3.22.2026

Entrando no Campo Missionário - Robert Tamasy

 

Entrando no Campo Missionário

Por Robert Tamasy

Quando você ouve a expressão “campo missionário” o que lhe vem à mente? Tipicamente pensamos numa terra distante, com pessoas vivendo numa cultura diferente, falando uma língua não familiar, até mesmo estranha. Você já pensou no campo missionário que existe bem do lado de fora de seu escritório ou cubículo, ou nas pessoas que vai encontrar na próxima ligação de vendas?

Anos atrás, um amigo meu, Ken Johnson, estabeleceu um ministério para empresários e altos executivos. Um de seus objetivos era ajudar cada membro a reconhecer que eles eram missionários – em seus prédios de escritório, construindo fábricas e territórios de vendas. De fato, Ken tinha pequenos emblemas impressos que ele deu a todos afiliados ao seu Christian Network Teams. Nos emblemas estava escrito: “Você agora está entrando no campo missionário”.

Em nenhum lugar a Bíblia especifica que as únicas pessoas que podem ser qualificadas como “missionários” são aquelas que estão sob a autoridade direta de uma igreja ou agência missionária ou cujos rendimentos devem ser gerados apenas através de contribuições caritativas. Por essa razão, um homem de negócios ou um profissional qualquer que trabalhe com indivíduos que ainda não se declarem seguidores de Jesus Cristo tem direito de se considerar um missionário.

Quando Jesus comissionou Seus seguidores, próximo ao final de seus dias na terra, Ele os direcionou a irem e fazerem “...discípulos de todas as nações...ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei. E Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:19-20). Em nenhuma parte desse mandamento Ele indicou que isso deveria ser feito apenas dentro de um contexto institucional e religioso.

De modo similar, em Atos 1:8 Jesus declara onde deveria ter lugar o serviço prestado aos outros em Seu nome: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” Ao dizer isso, Jesus estava descrevendo todo o mundo conhecido naquele tempo. Ele estava instruindo Seus seguidores: “Falem às pessoas sobre mim aonde quer que vocês forem, seja no escritório ao lado, sua vizinhança, em toda a cidade ou em uma parte do mundo totalmente diferente.”

Pensando sobre isso, vemos a indicação de que, não importa qual seja a fonte de nossos rendimentos, somos encarregados de servir como representantes de Jesus Cristo – o que o CBMC chama de “embaixadores no mercado de trabalho” – onde quer que vamos. Não precisamos de um chamado específico para deixarmos nossa profissão ou nos mudarmos para outra parte do mundo. Como alguém já disse sabiamente, Deus quer que nos envolvamos com outras pessoas onde estamos – porque obviamente não podemos servir a Deus onde não estamos.

Ao longo de seus quase 90 anos de existência, o CBMC tem visto muitos milhares de homens e mulheres chegarem ao conhecimento de Jesus Cristo de uma maneira transformadora de vidas, e muitos deles se desenvolveram e se tornaram fieis e zelosos embaixadores por Ele, e não somente em suas próprias cidades e nações, mas também onde quer que viajem ou conduzam negócios. Uma tradução literal de Mateus 28:19 é: “Enquanto estiverem indo, façam discípulos (seguidores) de Jesus.” Aonde quer que formos – aonde quer que as oportunidades que Deus dá nos levem – devemos servi-Lo e alcançar outros com as suas Boas Novas.

Questões Para Reflexão ou Discussão   

Que palavras ou imagens lhe vêm à mente ao ouvir a palavra “missionário”?

Como você reage à ideia de que é um missionário, não importando o trabalho que faz? Como a ideia de “estar entrando no campo missionário” muda sua percepção ou atitude em relação às pessoas que encontra no decorrer do seu trabalho diário?

O que a expressão “embaixador no mercado de trabalho” significa para você? Como seria se tornar – e agir – como embaixador no mercado de trabalho?

