QI das pessoas com base em perguntas e respostas padronizadas, é reduzir sistemas neurológicos complexos de enésimas reações em funções “palpáveis” conhecidas. A faculdade intuitiva corrobora na afirmação que a função intelectual não se encerra em medidas conhecidas, pois a mente humana é uma caixinha de surpresa inesgotável.

A teoria das inteligências múltiplas por Howrd Gardner no Século XX contempla todo tipo de inteligência, apenas, é necessário que o sujeito encontre o seu caminho e persevere no seu objetivo. Certa feita alguém perguntou ao inventor da lâmpada elétrica, Tomás Edison, de onde lhe vinha tanta inteligência, ele respondeu-lhe que “os seus inventos eram frutos de transpiração e não de inspiração”, ou seja, não adianta que o sujeito tenha uma mente privilegiada e não desenvolva os talentos que Deus lhe concedeu.

Todo homem (exceto o homem que nasce com retardo mental grave), possui inteligência, capacidade de percepção, apreensão, intuição, isto é, potencialmente o homem nasce dotado de faculdades para aprender e solucionar situações diversas, ao longo do tempo, ele vai desenvolvendo e aperfeiçoando esse processo de aprendizagem, não é demais repetir aqui o ditado popular: “vivendo e aprendendo”, enquanto temos vida, cada dia, enfrentamos situações diferentes que requerem soluções novas inteligentes, viver é matar um leão por dia.

Porém, graça ao psicólogo Howrd Gardner, que sistematizou os vários tipos de inteligência, descobriu-se que todos os homens possuem dons de aprendizagem, basta fazer o que gosta. Se o sujeito por circunstância de vida é obrigado fazer aquilo que não gosta, certamente, ele fará, mas de maneira repetitiva, jamais criará. Conta-se que Garrincha, um dos maiores jogadores da história do nosso futebol, era uma pessoa simplória, sem malícia, sem atitude capciosa, às vezes infantil, mas quando entrava no campo, sua capacidade de percepção, sua argúcia, seus reflexos físicos e suas jogadas inteligentes colocavam os adversários no chinelo.

O fator inteligência independe de raça, de características físicas e, do meio ambiente social e cultural. O homem não é produto do meio, ele pode ser influenciado e influenciar o ambiente onde nasceu. Se Hitler, em particular, seu Ministro da Propaganda Joseph Goebbels não tivesse insistido na supremacia de uma raça pura, um super-homem de raça ariana, em detrimento dos judeus, negros e deficientes físicos e sub-raças, talvez, o desfecho da Segunda Guerra Mundial tivesse tido nuances diferentes.

As vitórias dos pracinhas brasileiros no nazi-fascismo nas batalhas de Monte Castello e Montese no Norte da Itália põem por terra as teorias de super-homem de Nietzsche e Goebbels, pois nossos pracinhas eram uma miscigenação de europeus, nordestinos, negros, cafuzos e mulatos, liderados pelo general gaúcho Mascarenhas de Moraes.

Por isso, é contraproducente avaliar a capacidade do homem por índices de inteligência. Algumas escolas ainda insistem na avaliação pedagógica quantitativa em prejuízo da avaliação qualitativa. Não faz muito tempo, os estudantes eram reprovados por incautos professores por décimos de nota... Ditoso o momento histórico em que a avaliação do educando deixou de ser prerrogativa de um sujeito para ser atribuição de um Conselho de Classe e ao invés de notas quantitativas para aferir a aprendizagem, notas conceituais.

Portanto, o segredo do sucesso pessoal não é o QI engessado, mas a força de vontade e o foco. Se alguém não persegue determinado ideal, a aprendizagem e o conhecimento não têm significados, a pessoa conforme Piaget, só aprende e memoriza aquilo que lhe interessa, não porque tem inteligência limitada, mas que não lhe toca o coração e a alma.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Licença do Creative Commons

Foto: Google


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com 

À cidade da Bahia - Gregório de Matos

 








À cidade da Bahia

 

Triste Bahia! oh, quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado,

Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

 

A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando e tem trocado

Tanto negócio e tanto negociante.

 

Deste em dar tanto açúcar excelente

Pelas drogas inúteis, que abelhuda

Simples aceitas do sagaz Brichote.

