5.29.2026

Mais Paradoxos em Negócios Por Rick Boxx

 Mais Paradoxos em Negócios

Por Rick Boxx

Em setembro escrevi sobre paradoxos nos negócios – como a forma largamente aceita de se conduzir nos negócios geralmente é contrária à visão bíblica das mesmas práticas.  Aqui estão dois outros pontos que deveríamos considerar -  ambos envolvendo a administração do dinheiro. 

Gerenciamento financeiro – Quando trabalhava com empréstimos comerciais, um jovem veio a mim cheio de entusiasmo dizer que a Steinway Piano, uma grande companhia com um histórico largamente conhecido, estava à venda e ele desejava que o nosso banco lhe emprestasse o dinheiro para comprar a empresa. 

Admirei a ambição daquele indivíduo, mas fiquei perplexo quando perguntei que quantia ele precisava tomar de empréstimo. Sem hesitação, ele respondeu: “Provavelmente iriam ser necessários uns US$ 200 milhões e eu precisaria tomar emprestado esse total. Tenho apenas 25 anos de idade e não tenho nenhum dinheiro.” Aparentemente, ele esperava que eu fosse até a “árvore do dinheiro” do banco e lhe desse a quantia que ele queria sem fazer perguntas, sem pedir garantias. 

Como você já deve ter concluído, não emprestamos o dinheiro àquele jovem que sonhava tão alto, mas essa experiência permaneceu para mim como um lembrete da forma descuidada com que as pessoas consideram o uso do débito em negócios.  Ela ilustra um paradoxo que encontramos no mundo empresarial no que se refere ao uso do dinheiro. O mundo geralmente aconselha que se use todo o dinheiro que se puder tomar emprestado, seja para financiar uma empresa, comprar uma casa e até mesmo cursar uma faculdade, mas Deus nos diz que devemos confiar nEle e não no banco. 

Provérbios 3:5 ensina: “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento.” Somos tentados a imaginar se Deus realmente visa o nosso interesse em primeiro lugar, especialmente quando surge uma oportunidade aparentemente boa e pensamos que é preciso agirmos rapidamente para aproveitá-la. Entretanto, a Bíblia nos ensina que somos mordomos ou administradores – e não donos - dos recursos financeiros que Deus nos confiou. 

Vemos isso expresso em I Crônicas 29:11:  “Teus, ó Senhor, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é Teu. Teu, ó Senhor, é o reino; Tu estás acima de tudo.” Deus confia muito aos nossos cuidados, mas espera que nós saibamos fazer uso de tudo com sabedoria, buscando a sua orientação, ao invés de agirmos por impulso. 

Generosidade. Esta é outra área onde vemos um grande paradoxo entre a prática comum e a visão bíblica. Quando estava no banco, uma das minhas maiores contas pertencia a uma empresa voltada para a área da construção e dirigida pelo Sean. Ele espremia seus vendedores ao máximo, raramente proporcionando algo em troca. 

A empresa de Sean era próspera porque ele era duro com o seu pessoal e pressionava seus fornecedores para minimizar o lado das despesas de seu orçamento. Porém, poucas pessoas gostavam de fazer negócios com ele. Ele operava de acordo com uma filosofia que é comum no mundo empresarial: devemos sempre acumular riquezas. Deus, entretanto, nos diz para sermos generosos, dispostos a dar livremente segundo Sua direção. 

Foi então que Sean passou por uma conversão espiritual radical. Ele passou de “tomador” a “doador” – um doador extremamente generoso. Na verdade, desde então ele já doou milhões de dólares para muitas obras meritórias. Homem transformado, ele faz o que o apóstolo Paulo diz em I Timóteo 6:18, onde ele alerta: “Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir.”

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

 

1. Em sua perspectiva, como princípios largamente aceitos sobre como lidar com dinheiro, seja nos negócios, seja na vida pessoal, diferem dos ensinamentos da Bíblia?

