2.19.2026

"Estar" Aqui Para Servir - Jim Langley

 

"Estar" Aqui Para Servir

Por Jim Langley

Durante perto de 20 anos tenho assinado e-mails e cartas com a frase “Aqui para servir”. Isso começou quando eu tinha a expectativa de presidir os setenta e tantos membros do Kiwanis Club. Eu queria transmitir aos associados aquilo que eu acreditava ser o nosso papel como uma organização de prestação de serviços.

Eu sentia que o lema “Aqui para servir” explicava porque nos reuníamos como um corpo de trabalhadores comunitários, dedicados ao bem-estar dos jovens em nossa comunidade. Eu descobri que esse slogan também se encaixava ao meu modelo de negócios, já que eu o considerava construído mais com base em serviços do que em vendas. Uma vez feita a venda, é preciso que haja um compromisso de longo prazo para servir às necessidades do cliente. Até mesmo meu web site de negócios abre com a frase “Aqui para servir”.

Foi então que eu tive uma revelação divina. A maior parte da minha correspondência por e-mail não tinha nada a ver com negócios ou Kiwanis e, contudo, eu descobri que estava usando a mesma assinatura também para e-mails pessoais. Isso me dispôs a considerar o que eu estava comunicando por meio dessa forma única de encerrar todas as minhas comunicações escritas.

Tomei consciência de que estava transmitindo meu desejo de servir a Deus em todas as minhas tratativas empresariais e pessoais. Essa frase se tornou um lembrete constante para mim sobre o que é realmente importante naquilo que eu faço e naquilo que eu sou. A ideia de “liderança de servo” tem estado conosco no mercado de trabalho desde 1977, quando Robert K. Greenleaf, um executivo aposentado da AT&T, apresentou esse conceito em seu livro “Servant Leadership” (Liderança Servidora).

Entretanto, servir como líder vai muito além disso de volta no tempo. Os relatos bíblicos nos mostram o maravilhoso exemplo que Jesus Cristo deu a Seus discípulos e a todos os que O têm seguido desde então.

João 13 nos conta sobre Jesus despindo Seu manto e enrolando uma toalha em torno de Sua cintura na Festa da Páscoa. Ele lavou os pés dos Seus discípulos explicando: “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem.”  (João 13:15-17).

Em outro momento, Jesus disse a Seus seguidores: “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.” (Marcos 10:45). Mesmo como Deus encarnado Ele estava disposto a servir humildemente aos outros.

As duas últimas décadas em que tenho buscado servir a Deus e aos outros me ensinou uma verdade notável. O Senhor Se agrada de nossa atitude de servo e vai nos abençoar mais do que poderíamos imaginar. Certamente, mais do que merecemos. Entretanto, alerto contra o fazer disso uma estratégia para obter sucesso ou ser reconhecido por aquilo que fazemos. A maior parte do que fazemos pelos outros pode nem ser notada. O que importa é confiar que nossas ações agradem a Deus e propiciar ajuda oportuna para outros em tempos de necessidade.

O nosso foco nos negócios geralmente se concentra em nossa habilidade, mas quando nos comprometemos em servir aos outros, o foco de Deus está em nossa disponibilidade. Você está disposto a fazer-se disponível para o que quer que seja ou quem quer que seja que Deus coloque em seu caminho?

Esteja preparado. Algumas das circunstâncias que você enfrenta podem não ser aquelas que você tem em mente. Precisamos estar alertas para qualquer oportunidade de servir, sabendo que se deixarmos de fazê-lo, também deixaremos de usufruir de maravilhosas bênçãos. Servindo aos outros, também estamos servindo ao nosso Senhor. Deveríamos apreciar o fato de providencialmente estarmos Aqui para servir!


Questões Para Reflexão ou Discussão 

1.  Pense em alguém que tenha servido você de maneira especial. Como foi essa experiência para você e como você reagiu a ela?

2.  É fácil para você adotar a atitude de servo para com os outros? Quais fatores ou obstáculos tornam isso difícil?

3.  O que os exemplos mostrados por Jesus Cristo dizem a você sobre a atitude de Deus em relação a servir aos outros?

4.  Você acha que a atitude de servo – ou a liderança de servo – é comum ou rara no mercado de trabalho atual? Explique sua resposta. 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 22:20-21;  Mateus 20:25-28;  Gálatas 5:13-15; Efésios 6:7-8;  I Pedro 4:7-10.

Vozes-mulheres - Conceição Evaristo

Conceição Evaristo (1946) é uma escritora brasileira contemporânea nascida em Minas Gerais. Além dos romances e livros de contos bastante célebres, a autora também é conhecida pela sua poesia ancorada na memória individual e coletiva.

 

Vozes-mulheres

A voz de minha bisavó

ecoou criança

nos porões do navio.

ecoou lamentos

de uma infância perdida.

 

A voz de minha avó

ecoou obediência

aos brancos-donos de tudo.

 

A voz de minha mãe

ecoou baixinho revolta

no fundo das cozinhas alheias

debaixo das trouxas

roupagens sujas dos brancos

pelo caminho empoeirado

rumo à favela.

 

A minha voz ainda

ecoa versos perplexos

com rimas de sangue

e

fome.

 

A voz de minha filha

recolhe todas as nossas vozes

recolhe em si

as vozes mudas caladas

engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha

recolhe em si

a fala e o ato.

O ontem – o hoje – o agora.

Na voz de minha filha

se fará ouvir a ressonância

o eco da vida-liberdade.


 Fonte: Cultura Genial

Foto: Google


2.18.2026

Retrato de Cecília Meireles

 

Retrato de Cecília Meireles

A poesia de Cecília Meireles é intimista, autobiográfica e autorreflexiva, criando uma relação de proximidade com quem a lê.

Ela trabalha também a transitoriedade do tempo e reflexões acerca do sentido da vida.

Em Retrato encontramos um sujeito autocentrado, congelado no tempo e no espaço. É a partir da imagem que a reflexão é elaborada e são revelados sentimentos de melancolia, saudade e arrependimento.

Encontramos nos versos pares opositores: o passado e o presente, o sentimento de outrora e a sensação de desamparo atual, o aspecto que se tinha e o que se tem. A autora tenta entender ao longo da escrita como essas transformações se deram e como lidar com elas.

 

Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

 

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

 

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Conversa sobre Vidas secas - Graciliano Ramos

                                                         

              Conversa sobre Vidas secas

Uma palestra com Graciliano Ramos — O sertanejo da zona árida — O homem no seu habitat

Rio, 14 — Graciliano Ramos recebe-nos às nove horas da noite, em sua residência, dos lados de Bento Lisboa. Nós lhe havíamos pedido uma entrevista sobre o seu último livro, Vidas secas, que aparecerá dentro de poucos dias em edição de José Olympio, e o romancista de S. Bernardo, com a simplicidade de seu trato, se dispõe a falar. Estamos numa pequena sala de jantar, por onde entra, de vez em quando, uma leve viração, amenizando o mormaço da noite carioca.

Graciliano tem uma certa dureza no olhar, dureza que logo se desfaz no sorriso de franqueza e simpatia com que o romancista entremeia, a todo momento, a palestra

Um mundo com cinco personagens

— Vidas secas será um romance?

— Sim, um romance, mas um romance cujos capítulos podem ser considerados destacadamente como contos, tal a maneira por que nele se desenvolvem e encontram o seu desfecho e uma determinada situação. Publiquei vários capítulos de Vidas secas, aqui e na Argentina, e todo mundo os considerou como narrativas independentes. O livro tem, entretanto, uma unidade e o entrelaçamento de todos esses capítulos forma a tessitura perfeita de um romance.

— Por que Vidas secas?

— Acha o título um tanto estranho, não? São as vidas dos sertanejos nordestinos, existência miserável de trabalho, de luta, sob o guante da natureza implacável e da injustiça humana.

— Qual o ambiente do romance?