 

Oh, se quisera Deus que, de repente,

Um dia amanheceras tão sizuda

Que fora de algodão o teu capote!


Autor: Gregório de Matos

Foto: Google

Os Demônios de Dostoiévski (romance) - Professor Bellei

 

No romance Os Demônios de Dostoiévski, Pyotr Verkhovensky surge como o protótipo perfeito do revolucionário niilista: um manipulador frio que exige dos outros uma pureza ideológica absoluta, uma submissão canina à causa, onde qualquer desvio do dogma equivale a traição mortal. Para si, porém, reserva o privilégio da exceção: chantagem, intriga psicológica, mentira sistemática e, quando necessário, o assassinato como instrumento de higiene partidária. Retirem-se os cadáveres, e Pyotr espelha com fidelidade desconcertante certo “intelectual” da direita contemporânea brasileira: o mesmo que aplica ao nome Bolsonaro, sobretudo a Flávio, o crivo mais estreito, o filtro mais impiedoso, exigindo dele uma lisura de santo laico, enquanto engole camelos e elefantes inteiros das velhas improbidades esquerdistas, com a indiferença de quem já se habituou ao cheiro de enxofre.

Há quem invoque, em defesa de Flávio, a metáfora da mulher de César: não basta ser honesto, é preciso parecer honesto. Nada o incrimina de fato, salvo as “manipulações psicológicas” que a ala hipócrita da direita limpinha agora entoa com afinco de réquiem. São as mesmas vedetes que, diante do breu mais denso da nossa história recente, exigem luz absoluta dos únicos fósforos que restam acesos e perdoam, ou convenientemente esquecem, as trevas mais antigas e mais vastas da política nacional.

Essas figuras lembram irresistivelmente outra grande criação da literatura russa: a Condessa Lídia Ivánovna, de Anna Karenina, obra de Tolstói. Espécie de arauto da moralidade mundana, ela encarna a elite pseudo-religiosa e farisaica que se arroga o direito de julgar e condenar. É ela quem lidera o boicote implacável contra Anna, não pelo adultério em si, pecado que a alta sociedade moscovita sabia muito bem dissimular, mas pelo escândalo de haver rompido o pacto do fingimento.

Enquanto as aparências se mantivessem, tudo era tolerável; quebrado o verniz, a guilhotina social caía sem misericórdia.

A analogia com Flávio é quase cruel de tão exata. Aconselhado a “parecer honesto”, a pedir desculpas públicas por um pecado que nunca cometeu, ele é instado a participar do teatro da contrição para aplacar os moralistas de plantão. E assim, vemos todos os dias que o fogo amigo não cessa porque a guilhotina moral está reservada, com zelo particular, à família Bolsonaro. E está, porque o exemplo bruto, quase despudorado de tão original e humano (e vital) de Jair expõe, desde sempre, a hipocrisia ossificada dos que se dizem seus pares. Eles não perdoam nele a ausência de fingimento. Repito: eles não perdoam nele a ausência de fingimento, essa virtude rara que, para os fariseus de todas as épocas, é o verdadeiro pecado imperdoável.


Fonte: Professor Bellei (cronista político)

Foto: Produção

 

 

5.20.2026

O Desafio de Reter Talentos - Robert Tamasy

 

O Desafio de Reter Talentos

Por Robert Tamasy

Lá se vai o tempo quando os trabalhadores se candidatavam a empregos de longa duração. Eles encontravam uma companhia de boa reputação, podiam ter um salário aceitável e alimentavam a expectativa de ficar ali tempo o bastante para ganhar um relógio de ouro e uma pensão após a aposentadoria. Já não é mais assim.

As corporações decidiram que uma das mais rápidas e eficientes medidas para cortar custos consiste em reduzir o quadro de funcionários sempre que possível. Em resposta a isso, os empregados se deram conta de que se suas companhias não sentem a necessidade de serem leais a eles, não existe motivo para que eles lhes retribuam com lealdade. Como resultado, o ambiente empresarial passou a se parecer com rãs pulando de folha em folha no brejo – trabalhadores agarrando oportunidades que paguem um pouquinho mais, ofereçam melhores benefícios ou prometam uma mudança agradável de cenário.

