5.03.2026

A Sabedoria da Linha de Frente - Rick Boxx

 

A Sabedoria da Linha de Frente

Por Rick Boxx

 

Paul, um amigo meu, e alguns investidores lançaram um novo negócio com base em um promissor novo produto médico. O conceito do produto era excelente, mas quando a comunidade médica o colocou em uso, ele não foi eficiente devido a falhas importantes no design.

 

Quando Paul comunicou a seus investidores que o produto necessitava ser revisado, estes não aceitaram o que o seu pessoal de vendas estava dizendo acerca dos problemas de design. Os investidores acreditavam que o produto não necessitava de mudanças e que seus representantes de vendas simplesmente deviam intensificar seu trabalho de marketing. 

 

Por fim, com o negócio rapidamente beirando o fracasso, Paul fez um último esforço para convencer o  grupo investidor a deixá-lo alterar o design. Com grande relutância, os investidores finalmente concordaram e as mudanças foram implementadas. Para surpresa dos investidores – mas não de Paul – dentro de três meses as vendas dispararam, as perdas foram revertidas e a comunidade médica tinha um produto cujo uso a empolgava. 

 

Esse cenário ilustra um problema bastante comum no meio empresarial e profissional. Indivíduos que ocupam os níveis mais altos na liderança e administração tomam decisões vitais sem consultar os trabalhadores da linha de frente, sejam eles os que estão envolvidos na manufatura dos produtos ou aqueles que fornecem serviços, além da equipe responsável pelas vendas e marketing.  Quando os resultados não são os esperados, os líderes se debatem para entender o que deu errado. 

 

Décadas atrás, foram introduzidas mudanças significativas para abordar esse problema tão comum. Tudo começou no Japão, onde os trabalhadores eram regularmente consultados antes que mudanças que afetassem diretamente suas áreas de trabalho fossem implementadas. É interessante observar que um catalisador dessa mudança foi W. Edwards Deming, engenheiro e consultor de gerenciamento americano. Entre suas muitas contribuições destacam-se a ênfase na melhoria dos serviços e um nível mais elevado na qualidade dos produtos. Um de seus “14 Pontos Para a Gestão” era: “Coloque todos na companhia para trabalhar a fim de realizar a transformação. A transformação é tarefa de todos.” Isso levou ao desenvolvimento de círculos de qualidade e ao gerenciamento participativo, dando a todos a oportunidade de oferecer material para os sistemas e processos. 

 

A abordagem de Deming foi revolucionária para o mundo dos negócios da época, mas suas ideias não eram novas. A Bíblia fala bastante a respeito do valor de obter-se o conselho e a perspectiva de pessoas com conhecimento direto da questão. Por exemplo, Provérbios 12:15 ensina: “O tolo pensa que sempre está certo, mas os sábios aceitam conselhos.”

 

No ambiente de trabalho, todos os dias enfrentamos uma batalha de duas frentes: a batalha contra a concorrência e a batalha para obter o favor dos clientes. Provérbios 11:14 instrui: “O país que não tem um bom governo cairá; com muitos conselhos há segurança.” Outro versículo igualmente observa: “Ser sábio é melhor do que ser forte;  o conhecimento é mais importante do que a força. Afinal, antes de entrar numa batalha, é preciso planejar bem, e, quando há muitos conselheiros, é mais fácil vencer.”  (Provérbios 24:5-6). 

 

Devemos ser sábios para jamais desprezarmos a sabedoria de outras pessoas no ambiente de trabalho, especialmente daquelas que estão mais próximas dos clientes, bem como dos processos produtivos.  Elas podem ver – da linha de frente – coisas que nós não podemos enxergar da “torre de marfim”. 

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

 

1.Você já esteve na situação de ter problemas com o design ou serviço de um produto, mas os líderes corporativos não estavam dispostos a fazer as mudanças necessárias? Qual a causa de sua relutância quando as falhas eram evidentes?

 

2.Qual o melhor modo de vencer essa relutância?

 

3.Gerenciamento participativo e círculos de qualidade hoje são conceitos em uso já há vários anos. Qual sua experiência com eles?

 

4.As passagens bíblicas citadas falam da importância de buscar conselho de pessoas com conhecimento e perspectivas diretos de processos vitais. Como determinamos quem devem ser esses conselheiros? 

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12:15;  15:22; 19:20,27;  20:18;  27:17;  Eclesiastes 4:9-12. 