2. Fale de sua experiência quanto ao uso de empréstimos, seja para estabelecer ou expandir uma empresa ou atingir metas pessoais.

3. Quando o empréstimo aparenta ser um meio rápido e fácil de financiar um projeto, é difícil para você parar e lembrar-se de “Confiar no Senhor de todo o seu coração e não se apoiar em seu próprio entendimento”? – especialmente quando fazer isso pode não estar de acordo com o que você quer ou não ser rápido o bastante?

4. Qual o papel a doação para obras meritórias deve ocupar na forma como conduzimos nossas empresas, mesmo quando isso afeta o orçamento delas? O lucro deve ser sempre a prioridade?  Explique sua resposta.

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 37:3-7;  Provérbios 15:16;  22:7, 26-27; Mateus 6:19-21, 33-34;  II Coríntios 9:6-11.

5.27.2026

ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA – ALITA PLÍNIO DE ALMEIDA


ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA – ALITA

PLÍNIO DE ALMEIDA

Patrono da Cadeira 13  

                                                                                                Por Ruy Póvoas[1]

 

          Este texto tem o propósito de apontar algumas informações sobre o Professor Plínio de Almeida. Não objetiva fazer uma análise do percurso estilístico, nem muito menos estabelecer um inventário sob o olhar da crítica literária. Antes, porém, um olhar espraiado sobre a trajetória do Patrono da Cadeira 13, da ALITA. Tal movimento é muito mais guiado pelo sentimento, por memórias indeléveis, por uma saudade empedernida. As demais possibilidades – que não são poucas – ficam à espera de estudiosos versados em tais abordagens.

Desde que o professor Flávio Simões Costa, de saudosa memória, publicou um alentado volume, intitulado Plínio de Almeida: obra reunida[2], pela Editus, em 2009, tudo o que a partir de então se cogite dizer sobre Plínio de Almeida terá de se espelhar naquela publicação.

          Pessoalmente, conheci Plínio de Almeida de perto, mas bem de perto mesmo. Fomos colegas de magistério durante anos no Colégio Divina Providência. E ainda posso perfeitamente me lembrar dos vários assuntos a que nos dávamos o direito de conversar. Era um tempo do governo militar. Vivíamos todos com um pé atrás. Por isso mesmo, a nossa conversa só acontecia quando todos do colégio saíam e ficávamos nós dois na diretoria do colégio, que era um espaço onde também funcionava a secretaria.

          O sofá vermelho era o nosso preferido e nele debatíamos conversas sobre cultura, principalmente sobre literatura. Lindaura Brandão, de vez em quando dava uma penada. Inúmeras vezes, Plínio e eu trocávamos textos de nossa produção. Muitas das opiniões de Plínio sobre poemas meus foram incorporadas ao meu primeiro livro, Vocabulário da paixão.

          Plínio era cronista, articulista, poeta, pintor, orador primoroso. Por causa de seu domínio sobre a oratória, ficou conhecido pelo cognome de Patativa grapiúna. Era sempre convidado para os eventos formais, atos inaugurais, festejos cívicos, situações em que sua palavra fazia todos se calarem para ouvi-lo.

          E foi no meio de um discurso que Plínio se foi, na antiga Loja Itarte, numa solenidade de inauguração da exposição de Cholo, um artista plástico peruano. Presenciei a partida do meu amigo que levou consigo pedaços de mim, mas deixou comigo fragmentos dele que até hoje me compõem.

          É fácil, muito fácil mesmo, recolher os principais dados biográficos de Plínio de Almeida no livro de Flávio Simões. Para além disso, a referida obra, conforme explicita o próprio título, apresenta a maioria da produção poética de Plínio. Ficava faltando, contudo, a produção em prosa.

