12.22.2025

15 curiosidades sobre Mahatma Gandhi que você precisa saber - Nathália Tourais

15 curiosidades sobre Mahatma Gandhi que você precisa saber.

Por Nathália Tourais   |   Reprodução

ORIGENS

Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma Gandhi, foi o idealizador e fundador do moderno indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Para quem não sabe, Mahatma significa A Grande Alma.

CASAMENTO NA JUVENTUDE

Como é de costume na Índia, Gandhi teve um casamento arranjado entre famílias aos 13 anos de idade, com Kasturba Gandhi, de 14 anos.


FORMAÇÃO EM DIREITO

Desafiando os regulamentos de sua casta, decidiu, junto de sua família, que iria estudar Direito na Inglaterra. Para isso, prometeu abster-se de vinho, mulheres e carne.

CELIBATO

Além de aderir a não-violência e ao vegetarianismo, o Mahatma tornou-se celibatário. Mesmo casado, ele abdicou totalmente do sexo. Antes se tornar casto, Gandhi teve quatro filhos com sua esposa Kasturba.

ÁFRICA DO SUL

Gandhi foi um jovem extremamente tímido e, assim, quando voltou ao seu país, não conseguia exercer sua profissão. Partiu para a África do Sul, em uma oportunidade de trabalho, e sentindo-se discriminado, deu início ao movimento pacifista que lutava pelos direitos hindus. Foi lá que desenvolveu uma forma de ação baseada nos princípios da coragem, da não-violência e da verdade, que chamou de satyagraha ("verdade-força" ou "resistência não-violenta").

Com o tempo, atuando em alguns casos jurídicos, passou a ganhar notoriedade e disse: "eu aprendi a descobrir o lado bom da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir partes separadas"

O período de trabalho acabou e alguns amigos pediram que ele voltasse e ficasse lá, para que conduzisse a briga por direitos.

RETORNO


Gandhi buscou a esposa e os filhos na Índia e voltou para a África. Entretanto, os sul-africanos tentaram impedir suas atividades, fazendo com que ele não conseguisse aterrisar no país e só tivesse a permissão 40 dias depois.

Ao chegar, foi espancado por um grupo de brancos e quase morreu, precisando disfarçar-se (com a ajuda de algumas pessoas) para escapar com vida. Gandhi permaneceu na África do Sul por 20 anos, defendendo a minoria hindu, liderando a luta do seu povo pelos seus direitos.

GUERRA


Antes de abraçar de vez o pacifismo, Gandhi participou da II Guerra dos Boêres, na África do Sul. Ele organizou um corpo médico formado por indianos para cuidar dos feridos em batalha.

SIMPLICIDADE


Outra característica marcante era sua simplicidade. Gandhi vestia-se como os mais pobres e fazia questão de produzir a sua própria roupa.

SEPARAÇÃO

Gandhi separou-se de sua esposa quando já tinha quatro filhos, para viver com Hermann Kallenbach, um arquiteto e fisiculturista alemão de origem judaica que foi para a África do Sul e tornou-se um de seus discípulos mais próximos. Ambos viiveram sob o mesmo teto por dois anos, separando-se quando Gandhi retornou à Índia.

ÍNDIA

De volta à Índia, começou a difundir suas ideias pelos direitos dos trabalhadores, e contrárias ao domínio britânico, sempre pregando a não-violência como forma de luta. Esse método de resistência pacífica sempre foi usado na luta de Gandhi pela independência da Índia e nas reivindicações de reformas sociais. Logo tornou-se líder do movimento nacionalista hindu.

PRISÃO

Em seu país, organizou uma greve contra aumento de impostos e, durante as manifestações, pessoas queimaram um posto policial. Gandhi assumiu a culpa e foi condenado a seis anos de prisão, mas cumpriu apenas dois anos de pena. Ele foi preso outras vezes, totalizando sete anos na prisão por causa de suas atividades políticas e desobediência civil, que incluíram boicote a produtos britânicos e recusa ao pagamento de impostos.

SONHO DE UNIÃO

Gandhi era contra qualquer plano que dividisse Índia e Paquistão. Se fosse por ele, ambos formariam um único país. Infelizmente, o desejo de Mahatma não se concretizou e a Índia de maioria hindu e o Paquistão de maioria islâmica selaram a separação pouco tempo depois da independência do Reino Unido.

MORTE


No dia 30 de janeiro de 1948 Gandhi foi assassinado com três tiros por Nathuram Godse, um ativista de uma organização da extrema-direita hindu que temia a tolerância de Gandhi em relação a outros credos e religiões. Suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.