 

5.02.2026

PENSAMENTO E/OU A FALTA DELE - Agilson Cerqueira


PENSAMENTO E/OU A FALTA DELE

               Agilson Cerqueira

O romantismo não resiste ao uso. 
Ele falha cedo, embora a correção venha tarde demais para servir de algo além de desgaste. 
A decepção não ensina — apenas retira o excesso, como quem lixa uma superfície até restar o opaco. 
O tempo, que costumávamos chamar de medida, revela-se consumo: não passa, corrói. 
E nesse desgaste contínuo, as pessoas atravessam sem fixar nada,
E não há diferença.
A ideia de significado persiste como um espasmo — breve, involuntário, quase patológico. 
Buscamos respostas não por convicção, mas por incapacidade de sustentar o vazio. Responder é uma forma de não cair.
Por isso a embriaguez de si mesmo se repete: não como prazer, mas como tentativa de dissolução do que insiste em permanecer. Ser alguém exige uma consistência frágil; então se insiste no apagamento, na diluição do nome até que reste apenas um hábito.
Pensar, exige solidão. 
Mas não há pausa. 
O mundo se organiza contra o intervalo, contra qualquer suspensão que permita o pensamento emergir. 
E assim, não pensamos — reagimos. Produzimos ruído, não ideia. 
E ainda assim nos colocam diante de escolhas inúteis: ignorar ou enxergar. 
Ambas conduzem ao mesmo ponto, apenas por caminhos distintos de desgaste.
Quando o eu se volta sobre si, não encontra profundidade, mas falha. 
Não há núcleo, não há centro — apenas uma repetição mal organizada que insiste em se reconhecer. 
O eu não se sustenta como unidade; ele racha, ecoa, retorna como fragmento. 
Você não é inteiro: é resto. E o que chamamos de “nós” não corrige isso, apenas disfarça. 
Há uma soma instável de solidões que se alinham por conveniência, não por convergência,
E nesse alinhamento, o pensar, quando acontece, não constrói — expõe. E o que expõe é insuficiente. 
Pensar incomoda porque rompe a superfície; e romper implica isolamento.
Por isso o pensamento cessa — ou tenta cessar. 
Mas falha também nisso. 
Retorna. 
Sempre contra.
Há uma aflição sem objeto, uma ansiedade sem causa clara, como se a própria consciência fosse um excedente mal encaixado na estrutura. 
O cérebro permanece, intacto enquanto matéria, mas o pensamento parece desalojado — como se nunca tivesse pertencido ali. 
Entre os extremos, escolhemos a simulação:
O absurdo não se apresenta como ruptura, mas como base. Não é algo a ser alcançado ou evitado — é o que sustenta, silenciosamente, tudo o que ainda tenta se justificar. 
A lógica entra tarde. Não salva, não resolve, não redime. 
Apenas organiza a queda, distribui melhor o impacto, reduz o erro sem alterar o destino.
No fim, o que resta não é conclusão, mas diminuição. 
Menos centro, menos eixo, menos linguagem capaz de sustentar qualquer afirmação. 
O pensamento se reduz a ruído, depois a eco, depois a quase nada. 
O eu se torna interrogação, o nós se dissolve antes de se formar. 
E o silêncio, que antes parecia ausência, começa a se impor como limite — não pleno, não definitivo, mas suficiente para interromper o excesso.
Quase.


Autoria: Agilson Cerqueira
Foto: Produção
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons

5.01.2026

Fernando Sabino – Por Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

 

Fernando Sabino – Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

Biografia de Fernando Sabino

Fernando Sabino (1923-2004) foi um escritor, jornalista e editor brasileiro. Recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Jabuti pelo livro "O Grande Mentecapto" e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Foi condecorado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Grã-Cruz, pelo governo brasileiro.

Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 12 de outubro de 1923. Em 1930, após aprender a ler com a mãe, ingressou no Grupo Escolar Afonso Pena. Fez o curso secundário no Ginásio Mineiro. Ao final do curso conquistou a medalha de ouro como o primeiro aluno da turma.

Jornalista e contista

Em 1936, Fernando Sabino teve seu primeiro conto policial publicado na revista "Argus", da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Em 1938, ajudou a fundar um jornal "A Inúbia", no Ginásio Mineiro.

Fernando Sabino começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos nas revistas "Alterosas" e "Belo Horizonte". Em 1941 iniciou o curso superior na Faculdade de Direito de Minas Gerais.

Nesse mesmo ano reuniu seus primeiros contos no livro Os Grilos não Cantam Mais. Colaborou com o jornal literário do Rio, "Dom Casmurro", com a revista "Vamos Ler" e com o "Anuário Brasileiro de Literatura".

Fernando Sabino formou um grupo inseparável com os também escritores mineiros, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Rezende.

