5.17.2026

Tempo de Ser Grato – E Eu Sou Por Jim Mathis

 Tempo de Ser Grato  – E Eu Sou

Por Jim Mathis

Estamos em meio a outra temporada de Ação de Graças, quando pessoas de várias partes do mundo fazem uma pausa em suas agendas profissionais exigentes e consideram seus motivos para serem agradecidos.   Pensando em minha vida e carreira, compilei uma relação das razões para eu me sentir cheio de gratidão:

· Sou grato por ter nascido num lugar e num tempo em que a instrução era valorizada e por ter tido a oportunidade de aprender e desenvolver o desejo por uma vida inteira de aprendizado.

· Sou grato por ter nascido em uma família que me instilou o desejo de agarrar todas as oportunidades de experimentar a vida.

· Sou grato por pais que me levaram à Igreja e me permitiram aprender por conta própria sobre o amor de Deus, o perdão, e o significado de vida em comunidade.

· Sou grato por ter aprendido a amar todos, servir a todos e não odiar ninguém.

· Sou grato por uma esposa maravilhosa, linda e cuidadosa que tem sido minha melhor amiga por 46 anos.

· Sou grato pelo dom da música, não apenas por cantar e tocar com limitações, mas pela comunidade de músicos que tive a oportunidade de conhecer através da música na igreja, em várias bandas e grupos de improviso em todos os gêneros e estilos de música.

· Sou grato pelo dom da fotografia e por ter crescido olhando fotos em revistas, sonhando visitar aqueles lugares algum dia e fazer lindas fotos, como as que via publicadas ali. 

· Sou grato por poder viajar e apreciar as pessoas e lugares que Deus criou.

· Sou grato por não ser rico, para não me tornar arrogante e vaidoso.

· Sou grato por não ter nascido numa família rica, para não desenvolver uma atitude de quem tem direito legal.

· Sou grato por não ser pobre e assim não ter que esmolar ou depender da generosidade de outros para minhas necessidades diárias.

· Sou grato por não ter nascido numa família pobre, para que não crescesse achando que era uma vítima da sociedade.

· Sou grato por ter nascido num país que tem misericórdia e compaixão e está disposto a ajudar os que necessitam, tanto através de organizações governamentais, como privadas ou sem fins lucrativos.

· Sou grato por meus pais não terem me dito para não falar com estranhos, para limpar o prato, ou que trabalhar duro era a chave para o sucesso. Ao invés disso, me ensinaram como falar com todas as pessoas, comer de forma saudável, e ser criativo e inteligente para não ter que trabalhar tão duramente.

· Sou grato por amigos de todas as classes e níveis socioeconômicos, e crenças.

· Sou grato por todos meus amigos evangélicos, protestantes, católicos, pentecostais e mórmons, bem como pelos amigos judeus, muçulmanos, budistas e hindus.

· Sou grato pelos dois grupos de homens com os quais me reúno para estudar a Bíblia as quintas e sextas-feiras e pela forma como eles me inspiram, encorajam e motivam.

· Sou grato por ser um seguidor de Jesus Cristo e ainda assim posso ter amigos que têm outras crenças.

· Sou grato por Deus ter me feito exatamente como sou e por não ter que tentar ser qualquer outra pessoa. 

Se você fosse fazer uma relação de coisas pelas quais é grato, o que constaria dela? 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1.   Nem todas as nações do mundo observam o Dia de Ação de Graças. Você acha que separar um dia específico para expressar gratidão é uma boa ideia? Por quê?

 

2.   Das razões para ser grato relacionadas pelo autor, qual delas fala mais de perto a você? Qual delas não apareceria na sua lista?  Explique sua resposta.

 

3.   Em I Tessalonicenses 5:18 nos é dito: “Deem graças em todas as circunstâncias...”. Outra tradução diz: “Em tudo deem graças”.  Como você reage a essa admoestação bíblica?

 

4.   O que você enfrenta atualmente que torna difícil para você mostrar gratidão? Que diferença haveria se você escolhesse estar disposto a ser grato a Deus mesmo em circunstâncias adversas e desafiadoras?

 

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 95:1-2; 100:4-5; Filipenses 4:6-7; II Coríntios 4:15; I Timóteo 4:4; Tiago 1:2-4.  