          Recentemente, em conversa com a senhora Crystianne Almeida, uma das oito filhas de Plínio, residente em Salvador, curadora da obra de seu pai, fui informado do riquíssimo cabedal por ela preservado e zelado até hoje. Disse-me que possui mais de mil crônicas produzidas por Plínio, além de uma vasta hemeroteca com recortes de jornais em que o pai colaborava semanalmente.

          Disse-me mais e o que me disse, cito textualmente:

Professor, não tenho para quem deixar esse acervo. Apenas guardo e zelo, na esperança de que apareça alguém digno de tal tesouro. Olhe, o que eu guardo de fotos da época de meu pai, dos eventos dos quais ele participava é digno de apreço. Tem mais, Professor: há algum tempo, doei à Biblioteca Municipal de Itabuna, que tem o nome de meu pai, um acervo enorme de fotografias de nossa família e de lugares por onde meu pai andou. Não sei lhe dizer se conservaram, se ainda existe, ou não.

Posteriormente, recebi de Crystianne valiosa contribuição sobre Plínio de Almeida da qual constam dois volumes do livro ALMEIDA, Crystianne S. (Coord.). Fragmentos: Coletânea editada em comemoração ao centenário do nascimento de Plínio de Almeida (1904-2004). Salvador: Associação de Fomento à Cultura, 2005.

Junto aos dois exemplares a mim presenteados pela senhora Crystianne, outras raridades também compuseram a oferta: duas fotos de Plínio, uma outra foto de toda a família reunida, a segunda edição de uma palestra proferida por Plínio, intitulada As datas maiores de Santo Amaro. E mais uma página do jornal Tribuna do cacau, datada de 26 de setembro de 1975, em que o jornalista Charles Henri publicou uma crônica intitulada Ao mestre com carinho, texto laudatório, tendo por foco Plínio de Almeida.

Cumpre perguntar, porém, quem foi o cidadão Plínio de Almeida. No já citado livro de Flávio Simões, são apontadas várias datas e vários eventos vividos por Plínio. Julgo interessante, para a nossa confraria, saber de alguns dados sobre ele. É claro que o ato de o tomarmos por patrono de uma de nossas cadeiras, isso já diz do nosso reconhecimento dos valores do poeta, prosador, professor e orador que Plínio foi.

Plínio não nasceu grapiúna. Ele era natural de Santo Amaro, cidade do recôncavo baiano, em 9 de setembro de 1904. E já se vão 120 anos desde então. Lá viveu seus primeiros anos e lá estudou os primeiros cursos. Santo Amaro ficou pequeno para Plínio que já nasceu com asas destinadas a grandes voos. Partiu para a Europa a fim de se aprimorar em Belas Artes, curso no qual já era formado.

A Europa não pôde segurá-lo. Afinal, sua alma era genuinamente brasileira. Retornou para o Brasil e, em dezembro de 1927, casou-se com Etelvina e residiu em Jacobina. De tal união, nasceram 9 filhos: Cybele, Reynamor, Consuelo, Clycia, Cyntia, Cyane, Crystianne, Crysvalda e Cryzélia. Mudou-se depois, para Bonfim de Feira. Retornou a Santo Amaro e, finalmente, em 1951, fixou residência em Itabuna. Em 1959, fez parte do grupo de fundadores da Academia de Letras de Ilhéus, conforme consta em ata lavrada daquele acontecimento.

Até mesmo por obrigação de se fazer justiça, aqui transcrevo o que consta na publicação do Professor Flávio Simões, um sumário biográfico de Plínio de Almeida. A citação é longa, mas um fragmento dela vale a pena rever:

        Poeta, romancista, cronista, jornalista, folclorista, artista plástico e professor, Plínio Sérgio de Almeida nasceu em Santo Amaro da Purificação, no Beco do Armazém, em 09 de Setembro de 1904, sendo filho de Manoel José de Almeida e de Hermínia Alexandrina de Almeida