— O de uma cozinha de fazenda velha na zona árida do sertão. Apenas cinco personagens evoluem no livro: um homem, uma mulher, dois meninos e uma cachorrinha. Com essa comparsaria limitadíssima, criei o meu mundo. Aliás, não se trata de um romance de ambiente, como geralmente costumam fazer os escritores nordestinos e os regionalistas em geral. Eles se preocupam apenas com a paisagem, a pintura do meio, colocando os personagens em situação muito convencional. Não estudam, propriamente, a alma do sertanejo. Limitam-se a emprestar-lhe sentimentos e maneiras da gente da cidade, fazendo-os falar uma língua que não é absolutamente o linguajar desses seres broncos e primários. O estudo da alma do sertanejo, do Norte ou do Sul, ainda está por fazer em nossa literatura regionalista. Quem ler os romances regionalistas brasileiros faz uma ideia muito diversa do que seja o homem do mato. A falsidade e o convencionalismo são berrantes. Quer que eu os acuse num detalhe apenas? O sertanejo nordestino aparece na literatura como um tagarela, fazendo imagens arrevesadas e desmesurando-se numa loquacidade extraordinária. Pois nada mais postiço: o sertanejo daquelas bandas é de pouquíssimo falar. Sisudo e macambúzio, ele vive quase sempre fechado consigo mesmo, sendo difícil arrancar-lhe uma prosa.


Pesquisando a alma do primário

— O romance passa-se na zona árida do sertão?

— Sim, mas não me preocupo em pintar o meio. O que me interessa é o homem, o homem daquela região aspérrima. Julgo que é a primeira vez que esse sertanejo aparece na literatura. Os romancistas do Nordeste têm pintado geralmente o homem da zona do brejo. É o sertanejo que aparece na obra de José Américo e Zé Lins. Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão, observar a reação desse espírito bronco ante o mundo exterior, isto é, a hostilidade do mundo físico e da injustiça humana. Por pouco que o selvagem pense — e os meus personagens são quase selvagens — o que ele pensa merece anotação. Foi essa pesquisa psicológica que procurei fazer, pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer, porque comumente não conhecem o sertão, não são familiares do ambiente que descrevem.

— E o senhor esteve muito tempo nessa região?

— Nasci na zona árida, numa velha fazenda, e ali passei quase toda a minha infância, convivendo com o sertanejo. Fui depois para a cidade estudar e mais tarde diversas vezes visitei o meu recanto natal, bem como outras paragens do sertão nordestino. Os meus personagens não são inventados. Eles vivem em minhas reminiscências, com suas maneiras bruscas, seu rosto vincado pela miséria e pelo sofrimento.

— Quer dizer que o senhor aplicou o princípio que Jacques de Lacretelle julga básico para o romancista: inventar com o auxílio da memória?


— Isso mesmo. Acho que ainda não descobrimos a alma do nosso primário e que o regionalismo, contra o qual se tem erguido uma certa grita, ultimamente, é coisa que ainda está por fazer. Os sertanejos aparecem sempre transplantados para outro meio e nunca no seu “habitat”. O que procurei fazer foi mostrar o homem no seu ambiente, vivendo a sua vida e falando a sua língua. É um livro amargo, duro, ríspido, mas verdadeiro, profundamente verdadeiro…

E, nessa altura, Graciliano desvia a palestra para outro assunto, achando talvez, na sua modéstia excessiva, que já falara demais sobre o seu livro. O calor da noite carioca continua cada vez mais abafado. E, na pequena sala onde nos encontramos, Graciliano, no seu falar simples e no seu rosto vincado, onde se vê o sinal de uma vida que não tem sido de sorrisos e amenidades — a áspera vida do intelectual no Brasil — é bem o tipo do sertanejo do Nordeste, o homem da zona árida, o beduíno do deserto brasileiro, mal-aclimatado neste recanto da terra carioca.

Do livro Conversas, de Graciliano Ramos. Organização de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla. Rio de Janeiro: Record, 2014, pp. 66-72.


Fonte: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla. 

Rio de Janeiro: Record, 2014, pp. 66-72.

Foto: Google



2.17.2026

No Tempo do Zé Pereira - Cyro de Mattos

 No Tempo do Zé Pereira

Cyro de Mattos

       Foi nessa viagem gasta de alegria na avenida que conheci a festa mais popular de Salvador. Aquele grande alvoroço tive nos dias que eram apenas um cenário colorido de euforia. Confete,  serpentina, lança-perfume só para alegrar. Carros alegóricos, batucadas, caretas.  Lindo marujo, de lá para cá, percebeste que sobre outra onda foi rolar o mundo. Na orla nunca soubeste por que tudo haveria de acontecer sem agitação um dia, desligado do corpo daquele jovem inquieto, que de uns tempos para cá foi recolhido cansado nos braços de um idoso. E, assim, sem cores e sons, o folião aposentado foi i sendo  levado, em silêncio, nas marés da nostalgia.  

