1.27.2026

Código de conduta - STF

 

“Ou nos autolimitamos, ou pode haver limitação externa”, diz Fachin

Código de conduta

Presidente do STF defendeu a criação de um código de conduta para os ministros, e afirmou que transparência deve valer também para familiares que advogam.

"Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo." A advertência é do presidente do STF, ministro Edson Fachin, ao defender a criação de um código de conduta para ministros do Supremo, como resposta institucional às críticas e cobranças sobre padrões éticos no Tribunal.

A declaração foi dada em entrevista ao jornal Estadão, na qual Fachin sustentou que a iniciativa deve ocorrer com responsabilidade, sem atropelos, mas também sem inércia. "Tenho urgência, mas não tenho pressa", resumiu, ao afirmar que pretende avançar no tema durante sua gestão sob o lema festina lente (“apressa-te devagar”).

 

Presidente do STF, ministro Edson Fachin. (Imagem: Antônio Augusto/STF)

Segundo o ministro, discussões de natureza ética colocam em debate os limites de escolhas feitas no plano individual — inclusive em atos não jurisdicionais que podem gerar repercussão institucional. Como exemplo, ele mencionou que a Loman não proíbe magistrados de serem cotistas ou acionistas de empresas, mas ponderou que o tema pode ser regulado de forma mais restritiva por um código interno.

Fachin afirmou que o debate ainda está em etapa inicial e passa por duas perguntas essenciais: se o código é necessário e, caso seja, se as regras são viáveis. Ele disse entender que o STF chegou a um ponto de “maturidade institucional” para afirmar que as normas são necessárias, ainda que haja divergência sobre o momento adequado para avançar. Conforme relatou, há colegas que defendem adiar a discussão por se tratar de ano eleitoral, argumento que ele reconheceu como “sólido”, diante do aumento da exposição das instituições durante o período.

Apesar disso, Fachin alertou que o adiamento pode gerar consequências indesejadas. Para ele, caso o Supremo não adote mecanismos próprios de autorregulação, corre o risco de sofrer interferências externas. Nesse sentido, citou experiências internacionais e afirmou não acreditar que o resultado de uma limitação imposta por outro Poder seria positivo, lembrando episódios registrados em países como Polônia, Hungria e México.

Ao defender as novas regras, o presidente do STF destacou que o eixo deve ser a transparência, inclusive sobre parentes de magistrados que atuam na advocacia. Pai de uma advogada, Fachin afirmou que o debate deve ser enfrentado sem “filhofobia” e que a profissão dos familiares não deve ser tratada como problema, desde que tudo esteja devidamente esclarecido.

“Por que um filho deve mudar de profissão quando o pai vira juiz? Não precisa. Agora, precisa ter transparência. Faz o quê? Advoga onde? Em que termos? Em quais ações? Tudo isso tem que estar transparente.”

Na entrevista, o ministro também avaliou que um Código de Conduta só terá efetividade se representar mudança de cultura, e não um gesto de moralismo. “Todos nós somos seres humanos falíveis”, disse, defendendo que a medida sirva como instrumento de defesa institucional do Tribunal.

Fachin mencionou que Cortes constitucionais de outros países avançaram, nos últimos anos, nesse tipo de regulamentação e citou como referência regras adotadas por tribunais como o alemão, a Corte do Canadá, a Suprema Corte dos EUA, além de normas de conduta para magistrados em Portugal.

Ele afirmou, ainda, que há mobilização no Brasil em torno do tema, mencionando documento da Fundação Fernando Henrique Cardoso com diretrizes para um eventual código e a atuação de uma comissão da OAB/SP, com participação de ministros aposentados, como Ellen Gracie e Cezar Peluso, que estaria em fase final de elaboração de proposta.

Ao abordar o pano de fundo do debate, Fachin negou enxergar risco de avanço de pedidos de impeachment contra ministros no Senado, mas avaliou que a adoção de um Código de Conduta pode funcionar como "solução de compromisso" para que o STF tire aprendizados e resolva tensões institucionalmente, evitando o aprofundamento de crises.

Por fim, o presidente do Supremo reconheceu que a Corte enfrenta desgaste perante a opinião pública e que, por vezes, “o STF nem sempre se ajuda”, citando como exemplo a ampliação do foro por prerrogativa de função após o Tribunal ter sinalizado anteriormente em sentido restritivo – decisão na qual ele ficou vencido.

Com o debate em andamento, o ministro sinalizou que pretende conduzir o tema com prudência, mas sem perder de vista o objetivo de reforçar a confiança institucional por meio de regras claras e maior transparência no funcionamento da Corte.