Que tipo de obstáculos ocorreriam considerando servir como missionário no mundo empresarial e profissional? Como esses obstáculos poderiam ser vencidos?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Isaias 43:4; Marcos 16:15; Colossenses 4:5-6; 2Timóteo 2:2-6; 1Pedro 3:15-17. 

 

3.20.2026

CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos) - Agilson Cerqueira

 










Simbiose (Razão - I, II, III)

Óleo Sobre Tela 

Agilson Cerqueira


CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)

Agilson Cerqueira

Antes da ideia

existe o mundo.

A luz derrama-se nos olhos

como um rio silencioso,

o vento escreve na pele

sua caligrafia invisível,

e os sons se espalham no ar

como círculos sobre a água.

Tudo começa assim:

Em uma delicada invasão.

O corpo recolhe sinais,

mínimos fragmentos do universo,

sementes dispersas

de um saber ainda sem nome.

Cada cor,

cada textura,

cada rumor distante

é um sussurro da realidade.

E pouco a pouco

a consciência desperta

como um amanhecer

dentro do ser.


CICLO DA RAZÃO (II — Intelecto)

Agilson Cerqueira

Então a mente começa

seu trabalho secreto.

Recolhe os vestígios do mundo

trazidos pelos sentidos

como quem junta estrelas caídas.

Entre o sentir e o perguntar

nasce o intelecto.

Ele separa o caos,

ordena a luz,

traça caminhos invisíveis

no território das ideias.

Das sensações ele faz pensamento.

Do instante ele faz memória.

Do encontro ele faz pergunta.

E assim, lentamente,

o universo exterior

ganha morada

dentro da mente.

Mas sem o sopro da experiência,

sem o fogo dos sentidos,

seria apenas

um  vazio.


CICLO DA RAZÃO (III — Razão)

Agilson Cerqueira

E então surge a razão.

Não como pedra fria,

nem como montanha isolada,

mas como um horizonte

que se abre no pensamento.

Ela ilumina o que foi sentido,

revela o que foi pensado,

e costura o mundo

à consciência.

Na razão,

as coisas encontram forma,

e o pensamento encontra direção.

O ser humano percebe

que compreender

é também uma maneira

de tocar o infinito.

Pois cada ideia

é uma ponte invisível

lançada entre o eu

e o universo.

E assim,

o mundo continua

a nascer todo dia

com sentidos, mente e razão.

Vida!


Autoria: Agilson Cerqueira (*) - Professor, engenheiro, poeta e artista plástico.

Foto: Produção

Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

 

Manuel Bandeira (1886-1968) foi um dos maiores poetas brasileiros, tendo ficado conhecido pelo grande público, especialmente pelos célebres  Vou-me Embora pra Pasárgada e Os sapos. Mas a verdade é que, além dessas duas grandes criações, a obra do poeta comporta uma série de pérolas pouco.

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

 

Eis o mais consagrado poema de Bandeira: Vou-me embora pra Pasárgada. Aqui encontramos um inegável escapismo, um desejo de evasão, de sair da sua condição atual rumo a um destino altamente idealizado.

O nome do local não é gratuito: Pasárgada era uma cidade persa (para sermos mais precisos, foi a capital do Primeiro Império Persa). É ali que o sujeito poético se refugia quando sente que não consegue dar conta do seu cotidiano.

Tradicionalmente esse gênero de poética que procura a liberdade propõe uma fuga para o campo, na lírica do poeta modernista, no entanto, há vários elementos que indicam que essa fuga seria em direção a uma cidade tecnológica.

Em Pasárgada, esse espaço profundamente desejado, não existe solidão e o eu-lírico pode exercer sem limites a sua sexualidade.

 

Fonte: Pensador

Foto: Google

Tecendo a manhã - João Cabral de Melo Neto

 







Tecendo a manhã - João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto  

Fonte: Pensador

Foto: Google

 

3.19.2026

Arthur Schopenhauer: “O homem é o único animal que causa dor aos outros sem outro propósito senão o de fazê-lo.”

