3.18.2026

Crônica: “O mar que cabe na palma da mão” - Gustavo Velôso (*)

 


Cultura | Literatura

Por: *Gustavo Velôso

Crônica: “O mar que cabe na palma da mão”

Há cidades que a gente visita. Outras, a gente carrega.

Buerarema — para quem conhece — não é apenas um ponto no mapa do sul da Bahia. É dessas terras que ficam guardadas na memória como se fossem coisa viva, respirando dentro da gente. E, curiosamente, quanto mais o tempo passa, mais elas crescem.

Outro dia, percorrendo as páginas de “Com o mar entre os dedos”, que se insere no gênero das crônicas, reunindo textos que transitam entre memória, cotidiano e reflexão publicado em 2016 pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da autoria intelectual de Antônio Lopes, me dei conta de que o autor não escreve apenas crônicas. Ele faz outra coisa: ele devolve lugares.

Devolve Buerarema com suas ruas, seus tipos humanos, suas histórias miúdas — aquelas que nunca viram manchete, mas que sustentam o mundo.

O livro é isso: um passeio por experiências, lembranças e episódios que parecem simples, mas que carregam uma espécie de verdade silenciosa sobre a vida.

E talvez seja exatamente por isso que funcione.

Porque ninguém vive de grandes acontecimentos o tempo todo. A vida, no fundo, é feita desses instantes quase invisíveis — uma conversa, uma lembrança, um detalhe que só faz sentido para quem viveu.

Antônio Lopes entende isso. E escreve como quem não quer transmitir uma explicação profunda. Deixa que o leitor reconheça, por conta própria, aquilo que já sentiu um dia.

Há, nas páginas, um certo humor, mas também uma melancolia leve — não pesada, não triste — apenas aquela sensação de que tudo passa. E passa rápido.

Talvez por isso o título seja tão preciso.

O mar, quando escorre entre os dedos, não se deixa prender. É bonito justamente por isso. É presença e ausência ao mesmo tempo. É o instante que não se repete.

Assim são as cidades da memória.

Assim são as pessoas.

Assim é a vida.

E talvez seja esse o maior mérito do livro: lembrar, sem alarde, que aquilo que parece pequeno — uma rua, uma história, um dia comum — é, no fim das contas, o que realmente fica.

Ou melhor: o que insiste em não ir embora.

(*) Gustavo Velôso é membro fundador da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) ocupando a Cadeira de nº 15 que tem como Patrono José Haroldo Castro Vieira. Autor intelectual da Coleção Raízes Grapiúnas Selo FERRADAS com onze volumes.

Em: 18/03/2026

 

5 poemas de Raquel Vasquez

 


Raquel Vázquez es una poeta, aforista y narradora nacida en Lugo en 1990. Filóloga e informática, su último libro, Aunque los mapas (Visor, 2020), recibió el Premio Loewe a la Creación Joven y El Ojo Crítico de RNE de Poesía. También ha publicado, entre otros, los poemarios Lenguaje ensamblador (Renacimiento, Premio Orizzonte Atlantico, 2019), El hilo del invierno (Hiperión, Premio València Nova, 2016) o Luna turbia (Torremozas, Premio de Poesía Joven Gloria Fuertes, 2013); la novela Chomolangma (La Isla de Siltolá, 2017) y los libros de cuentos La ocarina del tiempo (Trifolium, 2016) y Paralelo 36 (Talentura, 2019). Fue residente de la XIII promoción de la Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores.

***

CÁMARA

Detrás de un maquillaje
de pájaros afónicos
cuánto nos hemos soñado, tú y yo,
quebrados cómplices, testigos mudos
de cómo se desangra este silencio.
Apenas quedarán unas manos manchadas
por la caja de música
que en la niebla ninguno de los dos acertó a abrir.
Y el diafragma se cierra
y se encuentran nuestros ojos,
pero esta luz ya duerme en la humedad
y su página rota.
Con la mordaza sonreímos dolor.
El flash nos compadece, y de qué sirve.
No sé qué haremos con tanto recuerdo
muerto en líquido amniótico.

***

SUFIJOS TELEFÓNICOS

Guernica 37, Nagasaki
45, Sarajevo 93,
Basora 2003, Alepo 2015.

En tantos cementerios,
lápida a lápida se va tallando
un final repetido
a modo de punzante sufijo telefónico.

Son hilos ya cortados:
qué comunicación posible, qué palabra.
Salvo el dolor, ya todo lo demás no llega nunca.

O demasiado tarde.
Cuando tal vez ningún número importe.

La cifra en la memoria
como el mismo sufijo de un silencio.

