3.07.2026

SONETO DA MULHER INÚTIL - Vinícius de Moraes

 






SONETO DA MULHER INÚTIL

De tanta graça e de leveza tanta

Que quando sobre mim, como a teu jeito

Eu tão de leve sinto-te no peito

Que o meu próprio suspiro te levanta.


Tu, contra quem me esbato liquefeito

Rocha branca! brancura que me espanta

Brancos seios azuis, nívea garganta

Branco pássaro fiel com que me deito.


Mulher inútil, quando nas noturnas

Celebrações, náufrago em teus delírios

Tenho-te toda, branca, envolta em brumas.


São teus seios tão tristes como urnas

São teus braços tão finos como lírios

É teu corpo tão leve como plumas.

Vinícius de Moraes


Autoria: Vinícius de Moraes

Foto: Google

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