1)
Ao braço de Menino Jesus
O
todo sem a parte não é todo,/A
parte
sem o todo não é parte,/Mas a
parte
o faz todo, sendo parte,/Não se
diga,
que é parte, sendo todo.
Em
todo o Sacramento está Deus
todo,
/E todo assiste inteiro em
qualquer
parte,/Em qualquer parte
sempre
fica o todo.
O
braço de Jesus não seja parte,/ Pois
que
feito Jesus em partes todo,/ Assiste
cada
parte em sua parte.
Não
se sabendo parte deste todo,/Um
braço,
que lhe acharam, sendo
parte,/
Nos diz as partes todas deste
todo.
2)
Ao dia do Juízo
O
alegre do dia entristecido,/ O
silêncio
da noite perturbado/ O
resplendor
do sol todo eclipsado, / E o
luzente
da lua desmentido!
Rompa
todo o criado em um
gemido,/
Que é de ti mundo?/ Onde
tens
parado?/ Se tudo neste instante
está
acabado,/ Tanto importa o não
ser,
como haver sido.
Soa
a trombeta da maior altura,/ A
que
a vivos e mortos traz o aviso/ Da
desventura
de uns, d’outros ventura.
Acabe
o mundo, porque é já preciso,/
Erga-se
o morto, deixe a sepultura,/
Porque
é chegado o dia do juízo.
3)
O poeta na última hora da sua
vida
Meu
Deus, que estais pendente em
um
madeiro,/ Em cuja lei protesto de
viver,/
Em cuja santa lei hei de morrer/
Animoso,
constante, firme e inteiro.
Neste
lance, por ser o derradeiro,/Pois
vejo
a minha vida anoitecer,/ É, meu
Jesus,
a hora de se ver/ A brandura de
um
Pai manso Cordeiro.
Mui
grande é vosso amor, e meu
delito,/
Porém, pode ter fim todo o
pecar,/
E não o vosso amor que é
infinito.
Esta
razão me obriga a confiar,/ Que
por
mais que pequei, neste conflito/
Espero
em vosso amor de me salvar.
4)
Inquietação salvacionista
Como
não hei de ter medo/ de um
pão
que é tão formidável/ vendo que
estais
todo em tudo,/e estais todo em
qualquer
parte?/ Quanto a que o
sangue
vos beba,/ isso não, e perdoai-me:/ como quem tanto vos ama, / há
de
beber-vos o sangue?/ Beber o
sangue
do amigo/ é sinal de
inimizade;/
pois como quereis que o
beba/
para confirmarmos pazes?/
Senhor,
eu não vos entendo,/ vossos
preceitos
são graves,/ vossos juízos são
fundos/
vossa ideia inescrutável./ Eu
confuso
neste caso/ entre tais
perplexidades/
de salvar-me, ou de
perder-me/
só sei que importa salvar- me.
Fonte: Poetas baianos
Foto: Google

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos