5.21.2026

À cidade da Bahia - Gregório de Matos

 








À cidade da Bahia

 

Triste Bahia! oh, quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado,

Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

 

A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando e tem trocado

Tanto negócio e tanto negociante.

 

Deste em dar tanto açúcar excelente

Pelas drogas inúteis, que abelhuda

Simples aceitas do sagaz Brichote.

 

Oh, se quisera Deus que, de repente,

Um dia amanheceras tão sizuda

Que fora de algodão o teu capote!


Autor: Gregório de Matos

Foto: Google

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