 

Arthur Schopenhauer: “O homem é o único animal que causa dor aos outros sem outro propósito senão o de fazê-lo.”

Por Gessika Julia   Arthur Schopenhauer analisa o pessimismo filosófico e a insaciável vontade humana

Imagine acordar em um dia comum, cumprir todas as tarefas, alcançar o que você queria e, ainda assim, sentir um vazio difícil de explicar. Foi diante desse tipo de inquietação que Arthur Schopenhauer, nascido em 1788 em Danzig e atuante sobretudo na Alemanha, construiu uma das visões mais marcantes do chamado pessimismo filosófico. Sua reflexão, influenciada por contatos com o budismo e o hinduísmo em uma época em que quase ninguém no Ocidente falava disso, tenta compreender por que desejamos tanto, sofremos tanto e descansamos tão pouco.

O que é o pessimismo filosófico de Arthur Schopenhauer?

Quando se fala em pessimismo filosófico em Schopenhauer, não é apenas alguém que “vê tudo pelo lado ruim”. É uma tentativa de encarar com honestidade as dificuldades da vida, sem maquiar a dor. Para ele, viver significa entrar em um ciclo de desejos que nunca se saciam por completo, o que traz tédio, frustração e angústia entre uma conquista e outra.

Essa visão está ligada à ideia de que o mundo é, em sua raiz, vontade. Não uma vontade consciente e bem planejada, mas uma energia primordial, irracional e insaciável. Ela atravessa tudo, das forças da natureza às escolhas humanas, mantendo cada ser em inquietação constante, algo que inspirou pensadores como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Thomas Mann, além de influenciar discussões atuais em psicologia e estudos sobre a mente.

Ao observar a natureza humana, Schopenhauer conclui que o egoísmo é predominante. Como funciona a noção de vontade cega em Schopenhauer?

A chamada vontade cega é o coração do pensamento do filósofo. Em vez de um universo organizado por um plano moral ou racional, Schopenhauer enxerga um fundo sem propósito claro. A vontade age sem direção consciente, aparece em instintos, ambições e impulsos que surgem sem cessar, muitas vezes nos empurrando para conflitos desnecessários.

Essa força ajuda a explicar por que nos envolvemos em disputas, competições e rivalidades que parecem não ter fim. Procuramos satisfação, mas, quando ela finalmente chega, dura pouco e logo dá lugar a novos vazios. Assim, o sofrimento não é um acidente isolado, mas algo estrutural na existência humana, que atravessa gerações e contextos sociais, aproximando a análise de Schopenhauer de certas leituras contemporâneas sobre consumismo e exaustão emocional.

Quando se fala em pessimismo filosófico em Schopenhauer, não é apenas alguém que “vê tudo pelo lado ruim”. Por que Arthur Schopenhauer via o ser humano como egoísta por natureza?

Ao observar a natureza humana, Schopenhauer conclui que o egoísmo é predominante. Em geral, colocamos nossos interesses em primeiro lugar, mesmo quando sabemos que isso pode machucar alguém. A vontade quer se afirmar o tempo todo, muitas vezes usando o outro apenas como meio para os próprios objetivos.

Ele chama atenção para situações em que o ser humano provoca dor de forma calculada. Enquanto muitos animais atacam para sobreviver, nossa agressividade aparece em humilhações, violências simbólicas, perseguições, guerras e cancelamentos públicos movidos por orgulho, inveja e desejo de vingança, o que revela uma crueldade consciente e planejada. Essa leitura antecipa, de certo modo, debates que mais tarde seriam aprofundados por Freud ao tratar de pulsões destrutivas e conflitos internos.

Qual é o papel da compaixão e da arte no pensamento de Schopenhauer?

Apesar do pessimismo filosófico, Schopenhauer não abandona a ideia de que existem brechas de alívio e cuidado. Para ele, a compaixão é uma chave importante, porque faz a pessoa perceber que o outro sente medo, dor e insegurança da mesma forma. A partir dessa consciência, surge uma moral prática, em que se escolhe, sempre que possível, diminuir o sofrimento, e não aumentá-lo. 