5.15.2026

CAPÍTULO 00 – A criação e o começo da destruição - Luis Pedro Novaes

 



CAPÍTULO 00 – A criação e o começo da destruição


O universo, como o conhecemos, é repleto de planetas inabitáveis, "pequenas" estrelas, lixo espacial por toda parte e uma grandiosa estrela que queima e transmite ondas de calor e luz para todos ao seu redor: o Sol. Porém, nesta história, tudo e todos eram completamente diferentes do que chamamos de "normal", e a lógica quase não se aplicava.

Há muitos milênios, existia somente um universo, composto por uma Terra, um Sol e uma Lua. O Sol permanecia estático, enquanto a Terra e a Lua giravam em seus próprios eixos e entre si.

Poderia parecer confuso que existissem apenas três corpos celestes em um vazio tão vasto, mas o espaço era ocupado pelas ramificações da própria Terra.

Seus habitantes eram chamados de deuses e reproduziam-se em uma velocidade espantosa. A gestação durava apenas um mês e a vida útil era quase infinita, embora não fossem impossíveis de matar. Com a alta taxa de natalidade e a baixa mortalidade, o planeta logo colapsaria; não haveria alimento nem espaço para todos.

Foi então que um grupo de políticos propôs uma ideia desconfortável: sacrificar cinquenta por cento de todos os que nascessem simultaneamente, independentemente de força física, espiritual, origem familiar, homem ou mulher.

A sobrevivência da espécie tornou-se mais importante do que qualquer hierarquia. Alguns se opuseram ao genocídio, mas outros compreenderam que não haveria alternativa.

A lei perdurou por quase cem anos, deixando um rastro de perdas e mentes devastadas. Muitos pais, incapazes de suportar a dor, tiraram a própria vida ou acabaram presos ao tentarem escapar da norma, contudo, a morte também os alcançou. 

Nesse período de amargura e desespero, a população foi reduzida a um nível abaixo do esperado, o que era positivo para o planeta, embora o método tivesse sido extremamente cruel.

Nesse cenário, um casal de deuses pouco conhecidos surgiu com uma nova proposta. Todos daquela raça possuíam dons distintos, que chamavam de poderes, e os deles combinados, poderiam criar qualquer coisa. Eles sugeriram a criação de vários universos paralelos para que os filhos pudessem nascer em segurança, evitando o colapso da Terra original.

A discussão foi ainda mais acalorada do que a da lei anterior. Os pais que já haviam perdido seus filhos apoiavam a ideia fervorosamente; já os que não haviam sido afetados mostravam-se relutantes, temendo o desconhecido. No fim, as vozes daqueles que sofriam prevaleceram, e o plano entrou em vigor.

O casal foi preparado. Absorveram uma quantidade imensa de energia espiritual e externa até atingirem o poder que achavam necessário. De mãos dadas, olharam-se profundamente, com lágrimas escorrendo por suas faces pálidas:

— Amor, lembre-se, estamos fazendo isso não só pela população, mas tambem, por “eles” que enganamos, esse será nossa redenção e sacrifício, para que o novo possa surgir! — Disse o marido, com lágrimas nos olhos, não de felicidade, mas de arrependimento.

— Sim meu bem, tenho ciência dos fatos! Me sinto tanto culpada quanto você! Não tenho a certeza de que teremos a redenção que pensamos, mas ao menos, nenhum filho terá que morrer, e nenhum pai ou família, terão que se enganar ou sacrificar-se novamente! — Respondeu a esposa, ciente de suas ações e consequências.

 Em estado de meditação, seus corpos começaram a brilhar e uma aura se manifestou. Mesmo de olhos fechados, emitiam pequenas partículas que saíam deles em uma escala assombrosa.

As partículas se expandiram para além do universo conhecido, criando novas terras, luas e sóis, até que sistemas inteiros fossem formados em forma de redomas. Levou uma semana de concentração absoluta. O poder utilizado foi capaz de gerar cinquenta universos inteiros, perfeitos e distintos entre sí.

Porém, no último, como os cálculos não foram como esperados, não saiu perfeito e inteiro, mas sim com várias partes faltantes, como se uma criança, mesmo desenvolvida, ainda não tivesse todos seus órgãos completos. Este seria o universo cinquenta e um.

