Powered By Blogger

3.20.2026

CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos) - Agilson Cerqueira

 










Simbiose (Razão - I, II, III)

Óleo Sobre Tela 

Agilson Cerqueira


CICLO DA RAZÃO (I — Sentidos)

Agilson Cerqueira

Antes da ideia

existe o mundo.

A luz derrama-se nos olhos

como um rio silencioso,

o vento escreve na pele

sua caligrafia invisível,

e os sons se espalham no ar

como círculos sobre a água.

Tudo começa assim:

Em uma delicada invasão.

O corpo recolhe sinais,

mínimos fragmentos do universo,

sementes dispersas

de um saber ainda sem nome.

Cada cor,

cada textura,

cada rumor distante

é um sussurro da realidade.

E pouco a pouco

a consciência desperta

como um amanhecer

dentro do ser.


CICLO DA RAZÃO (II — Intelecto)

Agilson Cerqueira

Então a mente começa

seu trabalho secreto.

Recolhe os vestígios do mundo

trazidos pelos sentidos

como quem junta estrelas caídas.

Entre o sentir e o perguntar

nasce o intelecto.

Ele separa o caos,

ordena a luz,

traça caminhos invisíveis

no território das ideias.

Das sensações ele faz pensamento.

Do instante ele faz memória.

Do encontro ele faz pergunta.

E assim, lentamente,

o universo exterior

ganha morada

dentro da mente.

Mas sem o sopro da experiência,

sem o fogo dos sentidos,

seria apenas

um  vazio.


CICLO DA RAZÃO (III — Razão)

Agilson Cerqueira

E então surge a razão.

Não como pedra fria,

nem como montanha isolada,

mas como um horizonte

que se abre no pensamento.

Ela ilumina o que foi sentido,

revela o que foi pensado,

e costura o mundo

à consciência.

Na razão,

as coisas encontram forma,

e o pensamento encontra direção.

O ser humano percebe

que compreender

é também uma maneira

de tocar o infinito.

Pois cada ideia

é uma ponte invisível

lançada entre o eu

e o universo.

E assim,

o mundo continua

a nascer todo dia

com sentidos, mente e razão.

Vida!


Autoria: Agilson Cerqueira (*) - Professor, engenheiro, poeta e artista plástico.

Foto: Produção

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos

Destaques

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quant...

Última semana