Fonte:

Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link:
https://www.migalhas.com.br/quentes/448589/ou-nos-autolimitamos-ou-pode-haver-limitacao-externa--diz-fachin

Foto: Produção

Deixa-me seguir para o mar - Mário Quintana

 

1. Deixa-me seguir para o mar

Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como

evocar-se um fantasma... Deixa-me ser

o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...

 

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,

me recamarei de estrelas como um manto real,

me bordarei de nuvens e de asas,

às vezes virão em mim as crianças banhar-se...

 

Um espelho não guarda as coisas refletidas!

E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,

as imagens perdendo no caminho...

Deixa-me fluir, passar, cantar...

toda a tristeza dos rios é não poderem parar!

 

Nos primeiros três versos o poeta pede que o seu desejo seja respeitado, isto é, que ele possa ser aquilo que é e que possa ir embora quando desejar.

Logo a seguir, na segunda passagem, o sujeito poético identifica-se com um rio e pinta o cenário ao seu redor (as nuvens sobre si, as margens, as crianças que se divertem na água).

Desejando identificar-se ainda mais com a imagem do rio, o poeta usa a metáfora para dizer que não se pode guardar o que está em movimento.

O espelho não guarda a imagem daquilo que reflete (e lembremos que o próprio rio contém o espelho d'água), assim como impõe o movimento de passagem.

O rio, assim como o poeta, flui. Vemos também, através da comparação do sujeito poético, a consciência da passagem do tempo.


Fonte: Pensador
Foto: Google

Coxeando Pela Vida Por Jim Langley

 

Coxeando Pela Vida

Por Jim Langley

Você já se sentiu como se estivesse coxeando pela vida, alguns dias mais difíceis que outros, enfrentando desafios que parecem insuperáveis? Minha carreira no setor de seguros passou por meses excepcionalmente bons e alguns anos muito produtivos, mas também por tempos de escassez. Uma economia nebulosa cobra preço alto de todos que vendem produtos ou serviços. 

 

Por experiência, aprendi que esses tempos difíceis exigem perseverança e dedicação à sua profissão. Para sobreviver é preciso trabalhar com mais diligência, cumprir metas diárias e não desanimar. 

 

A maioria dos empresários de sucesso enfrentou reveses na vida. Sucesso exige habilidade e tenacidade para lidar com tempos difíceis e reação imediata quando as oportunidades se apresentam. Isso pode ser feito sem enganar outras pessoas ou sem obter vantagem indevida sobre os concorrentes. Trabalho árduo e criatividade produzem grandes recompensas seja qual for o campo de ação. Alguns permitem que as circunstâncias ditem seu rumo, mas não temos que coxear através da vida.

 

O basebol ocupou o foco central da minha infância e início da idade adulta. Como primeiro rebatedor, meu objetivo era permanecer na base o mais que pudesse. Trabalhei diligentemente as técnicas que me ajudaram a alcançar a base perto de 50% das minhas aparições em campo. Aprimorar minha compreensão da zona de pontuação, desenvolver um bom controle do bastão e trabalhar minhas estratégias de golpear a bola foram de grande ajuda para mim.

 

Entretanto, lembro-me de coxear durante parte de uma temporada de basebol por causa do estiramento de um tendão, mas aquilo não me impediu de jogar todas as partidas daquele verão. Eu me recusei a permitir que minha contusão me derrotasse.

 

Ao longo dos últimos 30 anos, descobri que uma profunda fé faz grande diferença, seja no trabalho, na tentativa de adquirir e desenvolver uma habilidade específica, ou simplesmente para atravessar o dia a dia. Essa fé é fortalecida pelo confronto das provações e pela consciência de que Deus deseja revelar-se através desses tempos difíceis. Como o exercício físico, a fé de uma pessoa só pode ser fortalecida quando se faz uso dela. 

 

Um relato bíblico em Gênesis 32.22-32, descreve Jacó lutando com o anjo do Senhor. A vida de Jacó era repleta de lutas, mas naquela ocasião em particular ele não iria deixar que Deus fosse embora. Jacó pediu que ele o abençoasse e obteve o que desejava. Entretanto, o Senhor tocou a articulação do quadril de Jacó, fazendo com que ele coxeasse pelo resto de sua vida. Apesar disso, Deus de fato abençoou Jacó, até mesmo lhe dando um novo nome, Israel. Ele se tornou o pai da nação de Israel, que traça sua linhagem até ele até os dias de hoje. 

 

Uma das melhores ilustrações para os seguidores de Jesus Cristo é a vida do apóstolo Paulo. Sua tenacidade em permanecer forte na adversidade mostrou-nos o que é a fé quando posta em ação. Seus ensinamentos e exemplo pessoal têm inspirado incontáveis milhões de pessoas nos últimos 2.000 anos levando-as a seguir Jesus e render-se a Ele. 