O que tambem ninguém esperava era o sacrifício envolvido: o casal estava consumindo as próprias forças vitais dos corpos para dar vida à criação. O desespero tomou conta dos presentes, mas o processo era irreversível.

Lentamente, eles se tornaram transparentes. Antes de partirem, despediram-se e agradeceram pela oportunidade de salvar os bilhões de vidas que prosperariam naqueles novos mundos.

Após a partida, os sobreviventes prepararam-se para colonizar os novos universos. Dividiram-se em grupos de cem ou mil pessoas por mundo. Alguns pereceram durante a viagem; mesmo sendo quase imortais, ainda eram vulneráveis a doenças, vírus ou, naquele momento, o transporte utilizado.

Os cinquenta universos foram habitados em poucas semanas, mas eram distintos entre si. O casal os criara de forma alternada, forçando os deuses a adaptarem seus modos de vida, alimentação e costumes ao novo ambiente.

A reprodução tornou-se mais lenta, com gestações de dez meses, mas a vida infinita persistia. Por problemas internos e externos, as mortes tornaram-se mais frequentes, e a expectativa de vida foi reduzida em alguns milhares de anos.

Dez milênios se passaram. Os universos floresceram com culturas e saberes próprios. Entretanto, em cada um deles, restavam apenas quatro indivíduos da raça original. O sangue transformara-se ao longo das gerações naquelas terras novas.

Entretanto, um fato notável foi descoberto após a morte do casal originário do multiverso, surgiram dois irmãos gêmeos extremamente poderosos, Freizen e Frenizet. Freizen era sério e voltado aos estudos e à tecnologia; Frenizet era extrovertido, focado no treinamento físico e espiritual para ajudar os necessitados. Nascidos no primeiro universo, foram levados secretamente para a Terra-02, onde cresceram e se desenvolveram.

Ao atingirem a maturidade, possuíam habilidades além da imaginação, embora ainda estivessem longe de transcender a própria Terra. Após a maioridade, eles se separaram.

Freizen permaneceu na Terra-02, enquanto Frenizet partiu para a Terra-03. Na Terra-02, as pessoas começaram a desenvolver dois tipos de dons: os elementais (magia) e paranormais (poderes).

Quem usava magia, era capaz de manipular os elementos naturais, como a terra, água, fogo e ar, além de sub-elementos como raios, metal, larva, ventos, etc. Já quem usava poderes, era capaz de manipular ou até criar matéria e sub-matéria, além de atributos físicos e mentais elevados (velocidade, inteligência, força).

As forças elementais foram chamadas de magia, e as paranormais, de poderes, e foram denominadas 100 anos depois da colonização dos universos. A magia manifestava-se aos dez anos, enquanto os poderes eram inatos, embora difíceis de controlar na infância. Freizen possuía o "poder", e Frenizet, a "magia".

Enquanto os irmãos se desenvolviam, uma ameaça iminente crescia. O 51º universo fora deixado incompleto por falta de energia. Para lá, os deuses haviam banido um casal de terroristas sanguinários que outrora lideraram o genocídio de bebês. Como o universo era inacabado, a energia residual fundiu-se aos corpos deles, transformando-os em semanas.

O homem proclamou-se dono daquele mundo, autodenominando-se Human Beast, com o nome originário até então desconhecido. Ele e a mulher povoaram o planeta com clones e descendentes.

Quando Freizen e Frenizet ainda eram crianças, Human Beast já possuía um exército de quinhentos soldados à sua imagem e semelhança, com o objetivo de destruir todos os universos como vingança pelo seu banimento e seu passado.

— Ataquem tudo até virar pó! — ordenou ele, com um grito tão potente que ecoou para fora de seu universo.

Os cinquenta universos estremeceram com o grito. Luas se desintegraram em meteoros, atingindo as terras e sóis próximos. Diante da calamidade, Freizen, então candidato a líder de seu universo, reuniu um exército de elite. Frenizet fez o mesmo na Terra-03, aliando-se a um grupo de jovens chamados Magos Elementares Místicos, especialistas em magias proibidas e originarias.

