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3.01.2026

Adeus, meus sonhos! - Álvares de Azevedo

 








Adeus,  - meus sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!

Não levo da existência uma saudade!

E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!

 

Misérrimo! Votei meus pobres dias

À sina doida de um amor sem fruto,

E minh’alma na treva agora dorme

Como um olhar que a morte envolve em luto.

 

Que me resta, meu Deus? Morra comigo

A estrela de meus cândidos amores,

Já não vejo no meu peito morto

Um punhado sequer de murchas flores!

 

Aqui, a total falta de esperança está presente desde o próprio título da composição. Com um sentimento pessimista de desgosto e derrota, este sujeito poético revela um estado de alma apático, uma impossibilidade de sentir até saudades.

Entregue à tristeza e à depressão, ele revela que o tempo foi levando todas as suas alegrias e chega a questionar a própria existência, desejando a morte. O isolamento e a degradação do eu-lírico parecem ser o resultado da sua dedicação absoluta a um amor não correspondido.


Autor: Álvares de Azevedo

Foto: Google

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