Quando o Vermelho Encontra a Pátria
Por Gustavo Velôso
Em 17/12/2025
Torcer não é apenas
escolher um escudo é escolher um lugar no mundo.
No meu chão doméstico,
divido o coração sem culpa:
Esporte Clube Bahia, com
sua alma ancestral e barroca, Club de Regatas Vasco da Gama, travessia,
resistência e memória.
E é sabido, sem gritos
nem ironias, que há hierarquias que o tempo sedimenta e superioridades que não
precisam de megafone para serem reconhecidas.
Mas há um instante em que
o clube se dissolve e sobra apenas o país.
É quando o mapa vira
camisa e a arquibancada se torna território.
Por isso, no cenário
internacional, não me cabe ódio esportivo.
Não torço contra
brasileiros
quando atravessam oceanos
levando nas costas mais do que patrocínios: levam nossa língua, nosso
improviso, nossa teimosia alegre de existir.
Meus amigos discordam.
Chamam rival o que eu
chamo de sinal.
Inimigo o que eu
reconheço como destino compartilhado.
O Flamengo, nesse palco
maior,
não é adversário: é
aniversário.
Celebração de uma escola,
de uma história que aprendeu cedo
a dialogar com o mundo
sem pedir permissão.
Hoje, quando o Clube de
Regatas do Flamengo, enfrentou o Paris Saint-Germain Football Club (PSG), e na
decisão por pênaltis, este sangrou-se campeão do Intercontinental não vi apenas
seus jogadores e o seu jovem técnico Felipe Luiz.
Vi o Brasil em versão
concentrada, respondendo à opulência europeia com identidade, técnica e
coragem.
Foi representante à
altura não por vencer ou perder, mas por sustentar presença.
Por lembrar que o futebol
brasileiro não é passado glorioso,
é um idioma vivo.
E assim sigo: localmente
plural,
internacionalmente
patriótico,
convicto de que
rivalidade termina na fronteira e que, fora dela, todo clube brasileiro é um
espelho no qual o país se vê
ou se reencontra.
Fonte: Gustavo Velôso
Foto e Imagem: Google



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