Oprimidos e opressores
Óleo Sobre Tela
Agilson Cerqueira
Lógica e ignorância
Agilson Cerqueira
Ao saber o desconhecido,
me contive...
Fiz uma reflexão, e me
curvei agradecido!
Lucidez sensata ou
sabedoria?
Fiquei em silêncio!
Fiz o controle da
respiração!
O tempo e a paciência
angustiantes...
Um corpo ocupando o
espaço desconhecido!
Enfim, a certeza das
limitações!
Ignoro a lógica...
Continuo em silêncio!
F. P. Samuel*
Bela escolha de leitura. O poema de Agilson Cerqueira toca na ferida do ego humano: o momento em que a razão falha diante da vastidão do que não sabemos.
Abaixo, os pontos altos
dessa reflexão:
O Valor do Silêncio: O
autor sugere que, diante do desconhecido, o silêncio não é omissão, mas uma
forma de respeito e sabedoria.
Limitações Humanas: A
"certeza das limitações" é o que nos diferencia da arrogância.
Aceitar que não se sabe tudo é o primeiro passo para a verdadeira lucidez.
Intuição vs. Lógica: Ao
"ignorar a lógica", o eu lírico prioriza a experiência sensorial (a
respiração, o corpo, a paciência) em vez de tentar explicar o inexplicável.
É um convite para
desacelerar e aceitar que o espaço desconhecido faz parte da nossa jornada.
F. P. Samuel: Escritor, Poeta e Crítico
C. A. Santos*
Analisar o poema
"Lógica e Ignorância" é mergulhar em uma jornada de desconstrução do
ego. Agilson Cerqueira utiliza a poesia para descrever o momento exato em que o
intelecto (a lógica) se torna insuficiente, e o ser humano se vê obrigado a abraçar
sua própria finitude.
Aqui está uma análise detalhada dos eixos centrais da obra:
1. A Inversão
Socrática (Sabedoria vs. Ignorância)
O poema dialoga
diretamente com o conceito de ignorância socrática, onde o reconhecimento do
"não saber" é o ápice da inteligência.
O Conflito: Quando o eu
lírico diz "Ao saber o desconhecido, me contive", ele descreve o
choque entre a vontade de dominar o mundo pela razão e a constatação da
vastidão do universo.
A Resposta: A "lucidez sensata" mencionada não vem de acumular dados, mas de aceitar as limitações humanas.
2. O Silêncio como
Ferramenta Fenomenológica
Diferente da lógica, que
precisa de palavras e definições para existir, a experiência descrita por
Cerqueira é silenciosa.
Controle da respiração:
Este elemento traz o poema para o campo da presença. Ao focar na biologia
(respirar), o autor abandona as abstrações mentais.
Tempo e Paciência: A angústia mencionada nasce da espera. A lógica quer pressa e soluções; a sabedoria exige o tempo do "corpo ocupando o espaço".
3. A Crítica
à Lógica Instrumental
O verso "Ignoro a
lógica" não é um elogio à falta de inteligência, mas sim uma crítica à
arrogância racional.
Para a filosofia, a
ignorância pode ser um "princípio de sabedoria".
Ao ignorar a lógica, o eu
lírico se liberta da necessidade de "provar" ou "explicar",
permitindo-se apenas ser.
(*) C. A. Santos: Artista
Plástico, Escritor e Crítico

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos