1. Deixa-me seguir para o mar
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios é não poderem parar!
Nos primeiros
três versos o poeta pede que o seu desejo seja respeitado, isto é, que ele
possa ser aquilo que é e que possa ir embora quando desejar.
Logo a seguir,
na segunda passagem, o sujeito poético identifica-se com um rio e pinta o
cenário ao seu redor (as nuvens sobre si, as margens, as crianças que se
divertem na água).
Desejando
identificar-se ainda mais com a imagem do rio, o poeta usa a metáfora para
dizer que não se pode guardar o que está em movimento.
O espelho não
guarda a imagem daquilo que reflete (e lembremos que o próprio rio contém o
espelho d'água), assim como impõe o movimento de passagem.
O rio, assim
como o poeta, flui. Vemos também, através da comparação do sujeito poético, a
consciência da passagem do tempo.
Fonte: Pensador
Foto: Google

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