 

O apóstolo sofreu muito pela causa de Cristo, até mesmo morrendo por Ele. A maioria de nós não terá que enfrentar a morte por causa da fé, mas devemos perseverar por amor a Ele e por amor a todos que Ele coloca em nosso caminho ao longo desta jornada de vida.

 

Considere sua vida preciosa para o nosso Senhor, como de fato ela é, e tenha consciência de que mesmo que você precise, de certa maneira, “coxear”, você pode permanecer de cabeça erguida e perseverar por amor a Cristo, experimentando a vida abundante que Ele prometeu.

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Você está “coxeando” pela vida agora, seja devido a um mal físico ou às circunstâncias que o impedem de avançar?  Descreva com o que você está lidando no presente.

2. Você tem ignorado com facilidade o problema que o leva a “coxear” ou perseverar através dos desafios?  Para você, qual é a maior dificuldade?

3. Você conhece a história bíblica que fala da luta de Jacó com o anjo de Deus a fim de receber a Sua benção?  Você faria algo semelhante?  Por quê?

4. Como você reage à adversidade, aos obstáculos que às vezes parecem tão grandes que o tentam a desanimar e desistir?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Gênesis 32.22-28; Provérbios 24.16; Romanos 12.3; Hebreus 11.21; Tiago 1.2-4; 1Pedro 1.6-7. 

1.26.2026

Deus existe? - R. Santana

Deus existe?

R. Santana 

Quando rapazinho, eu estudei o 4º. Ano Ginasial (9ª. Série), no Colégio Firmino Alves que funcionava em frente ao Conselho Nacional do Produtores do Cacau (CNPC). Eu estudava à noite, aliás, naquela época, uma escola de ponta, lá, havia uma equipe docente de altíssima qualificação profissional.

Naquele primeiro dia de aula, apresentou-se um professor negro que iria nos ensinar Geografia. Era um negro alto, simpático, mas afetado (naquele tempo, ele era diretor administrativo da rádio “Difusora Sul da Bahia”, depois de algum tempo, advogado, juiz e desembargador), no término da aula, ele deixou escrito no quadro-giz, alguns questionamentos para que pudéssemos refletir. Particularmente, eu procurei desenvolver esses questionamentos existenciais o tempo todo e, até hoje eu ainda me pergunto: “Quem sou eu, de onde vim e para onde vou”? Essas perguntas são axiomas que exprimem princípios verdadeiros sem interferência lógica aristotélica. Quando algum sabichão tenta respondê-las, ele envereda-se numa teia de conjecturas e as respostas nunca satisfazem. Tudo que beira à metafísica, o abstrato está acima do concreto.

Deus é um ser que não se tem prova, mas evidência. Muitas pessoas se desesperam para compreender os planos de Deus ao invés de se contentarem com seus propósitos.  Os teólogos e metafísicos caracterizam Deus como um ser onisciente (saber absoluto), onipresente (está em todos os lugares), onipotência (poder eterno), eternidade (sempre existiu e existirá) e imutabilidade (não muda). Particularmente, acho que os atributos de bondade, justiça, santidade, misericórdia e amor nivelam o ser (Deus) ilimitado ao ser (homem) limitado, por isto, a proliferação de agnósticos e ateus. Para o agnóstico Deus é uma verdade intangível, abstrata que jamais será atingido fisicamente, senão, pelo pensamento cartesiano. Parodiando René Descartes: “Penso, logo, existe”.

Para Friedrich Nietzsche, Deus não existe, inclusive, baseado nos ensinamentos de Jesus Cristo: “Jesus questiona que pai daria uma pedra se o filho pedisse pão, ou uma cobra/escorpião se pedisse peixe”? Ora, se Deus é o Pai, por que Ele permite tanta dor e sofrimento no mundo? E, tantas injustiças? Tantos desastres ceifando a vida dos inocentes? A resposta é que os desígnios de Deus são para serem aceitos, não compreendidos. Ele não deixou o determinismo, mas, o livre arbítrio, muitas coisas de ruins acontecem pela ação do homem, não por sua permissão.

O homem quando nasce é uma “tabula rasa”, conforme o pensamento de John Locke, nós somos nossas circunstâncias, somos tudo que adquirimos ao longo do tempo. A experiência, o conhecimento e a sabedoria vão se consolidando nessa “tabula rasa” até formar o sujeito cognitivo e personalidade individual.