Outro caminho é a experiência estética, especialmente por meio da música e das artes em geral. A arte funciona como uma pausa temporária no turbilhão de desejos, oferecendo um descanso da pressão diária. Nessa perspectiva, alguns pontos ganham destaque:

A compaixão é a base de uma moral que busca reduzir o sofrimento de todos. A arte oferece um respiro momentâneo das preocupações e ansiedades cotidianas.

A música expressa de modo direto o movimento da vontade, aproximando e, ao mesmo tempo, afastando o ouvinte dela.

Ao combinar uma crítica dura à realidade com a indicação de pequenos refúgios, Arthur Schopenhauer continua atual em 2026. Sua filosofia ajuda a entender a violência, o egoísmo e a dor que vemos nas notícias e nas redes, mas também lembra que empatia e experiência estética podem, ainda que parcialmente, transformar nossa maneira de existir, inspirando discussões éticas e culturais que vão de Nietzsche à psicologia social contemporânea.

 

Fonte: Géssica Júlia

Foto: – Créditos: depositphotos.com / iku4

3.18.2026

Crônica: “O mar que cabe na palma da mão” - Gustavo Velôso (*)

 


Cultura | Literatura

Por: *Gustavo Velôso

Crônica: “O mar que cabe na palma da mão”

Há cidades que a gente visita. Outras, a gente carrega.

Buerarema — para quem conhece — não é apenas um ponto no mapa do sul da Bahia. É dessas terras que ficam guardadas na memória como se fossem coisa viva, respirando dentro da gente. E, curiosamente, quanto mais o tempo passa, mais elas crescem.

Outro dia, percorrendo as páginas de “Com o mar entre os dedos”, que se insere no gênero das crônicas, reunindo textos que transitam entre memória, cotidiano e reflexão publicado em 2016 pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da autoria intelectual de Antônio Lopes, me dei conta de que o autor não escreve apenas crônicas. Ele faz outra coisa: ele devolve lugares.

Devolve Buerarema com suas ruas, seus tipos humanos, suas histórias miúdas — aquelas que nunca viram manchete, mas que sustentam o mundo.

O livro é isso: um passeio por experiências, lembranças e episódios que parecem simples, mas que carregam uma espécie de verdade silenciosa sobre a vida.

E talvez seja exatamente por isso que funcione.

Porque ninguém vive de grandes acontecimentos o tempo todo. A vida, no fundo, é feita desses instantes quase invisíveis — uma conversa, uma lembrança, um detalhe que só faz sentido para quem viveu.

Antônio Lopes entende isso. E escreve como quem não quer transmitir uma explicação profunda. Deixa que o leitor reconheça, por conta própria, aquilo que já sentiu um dia.

Há, nas páginas, um certo humor, mas também uma melancolia leve — não pesada, não triste — apenas aquela sensação de que tudo passa. E passa rápido.

Talvez por isso o título seja tão preciso.

O mar, quando escorre entre os dedos, não se deixa prender. É bonito justamente por isso. É presença e ausência ao mesmo tempo. É o instante que não se repete.

Assim são as cidades da memória.

Assim são as pessoas.

Assim é a vida.

E talvez seja esse o maior mérito do livro: lembrar, sem alarde, que aquilo que parece pequeno — uma rua, uma história, um dia comum — é, no fim das contas, o que realmente fica.

Ou melhor: o que insiste em não ir embora.

(*) Gustavo Velôso é membro fundador da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) ocupando a Cadeira de nº 15 que tem como Patrono José Haroldo Castro Vieira. Autor intelectual da Coleção Raízes Grapiúnas Selo FERRADAS com onze volumes.