Atualmente, contudo, mais e mais empresas estão reconhecendo o valor e a importância de reter funcionários importantes. Por que investir horas incontáveis e milhares de dólares em treinamento de novos empregados se funcionários talentosos podem ser convencidos a não partir para “pastos mais verdes”? A pergunta é:  como retê-los?

Um artigo que li recentemente relacionava sete razões pelas quais empregados talentosos estão dispostos a permanecer em suas companhias e não adotar uma abordagem nômade em suas carreiras.  Essas razões incluem:

1.    Serem bem pagos.

2.    Sentirem-se valorizados.

3.    Saber que seus empregadores e supervisores os ouvem.

4.    Serem recompensados por um trabalho de qualidades e promovidos.

5.    Serem encorajados a se envolverem na tomada de decisões.

6.    Serem mentoreados por pessoas maduras, veteranas em suas companhias, que os ajudem a se desenvolver e crescer.

7.    Seu trabalho seja desafiador e proporcione realização.

A sabedoria da Bíblia endossa tais descobertas. Aqui estão alguns dos princípios que ela apresenta:

Pague às pessoas o que elas merecem. O dinheiro não é o único motivador, mas a compensação ajuda a garantir às pessoas  que são valorizadas. “Pois a Escritura diz: ‘Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal’, e ‘o trabalhador merece o seu salário.’” (I Timóteo 5:18).

Empregados menos experientes também podem oferecer conselhos dignos de atenção. Ás vezes, sugestões mais perceptivas partem das pessoas que deverão colocar o plano em ação. “Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros.” (Provérbios 15:22).

As pessoas querem que seu desempenho seja reconhecido.  Bons trabalhadores sabem quando produzem um trabalho de qualidade. Quando seus esforços não são reconhecidos, geralmente escolhem ir para onde suas contribuições sejam valorizadas. “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura.” (Provérbios 22:29).

Mentores ajudam a mostrar o caminho aos trabalhadores mais novos. Um mentor pode ser um recurso inestimável e beneficiar líderes talentosos que estão surgindo. Como o apóstolo Paulo escreveu a seus discípulos: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” (I Coríntios 11:1).  “Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim.” (Filipenses 4:9).

Questões Para Reflexão ou Discussão 

1. Sua companhia tem sido bem-sucedida na retenção de seus melhores e mais talentosos empregados?

2. Quais desafios você tem enfrentado – ou visto – na manutenção de funcionários importantes neste ambiente profissional cada vez mais fluído?

3. Você concorda com as razões mencionadas para que pessoas talentosas escolham permanecer com seus atuais empregadores e não ir para outro lugar? Existem, em sua opinião, outros motivos para ficar:?

4. Qual dos princípios bíblicos mencionados falou mais com você? Qual é mais importante, segundo sua perspectiva de satisfação profissional?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12:25; 13:18; 19:20; 20:6; 25:13; 27:5, 17, 23-27; II Timóteo 2:2. 

 

 

 

 

5.19.2026

Nenhum amor se compara ao amor de uma avó - Padre Chrystian Shankar



 

Fonte: YouTube

Autoria: Padre Chrystian Shankar

Pobre Rio Cachoeira - Sione Porto de Oliveira (*)

 






Pobre Rio Cachoeira

Sione Porto (*)

Menina, vi o Rio Cachoeira,

Belo e veloz, descer

Em busca do mar,

Com seu verde e ondas vertiginosas,

Brilhar perto das margens,

Nos fazendo encantar!

Então, comigo pensava,

Quão magnífico, ó Rio Cachoeira,

Cheio de vida e amplexos,

Trazendo cardumes nas redes

Peixes a se multiplicar,

Para os pobres alimentar!

Menina, vi o Rio Cachoeira

Banhando as lavadeiras,

Que após lavar roupas tão alvas,

Entoando sonoros cantos ribeirinhos,

Saíam com suas trouxas na cabeça,

Nos fazendo sonhar e sonhar!

Hoje, procuro o Rio Cachoeira,

De tanta beleza de outrora,

Mas apenas vejo sujeira,

dentro e nos seus arredores,

povoado de garças sorrateiras,

Que triste é o Rio Cachoeira!

Será que ninguém ver o seu penar?

Antes tão absoluto e majestoso,

A deslizar nas ondas fortes

Na sólida terra grapiúna,

Que hoje geme e sangra,

Querendo se recuperar?

