4.12.2026

O Engenheiro



O Engenheiro 

João Cabral de Melo Neto

A luz, o sol, o ar livre

envolvem o sonho do engenheiro.

O engenheiro sonha coisas claras:

superfícies, tênis, um copo de água.


O lápis, o esquadro, o papel;

o desenho, o projeto, o número:

o engenheiro pensa o mundo justo,

mundo que nenhum véu encobre.


(Em certas tardes nós subíamos

ao edifício. A cidade diária,

como um jornal que todos liam,

ganhava um pulmão de cimento e vidro).


A água, o vento, a claridade,

de um lado o rio, no alto as nuvens,

situavam na natureza o edifício

crescendo de suas forças simples


Fonte: Tudo é Poema

Foto: Tudo é Poema (Google)

4.11.2026

MAGNETISMO - Sérgio Brandão









 MAGNETISMO - Sérgio Brandão 


Veja o homem no rescém nascido,

a árvore grande no caroço da jaca,

o caminho quando se vê perdido,

e a cicatriz no corte fundo da faca. 


Todo o coração bondoso é ungido

pelo óleo sagrado do grande olho.

Quem ouve da terra este gemido

é membro da legião que escolho. 


Um magneto atrai tudo que é ferro;

atrair não é exclusivo dos minérios

(bezerros atraem vacas com berro). 


Há respostas para  estes mistérios,

o perdão existe para tudo que erro.

Pensar é ímã gigante no etéreo. 


Sérgio Brandão, 12.04.2013.


Fonte: Sérgio Brandão

Foto; Produção


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Poemas religiosos - Gregório de Matos

 







1) Ao braço de Menino Jesus

O todo sem a parte não é todo,/A

parte sem o todo não é parte,/Mas a

parte o faz todo, sendo parte,/Não se

diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus

todo, /E todo assiste inteiro em

qualquer parte,/Em qualquer parte

sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,/ Pois

que feito Jesus em partes todo,/ Assiste

cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,/Um

braço, que lhe acharam, sendo

parte,/ Nos diz as partes todas deste

todo.


2) Ao dia do Juízo

O alegre do dia entristecido,/ O

silêncio da noite perturbado/ O

resplendor do sol todo eclipsado, / E o

luzente da lua desmentido!

Rompa todo o criado em um

gemido,/ Que é de ti mundo?/ Onde

tens parado?/ Se tudo neste instante

está acabado,/ Tanto importa o não

ser, como haver sido.

Soa a trombeta da maior altura,/ A

que a vivos e mortos traz o aviso/ Da

desventura de uns, d’outros ventura.

Acabe o mundo, porque é já preciso,/

Erga-se o morto, deixe a sepultura,/

Porque é chegado o dia do juízo.

 

3) O poeta na última hora da sua

vida

Meu Deus, que estais pendente em

um madeiro,/ Em cuja lei protesto de

viver,/ Em cuja santa lei hei de morrer/

Animoso, constante, firme e inteiro.

Neste lance, por ser o derradeiro,/Pois

vejo a minha vida anoitecer,/ É, meu

Jesus, a hora de se ver/ A brandura de

um Pai manso Cordeiro.

Mui grande é vosso amor, e meu

delito,/ Porém, pode ter fim todo o

pecar,/ E não o vosso amor que é

infinito.

Esta razão me obriga a confiar,/ Que

por mais que pequei, neste conflito/

Espero em vosso amor de me salvar.


4) Inquietação salvacionista

Como não hei de ter medo/ de um

pão que é tão formidável/ vendo que

estais todo em tudo,/e estais todo em

qualquer parte?/ Quanto a que o

sangue vos beba,/ isso não, e perdoai-me:/ como quem tanto vos ama, / há

de beber-vos o sangue?/ Beber o

sangue do amigo/ é sinal de

inimizade;/ pois como quereis que o

beba/ para confirmarmos pazes?/

Senhor, eu não vos entendo,/ vossos

preceitos são graves,/ vossos juízos são

fundos/ vossa ideia inescrutável./ Eu

confuso neste caso/ entre tais

perplexidades/ de salvar-me, ou de

perder-me/ só sei que importa salvar- me.