***

EN EL PICO

Querría resguardarte de la noche,
que no hubiera intemperie,
que no hubiera latón ni aire oxidado.
Querría que el olvido o la erosión
fueran muecas risibles de otra historia
y ahora nunca murieras
y ahora nunca el insomnio te quemase
de plástico los ojos.
Querría que el deseo
llegara siempre a tiempo a la estación,
que el reloj consistiera en un juego de niños.
Que la tormenta fuera con flor de jacarandas.
Y el dolor, nada más que dos sílabas inermes.
Que la mayor herida la dijesen los pájaros.

***

EN CASO DE EMERGENCIA

Rompimos el lenguaje.
Vamos, dijiste; o yo traduje, eso no importa:

sólo importó aquel mirlo
que aguardaba en tu mano con las alas plegadas.

Pusiste esa sonrisa
boba que tanto me ha atraído siempre.

Ahora pude decírtelo.

La eternidad se demostró pequeña,
manejable: cabía
dentro de una modesta habitación de hotel.

Y estábamos allí para tocarla.

***

CRUSTÁCEOS

Algún día recordaremos esto.
Cuando no haya palabras que nos dejen nombrarlo.

Este tiempo de equívocos,
este tiempo cangrejo.

Este tiempo de diálogos sin voz
que nos gritan los ojos

y que después no llegan siquiera a la garganta.

Algún día recordaremos esto.
Probablemente en silencio, por no
perder tanta costumbre.

Por no saber hablar
otro idioma distinto a la nostalgia.


Autora: Raquel Vasquez

Foto: Produção

 

Passos para Uma Cultura Sadia de Negócios Por Rick Boxx

 

Passos para Uma Cultura Sadia de Negócios

Por Rick Boxx


Em meu livro Unconventional Business (Negócios Não Convencionais), eu identifico cinco passos para desenvolver uma cultura sadia e ética dentro de uma companhia ou organização.  O primeiro passo é “Avaliar o ponto forte de sua cultura”. Anos atrás revisei a avaliação de cultura com um empresário. Ele atribuíra a si mesmo o nível mais alto, presumindo que seu quadro de funcionários faria o mesmo. Entretanto, quando minha avaliação de sua companhia ficou pronta, o empresário soube que toda sua equipe avaliara sua liderança – e a cultura de sua organização – como sendo de um nível muito baixo. 

I Coríntios 3:18 diz: “Não se enganem. Se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era, deve tornar-se ‘louco’ para que se torne sábio.” Para estabelecer uma cultura sadia, comece por uma avaliação objetiva da cultura existente, caso contrário, você provavelmente cairá no engano.

O segundo passo é “Projetar uma visão para o futuro”.  Em 1961, durante a Guerra Fria com a Rússia, o presidente dos EUA, John F. Kennedy, projetou uma visão ousada. Ele proclamou que a América colocaria um homem na lua até 1970. Ao comunicar publicamente o seu sonho, Kennedy estabeleceu o cenário para o cumprimento daquela visão.

Em Habacuque 2:3 o Senhor disse ao profeta: “Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará...”  Sua equipe precisa ter uma visão de como será a cultura de sua organização no futuro. Se ela for vigorosa o bastante para contagiá-los, eles o ajudarão a alcançá-la. 

O passo três é “Desenvolver sua estratégia e táticas”. Sua cultura não mudará a não ser que você adote as medidas necessárias. Um amigo e eu fizemos uma consultoria com um empreiteiro sobre a sua cultura de negócios. Enquanto desenvolvíamos sua estratégia e táticas, tornou-se óbvio que ele tinha barreiras de linguagem que exigiam alguns ajustes. Isso ajudou o processo - e sua empresa – a seguir em frente com sucesso. 

Provérbios 16:9 ensina: “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina seus passos.” Ao desenvolver sua estratégia e táticas, comece com uma visão para o futuro, convide Deus para fazer parte do processo e analise as etapas que sua situação, que é única, vai exigir. 

O quarto passo é “Comunique, comunique, comunique”. Se você não comunicar constantemente os seus valores e visão para o futuro, eles serão facilmente esquecidos. Alguns líderes promovem eventos tendo como foco os valores da companhia. Outros comunicam seus valores em telas de tevê ou em cartazes afixados nas paredes de seus escritórios. 

Em Deuteronômio 6:8-9, Deus comunicou Suas leis dizendo aos israelitas: “Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.  Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões”. Para desenvolver uma cultura sadia, comunique seus valores frequentemente e de forma consistente.

O passo final é “Faça avaliações e ajustes periódicos”. Uma companhia tinha uma cultura bastante forte. Contudo, quando um dos sócios a deixou levando consigo clientes e empregados, a cultura da organização se desintegrou. Desenvolver uma cultura não é um destino final, e sim uma jornada. 