MÁXIMAS PREGADAS POR GANDHI



“Olho por olho, e o mundo acabará cego.”

“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.”

“A força não provém da capacidade física e sim da vontade indomável.”

“O amor nunca faz reclamações; dá sempre. O amor tolera; jamais se irrita e nunca exerce vingança.”

“O amor é a força mais sutil do mundo.”

“Aquele que não é capaz de se governar a si mesmo não será capaz de governar os outros.”

“A alegria está na luta, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”.

“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.”

“É melhor que fale por nós a nossa vida, que as nossas palavras.”

PREMIO NOBEL DA PAZ

Por incrível que pareça, Gandhi nunca recebeu um Prêmio Nobel da Paz. Foi indicado cinco  e apenas décadas depois o erro foi reconhecido pelo Comitê Organizador.

Por Nathália Tourais   |   Reprodução

 

Incidente na casa do Ferreiro - Luís Fernando Veríssimo

 

Incidente na casa do Ferreiro

    Pela janela vê-se uma floresta com macacos. Cada um no seu galho. Dois ou três olham o rabo do vizinho, mas a maioria cuida do seu. Há também um estranho moinho, movido por águas passadas. Pelo mato, aparentemente perdido – não tem cachorro – passa Maomé a caminho da montanha, para evitar um terremoto. Dentro da casa, o filho do enforcado e o ferreiro tomam chá.

Ferreiro – Nem só de pão vive o homem.
Filho do enforcado – Comigo é pão, pão, queijo, queijo.
Ferreiro – Um sanduíche! Você está com a faca e o queijo na mão. Cuidado.
Filho do enforcado – Por quê?
Ferreiro – É uma faca de dois gumes.
(Entra o cego).
Cego – Eu não quero ver! Eu não quero ver!
Ferreiro – Tirem esse cego daqui!
(Entra o guarda com o mentiroso).
Guarda (ofegante) – Peguei o mentiroso, mas o coxo fugiu.
Cego – Eu não quero ver!
(Entra o vendedor de pombas com uma pomba na mão e duas voando).
Filho do enforcado (interessado) – Quanto cada pomba?
Vendedor de pombas – Esta na mão é 50. As duas voando eu faço por 60 o par.
Cego (caminhando na direção do vendedor de pombas) – Não me mostra que eu não quero ver.
(O cego se choca com o vendedor de pombas, que larga a pomba que tinha na mão. Agora são três pombas voando sob o telhado de vidro da casa).
Ferreiro – Esse cego está cada vez pior!
Guarda – Eu vou atrás do coxo. Cuidem do mentiroso por mim. Amarrem com uma corda.
Filho do enforcado (com raiva) – Na minha casa você não diria isso!
(O guarda fica confuso, mas resolve não responder. Sai pela porta e volta em seguida).
Guarda (para o ferreiro) – Tem um pobre aí fora que quer falar com você. Algo sobre uma esmola muito grande. Parece desconfiado.
Ferreiro – É a história. Quem dá aos pobres empresta a Deus, mas acho que exagerei.
(Entra o pobre).
Pobre (para o ferreiro) – Olha aqui, doutor. Essa esmola que o senhor me deu. O que é que o senhor está querendo? Não sei não. Dá para desconfiar…
Ferreiro – Está bem. Deixa a esmola e pega uma pomba.
Cego – Essa eu nem quero ver…
(Entra o mercador).
Ferreiro (para o mercador) – Foi bom você chegar. Me ajuda a amarrar o mentiroso com uma… (Olha para o filho do enforcado). A amarrar o mentiroso.
Mercador (com a mão atrás da orelha) – Hein?
Cego – Eu não quero ver!
Mercador – O quê?
Pobre – Consegui! Peguei uma pomba!
Cego – Não me mostra.
Mercador – Como?
Pobre – Agora é só arranjar um espeto de ferro que eu faço um galeto.
Mercador – Hein?
Ferreiro (perdendo a paciência) – Me dêem uma corda. (O filho do enforcado vai embora, furioso).
Pobre (para o ferreiro) – Me arranja um espeto de ferro?
Ferreiro – Nesta casa só tem espeto de pau.
(Uma pedra fura o telhado de vidro, obviamente atirada pelo filho do enforcado, e pega na perna do mentiroso. O mentiroso sai mancando pela porta enquanto as duas pombas voam pelo buraco no telhado).
Mentiroso (antes de sair) – Agora quero ver aquele guarda me pegar!
(Entra o último, de tapa-olho, pela porta de trás).
Ferreiro – Como é que você entrou aqui?
Último – Arrombei a porta.
Ferreiro – Vou ter que arranjar uma tranca. De pau, claro.
Último – Vim avisar que já é verão. Vi não uma mas duas andorinhas voando aí fora.
Mercador – Hein?
Ferreiro – Não era andorinha, era pomba. E das baratas.
Pobre (para o último) – Ei, você aí de um olho só…
Cego (prostrando-se ao chão por engano na frente do mercador) – Meu rei.
Mercador – O quê?
Ferreiro – Chega! Chega! Todos para fora! A porta da rua é serventia da casa!

