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4.10.2026

O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter

 

O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter

Agilson Cerqueira*

As decepções, em sua marcha lenta, vão desbotando o nosso romantismo até que reste apenas o esqueleto da realidade.

Vivemos engolidos por uma luta diária que não nos concede o privilégio das horas; passamos uns pelos outros como vultos despercebidos e estranhos em uma multidão.

No fim, você acaba se tornando o produto exato da insignificância daquilo que escolhe significar, enquanto busca, tateando no escuro, respostas que o mundo esqueceu de formular.

Talvez a lucidez seja um fardo pesado demais, e por isso todos deveríamos nos permitir o desvario — embriagar a alma duas, três ou inúmeras vezes, até sermos apenas o "bêbado conhecido" que habita as esquinas do próprio ser.

Afinal, o pensamento é uma criatura que nasce do ócio, e sem o tempo vazio para o florescer das ideias, somos meros subprodutos de uma ignorância consequente.

Às vezes, o peso é tanto que me debruço sobre os absurdos do meu próprio "eu", isolando-me em um exílio onde as perguntas não encontram eco.

Ali, o espelho não mente: você é, apenas e irremediavelmente, você.

Contudo, mesmo nesse mergulho intrínseco, a pluralidade nos persegue; o "nós" nasce desse singular ferido, e a vida insiste em nos lembrar que não se caminha só.

O perigo se apresenta quando o pensamento se torna um espelho narcísico; quando o desejo de "ter" para "poder" sufoca a coragem de simplesmente "ser", revelando a mediocridade de quem vive para a vitrine.

Entenda: se você ousa pensar, você inevitavelmente incomoda a ordem das coisas.

Vivemos tempos aflitos, onde o pensamento parece ter perdido o caminho para o cérebro, deixando-nos à deriva entre o poder e o existir.

Diante das incertezas, escolha a lógica do absurdo que preserva a sua essência, mas nunca deixa de habitar-se.

*Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 

Licença: Creative Commons

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