      Em Itabuna, antigamente os vizinhos costumavam colocar cadeiras no passeio para desfiarem um dedo de prosa. Esse costume servia para que estreitassem os laços de amizade, distraindo assim a mente cansada dos afazeres diários. Com a lua clara prosseguia a conversa animada entre os vizinhos, geralmente em torno de um assunto interessante ligado à cidade, até quando fosse chegada a hora de se recolherem no sono que descansava e reconfortava. Numa dessas conversas entre vizinhos, eu escutei seu Zeca, o dono da farmácia, dizer a meu pai que o começo do carnaval em minha cidade remontava ao ano de 1908. A festa naqueles idos era conhecida como “Domingo do Entrudo”.

       Escutei também o dono da farmácia dizer que no começo os bailes carnavalescos eram realizados no armazém da rua do comércio ou no Cine Odeon. Com a inauguração do primeiro clube, em 1940, os bailes mudariam de cenário. Durante quatro noites e duas matinês, foliões adultos e pequenos seriam ser acolhidos agora nos salões de um clube. Ao lado do carnaval nas ruas, a folia passava a contagiar no clube os blocos formados por senhores e senhoras, rapazes e moças da elite. De bigode retorcido nas pontas, de braço dado com as esposas, esses senhores sisudos davam voltas contínuas no salão. Bem entusiasmados não paravam de cantar as marchinhas “Linda Lourinha”, “Pirata da Perna de Pau”, “As Pastorinhas”, “Touradas em Madri”, “Alá-lá-ô” e tantas outras que ficaram famosas em nosso cancioneiro popular.

     O carnaval de ontem era o da musa colombina, pierrô apaixonado, arlequim sonhador, palhaços que não paravam de brincar e soltar piadas para as moças. Era o carnaval dos quadros satíricos em que não faltavam fantasias e brincadeiras bobas. Era comum a sátira ser usada por blocos e cordões. 

      Pessoas de minha cidade, que pertencem a uma geração mais velha, tem saudade do carnaval daquele tempo. Uma dessas pessoas é seu Sessa. Funcionário Aposentado do Banco do Brasil, outrora folião dos mais animados, disse certa vez que nunca vai se esquecer daquele palhaço engraçado e da pastorinha enamorada. Daquele palhaço de calças folgadas e nariz de limão, que não parava de pular e soltar piadas no salão quando a orquestra fazia uma pausa para que os foliões descansassem um pouco. 

      Seu Dantinha, um home, de estatura baixa, que organizava as quermesses na época do Natal, aproveitava um assunto de repercussão no ano e elegia como tema para satirizar a autoridade que havia escondido no bolso o dinheiro do município. Usava um calção como se fosse uma grande fralda, a chupeta pendurada no pescoço, na cabeça o gorro de um bebê. Sustentava o cartaz com a caricatura do político alvo da sátira, no qual  tinha estes  dizeres com letras graúdas: COMEU A MERENDA DOS MENINOS AINDA QUERIA MAIS PRA AQUETAR A FOME BRABA. Sorridente  desfilava na avenida com o bloco “Mamãe Quero Mamar”, do qual era o presidente de honra.  

      Já vai longe o tempo em que o carnaval começava cedo, aos sábados.    

     Vestindo calça listrada, sem camisa, usando cartola e fraque, o Zé Pereira aparecia em frente aos armazéns e lojas,  com meninos sujos e afoitos atrás.  Ordenava aos comerciantes que fechassem suas portas, a folia vai tomar conta da cidade, até as pedras do calçamento na rua não vão parar  de pular e cantar.

     Em frente do estabelecimento comercial batia o bombo sem parar. O Zé Pereira repetia a ordem a todo pulmão: 

          - É pra já!   


Autor: Cyro de Mattos

Imagem: Google







Compreendendo os Tempos - Rick Boxx

                                        

                                    Compreendendo os Tempos

Por Rick Boxx

 

Enquanto eu e meu amigo Jerry fazíamos em sociedade um trabalho de consultoria, ele compartilhou com Tom, um de nossos clientes, uma percepção profunda. A observação de Jerry era simples, embora sagaz: “O sucesso é o maior obstáculo à grandeza.”

