Manoel de Barros (1916-2014)
Manoel de Barros
foi um poeta brasileiro nascido em Cuiabá, Mato Grosso, considerado um dos
maiores poetas brasileiros do século XX. Sua obra, que inclui livros como O
Guardador de Águas (1989) e Livro Sobre Nada (1996), teve grande impacto no
pós-modernismo.
Em sua poesia,
aborda temas do cotidiano, inserindo expressões coloquiais rurais, preservando
a oralidade e, mais ilustramente, incorporando neologismos. Também ficou
conhecido por explorar os sentidos (visão, tato, paladar, audição, olfato) em
seus versos, muitas vezes de maneira sinestésica.
Tem um estilo que incorpora regionalidade e traços autobiográficos, abordando temas da natureza, mas também sociais. Manoel de Barros traz uma sensibilidade aguda para o mundo natural e uma valorização das coisas simples em sua poesia.
Borboletas
Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das
coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com
certeza,
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os
homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que
pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os
homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os
cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de
vista de
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.
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