Funcionário público e professor

Em 1942, Fernando Sabino foi admitido como funcionário da Secretaria de Finanças de Minas Gerais. Lecionou Português no Instituto Padre Machado. e foi nomeado oficial de gabinete do secretário de agricultura.

Fernando Sabino fez estágio de três meses como aspirante no Quartel de Cavalaria de Juiz de Fora, período que serviria de inspiração para hilariantes episódios do livro O Grande Mentecapto.

Em 1944 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se firmou como colaborador de diversos jornais. Em 1946 formou-se em Direito e embarcou com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos.

 

Instalado em Nova York, trabalhou no Escritório Comercial do Brasil e depois no Consulado Brasileiro. Em 1947 enviou, de Nova York, crônicas para os jornais "Diário Carioca" e "O Jornal" do Rio, que foram transcritas por diversos jornais do resto do país. Realizou uma série de entrevistas com Salvador Dali e faz reportagem sobre Lasar Segall.

Em 1948, Fernando Sabino voltou ao Brasil e assumiu o cargo de escrivão da Vara de Órfãos e Sucessões. Em 1949 colaborou com diversos jornais e com a revista "Manchete".

Encontro Marcado

Em 1956, Fernando Sabino publicou o romance O Encontro Marcado, um grande sucesso de crítica e de público, além de ter feito adaptações teatrais no Rio e em São Paulo. Em 1959 compareceu ao lançamento do livro em Lisboa. Em 1962 o livro foi publicado na Alemanha.

Encontro Marcado é uma narrativa longa que conta a história de um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. A obra leva o leitor a passear pelas ruas de Belo Horizonte conhecendo um pouco das gerações que por elas passaram e marcaram a cidade.

É uma história da adolescência e juventude, dos prazeres fugidos, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio que se acumulam no espírito do jovem escritor Eduardo Marciano, um homem que amadurece em um mundo, desorientado.

O jovem caminha pela procura incessante da felicidade e pelo desejo profundo de encontrar respostas para a grande pergunta sobre a existência de Deus.

Editor, roteirista e Adido Cultural

Em 1960, Fernando Sabino foi para Cuba como correspondente do Jornal do Brasil. Nessa época, fez reportagem sobre a revolução cubana.

Com o livro A Revolução dos Jovens Iluminados, inaugurou a "Editora do Autor", fundada em sociedade com Rubem Braga e Walter Acosta.

Em 1964, durante o governo João Goulart, foi contratado para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres. Em 1965 se desligou da Editora do Autor e fundou a "Editora Sabiá".

Nesse período, escreveu o argumento, roteiro e diálogos do filme de sua obra, O Homem Nu (1966), dirigido por Roberto Santos

Fernando Sabino foi efetivado no cargo de redator do Serviço Público da Biblioteca Nacional, e mais tarde da Agência Nacional, cabendo-lhe a elaboração de textos para filmes de curta metragem. Em 1972 fundou a Bem-Te-Vi Filmes.

Em 1975, Fernando Sabino deixou o Jornal do Brasil, no qual permaneceu por 15 anos. Em 1977 iniciou a publicação de crônica semanal sob o título de "Dito e Feito" no jornal "O Globo". Sua colaboração se prolongou por 12 anos, sendo reproduzida no "Diário de Lisboa" e em oitenta jornais no Brasil.

Fernando Sabino faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 2004.

Prêmios

Em 1979, concluiu o romance O Grande Mentecapto, que havia iniciado há 33 anos. Recebeu o Prêmio Jabuti pela obra.

Recebeu o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria de Literatura, concedido pelos Conselhos Estaduais de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.

Em 1985 foi condecorado com a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro.

Em 1989 o filme O Grande Mentecapto foi premiado no Festival Internacional de Gramado.

Outras Obras de Fernando Sabino

O Menino no Espelho (1982, adotado em várias escolas do país)

A Faca de Dois Gumes (1985)

A Mulher do Vizinho (1988)

O Bom Ladrão (1991)

Zélia uma Paixão (1991)

A Nudez da Verdade (1994)

Com a Graça de Deus (1994)

Frases de Fernando Sabino

"O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação".

"No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim".

"Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um".

"Não posso responsabilizar ninguém pelo destino que me dei. Como único responsável só eu posso modifica-lo. E vou modificar".

"Façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro!"

 

Fonte: e-Biografia

Organizadora: Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

Foto: Google

Como nossos pais - Belchior

 

Autoria: Antônio Carlos Belchior

Foto: Google

Vídeo: YouTube (Lyrics Letras)

Dois e dois: quatro - Ferreira Gullar (1930-2016)

Ferreira Gullar (1930-2016)

Fundador do neoconcretismo brasileiro, Ferreira Gullar foi um poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro, nascido em São Luís, Maranhão. É conhecido, além de suas obras, por ter forte participação sociopolítica e militante, que acarretou em sua prisão e exílio durante a época da ditadura militar.