         Concluiu os estudos primários na sua cidade natal e trabalhou no jornal A Tarde, no tempo de Simões Filho, e no Diário de Notícias, para depois ir morar no Rio de Janeiro, onde fez o curso livre da Escola Nacional de Belas Artes. Após o que foi à Europa, onde visitou vários países. Sobre esse assunto, ele mesmo afirma, em crônica publicada no Jornal do Município, de Santo Amaro, em 04 de setembro de 1936:

Estive na Espanha, atravessei toda a Itália, Lisboa, Coimbra e o Porto. Não tem segredo para mim Trivolli e Salerno. Conheci Vigo e Barcelona, estudei em Sevilha. Visitei Florença onde observei minuciosamente  a ponte sobre o rio Arno, na qual Dante, o sublime poeta, falou pela primeira vez à Beatriz. De Gênova fui a Turim, e de Turim botei-me a Milão, do alto da catedral vi o famigerado panorama da grande cidade trabalho.

De volta ao Brasil, Plínio visitou várias cidades do país realizando exposições e trabalhando na imprensa por onde passava. Há registos de opiniões da crítica e da imprensa de diversas cidades do país e de Portugal sobre sua obra e exposições. [...]

Plínio e eu nos conhecemos na antiga Faculdade de Filosofia de Itabuna e nos tornamos colegas e amigos no Colégio Divina Providência.

Amargamos juntos a vigência dos anos de chumbo do famigerado regime militar. O que nos fazia preservar a sanidade mental era o nosso fazer literário, o gosto pelas artes, o zelo pela língua culta, a história universal. Para sempre, comigo, os momentos em que Flávio Simões, que costumava adentrar o colégio cantando hinos católicos – fazia isso a título de ironia –, vinha juntar-se a Plínio e a mim, para nossas conversas particulares.

Vale também lembrar que Plínio e Flávio sempre tomaram gosto pelas lides políticas partidárias, caminhos pelos quais eu nunca quis trilhar. Eu era líder estudantil da FAFI e caí no olho da Polícia Federal. Minha vida foi vasculhada, minha correspondência aberta nos Correios e minha frágil e modestíssima conta bancária foi vasculhada. São fatos arquivados na minha memória, dos quais pouquíssimas pessoas tomaram conhecimento. Flávio ainda foi preso, mas Plínio sabia navegar nas nuvens.

Ele foi vereador, Presidente da Câmara Municipal de Itabuna, instituição que lhe concedeu o título de Cidadão Itabunense. Em 26 de setembro de 1975, em pleno discurso de inauguração das obras de Cholo, Plínio se foi. E do alto do seu patronato, para além de tudo isso, Plínio vive conosco, no coração da ALITA, regendo a Cadeira 13, na qual a Academia quis, um dia, que eu me sentasse nela.

17/11/24

ajalah@uol.com.br


[1] Ruy do Carmo Póvoas (1943), ilheense, fixado em Itabuna, licenciado em Letras (FAFI), Mestre em Letras Vernáculas (UFRJ), Doutor Honoris Causa (UESC). Em Itabuna,
fundou o Ilê Axé Ijexá, terreiro de candomblé de origem nagô, de nação Ijexá, no qual exerce a função de babalorixá.

              Sua produção escrita abrange o verso e a prosa. Tem publicado: Vocabulário da paixão, A linguagem do candomblé, Itan dos mais-velhos, Itan de boca a ouvido, A fala do santo, VersoREverso, Da porteira para fora, A memória do feminino no candomblé, Mejigã e o contexto da escravidão, Fazenda de contos, A viagem de Orixalá, Novos dizeres, Representações do escondido, Matéria acidentada, Oratório, A sombra no espelho, Dizeres esparsos, Confessionário, Dizeres do avesso, Dizeres avulsos, Outros dizeres, O risco e o laço, Perfis da resistência.