Quando era adolescente, incomodava-me quando alguém dizia: “Deus castiga”, não podia fazer isso ou aquilo que Deus castigava, os nossos pais usavam este expediente à beça. A Igreja católica difundia três planos transcendentais para punir os maus e premiar os bons: - o paraíso, o inferno e o céu. Os recuperáveis iam para o paraíso, os que não tinham mais nenhuma recuperação, eram fadados ao fogo do inferno e os santos pecadores iriam para os céus.

Nunca acreditei na promessa do Deus da Bíblia: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido" (Salmo 91:7). Se todos nós somos seus filhos, Ele se manifestar a favor de um em detrimento dos demais, aceita-se o simbolismo pela fé.

Para responder às questões dos ateus, que se Deus existisse, não haveria tanta dor e sofrimento no mundo que, justiça para os justos e punição para os injustos. Claro que os percalços da vida não são tão fáceis de explicar. A existência é um mistério, embora o nosso destino não seja determinado a priori, se não soubermos usar a nossa liberdade (livre-arbítrio), a vida é um fardo. Para justificar essas indagações, que Deus não interfere em nossas ações e a natureza responde às más ações do homem, no livro de minha autoria: “O homem nasce para ser feliz?”, tive o propósito de esclarecer o bem e o mal, embasado em minhas observações e justificar a “ausência” de Deus, com a teoria do “Mundo das Possibilidades”, Capítulo IV, vejamos:

O livre-arbítrio e o determinismo sempre mexeram com a cabeça dos pensadores. Hoje, ganha fôlego o princípio filosófico do livre-arbítrio, pelo menos para explicar as ações humanas e o maniqueísmo filosófico do bom e do mal, ou seja, o homem, animal racional, possui o livre-arbítrio de escolher Deus ou o Diabo, o certo ou o errado. Às vezes, o determinismo ganha mais força para justificar o inexplicável, principalmente, junto ao homem simples, é comum alguém dizer: “... foi o destino, Deus quis assim...”, isto é, como se tudo tivesse predeterminado, decerto, é a maneira do homem simples racionalizar o imprevisto. O determinismo é a teoria do fatalismo, mecanicista, as coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão a priori de ser, veja o exemplo do que ocorre com as castas sociais hindus, elas são predeterminadas, um pária (casta inferior) não tem o direito de aspirar sua ascensão social ou religiosa, pois lhe é negado desde o nascimento esse direito pela sociedade e pelo sistema religioso brâmane. A História da Humanidade não pode ser reduzida à malícia da serpente, à fragilidade de Eva e à ingenuidade de Adão, que instigado por Eva, Adão usou o seu livre-arbítrio e comeu a fruta do conhecimento (mesmo ameaçado de morrer e expulsão do Éden) do bem e do mal, a fruta do pecado, a maçã, a fruta do amor... de lá pra cá, somos todos vítimas do pecado original, ou seja, nascemos com o estigma do determinismo do pecado original. Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre-arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócioambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades: a) Necessárias; b) Contingenciais; c) Reais. Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como ideia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”. A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão: -Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata. - Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde... - Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido. As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias... A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócioambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco. O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo. O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre-arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”. Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos. “O homem nasce para ser feliz?” (Autor:  Rilvan Batista de Santana, Cap IV)

As doutrinas religiosas e filosóficas: monoteísmo, politeísmo, panteísmo, deístas, teístas, judaísmo, islamismo, etc., discutem Deus mas, não provam a existência de Deus porque, Ele se aceita pelas evidências, O maniqueísmo entre o bem e o mal sempre existirá. Deus é uma possibilidade existencial necessária que se impõe por si, mesmo que alguém O negue. Deus está na categoria Kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

Enfim, Deus existe, não é o Deus da Capela Sistina de Michel Ângelo, é um Deus inteligente e eterno, uma verdade absoluta. O caminho para chegar a Deus é a fé. Quem é cristão, Jesus Cristo deixou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. A eterna atriz Dercy Gonçalves, numa entrevista com Sílvio Santos, declarou: “Eu tenho meu Deus, quando faço alguma coisa errada, Ele dá uma lapada!”, talvez, ela tivesse tido razão...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.25.2026

Pensamentos de Ademilton Batista

 

Ademilton Batista

Pensamentos de Ademilton Batista

⁠"Todo Mundo é Louco o Suficiente para Ser Normal"

Ademilton Batista

⁠”A pior dor da vida pode não ser a morte. Mas, não poder viver a sua existência e experimentar das suas experiências e vivências."

Ademilton Batista

⁠⁠“Procura-se

“A Alma perdida do Ser Humano,
Enquanto Ele ainda é Humano!”

“Nela, permite-se introduzir a “Poesia” com todas as belezas e encantamentos que ela possui e um sentido”.