O conflito era alarmante. Enquanto meteoros caíam, o exército da Terra-51 avançava impiedosamente. Finalmente, Human Beast surgiu no centro do Círculo Astral. Freizen e Frenizet manifestaram-se diante dele. O tempo parecia ter parado; a imponência dos três era sentida em todas as terras.

— O que pensa que está fazendo? — indagou Freizen, iniciando o confronto.

— Estou apenas retribuindo o que seu povo fez comigo — respondeu o vilão, apontando para ele com seu dedo indicador esquerdo.

— E o que nós fizemos para que você travasse essa guerra? — questionou Frenizet, com semblante fechado, e olhar assombroso.

— Abandonaram-me em um universo incompleto para morrer com a minha mulher. “Seus” ancestrais não queriam sacrificar os bebês, então eu resolvi matar alguns com minhas próprias mãos — vangloriou-se Human Beast.

— Ouvimos essa história — retrucou Freizen. — Éramos bebês quando saímos da Terra-01 escondidos. Não morremos por muito pouco.

— Então foram vocês dois que me enviaram para a prisão? — Human Beast estreitou os olhos. — Os gêmeos coincidentemente nascidos após a criação dos universos. Eu tentei matá-los quando eram recém-nascidos, além de muitos, mas fui preso. Como última punição, jogaram-me naquele lugar defeituoso. Mas os planos deles falharam, pois estou vivo e meu corpo evoluiu!

A raiva cresceu nos irmãos como um vulcão em erupção. Sem mais palavras, partiram para o ataque. Freizen disparava socos em microssegundos, enquanto Frenizet desferia chutes e golpes precisos. Cada impacto gerava ondas de choque que deterioravam a crosta dos universos ao redor.

Apesar da precisão dos golpes, algo estava errado. O corpo do adversário absorvia ou repelia o impacto.

— De que você é feito? — perguntou Freizen, perplexo.

— Eu sou a minha própria Terra! — bradou Human Beast.

— Você terá que receber os danos, uma hora ou outra! — gritou Freizen, seu berro ecoando pelo espaço.

— Tem certeza? Não serei piedoso como fui com os bebês.

— Não haverá problema — respondeu o irmão. — Porque agora não somos mais recém-nascidos indefesos.

— Podem vir, garotos.



Continua...

 

Autoria:  Luís Pedro Novaes
Foto: Produção


A Forma do Inevitável - Agilson Cerqueira

 


A Forma do Inevitável

Agilson Cerqueira


Há uma violência silenciosa na natureza das coisas. Não a violência do grito ou do choque imediato, mas aquela que se instala devagar, como o desgaste da água sobre a pedra, como o tempo que consome sem pedir licença. Tudo parece obedecer a uma ordem antiga, inevitável, anterior ao próprio entendimento humano. A vida avança enquanto desfaz a si mesma, e cada criatura carrega no corpo a memória de sua luta para permanecer.


O mundo não está ancorado na delicadeza. Sob a beleza das paisagens, sob o canto das aves e o movimento tranquilo das folhas ao vento, existe uma engrenagem invisível feita de fome, medo, defesa e sobrevivência. A natureza cria enquanto destrói; alimenta enquanto exige sacrifícios. Nada nela é completamente inocente. Até a luz do amanhecer nasce da dissolução da noite.


O homem observa tudo isso como quem tenta compreender o próprio reflexo. Porque também nele habitam os instintos primitivos, os impulsos contraditórios, a necessidade de continuar apesar das perdas. Há dias em que o ser humano se acredita distante da brutalidade do mundo natural, protegido por suas cidades, suas palavras e suas invenções. Mas basta o silêncio certo para perceber que ainda carrega dentro de si a mesma matéria inquieta das tempestades e dos animais feridos.


O inevitável não chega apenas como tragédia. Às vezes, manifesta-se na transformação lenta das coisas: no corpo que envelhece, nas relações que mudam, nos sonhos que precisam morrer para que outros possam nascer. A existência parece construída sobre despedidas contínuas, mesmo quando insistimos em chamar certos momentos de permanência.