 

Uma vez o sucesso tendo se estabelecido, Jerry explicou, não é incomum os líderes acreditarem que as conquistas se devem ao seu próprio brilhantismo profissional. Como consequência, passam a presumir que seu sucesso é eterno.  Eles pensam que qualquer decisão que tomem sempre produzirá mais sucesso. Quando os mercados e as condições mudam, porém, pessoas bem-sucedidas podem facilmente ficar para trás se não estiverem constantemente buscando compreender os tempos, reconhecendo quando mudanças importantes ocorrem e se adaptando a elas. 

 

No mundo atual parece que a única coisa que não muda é a realidade de que as coisas podem mudar — e geralmente mudam — algumas vezes com incrível velocidade. Deixar-se envolver pelo status quo é excelente estratégia quando não se tem a intenção de ser deixado para trás, enquanto os concorrentes avançam. 

 

Mudança não é nenhuma novidade, embora a tecnologia e as comunicações tenham desempenhado papel fundamental em sua aceleração e alcance. A Bíblia apresenta observações sábias sobre mudanças e a importância da nossa disposição para reagir de forma eficaz a elas. 

 

Por exemplo, em1Crônicas encontramos um relato interessante sobre homens notáveis que se juntaram a Davi em sua luta contra Saul: “Os filhos de Issacar, destros na ciência (conhecedores) dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer...” (12:32). Eles eram observadores sagazes daquilo que ocorria ao seu redor, procurando discernir qual a melhor forma de reagir às circunstâncias em mudança. 

 

Eclesiastes também fala da inevitabilidade das mudanças: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Trata das exigências das mudanças no trabalho de diversas maneiras:

“Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser” (3:2-7). 

 

Ao encararmos nosso trabalho, formulando planos, desenvolvendo estratégias, assumindo projetos e avaliando resultados, seria extremamente benéfico adotarmos o curso de ação dos homens de Issacar, constantemente buscando compreender os tempos de forma a saber o que devemos fazer para sermos bem-sucedidos e alcançarmos grandeza. 

 

Líderes por excelência sabem que compreender os tempos e ter disposição para mudar sua abordagem não exige que mudem ou comprometam seus valores. Estes permanecem constantes, como farol em meio aos sempre mutáveis mares de mudanças. 

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão   

 

1.  Que acha da declaração que, “O sucesso é o maior obstáculo à grandeza”?

 2.  Como podemos vencer a tentação de nos deixarmos aprisionar pelo nosso sucesso e falhar em reconhecer e reagir às mudanças quando estas acontecem?

3.  Você já tinha ouvido falar sobre “os homens de Issacar”? Como podemos tentar ser como eles?

4.  Eclesiastes lista uma série de afirmações acerca do tempo propício para determinadas coisas. Saber o tempo certo de buscar uma coisa ou outra, afeta a forma como encaramos nosso trabalho ou responsabilidades dentro de nossa organização?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 23:13-15; 11:14; 15:22; 14:8; 16:1, 3, 9; 19:20; 20:24; Lucas 14:28-31. 

 

2.16.2026

UM NOVO ANO - Luis Pedro Novaes

 



UM NOVO ANO


Em um novo ciclo
Pensamos no que já foi passado
A ser superado, ou deixado de lado
Mas que pode voltar, de forma repentina
Sem sentido, sem vida

Quero que, nesse ano
Possamos nos renovar
A pagina virar
Ou um novo livro formar

A história precisa ser diferente
As pessoas conscientes
Os amores cientes,
E corações, ardentes

Sabe aquele amor passado
De vários meses, atrasado
Que você visita, numa distância inigualável
Nem sempre, ou nunca
Pode ser aceitável
Experiência própria, meu caro

Aquelas pessoas da família
Distante desunida
Brigas, intrigas indiscutidas
Precisam se renovar
Conversar, superar
Ter uma esperança, para se conciliar

Que nesse novo livro, de 2026
Quero que possamos amar o perto
Lembrar do distante
E esquecer do que não é constante
Quero um amor para a vida
Uma família com sincronia

Eu, mesmo, tenho sofrido
Com amores perdidos, 
Ou mal compreendidos
Ou até além, nem sentidos

Mas torço por mim mesmo
Com o amor gigantesco
Encontrar o coração certeiro
Para um que está com medo,
De não encontrar o verdadeiro.