Bravo Rio Cachoeira,

Estrela brilhante,

Daqueles que o amam,

Certamente uma voz,

Falará mais alto para o salvar,

E, como aquele que não foge à luta, sobreviverá!

 






(*) Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa, Bacharela em Direito e delegada aposentada de polícia do estado da Bahia (BR) / Membro Fundadora da Academia de Letras de Itabuna (ALITA)

5.18.2026

Ariano Suassuna (1927 - 2014)

Ariano Suassuna (1927 - 2014)

Apesar de ter vivido na mesma época que vários dos poetas modernistas, Suassuna aparece nesta lista por ser um caso à parte na história da literatura brasileira.

A valorização da cultura nordestina e de movimentos populares foi o objetivo desse paraibano bem humorado. Sete dos seus quase trinta livros são de poesia, que fazem jus à nossa rica cultura popular.

Infância (trecho)

Sem lei nem Rei, me vi arremessado

bem menino a um Planalto pedregoso.

Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,

vi o mundo rugir. Tigre maldoso.

O cantar do Sertão, Rifle apontado,

vinha malhar seu Corpo furioso.

Era o Canto demente, sufocado,

rugido nos Caminhos sem repouso.


Saiba mais sobre o criador do épico "O Auto da Compadecida" através de leitura da biografia de Ariano Suassuna.


Fonte: Ariano Suassuna
Foto: Google

5.17.2026

Quem foi Maria Firmina dos Reis

Quem foi Maria Firmina dos Reis: sua importância na literatura e principais obras.

Maria Firmina dos Reis (1825 - 1917) foi uma professora e escritora brasileira no século XIX. Mulher negra, filha e neta de mulheres que haviam sido escravizadas, Maria Firmina foi uma defensora ferrenha da abolição da escravidão.

Seu romance Úrsula (1859) é considerado o primeiro romance abolicionista publicado por uma mulher negra no Brasil e, possivelmente, na América Latina. Seus textos e sua história têm ganhado cada vez mais reconhecimento na crítica literária. Nos últimos anos, a obra de Firmina chegou a ser escolhida para compor listas de leituras obrigatórias nos vestibulares do Brasil.

Biografia

Maria Firmina nasceu em São Luís do Maranhão, em 11 de outubro de 1825. Filha de Leonor Felippa dos Reis e neta de Engrácia Romana da Paixão, ambas escravas alforriadas, Firmina tinha tudo para ser apenas mais uma vítima do Brasil escravocrata. No entanto, seu tio Sotero dos Reis, que pertencia ao ramo branco da família, era professor, e circulava nos espaços letrados e intelectuais da cidade. Esse fato, sem dúvida, foi determinante para a trajetória da autora.

Aos 22 anos de idade, a autora foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária, isto é, para o cargo de professora. O cargo a situou no município de Viamão, no continente do estado.

Durante seus anos como professora, dedicou-se a ler, escrever, pesquisar e ensinar. Por conta disso, marcou a imprensa local, publicando em diferentes jornais literários da época, como o Semanário Maranhense. Nos jornais, escrevia poemas, charadas, crônicas, entre outros gêneros textuais.

Além disso, a autora atuou como compositora e folclorista, trabalhando na preservação de materiais da cultura local e oral. Já no que diz respeito às suas composições musicais, merece destaque a composição de um hino em louvor à abolição do regime escravocrata.

Maria Firmina se aposentou no início da década de 1880. Na ocasião, a autora fundou, em Maçaricó, a primeira escola mista e gratuita do estado. Esse ato demonstrava o comprometimento da autora com a democratização da educação.

O feito atraiu olhares e gerou bastante repercussão, já que até então existiam pouquíssimas escolas gratuitas e mistas no país. Em função disso, Maria Firmina foi obrigada a fechar a escola depois de dois anos e meios de atuação.

 

Contexto

Firmina nasceu em 1825, pouco após a Independência do Brasil, e cresceu em meio a uma nova ideia de país. Sua obra reflete influências do Romantismo, permitindo classificá-la como uma autora desse movimento.

É também válido mencionar o surgimento do movimento abolicionista, ao qual Firmina também aderiu. Afinal, embora a abolição tenha sido sancionada em 1888, a luta por essa conquista antecede muito tempo atrás.

