PENSAMENTO E/OU A FALTA DELE
Agilson Cerqueira
O romantismo não resiste ao uso.
Ele falha cedo, embora a correção venha tarde demais para servir de algo além de desgaste.
A decepção não ensina — apenas retira o excesso, como quem lixa uma superfície até restar o opaco.
O tempo, que costumávamos chamar de medida, revela-se consumo: não passa, corrói.
E nesse desgaste contínuo, as pessoas atravessam sem fixar nada,
E não há diferença.
A ideia de significado persiste como um espasmo — breve, involuntário, quase patológico.
Buscamos respostas não por convicção, mas por incapacidade de sustentar o vazio. Responder é uma forma de não cair.
Por isso a embriaguez de si mesmo se repete: não como prazer, mas como tentativa de dissolução do que insiste em permanecer. Ser alguém exige uma consistência frágil; então se insiste no apagamento, na diluição do nome até que reste apenas um hábito.
Pensar, exige solidão.
Mas não há pausa.
O mundo se organiza contra o intervalo, contra qualquer suspensão que permita o pensamento emergir.
E assim, não pensamos — reagimos. Produzimos ruído, não ideia.
E ainda assim nos colocam diante de escolhas inúteis: ignorar ou enxergar.
Ambas conduzem ao mesmo ponto, apenas por caminhos distintos de desgaste.
Quando o eu se volta sobre si, não encontra profundidade, mas falha.
Não há núcleo, não há centro — apenas uma repetição mal organizada que insiste em se reconhecer.
O eu não se sustenta como unidade; ele racha, ecoa, retorna como fragmento.
Você não é inteiro: é resto. E o que chamamos de “nós” não corrige isso, apenas disfarça.
Há uma soma instável de solidões que se alinham por conveniência, não por convergência,
E nesse alinhamento, o pensar, quando acontece, não constrói — expõe. E o que expõe é insuficiente.
Pensar incomoda porque rompe a superfície; e romper implica isolamento.
Por isso o pensamento cessa — ou tenta cessar.
Mas falha também nisso.
Retorna.
Sempre contra.
Há uma aflição sem objeto, uma ansiedade sem causa clara, como se a própria consciência fosse um excedente mal encaixado na estrutura.
O cérebro permanece, intacto enquanto matéria, mas o pensamento parece desalojado — como se nunca tivesse pertencido ali.
Entre os extremos, escolhemos a simulação:
O absurdo não se apresenta como ruptura, mas como base. Não é algo a ser alcançado ou evitado — é o que sustenta, silenciosamente, tudo o que ainda tenta se justificar.
A lógica entra tarde. Não salva, não resolve, não redime.
Apenas organiza a queda, distribui melhor o impacto, reduz o erro sem alterar o destino.
No fim, o que resta não é conclusão, mas diminuição.
Menos centro, menos eixo, menos linguagem capaz de sustentar qualquer afirmação.
O pensamento se reduz a ruído, depois a eco, depois a quase nada.
O eu se torna interrogação, o nós se dissolve antes de se formar.
E o silêncio, que antes parecia ausência, começa a se impor como limite — não pleno, não definitivo, mas suficiente para interromper o excesso.
Quase.
Ele falha cedo, embora a correção venha tarde demais para servir de algo além de desgaste.
A decepção não ensina — apenas retira o excesso, como quem lixa uma superfície até restar o opaco.
O tempo, que costumávamos chamar de medida, revela-se consumo: não passa, corrói.
E nesse desgaste contínuo, as pessoas atravessam sem fixar nada,
E não há diferença.
A ideia de significado persiste como um espasmo — breve, involuntário, quase patológico.
Buscamos respostas não por convicção, mas por incapacidade de sustentar o vazio. Responder é uma forma de não cair.
Por isso a embriaguez de si mesmo se repete: não como prazer, mas como tentativa de dissolução do que insiste em permanecer. Ser alguém exige uma consistência frágil; então se insiste no apagamento, na diluição do nome até que reste apenas um hábito.
Pensar, exige solidão.
Mas não há pausa.
O mundo se organiza contra o intervalo, contra qualquer suspensão que permita o pensamento emergir.
E assim, não pensamos — reagimos. Produzimos ruído, não ideia.
E ainda assim nos colocam diante de escolhas inúteis: ignorar ou enxergar.
Ambas conduzem ao mesmo ponto, apenas por caminhos distintos de desgaste.
Quando o eu se volta sobre si, não encontra profundidade, mas falha.
Não há núcleo, não há centro — apenas uma repetição mal organizada que insiste em se reconhecer.
O eu não se sustenta como unidade; ele racha, ecoa, retorna como fragmento.
Você não é inteiro: é resto. E o que chamamos de “nós” não corrige isso, apenas disfarça.
Há uma soma instável de solidões que se alinham por conveniência, não por convergência,
E nesse alinhamento, o pensar, quando acontece, não constrói — expõe. E o que expõe é insuficiente.
Pensar incomoda porque rompe a superfície; e romper implica isolamento.
Por isso o pensamento cessa — ou tenta cessar.
Mas falha também nisso.
Retorna.
Sempre contra.
Há uma aflição sem objeto, uma ansiedade sem causa clara, como se a própria consciência fosse um excedente mal encaixado na estrutura.
O cérebro permanece, intacto enquanto matéria, mas o pensamento parece desalojado — como se nunca tivesse pertencido ali.
Entre os extremos, escolhemos a simulação:
O absurdo não se apresenta como ruptura, mas como base. Não é algo a ser alcançado ou evitado — é o que sustenta, silenciosamente, tudo o que ainda tenta se justificar.
A lógica entra tarde. Não salva, não resolve, não redime.
Apenas organiza a queda, distribui melhor o impacto, reduz o erro sem alterar o destino.
No fim, o que resta não é conclusão, mas diminuição.
Menos centro, menos eixo, menos linguagem capaz de sustentar qualquer afirmação.
O pensamento se reduz a ruído, depois a eco, depois a quase nada.
O eu se torna interrogação, o nós se dissolve antes de se formar.
E o silêncio, que antes parecia ausência, começa a se impor como limite — não pleno, não definitivo, mas suficiente para interromper o excesso.
Quase.
Autoria: Agilson Cerqueira
Foto: Produção
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico.
Licença: Creative Commons

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