Fonte: Poetas baianos

Foto: Google

 

 

 

Jesus Cristo - R. Santana

 

Jesus Cristo

R. Santana


Hoje, eu acordei contrariado comigo e com o mundo. Fui à geladeira, peguei um litro de caipirinha (whisky é bebida de americano), reforcei com mais 1 limão, na metade de um copo comum, misturei um pouco de açúcar, sentei-me na espreguiçadeira e, comecei pensar nas coisas do mundo e nas coisas de Deus. O mundo está virado pelo avesso: fome, guerra, violência, o homem cada vez mais desumano e besta-fera. Ninguém sabe explicar de maneira absoluta o fim do homem. Nesse mundo, não faltam pensamentos filosóficos e religiões, mas não explicam: “Quem eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou?”. Então, eu resolvi, mentalmente, passar uma esponja em tudo que aprendi de filósofos e sábios e crê nos ensinamentos doa Evangelhos escritos para Jesus Cristo. No Novo Testamento, João o evangelista, diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”. Jesus Cristo responde: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim“ (João 14: 6).

Antes, fiz uma busca na História das Religiões para conhecer os maiores chefes religiosos de todos os tempos, observei que todos foram homens iluminados (epifania) por Deus, todavia, nenhum se apresentou como filho do Pai nem pregavam com a mesma autoridade de Jesus Cristo.

Sidarta Guatama, Buda, pode-se dizer que sua doutrina é uma filosofia de vida. O objetivo do budismo é buscar a paz interior, perseguir a sabedoria para eliminar a ignorância, cessar o sofrimento e alcançar a iluminação absoluta: o Nirvana. Quando isso ocorre, cessa o ciclo de renascimentos.

O profeta Maomé foi um homem comum até seus 40 anos de idade. Antes desse tempo não iluminado, teve mulher, filhos, foi mercador e político. Quando atingiu a maturidade adulta, tornou-se líder religioso. Nasceu em Meca, mas, firmou-se como líder religioso em Medina. O Islamismo é uma religião monoteísta e seus ensinamentos estão no Alcorão. Mas o princípio básico da doutrina é a submissão à vontade de Deus (Alá).

Moisés foi um profeta, fundou o Judaísmo, a religião monoteísta mais velha do mundo, seus ensinamentos estão nos 5 livros (Torá). O Judaísmo não vê Jesus Cristo como Salvador.  Deus confiou-lhe libertar os israelitas da escravidão no Egito e levar esse povo à Terra Prometida. Diz a História que para isso, ele levou 40 anos.  Foi o primeiro legislador da História, recebeu de Deus os 10 Mandamentos (a Lei Torá). Moisés viveu 120 anos com saúde e fôlego de um moço. Diz a História que foi proibido por Deus entrar na Terra Prometida. E, morreu no Monte Nebo, após avistar a terra que seu povo herdaria.

Conclui-se que esses profetas nunca foram filhos espirituais de Deus. Eles foram homens iluminados, contudo, não possuíam essa natureza divina. Jesus curava, ensinava, ressuscitou Lázaro, além de tudo, ele tinha autoridade naquilo que falava. Pedro confirmou (Mateus 16:15-16), que Jesus é o filho de Deus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”.

Suas parábolas são situações do dia a dia que Jesus utiliza para ensinamentos espirituais, éticos, morais e aprofundar o conhecimento sobre o Reino de Deus. Dentre as parábolas mais significativas de Jesus Cristo: “O filho pródigo” e “A ovelha perdida” são as que mais tocam no sentimento do cristão.

Também, a mulher flagrada em adultério, é uma lição de vida que explica o valor do perdão, a compaixão, o amor e a responsabilidade de julgar. Segundo a Lei do Torá, a mulher pega em adultério teria que ser apedrejada. Diz a lenda que Jesus começou escrever no chão os pecados dos fariseus, um a um, depois indagou: “Aquele dentre vós que nunca pecou, atire a primeira pedra”. Os fariseus leram o que Jesus Cristo tinha escrito no chão (os seus pecados), e, começaram sair, um a um – Ele virando-se para mulher: “Vá e não peque mais”.

Enfim, encerro com o arremate final, “pescando” o apóstolo Pedro, quando questionou Jesus Cristo: “Senhor, para quem iremos? Tu tens a palavra da vida eterna” (João 6:68).

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro Efetivo da Academia de Letras de Itabuna - ALITA


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4.10.2026

Afresco - Fátima Soriano (*)

 








Afresco

Fátima Soriano


Não serei mais aviltada

Nem minha voz

Amordaçada

Por querer pintar

A minha vida

Com minhas cores

Preferidas.