Sua poesia é marcada por seu compromisso com questões sociais e políticas. Poema Sujo (1976), sua principal e mais renomada obra, foi escrita durante seu exílio político na Argentina. Além de sua poesia social, aborda temas da memória e da identidade, principalmente em sua produção inicial.

Tem como característica a experimentação com a forma em alguns de seus poemas, explorando o espaço da página com seus versos, traço do concretismo. Se utiliza de uma linguagem direta e simples, carregando um ar de denúncia em sua obra.


Dois e dois: quatro

 

Como dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

embora o pão seja caro

e a liberdade pequena

 

Como teus olhos são claros

e a tua pele, morena

como é azul o oceano

e a lagoa, serena

 

como um tempo de alegria

por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia

no seu colo de açucena

 

— sei que dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro

e a liberdade, pequena


Autoria: Ferreira Gullar

Foto: Google

4.30.2026

9 Anos sem Belchior! - Agilson Cerqueira

COMO NOSSOS PAIS 

Não quero lhe falar meu grande amor

Das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi

E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor é uma coisa boa

Mas também sei que qualquer canto

É menor do que a vida

De qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem

Há perigo na esquina

Eles venceram

E o sinal está fechado prá nós

Que somos jovens

Para abraçar seu irmão

E beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço

O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada

Como uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade

Não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento

Cheiro de nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva

Do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua

Cabelo ao vento

Gente jovem reunida

Na parede da memória

Essa lembrança

É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber

Que apesar de termos

Feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Como os nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos

E as aparências

Não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer

Que eu 'tô por fora

Ou então que eu 'tô inventando

Mas é você que ama o passado

E que não vê

É você que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a ideia

De uma nova consciência e juventude

'Tá em casa

Guardado por deus

Contando vil metal

Minha dor é perceber

Que apesar de termos feito tudo, tudo

Tudo o que fizemos

Nós ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos como os nossos pais

Foto: Google 

Rubem Braga - Dilva Frazão

Rubem Braga / Cronista e jornalista brasileiro - Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Biografia de Rubem Braga

Rubem Braga (1913-1990) foi um escritor e jornalista brasileiro. Tornou-se famoso como cronista de jornais e revistas de grande circulação no país. Foi correspondente de guerra na Itália e Embaixador do Brasil em Marrocos.

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, no dia 12 de janeiro de 1913. Seu pai, Francisco Carvalho Braga era proprietário do jornal Correio do Sul. Iniciou seus estudos em sua cidade natal. Mudou-se para Niterói, Rio de Janeiro, onde concluiu o ginásio no Colégio Salesiano.

Carreira literária

Em 1929, Rubem Braga escreveu suas primeiras crônicas para o jornal Correio do Sul. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em seguida transferiu-se para Belo Horizonte onde concluiu o curso em 1932. Nesse mesmo ano, iniciou uma longa carreira de jornalista que começou com a cobertura da Revolução Constitucionalista de 32, para os Diários Associados.

Em seguida, foi repórter do "Diário de São Paulo", fundou a "Folha do Povo", o semanário "Comício", e trabalhou no "Diretrizes", semanário de esquerda dirigido por Samuel Wainer. Em 1936, Rubem Braga lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho.

Com 26 anos, já era casado com a militante comunista Zora Seljjan. Não era filiado ao partido, mas militava ativamente na Aliança Nacional Libertadora. Depois de se envolver em um caso amoroso impossível decidiu mudar de cidade e de emprego.

Quando o cronista mudou-se para Porto Alegre, o Brasil vivia a ditadura do governo de Getúlio Vargas e o mundo preparava-se para entrar na Segunda Guerra Mundial. Ao por os pés em Porto Alegre, foi preso por suas crônicas sobre o regime. Graças à pronta intervenção de Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Folha da Tarde, logo foi solto.

Durante os quatro meses em que ficou em Porto Alegre, Rubem Braga publicou 91 crônicas na Folha da Tarde, que foram publicadas postumamente em “Uma Fada no Front" (1994). Os escritos mostram um cronista engajado contra a ditadura Vargas e o nazismo.

Na época, a luta política foi a nota dominante das crônicas da Folha. Por causa das muitas pressões da polícia e dos círculos palacianos do Estado, Braga teve que voltar ao Rio de Janeiro.

