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1.26.2026

Deus existe? - R. Santana

Deus existe?

R. Santana 

Quando rapazinho, eu estudei o 4º. Ano Ginasial (9ª. Série), no Colégio Firmino Alves que funcionava em frente ao Conselho Nacional do Produtores do Cacau (CNPC). Eu estudava à noite, aliás, naquela época, uma escola de ponta, lá, havia uma equipe docente de altíssima qualificação profissional.

Naquele primeiro dia de aula, apresentou-se um professor negro que iria nos ensinar Geografia. Era um negro alto, simpático, mas afetado (naquele tempo, ele era diretor administrativo da rádio “Difusora Sul da Bahia”, depois de algum tempo, advogado, juiz e desembargador), no término da aula, ele deixou escrito no quadro-giz, alguns questionamentos para que pudéssemos refletir. Particularmente, eu procurei desenvolver esses questionamentos existenciais o tempo todo e, até hoje eu ainda me pergunto: “Quem sou eu, de onde vim e para onde vou”? Essas perguntas são axiomas que exprimem princípios verdadeiros sem interferência lógica aristotélica. Quando algum sabichão tenta respondê-las, ele envereda-se numa teia de conjecturas e as respostas nunca satisfazem. Tudo que beira à metafísica, o abstrato está acima do concreto.

Deus é um ser que não se tem prova, mas evidência. Muitas pessoas se desesperam para compreender os planos de Deus ao invés de se contentarem com seus propósitos.  Os teólogos e metafísicos caracterizam Deus como um ser onisciente (saber absoluto), onipresente (está em todos os lugares), onipotência (poder eterno), eternidade (sempre existiu e existirá) e imutabilidade (não muda). Particularmente, acho que os atributos de bondade, justiça, santidade, misericórdia e amor nivelam o ser (Deus) ilimitado ao ser (homem) limitado, por isto, a proliferação de agnósticos e ateus. Para o agnóstico Deus é uma verdade intangível, abstrata que jamais será atingido fisicamente, senão, pelo pensamento cartesiano. Parodiando René Descartes: “Penso, logo, existe”.

Para Friedrich Nietzsche, Deus não existe, inclusive, baseado nos ensinamentos de Jesus Cristo: “Jesus questiona que pai daria uma pedra se o filho pedisse pão, ou uma cobra/escorpião se pedisse peixe”? Ora, se Deus é o Pai, por que Ele permite tanta dor e sofrimento no mundo? E, tantas injustiças? Tantos desastres ceifando a vida dos inocentes? A resposta é que os desígnios de Deus são para serem aceitos, não compreendidos. Ele não deixou o determinismo, mas, o livre arbítrio, muitas coisas de ruins acontecem pela ação do homem, não por sua permissão.

O homem quando nasce é uma “tabula rasa”, conforme o pensamento de John Locke, nós somos nossas circunstâncias, somos tudo que adquirimos ao longo do tempo. A experiência, o conhecimento e a sabedoria vão se consolidando nessa “tabula rasa” até formar o sujeito cognitivo e personalidade individual.

Quando era adolescente, incomodava-me quando alguém dizia: “Deus castiga”, não podia fazer isso ou aquilo que Deus castigava, os nossos pais usavam este expediente à beça. A Igreja católica difundia três planos transcendentais para punir os maus e premiar os bons: - o paraíso, o inferno e o céu. Os recuperáveis iam para o paraíso, os que não tinham mais nenhuma recuperação, eram fadados ao fogo do inferno e os santos pecadores iriam para os céus.

Nunca acreditei na promessa do Deus da Bíblia: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido" (Salmo 91:7). Se todos nós somos seus filhos, Ele se manifestar a favor de um em detrimento dos demais, aceita-se o simbolismo pela fé.

Para responder às questões dos ateus, que se Deus existisse, não haveria tanta dor e sofrimento no mundo que, justiça para os justos e punição para os injustos. Claro que os percalços da vida não são tão fáceis de explicar. A existência é um mistério, embora o nosso destino não seja determinado a priori, se não soubermos usar a nossa liberdade (livre-arbítrio), a vida é um fardo. Para justificar essas indagações, que Deus não interfere em nossas ações e a natureza responde às más ações do homem, no livro de minha autoria: “O homem nasce para ser feliz?”, tive o propósito de esclarecer o bem e o mal, embasado em minhas observações e justificar a “ausência” de Deus, com a teoria do “Mundo das Possibilidades”, Capítulo IV, vejamos:

O livre-arbítrio e o determinismo sempre mexeram com a cabeça dos pensadores. Hoje, ganha fôlego o princípio filosófico do livre-arbítrio, pelo menos para explicar as ações humanas e o maniqueísmo filosófico do bom e do mal, ou seja, o homem, animal racional, possui o livre-arbítrio de escolher Deus ou o Diabo, o certo ou o errado. Às vezes, o determinismo ganha mais força para justificar o inexplicável, principalmente, junto ao homem simples, é comum alguém dizer: “... foi o destino, Deus quis assim...”, isto é, como se tudo tivesse predeterminado, decerto, é a maneira do homem simples racionalizar o imprevisto. O determinismo é a teoria do fatalismo, mecanicista, as coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão a priori de ser, veja o exemplo do que ocorre com as castas sociais hindus, elas são predeterminadas, um pária (casta inferior) não tem o direito de aspirar sua ascensão social ou religiosa, pois lhe é negado desde o nascimento esse direito pela sociedade e pelo sistema religioso brâmane. A História da Humanidade não pode ser reduzida à malícia da serpente, à fragilidade de Eva e à ingenuidade de Adão, que instigado por Eva, Adão usou o seu livre-arbítrio e comeu a fruta do conhecimento (mesmo ameaçado de morrer e expulsão do Éden) do bem e do mal, a fruta do pecado, a maçã, a fruta do amor... de lá pra cá, somos todos vítimas do pecado original, ou seja, nascemos com o estigma do determinismo do pecado original. Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre-arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócioambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades: a) Necessárias; b) Contingenciais; c) Reais. Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como ideia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”. A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão: -Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata. - Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde... - Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido. As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias... A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócioambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco. O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo. O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre-arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”. Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos. “O homem nasce para ser feliz?” (Autor:  Rilvan Batista de Santana, Cap IV)

As doutrinas religiosas e filosóficas: monoteísmo, politeísmo, panteísmo, deístas, teístas, judaísmo, islamismo, etc., discutem Deus mas, não provam a existência de Deus porque, Ele se aceita pelas evidências, O maniqueísmo entre o bem e o mal sempre existirá. Deus é uma possibilidade existencial necessária que se impõe por si, mesmo que alguém O negue. Deus está na categoria Kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

Enfim, Deus existe, não é o Deus da Capela Sistina de Michel Ângelo, é um Deus inteligente e eterno, uma verdade absoluta. O caminho para chegar a Deus é a fé. Quem é cristão, Jesus Cristo deixou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. A eterna atriz Dercy Gonçalves, numa entrevista com Sílvio Santos, declarou: “Eu tenho meu Deus, quando faço alguma coisa errada, Ele dá uma lapada!”, talvez, ela tivesse tido razão...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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