Em: 18/03/2026

 

5 poemas de Raquel Vasquez

 


Raquel Vázquez es una poeta, aforista y narradora nacida en Lugo en 1990. Filóloga e informática, su último libro, Aunque los mapas (Visor, 2020), recibió el Premio Loewe a la Creación Joven y El Ojo Crítico de RNE de Poesía. También ha publicado, entre otros, los poemarios Lenguaje ensamblador (Renacimiento, Premio Orizzonte Atlantico, 2019), El hilo del invierno (Hiperión, Premio València Nova, 2016) o Luna turbia (Torremozas, Premio de Poesía Joven Gloria Fuertes, 2013); la novela Chomolangma (La Isla de Siltolá, 2017) y los libros de cuentos La ocarina del tiempo (Trifolium, 2016) y Paralelo 36 (Talentura, 2019). Fue residente de la XIII promoción de la Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores.

***

CÁMARA

Detrás de un maquillaje
de pájaros afónicos
cuánto nos hemos soñado, tú y yo,
quebrados cómplices, testigos mudos
de cómo se desangra este silencio.
Apenas quedarán unas manos manchadas
por la caja de música
que en la niebla ninguno de los dos acertó a abrir.
Y el diafragma se cierra
y se encuentran nuestros ojos,
pero esta luz ya duerme en la humedad
y su página rota.
Con la mordaza sonreímos dolor.
El flash nos compadece, y de qué sirve.
No sé qué haremos con tanto recuerdo
muerto en líquido amniótico.

***

SUFIJOS TELEFÓNICOS

Guernica 37, Nagasaki
45, Sarajevo 93,
Basora 2003, Alepo 2015.

En tantos cementerios,
lápida a lápida se va tallando
un final repetido
a modo de punzante sufijo telefónico.

Son hilos ya cortados:
qué comunicación posible, qué palabra.
Salvo el dolor, ya todo lo demás no llega nunca.

O demasiado tarde.
Cuando tal vez ningún número importe.

La cifra en la memoria
como el mismo sufijo de un silencio.

***

EN EL PICO

Querría resguardarte de la noche,
que no hubiera intemperie,
que no hubiera latón ni aire oxidado.
Querría que el olvido o la erosión
fueran muecas risibles de otra historia
y ahora nunca murieras
y ahora nunca el insomnio te quemase
de plástico los ojos.
Querría que el deseo
llegara siempre a tiempo a la estación,
que el reloj consistiera en un juego de niños.
Que la tormenta fuera con flor de jacarandas.
Y el dolor, nada más que dos sílabas inermes.
Que la mayor herida la dijesen los pájaros.

***

EN CASO DE EMERGENCIA

Rompimos el lenguaje.
Vamos, dijiste; o yo traduje, eso no importa:

sólo importó aquel mirlo
que aguardaba en tu mano con las alas plegadas.

Pusiste esa sonrisa
boba que tanto me ha atraído siempre.

Ahora pude decírtelo.

La eternidad se demostró pequeña,
manejable: cabía
dentro de una modesta habitación de hotel.

Y estábamos allí para tocarla.

***

CRUSTÁCEOS

Algún día recordaremos esto.
Cuando no haya palabras que nos dejen nombrarlo.

Este tiempo de equívocos,
este tiempo cangrejo.

Este tiempo de diálogos sin voz
que nos gritan los ojos

y que después no llegan siquiera a la garganta.

Algún día recordaremos esto.
Probablemente en silencio, por no
perder tanta costumbre.

Por no saber hablar
otro idioma distinto a la nostalgia.


Autora: Raquel Vasquez

Foto: Produção

 

Passos para Uma Cultura Sadia de Negócios Por Rick Boxx

 

Passos para Uma Cultura Sadia de Negócios

Por Rick Boxx


Em meu livro Unconventional Business (Negócios Não Convencionais), eu identifico cinco passos para desenvolver uma cultura sadia e ética dentro de uma companhia ou organização.  O primeiro passo é “Avaliar o ponto forte de sua cultura”. Anos atrás revisei a avaliação de cultura com um empresário. Ele atribuíra a si mesmo o nível mais alto, presumindo que seu quadro de funcionários faria o mesmo. Entretanto, quando minha avaliação de sua companhia ficou pronta, o empresário soube que toda sua equipe avaliara sua liderança – e a cultura de sua organização – como sendo de um nível muito baixo. 