(Todos se precipitam para a porta, menos o cego, que vai de encontro à parede. Mas o último protesta).
Último – Parem! Eu serei o primeiro.
(Todos saem com o último na frente. O cego vai atrás).
Cego – Meu rei! Meu rei!

Incidente na casa do ferreiro traz uma história cheia de referências a ditados populares brasileiros. É por meio dos provérbios que Luis Fernando Veríssimo faz um texto marcado pelo absurdo e pelo cômico.

Logo no início percebemos um narrador-observador que nos descreve o cenário em que se passa a história. O espaço-tempo já nos revela um ambiente ilógico e atemporal, onde águas passadas movem um moinho e macacos cuidam do seu próprio rabo, cada um no seu galho.

Os personagens principais são o “ferreiro” (fazendo alusão à “em casa de ferreiro o espeto é de pau”) e o “filho do enforcado” (referência de “em casa de enforcado não se fala em corda”).

Outros personagens vão surgindo aos poucos, como um cego, um vendedor, um guarda, um mentiroso, um coxo, um pobre, um mercador e o “último”. Todos eles estão relacionados a ditos populares e juntos na mesma narrativa criam uma atmosfera teatral e satírica.

Para melhor compreensão do texto, é esperado que o leitor tenha conhecimento dos provérbios citados. Por isso, a crônica se torna também uma espécie de “piada interna” para o povo brasileiro.

Autoria: Luís Fernando Veríssimo

Foto: Google

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12.20.2025

Fiu-fiu - Luis Fernaando Veríssimo

 Fiu-fiu

Lançaram agora um celular à prova d’água, que você pode usar no chuveiro. Ou em qualquer outro lugar embaixo d’água. No mar, por exemplo.

— Bem, não me espere para o jantar...

— Onde você está?

— Sabe a nossa pesca submarina?

— O que houve?

— Pensei que fosse uma garoupa e era um tubarão. E ele está vindo na minha direção.

— Você ainda está embaixo d’água?!

— Estou.

— E o seu arpão?

— O tubarão engoliu!

— Ligue para a Guarda Costeira!

São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares, e agora nem as piscinas estão seguras.

Os celulares são práticos e se tornaram indispensáveis, eu sei, mas empobreceram a vida social. Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha? Ou um casal em outra mesa, os dois mergulhados nos respectivos celulares sem nem se olharem, o que dirá se falarem — a não ser que estejam trocando mensagens silenciosas entre si, o que é ainda mais triste?

Os celulares podem ser perigosos de várias maneiras, mesmo que não derretam o cérebro, como se andou espalhando há algum tempo. Imagino uma velhinha que ganhou um celular dos netos sem que estes se dessem ao trabalho de explicar seu funcionamento para a vovó. Não contaram, por exemplo, que o celular dado assobia quando recebe uma mensagem. É um assovio humano, um nítido fiu-fiu avisando que alguém ligou, e que pode soar a qualquer hora do dia ou da noite. E imagino a vovó, que mora sozinha, dormindo e, de repente, acordando com o assovio. Um fiu-fiu no meio da noite! A vovó, se não morrer imediatamente do coração, pode ficar apavorada. Quem está lá? Um ladrão ou um fantasma assoviador? E o assovio tem algo de galante. A vovó pode muito bem sair da cama, sem saber se está acordada ou sonhando, e caminhar na direção do fiu-fiu sedutor, como se tivessem vindo buscá-la. Alguém pensou nas vovós solitárias quando inventou o assovio?

O fato é que não há mais refúgio. Nem castelos anti-smartphones com um fosso em volta. Eles agora podem atravessar o fosso.