A autora participou de manifestações coletivas ao longo do século. Maria Firmina viu leis, como a Lei Eusébio de Queirós (1850) e a Lei do Ventre Livre (1871), serem elaboradas.

Na esteira do sentimento nacionalista, tais eventos aparecerão diretamente na obra e na vida da autora.

Principais obras

Maria Firmina tem como principal título o romance abolicionista Úrsula (1859), no entanto, outras obras também merecem destaque.

A autora escreveu, em 1861, Gupeva, uma novela indianista que foi publicada em forma de folhetim. A obra merece importante destaque pois pode ser comparada à trilogia indianista de José de Alencar. Porém, a narrativa de Gupeva, que narra a paixão entre um francês e uma indígena, é anterior até mesmo à “Iracema”, famoso romance de Alencar.

Trecho de Gupeva

Foi um bafejo divino na hora da tormenta; foi uma gota de orvalho sobre a erva emurchecida pela calma. Agora segui o vosso deserto; árida e espinhosa será a vossa senda. Abrasar-vos-á o simum, e uma só fonte d’água fresca não encontrareis em vossa peregrinação, que vos suavize o requeimar do sangue. E depois deste afã, deste doloroso caminhar, no extremo já, vereis por desafogo e tantas dores o antro escuro, e úmido de uma sepultura. Não recueis, oh! Não: aí está o esquecimento de uma existência amargurada, aí o descanso, o repouso, a felicidade. [...]

Outro texto significativo da autora é a coletânea de poemas Cantos à beira-mar, lançada em 1871. Os poemas apresentam forte tom romântico, com uma subjetividade feminina bem trabalhada e uma melancolia escapista diante da realidade.

Trecho do poema “À minha extremosa amiga D. Ana Francisca Cordeiro”

Donzela, tu suspiras - esse pranto,

Que vem do coração banhar teu rosto,

Esse gemer de lânguido penar,

Revela amarga dor - imo desgosto:

Amiga... acaso cismas ao luar,

Terno segredo de ignoto amor?!...

Soltas madeixas desprendidas voam

Por sobre os ombros de nevada alvura;

Tua fronte pálida os pesares c'roam

Como auréola de martírio... pura,

Cândida virgem... que abandono o teu?

Sonhas acaso com o viver do céu!

Sentes saudades da morada d'anjos,

D'onde emanaste? enlangueces, gemes?

É nostalgia o teu sofrer? de arcanjos

Perder o afeto que te votam - temes?

Ou temes, virgem - de perder na terra,

Toda a pureza que tu'alma encerra!?...

 

[...]


Já em 1887, Maria Firmina publicou o conto A escrava, uma clara peça de caráter abolicionista que se inseriu no debate da época.

Trecho do conto A escrava

Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.

O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

— Admira-me, disse uma senhora, de sentimentos sinceramente abolicionistas; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa, e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

Úrsula

Considerado o primeiro romance abolicionista brasileiro, Úrsula apresenta uma narrativa tipicamente romântica, permeando temas como amor, liberdade e abolição.

O romance gira em torno do romance de Tancredo e Úrsula, que precisam enfrentar empecilhos para que possam viver o seu amor. Em outro plano da história, personagens como Túlio, um jovem negro escravizado que em certa ocasião salva Tancredo, vivem o drama da alforria em um país que continua escravocrata e racista.

Trecho de Úrsula

Capítulo 1

– Quem és? – Perguntou o mancebo ao escravo apenas saído do seu letargo. – Por que assim mostras interessar-te por mim?!...

– Senhor! – Balbuciou o negro – vosso estado... Eu – continuou com acanhamento, que a escravidão gerava – suposto nenhum serviço vos possa prestar, todavia quisera poder ser-vos útil. Perdoai-me!...

[...]

Apesar da febre, que despontava, o cavaleiro começava a coordenar suas ideias, e as expressões do escravo, e os serviços que lhe prestara, tocaram-lhe o mais fundo do coração. É que em seu coração ardiam sentimentos tão nobres e generosos como os que animavam a alma do jovem negro: por isso, num transporte de íntima e generosa gratidão o mancebo, arrancando a luva que lhe calçava a destra, estendeu a mão ao homem que o salvara. Mas este, confundido e perplexo, religiosamente ajoelhando, tomou respeitoso e reconhecido essa alva mão, que o mais elevado requinte de delicadeza lhe oferecia, e com humildade tocante, extasiado, beijou-a.

