Adeus, - meus sonhos!
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
Aqui,
a total falta de esperança está presente desde o próprio título da composição.
Com um sentimento pessimista de desgosto e derrota, este sujeito poético revela
um estado de alma apático, uma impossibilidade de sentir até saudades.
Entregue
à tristeza e à depressão, ele revela que o tempo foi levando todas as suas
alegrias e chega a questionar a própria existência, desejando a morte. O
isolamento e a degradação do eu-lírico parecem ser o resultado da sua dedicação
absoluta a um amor não correspondido.
Autor: Álvares de Azevedo
Foto: Google

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