Fonte: Luís Fernando Verissimo

Foto: Google

 

Padre Júlio Lancellotti, as redes digitais e o “incômodo” aos poderosos por optar pelos mais pobres

 Padre Júlio Lancellotti, as redes digitais e o “incômodo” aos poderosos por optar pelos mais pobres

A seção PONTO DE VISTA é um espaço que a Mangue Jornalismo abre para que pessoas possam expressar perspectivas que estimulem o interesse e o debate público. O artigo deve dialogar com os princípios da Mangue, entretanto ele não precisa representar necessariamente o ponto de vista da organização.

Neste mês de dezembro de 2025, muita gente foi pega de surpresa com o anúncio de que o padre Júlio Lancellotti estaria sendo afastado das redes digitais. A missa que ocorre na Paróquia de São Miguel Arcanjo na cidade de São Paulo não será mais transmitida pelo padre Júlio Lancellotti

Ainda se espalhou nessas redes que o padre seria afastado das funções na paróquia por decisão do cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer. Desde então, não sabemos de mais nada.

O sacerdote católico não explicou o motivo, mas, segundo Denise Ribeiro, jornalista e voluntária que trabalha com o padre, o fim das transmissões é uma determinação da Arquidiocese de São Paulo. Ela conta que a ordem foi recebida na semana passada diretamente do cardeal. O breve texto da jornalista pode ser lido na internet.

O Pe. Júlio Lancellotti é uma figura muito conhecida nas redes digitais, na vida social de São Paulo e para além da capital paulista. Desenvolve um trabalho marcante com a população em situação de rua há mais de 30 anos e se tornou referência no tema. Incomodou e incomoda políticos de direita, sendo perseguido pelo prefeito de São Paulo e diariamente atacado nas redes digitais.

O padre tem atuação constante, seu Instagram, em particular, tem milhares de seguidores. A conclusão óbvia: o afastamento do padre Júlio foi motivo de controvérsia e de várias polêmicas. Especula-se as razões de seu afastamento sem ainda termos nada comprovado.

Lemos em vários textos e notas nas redes que seria alguma forma de perseguição ao padre. Sabe-se que seu trabalho e atuação na internet tem sido alvo de ataques constantes desde 2016 pelo menos. E, recentemente, Pe. Júlio foi alvo de sistemático ataque em que se resgatou processos antigos em que foi acusado pela Justiça.

Em 2024, Pe. Júlio e seu trabalho pastoral com pessoas em situação de rua foi motivo de uma CPI na cidade de São Paulo perpetrada por um vereador de direita. A CPI foi arquivada. Mas as críticas e ameaças ao padre continuaram.

Qual a novidade destes últimos ataques ao padre Júlio? Denúncias que chegaram ao Vaticano e que “obrigaram” o cardeal arcebispo a tomar alguma decisão. Exatamente quais seriam as denúncias, ainda não sabemos, oficialmente. Como sempre, temos várias especulações. O que se sabe é que um desses “youtubers” de direita e um deputado mineiro do PL fizeram formalmente denúncias contra o mesmo na Nunciatura brasileira.

Nosso texto não tem a intenção de atacar o cardeal ou julgar suas atitudes públicas sobre o padre Júlio, mas tentar entender a situação dentro das informações disponíveis que temos e para além do sensacionalismo midiático.

Também não somos neutros na leitura sobre a atuação do padre Júlio nas redes de internet. Acreditamos que seu trabalho é de grande importância e tem relevância nos meios de comunicação e na sua opção pelos pobres e marginalizados desse País.

Nossa leitura foca num ponto importante: o papel do padre Júlio nas redes digitais no atual momento histórico do Brasil e da conjuntura eclesial vivida pelo catolicismo Romano nas últimas décadas.

É público e notório a polarização interna vivida pela Igreja Católica no Brasil desde 2013 e que foi aumentando paulatinamente em 2014…. 2016… 2018 (ponto alto!) e 2022 (com a disputa Lula/Bolsonaro).

Percebemos sem muito esforço uma extrema direita católica atuante sistematicamente nestas redes digitais por meio de grupos organizados e “Youtubers” se tornaram populares na internet e chegando a influenciar em dioceses e paróquias.

Com militância virulenta, ataques constantes ao Concílio Vaticano II (1962-1965), a teologia da libertação, a defesa de teorias da conspiração, reprodução das ideias de Olavo de Carvalho ou delírios sobe infiltração comunista dentro da Igreja, esses grupos/youtubers prepararam um terreno fértil para ataques de toda ordem. Bispos foram atacados covardemente (a exemplo de Dom Mol ou Dom Vicente Ferreira), teólogos/teólogas, leigos/leigas atuantes nas pastorais sociais, padres… todas essas pessoas foram impiedosamente agredidas. Em casos mais extremos, rolou processo judicial.

