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4.10.2026

O menino e o poeta Valter - Luis de Oliveira Moraes


O menino e o poeta

Valter Luis de Oliveira Moraes

 

O menino passeava ao longe do jardim e ouviu o que ele achou serem gritos. Procurou com seus olhinhos aguçados qual a origem dos suplícios e se deparou com um homem vestido de roupão colorido, que contrastava com o dia cheio de luz, totalmente espalhafatoso.

Usava um chapéu azul com uma pena vermelha ao lado e um nariz de tomate, complementando a paisagem do sol vermelho no céu.

Ele estava em pé sobre um banco que, ao lado, tinha uma árvore bastante robusta, dando-lhe a aparência elegante de uma deusa, com o caule avantajado e a copa arredondada.

A copa da árvore era a coroa verde da princesa, com seu tronco elegante, brincos amarelos e colares coloridos. Ao redor, vários tipos de orquídeas, roseiras sobrecarregadas de rosas exalando seus perfumes e plantas cor de violetas, vermelhas, roxas, ornamentando toda sua vestimenta, enfeitando o espaço, dando ênfase ao homem que sobre o banco gritava, gesticulava, agachava-se, sentava na posição de lótus e levantava-se como um garoto, com equilíbrio e elegância.

O menino, ao longe, pensando ser um maluco qualquer, chamava a atenção dos transeuntes que paravam, olhavam e aplaudiam, mas, na verdade, era um poeta declamando.

Era como se o menino e o poeta estivessem em um teatro.

Tudo aquilo era novidade para aquele menino. Na sua casa não tinha nem revista, nem televisão, que era a epidemia da época.

O menino não estava entendendo nada daquele acontecimento. Para ele, era como se fosse o doido Zéu aprontando mais uma das suas maluquices.

Já que todos estavam se aglomerando ao redor desse ser extravagante e excêntrico, a minha curiosidade foi mais forte e me aproximei meio acanhado, prestei atenção ao que ele dizia e fiquei concentrado, ouvindo como ele se expressava. Era como se cantasse de uma maneira diferente, comovendo seus assistentes. Alguns emocionados choravam timidamente, mas com certeza, se estivessem a sós, chorariam com mais ênfase, efusivamente, tamanha a comoção.

De repente, alguém gritou no meio do público:

Esse é um poeta de verdade!

     Declama como se estivesse

     encarnado na poesia,

     Dando-lhe vida!

     Dando-lhe alma!

     Nesse teatro ao ar livre!

     Palmas! Palmas! Palmas!

    Então é isso.

    É um poeta recitando versos!

    Estava encantado!

    Feliz por assistir àquela cena deslumbrante.

    Foi como o dia em que vi o mar pela primeira vez.

Assim, voltei para casa refletindo sobre aquela beleza de teatro, da descoberta de uma coisa que não ouvira falar e também não havia assistido.

Logo comentei com minha mãe e minha tia sobre a beleza dos versos, falando de amor, da vida, dos céus, dos deuses, sobre a arte da poesia e o ser poeta sobre o banco do jardim, deixando uma sensação de alegria e deslumbre.

À noite, voando no cavalo alado, recitei poemas de amor para a amada que partiu comigo para as aventuras da arte.


Fonte: Agilson Cerqueira

Foto: Produção

Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

Editor: WhatsApp: (73) 988939460

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