Amor, família, prosperidade, paz e união
Tudo o que pedimos, esperamos
Desejamos, para não ser em vão
Um novo ano, novas páginas
Novos livros, outras folhagens

Quero, tanto para mim e os demais
Que o amor reine, por demais
Que a família se reúna, seria demais
Aquela paixão se fixe, pela eternidade

Que um coração encontre,
Mesmo no mar da complexidade
Sua outra metade,
Que o ame e complemente,
Como deveria ser, de verdade

Deixo essas palavras para todos
Que possuem o amor ardente,
Mesmo se ainda não tiver correspondente
Que possuem uma família distinta
E ainda não tem harmonia
Confia, tudo Deus dita
Está em sua escrita
Que mesmo torta, profetiza

Que nesse novo ano, 2026
Você possa amar, reavaliar
A família, o lar,
Saber decidir, escolher
Como deverá unir, e proceder
E que deus te abençoe
Em como tudo deverá ser


Autoria:  Luís Pedro Novaes
Foto: Produção

FANTASIA DE CARNAVAL - Aleilton Fonseca


FANTASIA DE CARNAVAL

         (Aleilton Fonseca)

Invento carnavais recordando

as minhas pequenas colombinas

que desfilavam nas ruas, aos bandos,

e eram as mais formosas meninas!

 

Eu, ainda infante, futuro arlequim,

já buscava o sorriso que combina

com um botão de flor num jardim,

um pierrot a cortejar a colombina.

 

Suas silhuetas deixaram marcas

na alma inquieta que não duvida

da sorte presa nos fios das parcas,

seus nós cegos nos rumos da vida.

 

A cada ano que fevereiro rebrilha

eu recolho a luz que me revelou

a magia das cores das colombinas

das quais eu nunca fui o pierrot.

 

No tempo mantive a chama acesa

de cada colombina que admirei

na fantasia que a tornava princesa

e eu seria o seu futuro e amado rei.


Fonte: WhatsApp

Foto: Produção










2.15.2026

Gravidade ...ação/reação - Agilson Cerqueira



 




Gravidade ...ação/reação

Agilson Cerqueira


De pé no centro da Terra;

Produto dos meios condicionados;

Genética humana, mutações

(metamorfoses sem alterações da forma inicial).

Por trás das lentes (olhos arregalados),

Espelhos evitados;

Traços profundos!

Atrofias lentas (progressivas)!

Pouca Ação:

Apatia, anemia (disfunções aceleradas)!

Sem Ação:

Micropartículas espaciais!

Comentários do Autor:

O poema "Gravidade ...ação/reação", de Agilson Cerqueira, utiliza conceitos da física para criar uma metáfora sobre a condição humana, a inércia e a degeneração (física ou existencial) causada pela falta de movimento e propósito. 

Aqui está uma análise dos principais temas do poema:

A Condição Humana e o Condicionamento: Os primeiros versos ("De pé no centro da Terra / Produto dos meios condicionados") sugerem que o ser humano está preso por forças maiores (gravidade, sociedade, biologia), moldado pelo ambiente em que vive.

Genética e Mudança: A "metamorfoses sem alterações da forma inicial" indica uma evolução ou mudança interna (talvez amadurecimento ou envelhecimento) que não altera a aparência física imediata, ou talvez uma adaptação forçada que mantém o indivíduo preso à sua essência original.

Apatia e Degeneração: O poema descreve um processo lento de deterioração — "Atrofias lentas (progressivas)" — que é resultado de "Pouca Ação" ou "Apatia" (falta de reação). As "disfunções aceleradas" funcionam como a "reação" negativa à falta de "ação" na vida.

O Vazio Final: "Sem Ação: / Micropartículas espaciais!" sugere que, sem propósito ou movimento (ação), o indivíduo se desintegra, tornando-se algo insignificante, disperso no vazio, perdendo sua conexão com a terra.

Micropartículas Espaciais: O estágio final da falta de ação. Sem a coesão da "vontade" ou da "ação", o indivíduo se desintegra em poeira cósmica, perdendo a forma humana para se tornar apenas matéria elementar à deriva.