E como não poderia ser diferente e por sua relevância, padre Júlio foi um dos alvos que mais sofreu ataques de toda sorte. Desde agressões à sua honra até suas posições políticas. 

Acreditamos que um dos pontos que merece uma leitura atenta é as coisas geradas nestas redes digitais. O professor Sérgio Amadeo tem alertado constantemente para os perigos de uma certa militância de direita na internet contemporânea e seus livros mais recentes são necessários para uma compreensão do que ocorre com o padre Júlio.

A igreja Católica no Brasil e suas lideranças na CNBB ainda não perceberam a real relevância das redes digitais e seu papel na popularidade de ideias religiosas. Hoje podemos ver uma imensidão de brasileiros/brasileiras que tem um aparelho de celular e faz uso cotidiano dele. Estamos diante de uma realidade inescapável. E o padre Júlio não se negou ao trabalho pastoral para além do presencial. Entrou nestas redes e fez e faz uma diferença enorme. Ele ampliou seu horizonte de ação.

Como optou livre e evangelicamente em trabalhar com os mais pobres e em condição de marginalidade, ele se tornou alvo de muitos poderosos ou de religiosos de extrema direita.

Além de celebração eucarística, suas missas aos domingos são lugar de informes e denúncias. O padre indica leituras e reforça um processo de conscientização. Padre Júlio é um notório discípulo de Paulo Freire. O nosso mais famoso filósofo da educação é um dos mais atacados por uma direita desqualificada e despreparada para uma profunda reflexão pedagógica.

Para nós, os ataques ao padre Júlio vêm, principalmente, pela ameaça que ele representa aos “donos do poder”. 

O padre virou personalidade pública e influente na atual quadra histórica deste Brasil constantemente em transe. Padre Júlio tem uma autêntica atuação popular. Faz um sistemático trabalho de base e disputa políticas públicas para beneficiar os mais pobres de São Paulo. Virou uma pessoa escutada muito além do marco territorial paulista e tem uma rede de apoio nas redes digitais. E isto incomoda e muito. Dentro e fora da Igreja Católica.

Romero Venâncio é graduado em Teologia pelo Instituto de Teologia do Recife (ITER), em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre em Sociologia pela mesma universidade e doutorado Interinstitucional em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É professor de Filosofia na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e presidente da Adufs (Sindicato das(os) Docentes da Universidade Federal de Sergipe)


Fonte: ROMERO VENÂNCIO, especial para a Mangue Jornalismo

Foto: Produção

 

12.19.2025

A metamorfose - Luís Fernando Veríssimo

 

A metamorfose

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror… Preciso acabar com essas baratas…”

Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocino - Lar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?… Tinha educação?…. Referências?… Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.

Difícil era ser gente… Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar ? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado… Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões ! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.

Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi : “Meu Deus!… A casa foi dedetizada há dois dias!…”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida.

Kafka não significa nada para as baratas…

Nessa obra, Veríssimo nos presenteia com uma narrativa envolvente, que associa o humor a um caráter filosófico e questionador. Ele se referencia na obra Metamorfose de Franz Kafka, na qual um homem se transforma em uma barata.

Entretanto, aqui ocorre a transformação inversa, sendo uma barata que se humaniza, convertendo-se em mulher.

Veríssimo encontrou assim uma forma de trazer questionamentos importantes sobre a sociedade e o comportamento humano. Isso porque a todo momento ele evidencia o contraste entreo instinto versus o raciocínio.

O cronista usa a barata como símbolo do irracional, mas ao descrever as complicações presentes na vida cotidiana dos seres humanos, nos faz pensar em como a própria existência e os nossos costumes são complexos. Isso é acentuado através da classe social humilde a que a mulher é inserida.

A barata, depois que vira humana, passa a se chamar Vandirene. Ela encontra trabalho como faxineira, passa por problemas financeiros e cotidianos típicos de mulheres da classe baixa, mas por um golpe de sorte, ganha na loteria e enriquece.

Nessa passagem, o autor deixa subentendido como é improvável que uma pessoa pobre consiga ficar rica, negando a ideia de que se alguém trabalhar muito conseguirá. Vandirene havia batalhado, mas só teve dinheiro quando acertou na loteria.

Por fim, a mulher acorda um dia e percebe que havia se transformado novamente em inseto, era apenas impulso, não havia mais problemas, e, por isso a felicidade era completa.