Em 1944, Rubem Braga foi para a Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, quando cobriu, como jornalista, as atividades da Força Expedicionária Brasileira. No início dos anos 50, se separou de Zora, que lhe deu um único filho Roberto Braga.

Rubem Braga foi sócio da "Editora Sabiá" e exerceu cargos de chefia do escritório comercial do Brasil no Chile, em 1955, e de embaixador no Marrocos, entre 1961 e 1963.

Características da obra de Rubem Braga

Rubem Braga dedicou-se exclusivamente à crônica, que o tornou popular. Como cronista mostrava seu estilo irônico, lírico e extremamente bem humorado. Sabia também ser ácido e escrevia textos duros defendendo os seus pontos de vista. Fazia crítica social, denunciava injustiças, a falta de liberdade da imprensa e combatia governos autoritários.

Últimos anos

Rubem Braga adorava a vida ao ar livre, morava em um apartamento de cobertura, em Ipanema, onde mantinha um jardim completo, com pitangueiras, passarinhos e tanques de peixes.

Nos últimos tempos, publicava suas crônicas aos sábados no jornal O Estado de São Paulo. Foram 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas, que reunia em seus livros.

Rubem Braga faleceu, no Rio de Janeiro, no dia 19 de dezembro de 1990.


Obras de Rubem Braga

O Morro do Isolamento (1944)

Um Pé de Milho (1948)

O Homem Rouco (1949)

A Borboleta Amarela (1956)

A Traição das Elegantes (1957)

Ai de Ti Copacabana (1960)

Recado de Primavera (1984)

Crônicas do Espírito Santo (1984)

O Verão e as Mulheres (1986)

As Boas Coisas da Vida (1988)

Frases de Rubem Braga

"Há um grande vento frio cavalgando as ondas, mas o céu está limpo e o sol muito claro. Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão."

"Sou um homem quieto, o que eu gosto é ficar num banco sentado, entre moitas, calado, anoitecendo devagar, meio triste, lembrando umas coisas, umas coisas que nem valiam a pena lembrar."

"Desejo a todos, no Ano Novo, muitas virtudes e boas ações e alguns pecados agradáveis, excitantes, discretos e principalmente, bem sucedidos."

"Acordo cedo e vejo o mar se espreguiçando; o sol acabou de nascer. Vou para a praia; é bom chegar a esta hora em que a areia que o mar lavou ainda está limpinha, sem marca de nenhum pé. A manhã está nítida no ar leve; dou um mergulho e essa água salgada me faz bem, limpa de todas as coisas da noite."


Fonte: Rubem Braga / Cronista e jornalista brasileiro - Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google

Notícia de jornal - Fernando Sabino

 

Notícia de jornal - Fernando Sabino

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem deu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

Mais uma crônica que traz um contexto jornalístico é Notícia de Jornal, do escritor mineiro Fernando Sabino. O texto integra o livro A mulher do vizinho, de 1997.

Sabino expõe suas ideias e indignação sobre o problema da fome no Brasil. Ele relata de forma pertinente a insensibilidade de boa parte da sociedade frente à miséria e o desamparo das pessoas em situação de rua.

Assim, apresenta o absurdo que é a naturalização da morte em plena cidade movimentada, à luz do dia e diante do público, que não se comove.


Autoria: Fernando Sabino

Foto: Google

Soneto XIII - Olavo Bilac (1865-1918)

 

Olavo Bilac (1865-1918)

Eleito como o príncipe dos poetas brasileiros pela revista Fon-Fon em 1913, Olavo Bilac foi um poeta e jornalista brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, é um dos principais nomes do parnasianismo no Brasil e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Conhecido por seus sonetos impecavelmente construídos, sua poesia é marcada pela busca da perfeição formal, com ênfase na métrica, na rima e no uso preciso da linguagem. Seus temas muitas vezes giram em torno do amor, da pátria e da beleza, com um lirismo refinado e um tom elevado.

Entre suas obras, também estão algumas prosas e diversos poemas voltados ao público infantil. Conhecido republicano, foi o liricista de Hino à Bandeira do Brasil, sendo que muitas de suas poesias exaltam a Língua Portuguesa, encorajam a participação cívica e buscam por uma noção de nação brasileira.

 

Soneto XIII


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

 

 E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 


Fonte: VISEU

Foto: Google

4.29.2026

Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus

 


Foto: Google 

Publicação: Agilson Cerqueira 

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Autorressuscitação durante um ataque cardíaco.

Autorressuscitação durante um ataque cardíaco.   Por favor, invista dois minutos do seu tempo e leia isto:    1.  Suponha que às 19h25 voc...

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