“De então, retornar ao Humano que restou, dando-lhe um pouco de alegria ao Ser."

Ademilton Batista

⁠”Um segundo é minha vida,
Um minuto é meu dia,
Uma hora é o tempo limite
da minha espera”.
Ademilton Batista


Fonte: Pensador
Foto: Google

Nada a Temer, a Não Ser o Medo

Nada a Temer, a Não Ser o Medo

Por Robert J. Tamasy

Foi o presidente Franklin D. Roosevelt quem disse em seu discurso inaugural, em 1933: “Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo.”  Se estivesse vivo na ocasião poderia me sentir tentado a responder: “Ah, é?  É fácil para o senhor dizer isso!”  Roosevelt tinha razão, entretanto, porque o medo pode ser uma emoção poderosa e paralisante, que nos impede de fazer algo, e até mesmo de tentar aproveitar oportunidades promissoras. 

Um amigo, David Sanford, escreveu sobre cinco tipos de medo que contaminam os profissionais:

  • Medo do silêncio – tirar tempo do trabalho para refletir, rever previsões, pensar criativamente e planejar.
  • Medo de compartilhar – apresentar ideias iniciais ou esboços imperfeitos para que outras pessoas analisem e critiquem. 
  • Medo de vender – promover conceitos, produtos, propostas e recomendações refinadas.
  • Medo de rejeição e fracasso – preocupação sobre o que os outros podem dizer sobre nós.
  • Medo do sucesso – de que os outros possam esperar mais de nós casos sejamos bem-sucedidos. 

Todos podemos nos identificar com pelo menos um desses medos, possivelmente com todos eles. Diversos me são familiares. Deixar de lado o trabalho para pensar, imaginar e planejar às vezes vai contra a minha natureza:  “Eu deveria estar fazendo alguma coisa, não pensando!” Mas se não fizermos pausas em meio à atividade frenética, como saber se estamos fazendo a coisa certa ou fazendo-a do jeito certo?

Vender nunca foi meu ponto forte, como aprendi bem cedo, ainda na faculdade. A perspectiva de persuadir uma pessoa a comprar um produto fazia com que sentisse como se estivesse tentando torcer seus braços pelas costas. Penso que todos nós passamos por momentos em que hesitamos em seguir adiante, lutando com o pensamento: “E se eu tentar fazer o melhor que puder e, ainda assim, fracassar?” 

Mesmo agora, no estágio mais avançado da minha carreira, me pego lutando contra esses medos algumas vezes. Então, tento lembrar a mim mesmo verdades como: “Se eu não tentar, o fracasso é garantido.” Ou, colocando de outro modo a Regra de Ouro, “Venda para os outros como gostaria que eles vendessem para você.”

Descobri que a verdadeira forma para vencer o medo não está em frases inteligentes, mas em confiar em Deus, Sua sabedoria e orientação. Aqui estão algumas passagens que descobri serem úteis a esse respeito:

Fé na presença de Deus. Quando enfrentamos situações que nos assustam e causam medo, saber que Deus está conosco em meio a elas nos traz confiança e esperança.  “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a Minha mão direita vitoriosa” (Isaías 41.10). 

Confiança no amor de Deus. Como filhos de Deus, cremos em Sua soberania – Ele conhece nossas circunstâncias e está no controle. Portanto, podemos confiar que Ele as usará para nosso bem. “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1João 4.18). “Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’” (Romanos 8.15). 

Certeza de que Deus pode lidar com nossos obstáculos. Quando os problemas parecem grandes demais para podermos lidar com eles, temos a segurança de que Deus é maior do que nossos problemas: “Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31). 

Queria terminar perguntando-lhe o seguinte: Como você está lidando com os medos que assaltam sua vida?

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Com qual dos tipos de medo relacionados você se identifica mais?  Explique sua resposta.

2. Você geralmente luta com outros tipos de medo que não estão nessa lista?  Quais são eles e quando você se depara com eles?

3. Como você geralmente tenta lidar com esses medos?

4. Que diferença a fé em Deus faz quando surgem esses medos?  Você acha que Ele está preocupado com os seus medos e ansiedades quando você lida com eles no seu dia a dia, inclusive no trabalho?  Por quê?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 118:6; Jeremias 29.11,13; Filipenses 4:6-7; 1Pedro 5.7; 1João 4:4. 