Essa conclusão sugere que no fim todas as pessoas vão igualmente perdendo a consciência, e que o dinheiro que ganharam ou não em vida já não faz o menor sentido.

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

 

Quando o Vermelho Encontra a Pátria - Gustavo Velôso

 

Quando o Vermelho Encontra a Pátria

Por Gustavo Velôso

Em 17/12/2025


Torcer não é apenas escolher um escudo é escolher um lugar no mundo.

No meu chão doméstico, divido o coração sem culpa:

Esporte Clube Bahia, com sua alma ancestral e barroca, Club de Regatas Vasco da Gama, travessia, resistência e memória.

E é sabido, sem gritos nem ironias, que há hierarquias que o tempo sedimenta e superioridades que não precisam de megafone para serem reconhecidas.

Mas há um instante em que o clube se dissolve e sobra apenas o país.

É quando o mapa vira camisa e a arquibancada se torna território.

Por isso, no cenário internacional, não me cabe ódio esportivo.

Não torço contra brasileiros

quando atravessam oceanos levando nas costas mais do que patrocínios: levam nossa língua, nosso improviso, nossa teimosia alegre de existir.

Meus amigos discordam.

Chamam rival o que eu chamo de sinal.

Inimigo o que eu reconheço como destino compartilhado.

O Flamengo, nesse palco maior,

não é adversário: é aniversário.

Celebração de uma escola, de uma história que aprendeu cedo

a dialogar com o mundo sem pedir permissão.

Hoje, quando o Clube de Regatas do Flamengo, enfrentou o Paris Saint-Germain Football Club (PSG), e na decisão por pênaltis, este sangrou-se campeão do Intercontinental não vi apenas seus jogadores e o seu jovem técnico Felipe Luiz.

Vi o Brasil em versão concentrada, respondendo à opulência europeia com identidade, técnica e coragem.

Foi representante à altura não por vencer ou perder, mas por sustentar presença.

Por lembrar que o futebol brasileiro não é passado glorioso,

é um idioma vivo.

E assim sigo: localmente plural,

internacionalmente patriótico,

convicto de que rivalidade termina na fronteira e que, fora dela, todo clube brasileiro é um espelho no qual o país se vê

ou se reencontra.


Fonte: Gustavo Velôso
Foto e Imagem: Google

12.18.2025

Minha mãe morreu tão cedo!... - Machado de Assis

Minha mãe morreu tão cedo!...

Eu era pequeno, era feliz; porque não conhecia os enganos do mundo, e os pesares da vida; inocente corria por entre as campinas, colhia flores e ia derramá-las sobre minha mãe, salvava os regalos que encontrava no meu brincar, corria atrás da borboleta azul, travava com ela um combate que acabava pela minha vitória; adormecia sossegado e feliz no meu berço inocente, embalado pelas cantigas e pelos beijos maternos que nas faces recebia; eu dormia o sono da infância era feliz; oh! quem me dera sempre viver assim! Ao depois cresci, quando podia retribui-lhe as suas caricias; quando mais me era precisa a sua existência, a cruel sorte me a roubou; oh! quanto sofro hoje que isolado do mundo, cansado da vida, não encontro o seu seio para esconder as minhas lágrimas, e nem os seus risos para adoçar-me as dores.

...... Uma mãe!... Palavra sublime, que enche o coração de prazer e entusiasmo, que eleva a alma a um viver inocente e belo.

Uma mãe!!... Único ente que nos ama no mundo, que compreende as nossas dores, que sofre quando sofremos, que chora quando nossa alma é triste, que se desespera quando choramos, e que morre quando o homem deixa o mundo de ilusões e prazeres para ir viver no mundo das felicidades. — Dores reais; sofrer sincero.

Oh! como é triste existir sem ter o elo que nos prende á vida, sem os afagos do verdadeiro amor, sem as doçuras da verdadeira afeição. E haverá quem não chore uma mãe?

Quem não sinta um vácuo no coração quando uma lágrima se desliza sobre o túmulo de uma mãe! Quem não sofra muito sem os cuidados desse anjo que o Senhor enviou á terra para ensinar-nos o amor, o dever e a religião ?

Oh! eu sou infeliz, muito infeliz...