Fundador do Laboratório de Redação e do Núcleo de Estudos Afro-Baianos Regionais ─ Kàwé, da Universidade Estadual de Santa Cruz, do qual foi coordenador durante dezesseis anos, sendo editor do Jornal Tàkàdá, do Caderno Kàwé e da Revista Kàwé. Ocupa a cadeira 18 da Academia de Letras de Ilhéus e é membro fundador da Academia de Letras de Itabuna.

ajalah@uol.com.br

[2] COSTA, Flávio José Simões (Org.). Obra reunida. Ilhéus: Editus, 2009.

5.26.2026

Plínio de Almeida - R. Santana

Plínio de Almeida - R. Santana


     No início dos anos 70, eu conheci o professor, poeta, escritor, jornalista, desenhista, pintor, orador e tantas outras habilidades e profissões, Plínio de Almeida, egresso desde o ano de 1951, de sua terra natal, Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano e se fixou em Itabuna. Aqui, ele ensinou História e Geografia em várias escolas, cronista de rádio, vereador por duas legislaturas e vice-presidente da Câmara Legislativa itabunense.

     Naquela época, havia 2 (dois) partidos políticos, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB e a Aliança Renovadora Nacional – ARENA. Plínio de Almeida era filiado ao MDB, acredito pela sua amizade com José Oduque Teixeira, seu candidato a prefeito. Ele foi o vereador mais votado, arrastou mais 2 ou 3 candidatos pelos votos de legenda, Sua popularidade provinha de seu programa: “Nós pensamos assim”, uma crônica curta e deliciosa na voz de Waldenir Andrade, todos os dias às 13:00 h, na Rádio Jornal, seu trabalho no Diário de Itabuna e o exercício de magistério.

     Nesses poucos anos de convivência legislativa que tive com Plínio de Almeida, uma das coisas que me fascinava era sua oratória. Ele era um orador inteligente com vários recursos dialéticos, sua força de argumentação era inteligível, clara para qualquer audiência. Lembro-me de uma visita ao plenário da Câmara de Dom Valfredo Tepe, Plínio de Almeida foi o orador e o saudou puxando desde os pré-socráticos, Sócrates, Platão, Aristóteles até São Tomás de Aquino.

     Quando eu conheci Plínio de Almeida, ele já apresentava as marcas da velhice: cabelos encanecidos, marcas de expressão no rosto, flacidez no pescoço, porém, olhos vivos e voz de moço. Todavia, ele era de uma simplicidade, de uma generosidade, de uma amizade e de uma disponibilidade pra ensinar que se encontram, somente, nas grandes almas.

     Quando aqui, ele chegou em 1951, já tinha sido vereador em Santo Amaro da Purificação, trabalhado na Rádio Nacional, Rádio Tupy, “Diário da Bahia” e “A Tarde” e membro da Academia de Letras de Castro Alves, sócio efetivo do Conselho Nacional de Geografia, no Sul da Bahia foi membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus – ALI.

     Não me lembro se no de 1971 ou 1972, o presidente da Câmara de Vereadores, Rafael Bríglia, designou 4 edis para irem à Vitória da Conquista, sob a coordenação de Plínio de Almeida, para avaliar in loco o recém construído: “Centro Comercial de Vitória da Conquista”. Simão Fiterman, o prefeito daquela época, tinha interesse para que a mesma empresa construísse o “Centro Comercial de Itabuna”.

     O prefeito liberou seu carro oficial (Sedan Preto), para que fossemos conhecer o “Centro Comercial” de lá. Acostumados com o clima quente do Sul da Bahia, quando nós chegamos à Vitória da Conquista, ainda cedo, quase não descíamos do carro, o frio gelava os ossos.

     Porém, o melhor da viagem não foi fechar o contrato com a empresa construtora e construir o “Centro Comercial de Itabuna”, o melhor da viagem foi o riso solto de Plínio de Almeida, suas piadas, seus poemas decorados e seus versos improvisados. Gostava de repetir o poema de Gregório de Matos que alguém o desafiou usar a palavra “pica” sem sentido imoral:

 

               “A Uma Que Lhe Chamou “Pica-flor”

               “Se Pica-flor me chamais

               Pica-flor aceito ser mas resta agora saber

               se no nome que me dais

               meteis a flor que guardais

               no passarinho melhor.