Esse beijo selou para sempre a mútua amizade que em seus peitos sentiam eles nascer e vigorar. As almas generosas são sempre irmãs.

– Não foste porventura o meu salvador? – perguntou o cavaleiro com acento reconhecido, retirando dos lábios do negro a mão, e malgrado a visível turbação deste, apertando-lhe com transporte a mão grosseira, mas onde descobria, com satisfação, lealdade e pureza.

[...]

O grande diferencial do Romance está no fato de que dois personagens escravizados ganham voz em meio aos debates abolicionistas da sociedade. Túlio, jovem escravizado que vai em busca de sua alforria, e Susana, uma velha escrava que experimentou a liberdade por ter nascido fora do Brasil.

Capítulo 9

[...]

 

A africana limpou o rosto com as mãos, e um momento depois exclamou:

– Sim, para que estas lágrimas?!... Dizes bem! Elas são inúteis, meu Deus; mas é um tributo de saudade, que não posso deixar de render a tudo quanto me foi caro! Liberdade! Liberdade... ah! eu a gozei na minha mocidade! – continuou Susana com amargura – Túlio, meu filho, ninguém a go­zou mais ampla, não houve mulher alguma mais ditosa do que eu. Tranquila no seio da felicidade, via despontar o sol rutilante e ardente do meu país, e louca de prazer a essa hora matinal, em que tudo aí respira amor, eu corria às descarnadas e areno­sas praias, e aí com minhas jovens companheiras, brincando alegres, com o sorriso nos lábios, a paz no coração, divagávamos em busca das mil conchinhas, que bordam as brancas areias daque­las vastas praias. Ah! meu filho! Mais tarde deram­-me em matrimônio a um homem, que amei como a luz dos meus olhos, e como penhor dessa união veio uma filha querida, em quem me revia, em quem tinha depositado todo o amor da minha alma: – uma filha, que era a minha vida, as minhas am­bições, a minha suprema ventura, veio selar a nos­sa tão santa união. E esse país de minhas afeições, e esse esposo querido, essa filha tão extremamen­te amada, ah Túlio! Tudo me obrigaram os bárbaros a deixar! Oh! tudo, tudo até a própria liberdade!

Estava extenuada de aflição, a dor era-lhe viva, e assoberbava-lhe o coração.

– Ah! pelo céu! – exclamou o jovem negro enternecido – sim, pelo céu, para que essas re­cordações!?

– Não matam, meu filho. Se matassem, há muito que morrera, pois vivem comigo todas as horas.

[...]

 

Características literárias

A literatura de Maria Firmina dos Reis é sem dúvida uma literatura crítica. No entanto, não por isso, deixa de apresentar características do Romantismo. Assim, há um eixo ético-político na sua obra e vida: a luta contra a escravidão e o preconceito.

Desse modo, dentro de sua obra é possível destacar:

o caráter abolicionista;

a exaltação da natureza e do indianismo;

a lírica melancólica e escapista;

o contraste entre a beleza da pátria e o cárcere da escravidão;

a crítica nacional por meio das desilusões;

a representação do negro escravizado humanizado;

a temática étnico-racial e feminista.

Representatividade histórica e atual

Mulher e negra no Brasil escravocrata do século XIX, a vida de Maria Firmina não foi fácil. Assim, Firmina faleceu pobre e cega, no município de Guimarães, aos noventa e dois anos.

Muitos documentos de seu arquivo pessoal se perderam, e não há fotos conhecidas de Maria Firmina. No entanto, a imagem da escritora gaúcha Maria Benedita Borman circula erroneamente como se fosse dela. Esse equívoco reflete o apagamento histórico de uma mulher negra e abolicionista.

Maria Firmina foi uma mulher ativista pelos direitos da população negra e, até hoje, é considerada uma protagonista e pioneira na luta contra o racismo.

A autora é um nome que figura no painel da representatividade dos escritores negros da história brasileira, ao lado de nomes como Machado de Assis e Lima Barreto. Cada vez mais lida, o ano de 2017 marcou o centenário de sua morte e contou com a republicação de muitas de suas obras.

 

Fonte: Rodrigo Luis Professor de Português e Literatura

Foto: Google

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