Retrato de Cecília
Meireles
A poesia de Cecília
Meireles é intimista, autobiográfica e autorreflexiva, criando uma relação de
proximidade com quem a lê.
Ela trabalha também a
transitoriedade do tempo e reflexões acerca do sentido da vida.
Em Retrato encontramos um
sujeito autocentrado, congelado no tempo e no espaço. É a partir da imagem que
a reflexão é elaborada e são revelados sentimentos de melancolia, saudade e
arrependimento.
Encontramos nos versos
pares opositores: o passado e o presente, o sentimento de outrora e a sensação
de desamparo atual, o aspecto que se tinha e o que se tem. A autora tenta
entender ao longo da escrita como essas transformações se deram e como lidar com
elas.
Eu não tinha este rosto
de hoje,
Assim calmo, assim
triste, assim magro,
Nem estes olhos tão
vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos
sem força,
Tão paradas e frias e
mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta
mudança,
Tão simples, tão certa,
tão fácil:
— Em que espelho ficou
perdida
a minha face?
Fonte: Cultura Genial
Foto: Google


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