5.26.2026

Que este amor não me cegue nem me siga (Hilda Hilst)

Que este amor não me cegue nem me siga (Hilda Hilst)

Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba.

Que me exclua do estar sendo perseguida

E do tormento

De só por ele me saber estar sendo.

Que o olhar não se perca nas tulipas

Pois formas tão perfeitas de beleza

Vêm do fulgor das trevas.

E o meu Senhor habita o rutilante escuro

De um suposto de heras em alto muro.Que este amor só me faça descontente

E farta de fadigas. E de fragilidades tantas

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra

Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Como falar de amor é sempre bom, incluímos na nossa lista a escritora brasileira Hilda Hilst com destaque para seu lindo poema, publicado na obra Cantares do sem-nome e de partidas. Nele, a autora explora o lado obscuro que nos é causado quando amamos. Seus versos são como um clamor por um amor que não a cegue, como ela revela nas primeiras linhas do poema.

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