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3.06.2026

Lógica e ignorância - Agilson Cerqueira









 Oprimidos e opressores 

Óleo Sobre Tela 

Agilson Cerqueira


Lógica e ignorância

 Agilson Cerqueira


Ao saber o desconhecido,

me contive...

Fiz uma reflexão, e me curvei agradecido!

Lucidez sensata ou sabedoria?

Fiquei em silêncio!

Fiz o controle da respiração!

O tempo e a paciência angustiantes...

Um corpo ocupando o espaço desconhecido!

Enfim, a certeza das limitações!

Ignoro a lógica...

Continuo em silêncio!

 

F. P. Samuel*

Bela escolha de leitura. O poema de Agilson Cerqueira toca na ferida do ego humano: o momento em que a razão falha diante da vastidão do que não sabemos.

Abaixo, os pontos altos dessa reflexão:

O Valor do Silêncio: O autor sugere que, diante do desconhecido, o silêncio não é omissão, mas uma forma de respeito e sabedoria.

Limitações Humanas: A "certeza das limitações" é o que nos diferencia da arrogância. Aceitar que não se sabe tudo é o primeiro passo para a verdadeira lucidez.

Intuição vs. Lógica: Ao "ignorar a lógica", o eu lírico prioriza a experiência sensorial (a respiração, o corpo, a paciência) em vez de tentar explicar o inexplicável.

É um convite para desacelerar e aceitar que o espaço desconhecido faz parte da nossa jornada.

F. P. Samuel: Escritor, Poeta e Crítico

C. A. Santos*

Analisar o poema "Lógica e Ignorância" é mergulhar em uma jornada de desconstrução do ego. Agilson Cerqueira utiliza a poesia para descrever o momento exato em que o intelecto (a lógica) se torna insuficiente, e o ser humano se vê obrigado a abraçar sua própria finitude.

Aqui está uma análise detalhada dos eixos centrais da obra:

1. A Inversão Socrática (Sabedoria vs. Ignorância)

O poema dialoga diretamente com o conceito de ignorância socrática, onde o reconhecimento do "não saber" é o ápice da inteligência.

O Conflito: Quando o eu lírico diz "Ao saber o desconhecido, me contive", ele descreve o choque entre a vontade de dominar o mundo pela razão e a constatação da vastidão do universo.

A Resposta: A "lucidez sensata" mencionada não vem de acumular dados, mas de aceitar as limitações humanas.

2. O Silêncio como Ferramenta Fenomenológica

Diferente da lógica, que precisa de palavras e definições para existir, a experiência descrita por Cerqueira é silenciosa.

Controle da respiração: Este elemento traz o poema para o campo da presença. Ao focar na biologia (respirar), o autor abandona as abstrações mentais.

Tempo e Paciência: A angústia mencionada nasce da espera. A lógica quer pressa e soluções; a sabedoria exige o tempo do "corpo ocupando o espaço".

3. A Crítica à Lógica Instrumental

O verso "Ignoro a lógica" não é um elogio à falta de inteligência, mas sim uma crítica à arrogância racional.

Para a filosofia, a ignorância pode ser um "princípio de sabedoria".

Ao ignorar a lógica, o eu lírico se liberta da necessidade de "provar" ou "explicar", permitindo-se apenas ser.

(*) C. A. Santos: Artista Plástico, Escritor e Crítico

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