I Coríntios 3:18 diz: “Não se enganem. Se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era, deve tornar-se ‘louco’ para que se torne sábio.” Para estabelecer uma cultura sadia, comece por uma avaliação objetiva da cultura existente, caso contrário, você provavelmente cairá no engano.

O segundo passo é “Projetar uma visão para o futuro”.  Em 1961, durante a Guerra Fria com a Rússia, o presidente dos EUA, John F. Kennedy, projetou uma visão ousada. Ele proclamou que a América colocaria um homem na lua até 1970. Ao comunicar publicamente o seu sonho, Kennedy estabeleceu o cenário para o cumprimento daquela visão.

Em Habacuque 2:3 o Senhor disse ao profeta: “Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará...”  Sua equipe precisa ter uma visão de como será a cultura de sua organização no futuro. Se ela for vigorosa o bastante para contagiá-los, eles o ajudarão a alcançá-la. 

O passo três é “Desenvolver sua estratégia e táticas”. Sua cultura não mudará a não ser que você adote as medidas necessárias. Um amigo e eu fizemos uma consultoria com um empreiteiro sobre a sua cultura de negócios. Enquanto desenvolvíamos sua estratégia e táticas, tornou-se óbvio que ele tinha barreiras de linguagem que exigiam alguns ajustes. Isso ajudou o processo - e sua empresa – a seguir em frente com sucesso. 

Provérbios 16:9 ensina: “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina seus passos.” Ao desenvolver sua estratégia e táticas, comece com uma visão para o futuro, convide Deus para fazer parte do processo e analise as etapas que sua situação, que é única, vai exigir. 

O quarto passo é “Comunique, comunique, comunique”. Se você não comunicar constantemente os seus valores e visão para o futuro, eles serão facilmente esquecidos. Alguns líderes promovem eventos tendo como foco os valores da companhia. Outros comunicam seus valores em telas de tevê ou em cartazes afixados nas paredes de seus escritórios. 

Em Deuteronômio 6:8-9, Deus comunicou Suas leis dizendo aos israelitas: “Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.  Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões”. Para desenvolver uma cultura sadia, comunique seus valores frequentemente e de forma consistente.

O passo final é “Faça avaliações e ajustes periódicos”. Uma companhia tinha uma cultura bastante forte. Contudo, quando um dos sócios a deixou levando consigo clientes e empregados, a cultura da organização se desintegrou. Desenvolver uma cultura não é um destino final, e sim uma jornada. 

Neemias, enfrentando um ataque inimigo, teve que avaliar sua cultura e ajustá-la enquanto reconstruía os muros de Jerusalém. Em Neemias 4:9 ele escreveu: “Mas nós oramos ao nosso Deus e colocamos guardas de dia e de noite para proteger-nos deles.” Não se esqueça de agendar avaliações periódicas como parte de seus planos para construir uma cultura sadia. 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Como você descreveria a cultura de negócios de sua companhia hoje?

2. Quais são seus pontos fortes e suas fraquezas?

3. Por que a cultura de uma organização é importante? Lucros e perdas, números de produção e vendas, devem ser considerados em primeiro lugar? Como uma cultura pode influenciar o sucesso ou fracasso em um negócio?

4. Se você fosse destacar um dos passos sugeridos, qual seria ele e por quê? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 24:27; 27:23-27; 29:18; Ezequiel 34:12; João 10:1-5; 11-15; Filipenses 2:3-4.

