Que este amor não me cegue nem me siga (Hilda Hilst)
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.Que este amor só me faça
descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
Como falar de amor é sempre bom,
incluímos na nossa lista a escritora brasileira Hilda Hilst com destaque para
seu lindo poema, publicado na obra Cantares do sem-nome e de partidas. Nele, a
autora explora o lado obscuro que nos é causado quando amamos. Seus versos são
como um clamor por um amor que não a cegue, como ela revela nas primeiras
linhas do poema.

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