 

 

1.24.2026

Escolher ou Recusar Beber o Cálice - Sergio Fortes ​

 


Escolher ou Recusar Beber o Cálice

Por Sergio Fortes

Seja em nossa vida pessoal ou profissional, há momentos em que parece que nada funciona. Não importa o que façamos — tudo dá errado. Sentimo-nos como se tivéssemos chegado ao fim, seja em nossa carreira, na luta para alcançar um objetivo importante ou salvar um relacionamento valioso. Nossas mentes ficam sobrecarregadas com pensamentos negativos. Amigos e parentes próximos parecem distantes, deixando-nos cercados por sentimentos de solidão. A destruição pressentida parece ser apenas questão de tempo. 
 

Acreditamos que tudo o que importa, seja no mundo corporativo, nossas buscas pessoais ou mesmo em nossas vidas espirituais, é o sucesso. Se nossa história não é a de alguém bem-sucedido, só pode ser uma coisa: um fracasso. Infelizmente, ninguém está interessado no fracasso.


Em seu livro, “Here and Now” (lançado no Brasil com o título, Mosaicos do Presente), o escritor Henri Nouwen, destacado expoente da espiritualidade século passado, nos lembra que os episódios da vida se alternam, num fluxo e refluxo natural: alegria e tristeza, sucesso e fracasso, saúde e enfermidade, do mesmo modo que as estações do ano. A Bíblia tem muito a nos falar sobre essas estações. Na verdade, o Antigo Testamento afirma: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de derrubar e tempo de construir”(Eclesiastes 3.1-8). 
 

Durante Seu tempo na terra, Jesus Cristo de Nazaré considerou os momentos de dor e fracasso como partes integrante de Sua vida. Falando a Pedro, um de Seus seguidores mais chegado, e o mais impulsivo, Ele o repreendeu na noite em que foi traído: “Guarde a espada!  Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai Me deu?” (João 18.11). Ele compreendeu que aquela era uma provação que não poderia evitar. 
 

Pedro pensava que aquilo era inaceitável e recusou-se a tolerar algo que via como um fracasso. Preferiu sacar a espada que tinha camuflado habilmente e lutar contra os acusadores de Jesus. Atacar os atacantes. Cortar uma orelha. Ele estava disposto a tudo, menos a “beber o cálice”. 

 

Todos nós queremos usar nossas próprias “espadas” para repelir as investidas da vida.  Essas armas aparentemente protetoras, podem ter a forma de uma gorda conta bancária, cartões de crédito sem limite, uma grande poupança, um amigo rico a quem podemos recorrer nas crises, ou bens materiais que podemos facilmente vender em caso de necessidade. Mas será que elas são realmente eficientes ou apenas bengalas que retardam o processo inevitável de “beber o cálice”?  

 

Distinguir entre quando lutar e quando beber o cálice exige discernimento espiritual.  Cercado pela fúria, por soldados armados e violentos, Jesus viu para além do cerco que Lhe faziam. Entendeu que não era o momento de lutar, mas sim de aceitar a vontade de Deus, mesmo que isso significasse amargo sofrimento, dor e morte. Era necessário que Ele bebesse o cálice. Seu propósito era expiar o pecado da raça humana.

 

Essa não é apenas uma ilustração espiritual. Para cada um de nós que labuta no mundo empresarial e profissional, às vezes, o “cálice” é inevitável. Talvez você esteja vivendo um momento assim em sua vida atualmente. Pedem que você beba o cálice, mas você não gosta nem um pouco. Quem pode preferir o sofrimento e amargura ao invés do sucesso? 

 

Nessas circunstâncias, precisamos de sabedoria para entender o que está acontecendo ou vai acontecer. Mas as Escrituras nos oferecem conforto. O salmista Davi escreveu: “Pois a Sua ira só dura um instante, mas o Seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria” (Salmos 30.5). E no versículo 11, ele conclui:  “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria.” Ele estava seguro de que Deus usa até mesmo os piores momentos para o bem.

 

Você passou por um período em que nada parecia funcionar, não importando o que tentasse, tudo dava errado? Como foi que você reagiu? Quero desafiá-lo a confiar que DEUS está com você em todas as circunstâncias e transformará seu pranto em dança!

Questões Para Reflexão ou Discussão

1. Quando foi a última vez em que você passou por um período em que nada parecia funcionar e, não importa o que tentasse, tudo dava errado?  Como você reagiu?

2. Você concorda com o autor que afirma haver estações inevitáveis na vida, tempos para alcançar sucesso e tempos para fracassar, tempos para avançar e tempos para parar, ou mesmo recuar?  Explique sua resposta.

3. O que você acha que Jesus Cristo quis dizer ao falar que precisava “beber o cálice” que Deus tinha Lhe dado? 4

4. O quanto a fé ajuda a suportar períodos em que tudo parece ir mal e não existe nenhuma evidência aparente de que as coisas mudarão em breve? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Eclesiastes 3:1-15; Romanos 5:3-5; Hebreus 11.39-40; Tiago 11-28; 1Pedro 1.6-7.

