A Ética da Paixão - Maria
Luiza Nora (Baísa)
(Resenha)
Publicada
em 2010 pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC),
a obra A Ética da Paixão, de Baisa, nome literário de Maria Luiza Nora,
apresenta um conjunto poético que transforma o amor em objeto de reflexão
existencial. Mais do que narrar experiências afetivas, a autora investiga o
papel das emoções na construção da vida humana.
A
estrutura do livro revela uma natureza tríplice, organizada em três momentos
fundamentais da experiência amorosa: a explosão da paixão, sua plenitude e, por
fim, a perda ou dissolução do sentimento. Essas três fases formam um percurso
emocional que acompanha o próprio movimento da vida afetiva, sugerindo que a
paixão nasce, se intensifica e inevitavelmente se transforma.
A
poesia do livro apresenta a paixão como força transformadora. Amar significa
expor-se à vulnerabilidade, ao risco e à dor, mas também ao autoconhecimento.
Nesse sentido, a “ética” mencionada no título não se refere a normas morais
rígidas, mas à responsabilidade existencial de viver plenamente as experiências
humanas.
A
linguagem da autora é marcada por imagens simples e expressivas, que aproximam
o leitor das situações descritas. A paixão aparece como um caminho delicado e
incerto, semelhante a uma travessia em equilíbrio entre esperança e perda.
Ainda
que de forma implícita, percebe-se no horizonte sensível da obra a presença dos
relacionamentos amorosos vividos em FERRADAS, pelos Ferradenses, que
sobreviveram ao tempo e permanecem na memória afetiva. Nesse cenário evocativo
surgem, como pano de fundo da experiência humana, o Rio Cachoeira, as ruas
simples, a única praça, as fazendas de cacau, o campo de futebol, palhoça de
São João, escadaria do cemitério, os bares e as casas de amigos — espaços
cotidianos em que a vida e os afetos se entrelaçam e que parecem alimentar a
atmosfera emocional da obra.
Assim,
A Ética da Paixão propõe uma reflexão sensível sobre a condição humana: amar é
aceitar a intensidade da existência. A poesia torna-se, portanto, um meio de
compreender e dar sentido às experiências profundas que marcam a vida e os
afetos. Por essa densidade reflexiva, a obra também convida o leitor a uma
releitura, permitindo novos olhares e interpretações a cada contato com seus
versos.
Entre
os diversos momentos líricos da obra, o poema “Amor de Gueixa” revela com
delicadeza a entrega afetiva e a intensidade da experiência amorosa evocada
pela autora:
AMOR
DE GUEIXA
Parece
mentira
partindo
de mim
mas
eu amo você
com
um amor de gueixa
daqueles
dóceis e submissos
carinhosos
e apaixonados
de
poucas perguntas
e
muitas acolhidas.
Eu
amo você
com
olhos pidões
de
quem pensa em cama
e
com mãos de artesã
capaz
de tecer carinhos
por
caminhos sem fim.
Partindo
de mim
parece
mentira
pois
me faltam estas características
mas
em verdade
eu
as criei, em meu ser,
pra
você.
Fonte (enviado): Gustavo
Fernando Veloso Menezes
Foto:
Google

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