Aos 9 anos perdi minha mãe, fiquei só no mundo; só como a rola sem o ninho! Entrei no mundo das ilusões e dos enganos; sofri muito, descri muito. A sociedade egoísta e corrupta fez-me descrer de todas as felicidades, de todo o amor sincero e verdadeiro, de toda a virtude; porque já tinha perdido o único ente que me amava com amor sincero, e a crença que me fazia feliz: fugi do mundo, entreguei-me á solidão e muito chorei, porque não encontrei quem me acalentasse nos braços e mitigasse as minhas dores.— Não tinha mãe!

Como eu sofro!... minha mãe, lá da mansão dos justos, lança a benção sobre teu filho, pede a Deus pela felicidade do padecente. Eu sem ti, sem o perfume da flor que me fazia feliz e crente, chorarei sempre sem consolação; porque uma mãe perde-se uma vez e nunca mais se encontra.

Fonte: Carta de Machado de Assis

Foto: Google

Biografia de Luis Fernando Veríssimo

Biografia de Luis Fernando Veríssimo


Luis Fernando Veríssimo (1936-2025) foi um escritor brasileiro. Famoso por suas crônicas e contos de humor, foi também jornalista, tradutor, roteirista de programas para televisão e músico. É filho do escritor Érico Veríssimo.

Infância e Juventude

Luis Fernando Veríssimo nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 26 de setembro de 1936. Filho do escritor Érico Veríssimo e de Mafalda Halfen Volpe, viveu parte de sua infância nos Estados Unidos, época em que seu pai lecionou literatura brasileira nas universidades de Berkeley e de Oakland, entre 1941 e 1945.

Luis Veríssimo cursou o primário em San Francisco e em Los Angeles. Em 1953, a família voltou aos Estados Unidos quando seu pai assumiu a direção do Departamento Cultural da União Pan-Americana, em Washington, e só retornaram ao Brasil em 1956.

Nos Estados Unidos, Veríssimo estudou no Roosevelt High School, em Washington, época em que desenvolveu o gosto pelo Jazz, chegando a ter aulas de saxofone.

Carreira de Jornalista

De volta a Porto Alegre, Luis Fernando Veríssimo começou a trabalhar na Editora Globo, no departamento de artes. Em 1960, passou a integrar o conjunto musical Renato e seu Sexteto, que se apresentava profissionalmente em Porto Alegre.

Em 1962, foi morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como tradutor e redator publicitário. Em 1963, casou-se com a carioca Lúcia Helena Massa, com quem teve três filhos.

Em 1967, Veríssimo retornou para Porto Alegre e ingressou no jornal Zero Hora, trabalhando como revisor de textos. A partir de 1969, passou a assinar sua própria coluna diária. No mesmo ano começou a redigir para a agência de publicidade MPM Propaganda.

Entre 1970 e 1975 trabalhou no jornal Folha da Manhã escrevendo sobre esporte, música, cinema, literatura e política. Seus contos eram sempre bem humorados.

Em 1971, com um grupo de amigos da imprensa e da publicidade de Porto Alegre, Luis Veríssimo criou o semanário alternativo "O Pato Macho", com textos de humor, cartuns, crônicas e entrevistas.

Primeiros Livros

Em 1973, Luis Fernando Veríssimo publicou, O Popular, uma coletânea de textos já publicados nos jornais onde trabalhou. Em 1975 retornou ao jornal Zero Hora, e passou também a escrever para o Jornal do Brasil. Nesse mesmo ano, publicou o livro de crônicas, A Grande Mulher Nua.

Em 1979, publicou Ed Morte e Outras Histórias, um livro de crônicas cujo personagem viria a ser um dos mais populares de sua obra. Entre 1980 e 1981, morou em Nova Iorque, época em que escreveu Traçando Nova Iorque.

Em 1981, Luis Fernando Veríssimo lançou, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro de crônicas O Analista de Bagé, que se esgotou em dois dias.

Entre 1982 e 1989, foi redator semanal, com artigos bem humorados, para a revista Veja. Em 1994, publicou Comédias da Vida Privada, que foi adaptada para uma minissérie na televisão.

Músico

Em 1995, Luis Fernando Veríssimo passou a integrar o grupo Jazz 6, que lançou os CDs Agora é Hora (1997), Speak Low (2000), A Bossa do Jazz (2003) e Four (2006).

Prêmios

Em 2003, seu livro Clube dos Anjos, na versão em inglês (The Club of Angels), foi escolhido pela New York Public Library, um dos 25 melhores livros do ano. Em 2004, recebeu o Prix Deus Oceans do Festival de Culturas Latinas de Biarritz, França. Recebeu o prêmio Juca Pato e, foi considerado o Intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores em 1997.

