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1.27.2026

Deixa-me seguir para o mar - Mário Quintana

 

1. Deixa-me seguir para o mar

Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como

evocar-se um fantasma... Deixa-me ser

o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...

 

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,

me recamarei de estrelas como um manto real,

me bordarei de nuvens e de asas,

às vezes virão em mim as crianças banhar-se...

 

Um espelho não guarda as coisas refletidas!

E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,

as imagens perdendo no caminho...

Deixa-me fluir, passar, cantar...

toda a tristeza dos rios é não poderem parar!

 

Nos primeiros três versos o poeta pede que o seu desejo seja respeitado, isto é, que ele possa ser aquilo que é e que possa ir embora quando desejar.

Logo a seguir, na segunda passagem, o sujeito poético identifica-se com um rio e pinta o cenário ao seu redor (as nuvens sobre si, as margens, as crianças que se divertem na água).

Desejando identificar-se ainda mais com a imagem do rio, o poeta usa a metáfora para dizer que não se pode guardar o que está em movimento.

O espelho não guarda a imagem daquilo que reflete (e lembremos que o próprio rio contém o espelho d'água), assim como impõe o movimento de passagem.

O rio, assim como o poeta, flui. Vemos também, através da comparação do sujeito poético, a consciência da passagem do tempo.


Fonte: Pensador
Foto: Google

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