Seiscentos e Sessenta e Seis (O Tempo)

Seiscentos e Sessenta e Seis (O Tempo)

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente…

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

Quando se vê, já é 6ª-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio

seguia sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


Um dos mais populares poemas de Mario Quintana. Reflete sobre a passagem dos anos. O poeta escreve de modo simples e informal, como se estivesse dizendo que os anos passaram, e ele percebeu tudo o que já aconteceu e não tem mais volta. Em tom de conselho, diz como viveria se pudesse voltar no tempo.


Fonte: Pensador

Foto: Google

1.23.2026

Páscoa - Luiz Fernando Veríssimo


O Luiz Fernando Veríssimo escreveu uma crônica hilariante sobre a Páscoa. Foi um diálogo absurdo entre um menino, seu pai e sua mãe, sobre o sentido dessa festa. A crônica termina com uma observação justíssima do menino. Disse ele: “Eu acho que ao invés de “coelho da Páscoa” deveria ser “galinha da Páscoa…” Pois é claro. Todo mundo sabe que coelhos não botam ovos. E todos sabem que galinhas botam ovos…

Confesso minha ignorância: não sei como é que o coelho entrou nessa estória. Para início de conversa é preciso lembrar que os textos sagrados não fazem referência alguma a esse animalzinho fofo. Quem foi que teve a ideia de torná-lo o personagem mais importante dessa celebração cristã?

Certamente um gozador. E para tornar a estória mais absurda, fizeram com que os coelhos, que não botam ovos, botassem ovos de chocolate… Nos tempos de Jesus Cristo havia chocolate? Acho que não. Galinhas não são seres poéticos. Na poesia elas sempre aparecem como bichos engraçados, cacarejantes, de inteligência curta, cuja única função é botar ovos e serem transformadas em canja. Assim é compreensível que vocês não gostem da ideia de galinhas de Páscoa. Eu também não gosto.

Mas poderia ser “pombas de Páscoa”. Pombas são seres teológicos. Começando com a Arca de Noé. A se acreditar no relato do Antigo Testamento Noé, para se certificar de que o dilúvio acabara, soltou um corvo. Confesso que se eu fosse Noé teria adotado um método mais simples. Teria aberto a janela da arca e esticado o pescoço para fora. Eu veria, então, que a chuva havia terminado e que as plantas já estavam soltando os seus brotos. Será que Noé acreditava que o corvo, depois de voar, voltaria para dar um relatório? Como é que o corvo comunicaria os seus achados? O corvo ingrato não voltou. Desde então eles ficaram aves de má fama, injustamente. Vendo que o corvo não voltava e sem se dar conta do método mais fácil que sugeri, ele soltou uma pomba. Ah! Ave maravilhosa! Voou, viu, apanhou um ramo verde de oliveira, e o trouxe para Noé! É preciso notar que as oliveiras daqueles tempos extraordinários deveriam ser diferentes das oliveiras de agora. As oliveiras de agora certamente estariam mortas, depois de passar tanto tempo debaixo d’água. Oliveiras não são plantas sub-aquáticas. Foi então que, pelo galho de oliveira que a pomba lhe trouxera, Noé ficou sabendo que o dilúvio havia chegado ao fim. Desde então as pombas passaram a ser símbolos teológicos: símbolos de pureza, símbolos de paz. Uma das telas mais comoventes de Picasso é uma menina com uma pombinha nas mãos. De fato as pombas têm um jeitinho de mansidão. O que não acontece com os corvos negros de bico torto. Bom para os corvos, mau para as pombas. As pombas passaram a serem usadas como aves a serem sacrificadas no templo pelas razões mais incríveis. Se não me falha a memória as mulheres, terminado seu período menstrual de impureza, deveriam sacrificar pombas no templo para se purificarem. Pobres pombas! O templo era uma sangueira. Quem quiser saber mais sobre a sangueira do templo que leia o livro de Saramago, “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Os corvos, pela esperteza do primeiro corvo que não voltou, ficaram livres desse triste destino. Vem então o Novo Testamento que sacraliza definitivamente as pombas, ao relatar que o Espírito Santo é uma pomba. Sobre isso leia-se o poema de Alberto Caeiro em que ele conta como Jesus voltou à terra, tornado outra vez menino. É lindo.