Ainda assim, há algo profundamente belo nessa condição transitória. Talvez porque a fragilidade torne tudo mais intenso. Talvez porque a consciência da perda ensine o valor da presença. Cada instante vivido torna-se raro justamente porque não pode ser retido. Cada afeto ganha profundidade porque está ameaçado pelo tempo.


E assim seguimos: criaturas frágeis tentando encontrar sentido dentro de uma ordem que não se explica completamente. Caminhamos entre ruínas e flores, entre esperança e desgaste, sustentados por uma espécie de coragem silenciosa. No fundo, viver talvez seja isso — aprender a contemplar o inevitável sem deixar que ele nos roube a capacidade de sentir encanto diante da existência.

Agilson Cerqueira
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons



Catar feijão – João Cabral de Melo Neto

 






Catar feijão – João Cabral de Melo Neto

1.

Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco,
o de que, entre os grãos pesados, entre
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco.

 

Autoria: João Cabral de Melo Neto

Foto: Google


Att.: O autor compara escrever "Catar feijão".

 

As Vantagens de Ser Autêntico - Rick Boxx

 

As Vantagens de Ser Autêntico - Rick Boxx

Como você se sente quando suspeita que uma pessoa não está sendo autêntica, genuína – quando aparentemente esse indivíduo está representando, apresentando uma “fachada” com o objetivo de causar determinada impressão no interlocutor daquele momento?

Tal comportamento algumas vezes é descrito como “hipocrisia”.  A raiz desta palavra vem do grego e é usada para identificar um ator, alguém que usa uma máscara, como ocorria nos tempos antigos.  Quando assistimos a um filme ou a uma representação teatral ao vivo aceitamos que alguém proceda desta maneira porque este é o trabalho dos atores.  Eles precisam exibir personagens bastante diferentes daquilo que realmente são, mas nós compreendemos perfeitamente o que significa “atuar”.

Entretanto, observar tal comportamento na vida cotidiana não é tão justificável.  Nós queremos que as pessoas sejam autênticas – digam claramente o que pretendem dizer e sejam quem realmente são – e não se apresentem com falsidade para causar o efeito desejado.  Geralmente observarmos essa contradição no cenário político – representantes oficiais ou candidatos fazendo discursos em que dizem exatamente o que acreditam que a audiência quer ouvir.  Mais tarde, se pesquisas de opinião pública indicarem uma mudança de posição, eles passam a dizer coisas totalmente diferentes.

Evidentemente, isso também ocorre no mundo profissional e empresarial.  O ex-ceo da United Van Lines, Rich McClure, compartilhou francamente em um de nossos eventos que certo dia, ele estava conversando com algumas pessoas próximo à mesa de seu assistente.  Depois que as pessoas se foram, seu assistente lhe disse:  “As pessoas podem dizer quando você está sendo autêntico e quando não está.”

Rich se sentiu culpado, porque o assistente estava certo.  Ele simplesmente estava representando para aquelas pessoas, tentando impressioná-las e provocar determinada reação.  Isso ficou óbvio para seu assistente – e provavelmente para as pessoas com quem falava também.  Rich aceitou com humildade a repreensão bem intencionada e se determinou a aprender com o episódio e agir de forma diversa no futuro.

Ser autêntico em todas as nossas interações – seja no ambiente de trabalho, em casa ou na comunidade, nem sempre é fácil.  Nós queremos que as pessoas pensem o melhor a nosso respeito e podemos nos sentir tentados a dar uma impressão falsa de nós mesmos, de nossas companhias ou produtos se acharmos que isso pode ajudar a alcançarmos o resultado desejado.  Contudo, as pessoas podem detectar a falta de sinceridade quando não estamos sendo genuínos.  “Usar uma máscara” na vida real pode provocar consequências bem desfavoráveis.

Por este motivo a Bíblia fala frequentemente sobre a importância de ser autêntico, garantindo às pessoas que não estão “comprando gato por lebre”.  Salmos 15:1-2 ensina: “Senhor, quem habitará no Teu santuário?  Quem poderá morar no Teu santo monte?  Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade.”

Outra passagem fala do benefício de ser autêntico, alertando contra a tentativa de iludir ou enganar:  “Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto.”  (Provérbios 10:9).