 

Nenhum esboço secará.

Afresco algum

Jamais se perderá.

O não visto

Não acontecerá, e o sopro da vida

Certamente

Voltará triunfante.

 

FÁTIMA SORIANO (*)

Natural de Recife, Pernambuco, mas radicada em Itabuna, Bahia, Fátima Soriano é o nome artístico de Maria de Fátima Soriano de Souza Brandão. Casada, mãe de dois filhos e uma filha, e avó de dois netos e uma neta, Fátima publicou dois livros pela Editora Mondrongo: Mosaicos e, em 2016, Bordados e Alguns Mosaicos. Participou do Antologia Poiésis v. 4 com “365 Dias de Poesia”. Este ano, Fátima participa pela primeira vez de Mulher Poesia – Antologia Poética, trazendo seu amor pela arte literária, filosofia e história da arte para enriquecer a coletânea.



Fonte: Agilson Cerqueira

Foto: produção

 

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O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter

 

O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter

Agilson Cerqueira*

As decepções, em sua marcha lenta, vão desbotando o nosso romantismo até que reste apenas o esqueleto da realidade.

Vivemos engolidos por uma luta diária que não nos concede o privilégio das horas; passamos uns pelos outros como vultos despercebidos e estranhos em uma multidão.

No fim, você acaba se tornando o produto exato da insignificância daquilo que escolhe significar, enquanto busca, tateando no escuro, respostas que o mundo esqueceu de formular.

Talvez a lucidez seja um fardo pesado demais, e por isso todos deveríamos nos permitir o desvario — embriagar a alma duas, três ou inúmeras vezes, até sermos apenas o "bêbado conhecido" que habita as esquinas do próprio ser.

Afinal, o pensamento é uma criatura que nasce do ócio, e sem o tempo vazio para o florescer das ideias, somos meros subprodutos de uma ignorância consequente.

Às vezes, o peso é tanto que me debruço sobre os absurdos do meu próprio "eu", isolando-me em um exílio onde as perguntas não encontram eco.

Ali, o espelho não mente: você é, apenas e irremediavelmente, você.

Contudo, mesmo nesse mergulho intrínseco, a pluralidade nos persegue; o "nós" nasce desse singular ferido, e a vida insiste em nos lembrar que não se caminha só.

O perigo se apresenta quando o pensamento se torna um espelho narcísico; quando o desejo de "ter" para "poder" sufoca a coragem de simplesmente "ser", revelando a mediocridade de quem vive para a vitrine.

Entenda: se você ousa pensar, você inevitavelmente incomoda a ordem das coisas.

Vivemos tempos aflitos, onde o pensamento parece ter perdido o caminho para o cérebro, deixando-nos à deriva entre o poder e o existir.

Diante das incertezas, escolha a lógica do absurdo que preserva a sua essência, mas nunca deixa de habitar-se.

*Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons

Inefável - Alineci Cardoso


 

Inefável

Alineci Cardoso

 

Assim é o amor

Que cresce fortuitamente

Entre nós

 

Por alguns instantes

Procurei

No silêncio da noite fria

O agasalho que a tempo nos embrulhou dentro de um longo abraço

As vezes penso no deserto que é perder-te nas manhãs de outono

 

Depois te caço com

A flecha certeira

E depois te invento

Amor imperfeito

Mais imortal


Fonte: Agilson Cerqueira

Foto: Produção


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O menino e o poeta Valter - Luis de Oliveira Moraes


O menino e o poeta

Valter Luis de Oliveira Moraes

 

O menino passeava ao longe do jardim e ouviu o que ele achou serem gritos. Procurou com seus olhinhos aguçados qual a origem dos suplícios e se deparou com um homem vestido de roupão colorido, que contrastava com o dia cheio de luz, totalmente espalhafatoso.

Usava um chapéu azul com uma pena vermelha ao lado e um nariz de tomate, complementando a paisagem do sol vermelho no céu.

Ele estava em pé sobre um banco que, ao lado, tinha uma árvore bastante robusta, dando-lhe a aparência elegante de uma deusa, com o caule avantajado e a copa arredondada.

A copa da árvore era a coroa verde da princesa, com seu tronco elegante, brincos amarelos e colares coloridos. Ao redor, vários tipos de orquídeas, roseiras sobrecarregadas de rosas exalando seus perfumes e plantas cor de violetas, vermelhas, roxas, ornamentando toda sua vestimenta, enfeitando o espaço, dando ênfase ao homem que sobre o banco gritava, gesticulava, agachava-se, sentava na posição de lótus e levantava-se como um garoto, com equilíbrio e elegância.