Brincadeira de lado, o embaraço dos pais e a pergunta do menino revelam a confusão que marca essa festa. Ninguém sabe direito o que é que está sendo celebrado. E, para dizer a verdade, acho que são bem poucos aqueles que fazem alguma celebração. Antigamente semana santa era coisa séria. Lembro-me da procissão do enterro, os panos roxos, a banda de música tocando a marcha fúnebre de Chopin, as matracas, as mulheres mais piedosas carregando pedras na cabeça, como penitência… Isso mesmo: as mulheres carregavam pedras na cabeça. Como é bem sabido, Deus gosta de ver os seus filhos e filhas sofrer. Isso para não dizer da quaresma que a antecede, tempo em que as hostes do mal, demônios de todos os tipos, assombrações, mulas sem cabeça, almas penadas, ficavam soltas e todo mundo tinha medo de sair à noite. Sempre havia alguém que relatava, pela salvação da mãe morta, que havia visto uma mula sem cabeça numa encruzilhada à meia-noite. Meia noite era a hora do medo. E no escuro ouvia-se o zunido sinistro dos berra-bois. Semana Santa era um tempo metafísico, entre o céu e o inferno.

Agora é diferente. Páscoa é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de barro, bate no jarro, jarro é de ouro, bate no touro touro é valente, chifra a gente, a gente é fraco, cai no buraco, buraco é fundo, acabou-se o mundo… Páscoa é fim de semana santa, feriado de três dias, a praia está esperando, hora de se preparar para a viagem…

Contou-me um sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa que lá a Páscoa é uma grande festa. O comunismo não foi capaz de destruir a alma do povo. Pela manhã as pessoas saem pelas ruas e se cumprimentam dizendo: “Cristo ressuscitou!” E o outro responde, com uma risada: “Sim, ele ressuscitou!” ( A obra sinfônica de Rimski-Korsakov “A grande Páscoa russa” é linda”. E agora percebo que faz muito tempo que não a ouço.) . Entre nós, país onde 99% das pessoas acreditam em Deus (acreditam porque acham que, se não acreditarem, é capaz de ele, Deus, enviar algum castigo…), a Páscoa é como uma casca de cigarra presa no tronco de uma árvore. Vazia. Morta. Não tem nada lá dentro. Mas já foi o corpo de um ser vivo que, cansado de ficar preso na casca, criou asas e voou. A Páscoa, com seus ovos de chocolate, é celebração inconsciente de um tempo que não existe mais, tempo em que se acreditava. Os ovos de chocolate, vocês sabem, são tão ocos quanto as cascas de cigarra…

Na tradição cristã mais antiga a semana santa era um teatro, o drama da vida dentro de uma casca de noz. Teologia mínima. Duas cenas apenas. Primeira cena: a morte e o seu horror parecem triunfar. Segunda cena: a vida sai do túmulo de pedra, deixando-o vazio como uma casca de cigarra.

A Adélia diz: “De vez em quando Deus me castiga, me tira a poesia. Olho uma pedra e vejo uma pedra…” Tem gente que ouve o canto das cigarras e ouve apenas o canto das cigarras. Tem gente que fala Páscoa e só vê ovo de chocolate. Pensam na ressurreição como algo aconteceu, faz muito tempo, num lugar distante. ( Impossível. mortos não ressuscitam. ) E pensam em algo que acontecerá de novo num tempo distante, muito longe, no futuro (Impossível. Mortos não ressuscitarão.). Mas a poesia não conhece nem o passado e nem o futuro. O passado sobre que a poesia fala é presente na memória e nos sentimentos. O futuro sobre que a poesia fala é presente na

esperança. Assim os poemas da ressurreição falam sempre do presente. A Morte é agora. Nós somos o túmulo. “Quem anda duzentos metros sem vontade anda seguindo o próprio funeral vestindo a própria mortalha…’ Muita gente morreu e não percebeu. Mas a Ressurreição pode acontecer também agora.

Tenho, no meu escritório, uma tela de Pierro della Francesca ( 1410 – 1492 ) chamada “Ressurreição”. A pedra do túmulo corta a tela em duas partes. Na parte de cima, com seu pé sobre a pedra, o Cristo ressuscitado. Na parte inferior, encostados à pedra, os guardas adormecidos. Perguntam-me sobre o sentido da tela. Respondo que não sei o sentido da tela. As telas têm muitos sentidos. Eu só posso dizer os pensamentos que aquele quadro me faz pensar. E digo: enquanto os guardas da morte estão dormindo, o divino que mora em nós sai do sepulcro. Sabem disso as cigarras. Caminhando hoje pela manhã na fazenda Santa Elisa eu ouvi o seu canto. Já haviam deixado suas cascas nos troncos das árvores. Agora são seres alados. Cantam e voam, a procura do amor… Acho que estão celebrando a Páscoa… - Rubem Alves


Fonte: Pensador

Foto: Google

 

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