No ambiente de trabalho, a despeito das circunstâncias externas, todos nós devemos nos esforçar para sermos conhecidos por nossa autenticidade.  Como Provérbios 24:26 declara, “A resposta sincera é como beijo nos lábios.”

 


5.14.2026

Borboletas - Manoel de Barros (1916-2014)

Manoel de Barros (1916-2014)

Manoel de Barros foi um poeta brasileiro nascido em Cuiabá, Mato Grosso, considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Sua obra, que inclui livros como O Guardador de Águas (1989) e Livro Sobre Nada (1996), teve grande impacto no pós-modernismo.

Em sua poesia, aborda temas do cotidiano, inserindo expressões coloquiais rurais, preservando a oralidade e, mais ilustramente, incorporando neologismos. Também ficou conhecido por explorar os sentidos (visão, tato, paladar, audição, olfato) em seus versos, muitas vezes de maneira sinestésica.

Tem um estilo que incorpora regionalidade e traços autobiográficos, abordando temas da natureza, mas também sociais. Manoel de Barros traz uma sensibilidade aguda para o mundo natural e uma valorização das coisas simples em sua poesia.

Borboletas

Borboletas me convidaram a elas.

O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.

Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.

Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza,

um mundo livre aos poemas.

Daquele ponto de vista:

Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.

Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.

Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.

Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.

Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de

uma borboleta.

Ali até o meu fascínio era azul.

Preparando-se para o 'Último Tempo - Jim Mathis

Preparando-se para o 'Último Tempo'

Por Jim Mathis

 

A vida pode ser comparada a um jogo de basquetebol, ou ainda aos minutos finais de uma partida de futebol.  A certa altura do jogo você chega ao último tempo.  Você se sente cansado, talvez um pouco machucado, mas o relógio mostra que ainda há jogo pela frente.   Ainda há jogadas a serem feitas e existe a chance de que sejam as mais importantes da partida.  É nesse momento que você ganha ou perde a competição. 

 

Ao contrário do que acontece no futebol, na vida real não podemos ver o relógio.  Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.  Também não temos muita certeza de qual é o placar.  Estamos ganhando ou perdendo?  Tudo o que sabemos é que o jogo ainda não acabou.  Nossos amigos ainda estão assistindo e torcendo, e precisamos terminar de forma vigorosa. 

 

O Coronel Harlan Sanders se deu conta de que não poderia viver dos benefícios do seu Seguro Social, por isso, aos 68 anos de idade,  ele fundou a Kentucky Fried Chicken (rede agora conhecida por KFC).  Arnold Palmer ainda projetava campos de golfe quando morreu recentemente neste ano aos 87 anos de idade, e Jane Pauley recentemente foi chamada para apresentar o programa de notícias das manhãs de domingo da CBS.  Ela está com 65 anos.   

 

Poderíamos citar centenas de outros exemplos brilhantes de pessoas que realizaram o seu melhor trabalho no estágio final de suas vidas.  Portanto, o último tempo é importante – mesmo que jamais sejamos famosos.

 

Quanto a mim, o “último tempo” tem sido um bom momento para escrever, ensinar e passar adiante o que tenho aprendido com outros.  Há alguns meses me dei conta de que tinha 30 datas marcadas em minha agenda para ensino ou preleção a serem feitos antes do final deste ano.  Algumas eram aulas sobre impostos, outras sobre finanças pessoais dirigidas a um grupo e umas poucas tinham como foco as habilidades de escrever e fotografar.  Eu precisava praticar minhas habilidades de orador público, já que iria colocá-las em uso ao longo dos próximos meses.

 

Quando somos jovens, parece que temos a eternidade diante de nós, portanto nos preocupamos pouco com os estágios finais da nossa vida.  Entretanto, ao atingirmos os 50 ou 60 anos, começamos a tomar consciência de que o tempo para deixamos a nossa marca – dar uma contribuição significativa em vida – é cada vez menor.  Por isso é sábio considerarmos esses últimos anos em termos de mordomia, um encargo sagrado.

 

A Bíblia tem muito a dizer a esse respeito:

 

O tempo é transitório.  O tempo passa inexoravelmente.  Não podemos detê-lo, ou conservá-lo e armazená-lo para um uso futuro.  É trágico olharmos para trás e pensar no tempo que deixamos de usar com sabedoria.  Se não usarmos o tempo, nós o perderemos.  “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem;  que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.”  (Efésios 5:15-16). 

