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3.22.2026

Presença - Mário Quintana

 






Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,

teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento

das horas ponha um frêmito em teus cabelos…

É preciso que a tua ausência trescale

sutilmente, no ar, a trevo machucado,

as folhas de alecrim desde há muito guardadas

não se sabe por quem nalgum móvel antigo…

Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela

e respirar-te, azul e luminosa, no ar.

É preciso a saudade para eu sentir

como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…

Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista

que nunca te pareces com o teu retrato…

E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

É partindo de duas dicotomias que se constrói o poema Presença: por um lado vemos os pares opositores passado/presente, por outro lado observamos o segundo par opositor que serve como base da escrita (ausência/presença).

Pouco ou nada ficaremos sabendo dessa misteriosa mulher que provoca nostalgia cada vez que a sua lembrança é evocada. Aliás, tudo o que saberemos dela ficará a cargo dos sentimentos originados no sujeito.

Entre esses dois tempos - o passado marcado pela plenitude e o presente pela falta - ergue-se a saudade, mote que faz com que o poeta cante os seus versos.


Fonte: Pensador

Foto: Google


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