Micropartículas Espaciais: O estágio final da falta de ação. Sem a coesão da "vontade" ou da "ação", o indivíduo se desintegra em poeira cósmica, perdendo a forma humana para se tornar apenas matéria elementar à deriva.


NOTA:

Agilson Cerqueira: -  engenheiro, professor, artista plástico e poeta.


*****


Antropomorfismo 1

Óleo Sobre Tela

Agilson Cerqueira


Armadilhas do Orgulho - Jim Mathis

                                          

                                                          Armadilhas do Orgulho

Por Jim Mathis


Como o câncer ou a pressão arterial, o orgulho pode ser um matador silencioso. Uma canção do cantor e compositor Roger Miller lamentou as altas taxas de divórcio com um verso que dizia: “Creio que o orgulho é a principal causa do declínio no número de maridos e esposas.” 
 

O orgulho não é somente causa da ruptura de relacionamentos: é também fonte de más negociações empresariais, conflitos familiares e guerras. Ele pode nos levar a buscar vingança e retaliação. “Eles atiraram primeiro”; “O território era nosso antes disso”; “Nós queremos uma negociação melhor, uma fatia maior do bolo”; “Eu fui prejudicado.”

 

Certo dia estava ao balcão do Café de minha propriedade, quando entrou um velho amigo. Ele pesquisou o cardápio afixado na parede e perguntou se eu sabia como preparar tudo aquilo. Rapidamente respondi que eu havia desenvolvido todas as receitas e treinado os baristas. Sabia como preparar as bebidas. O fato de eu ainda lembrar a conversa mais de 15 anos depois, me diz que fui bastante culpado de estar sendo orgulhoso naquele momento. Meu ego fora desafiado e senti a necessidade de me defender. 
 

Talvez estivesse me sentindo inseguro, ou apenas quisesse que ele soubesse que eu estava no controle de tudo, incluindo o cardápio. Tenho certeza de que hoje faria um comentário mais despreocupado e logo teria esquecido o incidente. Numa situação similar recente eu apenas respondi afirmativamente e sorri. Foi uma resposta muito melhor.  Gosto do aviso de Provérbios 14:3 que diz: “Na boca do tolo está a vara da soberba, mas os lábios do sábio preservá-lo-ão.”

 

O orgulho levanta sua feia cabeça quando menos se espera.  Nos leva a querermos nos defender ao menor desafio e a depreciar os outros com insultos e menosprezo, para nos valorizarmos. A tentativa de nos exaltarmos enquanto diminuímos outras pessoas geralmente causa aborrecimentos: “O orgulhoso será logo humilhado; mas com os humildes está a sabedoria” (Provérbios 11:2). 

 

Contudo, há outro lado do orgulho a ser considerado. Em Mateus 22:39, Jesus instruiu-nos a amar nosso próximo como a nós mesmos. Jesus deixa implícito que precisamos primeiramente amar a nós mesmos para depois amar aos outros eficazmente. O orgulho nos leva a querer o crédito pelas nossas obras; nos orgulhamos de nossas realizações e queremos apresentar um trabalho de qualidade, trabalho que nos deixe orgulhosos que os outros vejam. 

 

Empresários, em especial empreendedores, precisam ser capazes de promover a si mesmos, mas é preciso fazer isso de maneira tal que o orgulho não se transforme em pecado, centrados em si mesmos e envenenando relacionamentos.  Existe uma tênue linha dividindo orgulho ou arrogância e autoconfiança. Saber onde está essa linha exige sabedoria e discernimento. Humildade, aliada à força, é um ardil, sem a sabedoria de Deus. 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1. Como você lida com o orgulho especialmente no ambiente de trabalho?

​2. Qual a diferença entre o orgulho saudável e produtivo e aquele que causa conflito e arruína relacionamentos? Já observou algum exemplo disso?

3. Como podemos sentir orgulho daquilo que somos e do trabalho que realizamos, sem cruzar a linha divisória para a esfera da arrogância, egocentrismo e autopromoção à custa de outros?

4. Por que o excesso de orgulho é tão comum no mundo empresarial e profissional, enquanto a humildade parece ser rara? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12:9; 13:10; 15:33; 16:5, 18-19; 18:12; 21:4; 22:4; 29:23

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