No dia 21 de novembro de 2012, o escritor foi internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em consequência do agravamento de uma gripe do tipo influenza A.

Durante 24 dias de internação, 12 foram passados na UTI. Já recuperado, recebeu alta no dia 14 de dezembro. No dia 3 de janeiro, escreveu sua primeira coluna para o jornal Estado de São Paulo.

Notícias recentes

Luis Fernando Veríssimo fez parte de um grupo de 26 escritores do Rio Grande do Sul retratados em pinturas expostas em uma galeria a céu aberto, localizada na Av. Borges de Medeiros, ponto turístico do Centro-Histórico de Porto Alegre.

Entre os homenageados estavam também Caio Fernando Abreu, Lya Luft, Mario Quintana, Érico Veríssimo, Moacyr Scliar  entre outros.

No dia 23 de outubro de 2021, uma pintura de Gustavo Burkhart homenageando Luis Fernando Veríssimo, foi vandalizada duas vezes. A obra faz parte da mostra “Autorias”, que integra a 67ª edição da Feira do Livro.

O autor da obra considera que não seja apenas um caso de vandalismo, mas que pode ter implicações políticas.

No dia 19 de março de 2023, o escritor foi homenageado, pelos seus 86 anos de vida, com uma exposição que reuniu 92 trabalhos de cartunistas chargistas, quadrinistas e ilustradores de várias partes do país.

A exposição que foi realizada na praça Mafalda Veríssimo (sua mãe), no bairro de Petrópolis, em Porto Alegre, contou com a presença de Fernanda e Pedro Veríssimo, filhos do escritor, pois, o homenageado ainda se recupera de um AVC que sofreu em 2021.

Morte

Luis Fernando Veríssimo faleceu no dia 30 de agosto de 2025, em consequência de complicações de uma pneumonia, após permanecer internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Frases de Luis Fernando Veríssimo

"O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença."

"Os tristes acham que o vento geme, os alegres acham que ele canta."

"Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas."

"A família não nasce pronta; constrói-se aos poucos e é o melhor laboratório do amor. Em casa, entre pais e filhos, pode-se aprender a amar, ter respeito, fé solidariedade, companheirismo e outros sentimentos."

"Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas."


Obras de Luis Fernando Verissimo

O Popular, crônicas, 1973

A Grande Mulher Nua, crônicas, 1975

Amor Brasileiro, crônicas, 1977

O Rei do Rock, crônicas, 1978

Ed Mort e Outras Histórias, crônicas, 1979

Sexo na Cabeça, crônicas, 1980

O Analista do Bagé, crônicas, 1981

A Mesa Voadora, crônicas, 1982

Outras do Analista de Bagé, crônicas, 1982

O Gigolô da Palavras, crônicas, 1982

A Velhinha de Taubaté, crônicas, 1983

A Mulher do Silva, crônicas, 1984

A Mãe de Freud, crônicas, 1985

O Marido do Doutor Pompeu, crônicas, 1987

Zoeira, crônicas, 1987

O Jardim do Diabo, romance, 1987

Noites do Bogart, crônicas, 1988

Orgias, crônicas, 1989

Pai Não Entende Nada, crônicas, 1990

Peças Íntimas, crônicas, 1990

O Santinho, crônicas, 1991

Humor Nos Tempos de Collor, crônicas, 1992

O Suicida e o Computador, crônicas, 1992

Comédias da Vida Privada, crônicas, 1994

Comédias da Vida Pública, crônicas, 1995

Novas Comédias da Vida Privada, crônicas, 1997

A Versão dos Afogados, crônicas, 1997

Gula - O Clube dos Anjos, romance, 1998

Aquele Estranho Dia Que Nunca Chega, crônicas, 1999

Histórias Brasileiras de Verão, crônicas, 1999

As Noivas do Grajaú, crônicas, 1999

Todas as Comédias, crônicas, 1999

Festa de Criança, infantojuvenil, 2000

Comédias Para Se Ler Na Escola, crônicas, 2000

As Mentiras que os Homens Contam, crônicas, 2000

Todas as Histórias do Analista de Bagé, contos, 2002

Banquete Com os Deuses, crônicas, 2002

O Opositor, romance, 2004

A marcha, crônicas, 2004

A Décima Segunda Noite, romance, 2006

Mais Comédias Para Se Ler Na Escola, contos, 2008

Os Espiões, romance, 2009

Informe do Planeta Az, 2018


Fonte: Por Dilva Frazão / Biblioteconomista e professora

Foto: Google



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