O menino, ao longe, pensando ser um maluco qualquer, chamava a atenção dos transeuntes que paravam, olhavam e aplaudiam, mas, na verdade, era um poeta declamando.

Era como se o menino e o poeta estivessem em um teatro.

Tudo aquilo era novidade para aquele menino. Na sua casa não tinha nem revista, nem televisão, que era a epidemia da época.

O menino não estava entendendo nada daquele acontecimento. Para ele, era como se fosse o doido Zéu aprontando mais uma das suas maluquices.

Já que todos estavam se aglomerando ao redor desse ser extravagante e excêntrico, a minha curiosidade foi mais forte e me aproximei meio acanhado, prestei atenção ao que ele dizia e fiquei concentrado, ouvindo como ele se expressava. Era como se cantasse de uma maneira diferente, comovendo seus assistentes. Alguns emocionados choravam timidamente, mas com certeza, se estivessem a sós, chorariam com mais ênfase, efusivamente, tamanha a comoção.

De repente, alguém gritou no meio do público:

Esse é um poeta de verdade!

     Declama como se estivesse

     encarnado na poesia,

     Dando-lhe vida!

     Dando-lhe alma!

     Nesse teatro ao ar livre!

     Palmas! Palmas! Palmas!

    Então é isso.

    É um poeta recitando versos!

    Estava encantado!

    Feliz por assistir àquela cena deslumbrante.

    Foi como o dia em que vi o mar pela primeira vez.

Assim, voltei para casa refletindo sobre aquela beleza de teatro, da descoberta de uma coisa que não ouvira falar e também não havia assistido.

Logo comentei com minha mãe e minha tia sobre a beleza dos versos, falando de amor, da vida, dos céus, dos deuses, sobre a arte da poesia e o ser poeta sobre o banco do jardim, deixando uma sensação de alegria e deslumbre.

À noite, voando no cavalo alado, recitei poemas de amor para a amada que partiu comigo para as aventuras da arte.


Fonte: Agilson Cerqueira

Foto: Produção

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4.09.2026

Rilvan em Acróstico – O grande amigo, professor e poeta / João de Paula

Rilvan Batista de Santana
(Arte: Agilson Cerqueira) 

Rilvan em Acróstico – O grande amigo, professor e poeta.

 

Rico, amigo, poeta, escritor e professor

Idealista, criador, produtor e editor

Luz para o Saber-Literário

Verdade, bem e belo

Amor altruísta, vivencia no dia a dia com arte de escrever

Na vida como grande instrutor, aprendiz e professor

 

Beleza única no saber e proceder

Amigo número um do Planeta Letras

Testemunha firme da sinceridade, partilha e confraternidade

Iluminado de Deus, mestre ensinando mestre

Sabedoria que vem de Deus

Templo de uma realidade feliz

Amante do saber em arte e em poesia

 

Descobre a chave do problema, é um alerta para prática de um amor altruísta

Em todos os tempos o ser humano aspirou o amor e à felicidade

 

Somos todos importantes para Deus

Admirando e contemplando as letras

Natureza humana de uma família saudável

Transformado em paraíso o que pode melhor

Alegria plena e bem-estar com a beleza dos sentimentos

Na esperança de Dias melhores vivenciar

Amor, paz, saúde e prosperidade irradiar

 

Honra ao Mérito

Os produtores do jornal “O Produtor” e do “Site A Voz do Povo de Itabuna” têm o orgulho de conceder o "CERTIFICADO DE HONRA AO MÉRITO", Amigo da Arte e da Poesia, ao professor e escritor Rilvan Batista de Santana, do Saber-Literário, pelos relevantes serviços prestados à Região e dedicação ao Mundo das Letras.

Itabuna, 25 de julho de 2013.

Diretoria:

João Batista de Paula (presidente)

Expedita Maciel Viana (vice-presidente)

Israel Cardoso (Assessor)

Anísio Alves de Almeida (Assessor)


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

O amor, quando se revela - Fernando Pessoa

 







O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

 

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.

Fala: parece que mente...

Cala: parece esquecer...

 

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P'ra saber que a estão a amar!

 

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

 

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa - Poesias Inéditas (1919-1930)


Fonte: Pensador

Foto: Google

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