               Se me dais este favor

               sendo só de mim o Pica

               e o mais vosso, claro fica

               que fico então Pica-flor.” (Gregório de Matos)

 

     Plínio de Almeida era um gênio da oratória, da palavra, usava-a como lhe aprouvesse, dominava muitos conhecimentos e muitos saberes, contudo não era afetado, homem simples, seu bem maior era fazer amigos, ele os tinha em todos os lugares, desde o centro da cidade à periferia do bairro mais distante. Ninguém o enxergava como um intelectual de escol, mas, como invulgar cronista das 13:00 h, “Nós pensamos assim”, na voz inigualável de Waldenir Andrade.

     Hoje, a Fundação Itabunense de Cidadania e Cultura – FICC lhe fez justiça e o eternizou com sua “Obra Reunida” pela “Livraria Editus” e muitos acadêmicos escolhem-no como seu paraninfo e, escola, rua e biblioteca eternizam seu nome em nossa cidade.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Foto: Google


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

 

Joel Rufino dos Santos (Biografia)

 

Joel Rufino dos Santos

Joel Rufino dos Santos (1941 – 2015) nasceu em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. Desde pequeno, Santos adorava ouvir as histórias da sua avó, as passagens da Bíblia; colecionava gibis, que lia escondido da mãe, e os livros que ganhava de seu pai. Mudou-se para o bairro da Glória e iniciou os estudos universitários no curso de História da antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, onde foi professor de cursinho pré-vestibular. Anos depois, foi convidado pelo historiador Nelson Werneck Sodré para ser seu assistente no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), e lá teve contado com diversos pensadores, sendo inclusive um dos coautores da História Nova do Brasil (1963), livro considerado um marco na historiografia brasileira. O autor também se tornou referência no estudo da cultura africana no Brasil. Durante o período da ditadura militar, foi exilado por suas ideias contrárias ao regime e morou na Bolívia até 1973, quando regressou ao país. Suas principais obras são: Bichos da terra tão pequenos (2010), Claros sussurros de celestes ventos (2012); Crônica de indomáveis delírios (1991); Na rota dos tubarões (2008); Quatro dias de rebelião (2007); além de publicações acadêmicas. Além de já ter ganhado diversas edições do Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante do país, Santos também já trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição (1988) e República (1989), de Walter Avancini, exibidas na TV Globo. Também exerceu cargos em órgãos públicos como o Tribunal de Justiça, em instituições sociais principalmente voltadas à população negra e projetos em conjunto com a UNESCO, sendo uma das personalidades mais importantes do país. Faleceu em 2015 na cidade onde nasceu, em decorrência de complicações de uma cirurgia, deixando um grande legado que serve de referência para estudiosos e novas gerações.

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Que este amor não me cegue nem me siga (Hilda Hilst)

Que este amor não me cegue nem me siga (Hilda Hilst)

Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba.

Que me exclua do estar sendo perseguida

E do tormento

De só por ele me saber estar sendo.

Que o olhar não se perca nas tulipas

Pois formas tão perfeitas de beleza

Vêm do fulgor das trevas.

E o meu Senhor habita o rutilante escuro

De um suposto de heras em alto muro.Que este amor só me faça descontente

E farta de fadigas. E de fragilidades tantas

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra

Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Como falar de amor é sempre bom, incluímos na nossa lista a escritora brasileira Hilda Hilst com destaque para seu lindo poema, publicado na obra Cantares do sem-nome e de partidas. Nele, a autora explora o lado obscuro que nos é causado quando amamos. Seus versos são como um clamor por um amor que não a cegue, como ela revela nas primeiras linhas do poema.

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