Casamento - Adélia Prado

 







Casamento - Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Autora: Adélia Prado

 Foto: Google

3.17.2026

Cumprindo Seu Propósito Como Investidor - Austin Pryor

                        

                             Cumprindo Seu Propósito Como Investidor

Por Austin Pryor

Você é um investidor bom ou ruim? Isso não pode ser respondido sem a compreensão do propósito do investidor. Se você sabe que o propósito de um investidor é administrar dinheiro de maneira a multiplicá-lo, mas sua conta de investimento não vê nenhum acréscimo ano após ano, torna-se evidente que não importa o quanto você seja uma boa pessoa, é um investidor “ruim”. 

 

Em Making Sense of God (Compreendendo Deus), o pastor Tim Keller escreve: “Todos os julgamentos sobre algo ou alguém ser bom ou ruim estão baseados no conhecimento do propósito...Como podemos dizer se um ser humano é bom ou ruim? Apenas se conhecermos o nosso propósito, para que serve a vida humana.” Para alguém secular que vive sem crer em Deus ou em um propósito mais elevado, a vida humana não serve para nada. É, em última análise, sem significado – estamos aqui apenas por acaso devido a forças físicas fortuitas. 

 

Para os seguidores de Jesus Cristo, porém, estamos aqui por uma razão. O pastor Rick Warren inicia seu popular livro, Uma Vida com Propósito, desta maneira:

 

“A questão não é você. O propósito de sua vida é muito maior que sua realização pessoal, sua paz de espírito ou mesmo sua felicidade. É muito maior que sua família, sua carreira ou mesmo seus mais ambiciosos sonhos e aspirações. Se você quiser saber por que foi colocado neste planeta, deverá começar por Deus. Você nasceu de acordo com os propósitos dEle e para cumprir os propósitos dEle.”

 

No livro, Warren argumenta – com abundante suporte da Bíblia – que Deus nos criou tendo em mente cinco propósitos: amá-Lo, ser parte da Sua família, nos tornarmos como Ele, servi-Lo e falar dEle para outras pessoas. Posso sugerir que cada um destes propósitos engloba a forma como lidamos e compartilhamos qualquer riqueza que Ele tenha confiado a nós? 

•     Nós demonstramos nosso amor a Deus quando temos um coração generoso. “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.”  (II Coríntios 9:7).

 

•     Nós demonstramos que compreendemos que fazemos parte da família de Deus quando cuidamos das outras pessoas da família de Cristo. “Se um irmão, ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” (Tiago 2:15-17). 

 

•     Nós demonstramos que somos mais como Ele quando damos sacrificialmente, porque Ele é o Doador perfeito. “Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus que de tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação.”  (I Timóteo 6:17). 

 

•     Nós demonstramos que temos a intenção de servir a Ele quando assumimos nossas responsabilidades como mordomos seriamente. Nós sabemos pela parábola dos talentos (Mateus 25:14-30) que Deus nos fez administradores de Seus recursos e sabemos pelo texto que “O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis.”  (I Coríntios 4:2). 

 

•     Nós demonstramos que somos diligentes em falar sobre Ele para outras pessoas quando compartilhamos nossa fé e ofertamos generosamente para que outros que não O conhecem sejam alcançados. “Então, Jesus aproximou-Se deles e disse: ‘Foi-Me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações,...ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei...’” (Mateus 28:18-20). 

À luz dessas passagens, como você diria que está se portando como investidor? Você é um mordomo “bom” ou “ruim”? 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

 

1. Você concorda que para ser um investidor eficiente deve ter um senso claro de como você investe e por quê? Explique sua resposta.

2. Como você acredita que uma pessoa deve determinar o seu propósito, seja na vida, seja para a forma como seus recursos financeiros e materiais são utilizados?

3. À luz das passagens citadas, como você está indo em relação ao cumprimento de seu propósito como investidor dos recursos que lhe foram confiados?

4. Dos cinco propósitos mencionados para o emprego de riquezas pessoais, em qual você precisaria trabalhar para se tornar melhor investidor? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 11:28; 15:6;  21:20;  23:4-5; 2Coríntios 9:8-11; Filipenses 2:3-4; 1Timóteo 6:18-19.

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