 

Tire vantagem das oportunidades enquanto pode.  Em nosso “último tempo” teremos acumulado toda uma vida de experiências e habilidades.  Quando surgirem as oportunidades para utilizar tais perícias, devemos fazê-lo com todo entusiasmo.  “O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.”  (Eclesiastes 9:10). 

 

Estamos sendo observados.  A forma como vivemos nossa vida serve de exemplo para outros.   “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.”  (Hebreus 12:1).

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1.   Em que “tempo” da vida você está no momento?  Caso ainda não esteja no “último tempo”, você ainda tem alguma preocupação sobre a forma como está usando o tempo e as oportunidades que surgem?  Explique sua resposta.

2.   Supondo que está no “último tempo”, o que pensa sobre a forma de investir o tempo que lhe resta?

3.   Você concorda com a ideia de encararmos nosso tempo, experiência, perícias e oportunidades como mordomos destes recursos?  Por quê?

4.   Como deveria ser a preparação para o “último tempo” de sua vida?  Caso já esteja vivendo esse tempo,  você o está usando de forma a encontrar realização e significância para você e para os outros? 

 

Nota:  Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Eclesiastes 3:1-8;  8:6-8;  Efésios 2:10;  Colossenses 4:5-6;  II Timóteo 3:16-17.

 


5.13.2026

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São... Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por ca... Frase de Fernando Pessoa.

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa  Mensagem. In: Obra poética de Fernando Pessoa: volume 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.


Fonte: Pensador

Foto: Google

Uma nuvem inédita no céu de Nova York - Érico Veríssimo

Uma nuvem inédita no céu de Nova York

11 de setembro de 2001 (em Nova York)

Não havia uma nuvem no céu de Nova York pela manhã. Era um perfeito dia pré-outonal nesta cidade, que fica particularmente bem no outono, e nosso programa incluiria caminhada matinal pelo Central Park para comemorar o fim do calor e das chuvas que pegamos desde a nossa chegada, no domingo. Mas todos os planos e possivelmente todas as vidas do mundo mudaram em pouco mais de meia hora.

Antes das 9h, uma nuvem que ninguém poderia prever ou imaginar cobria a ponta sul da ilha de Manhattan, onde as torres ardiam. Uma nuvem que aumentou com a queda dos dois arranha-céus e ainda perdura no ar enquanto escrevo. Estamos longe do sul de Manhattan, e o que se vê nas ruas aqui por perto é apenas incredulidade, gente que mora fora da cidade se comunicando com suas casas, já que todas as saídas da ilha foram fechadas, e uma certa calma resignada, como se a tragédia fosse fenômeno natural — talvez porque as cenas que darão a verdadeira dimensão do horror, a dos mortos entre os escombros das torres destruídas, ainda não foram ao ar.

É difícil saber neste momento o que a nuvem inédita, cujo único precedente para os americanos é a fumaça que pairou sobre Pearl Harbor durante dias depois do ataque japonês, prenuncia. As TVs mostraram cenas de palestinos comemorando os atentados. Todas as especulações sobre sua autoria envolvem o fundamentalismo muçulmano, e o efeito mais direto do terror será, provavelmente, uma mudança radical do posicionamento americano no conflito entre judeus e palestinos, que tinha evoluído, na transição de Clinton para Bush, de envolvimento cauteloso para distanciamento cauteloso. Se as especulações estiverem certas, o distanciamento perdeu sentido: a guerra do Oriente Médio foi trazida, espetacularmente, para cá.

Os Estados Unidos passaram por duas guerras mundiais sem serem atacados, descontado o bombardeio do seu território havaiano. Com o fim do confronto com a União Soviética, e da própria União Soviética, acabou o pavor de uma guerra nuclear. Mas a nuvem cobrindo os destroços do World Trade Center não foi a única cena inédita deste dia do qual, confesso, eu estou esperando acordar a qualquer momento. Inédito também foi ver americanos e visitantes olhando para o céu ao ouvir ruídos de aviões, sem saber se são amigos ou inimigos.


Fonte: GLOBO

Foto: Google

 

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