Neemias, enfrentando um ataque inimigo, teve que avaliar sua cultura e ajustá-la enquanto reconstruía os muros de Jerusalém. Em Neemias 4:9 ele escreveu: “Mas nós oramos ao nosso Deus e colocamos guardas de dia e de noite para proteger-nos deles.” Não se esqueça de agendar avaliações periódicas como parte de seus planos para construir uma cultura sadia. 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Como você descreveria a cultura de negócios de sua companhia hoje?

2. Quais são seus pontos fortes e suas fraquezas?

3. Por que a cultura de uma organização é importante? Lucros e perdas, números de produção e vendas, devem ser considerados em primeiro lugar? Como uma cultura pode influenciar o sucesso ou fracasso em um negócio?

4. Se você fosse destacar um dos passos sugeridos, qual seria ele e por quê? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 24:27; 27:23-27; 29:18; Ezequiel 34:12; João 10:1-5; 11-15; Filipenses 2:3-4.

Casamento - Adélia Prado

 







Casamento - Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Autora: Adélia Prado

 Foto: Google

3.17.2026

Cumprindo Seu Propósito Como Investidor - Austin Pryor

                        

                             Cumprindo Seu Propósito Como Investidor

Por Austin Pryor

Você é um investidor bom ou ruim? Isso não pode ser respondido sem a compreensão do propósito do investidor. Se você sabe que o propósito de um investidor é administrar dinheiro de maneira a multiplicá-lo, mas sua conta de investimento não vê nenhum acréscimo ano após ano, torna-se evidente que não importa o quanto você seja uma boa pessoa, é um investidor “ruim”. 

 

Em Making Sense of God (Compreendendo Deus), o pastor Tim Keller escreve: “Todos os julgamentos sobre algo ou alguém ser bom ou ruim estão baseados no conhecimento do propósito...Como podemos dizer se um ser humano é bom ou ruim? Apenas se conhecermos o nosso propósito, para que serve a vida humana.” Para alguém secular que vive sem crer em Deus ou em um propósito mais elevado, a vida humana não serve para nada. É, em última análise, sem significado – estamos aqui apenas por acaso devido a forças físicas fortuitas. 

 

Para os seguidores de Jesus Cristo, porém, estamos aqui por uma razão. O pastor Rick Warren inicia seu popular livro, Uma Vida com Propósito, desta maneira:

 

“A questão não é você. O propósito de sua vida é muito maior que sua realização pessoal, sua paz de espírito ou mesmo sua felicidade. É muito maior que sua família, sua carreira ou mesmo seus mais ambiciosos sonhos e aspirações. Se você quiser saber por que foi colocado neste planeta, deverá começar por Deus. Você nasceu de acordo com os propósitos dEle e para cumprir os propósitos dEle.”

 

No livro, Warren argumenta – com abundante suporte da Bíblia – que Deus nos criou tendo em mente cinco propósitos: amá-Lo, ser parte da Sua família, nos tornarmos como Ele, servi-Lo e falar dEle para outras pessoas. Posso sugerir que cada um destes propósitos engloba a forma como lidamos e compartilhamos qualquer riqueza que Ele tenha confiado a nós? 

•     Nós demonstramos nosso amor a Deus quando temos um coração generoso. “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.”  (II Coríntios 9:7).

 

•     Nós demonstramos que compreendemos que fazemos parte da família de Deus quando cuidamos das outras pessoas da família de Cristo. “Se um irmão, ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” (Tiago 2:15-17). 

 

•     Nós demonstramos que somos mais como Ele quando damos sacrificialmente, porque Ele é o Doador perfeito. “Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus que de tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação.”  (I Timóteo 6:17). 

 

•     Nós demonstramos que temos a intenção de servir a Ele quando assumimos nossas responsabilidades como mordomos seriamente. Nós sabemos pela parábola dos talentos (Mateus 25:14-30) que Deus nos fez administradores de Seus recursos e sabemos pelo texto que “O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis.”  (I Coríntios 4:2). 

 

•     Nós demonstramos que somos diligentes em falar sobre Ele para outras pessoas quando compartilhamos nossa fé e ofertamos generosamente para que outros que não O conhecem sejam alcançados. “Então, Jesus aproximou-Se deles e disse: ‘Foi-Me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações,...ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei...’” (Mateus 28:18-20). 

À luz dessas passagens, como você diria que está se portando como investidor? Você é um mordomo “bom” ou “ruim”? 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

 

1. Você concorda que para ser um investidor eficiente deve ter um senso claro de como você investe e por quê? Explique sua resposta.

2. Como você acredita que uma pessoa deve determinar o seu propósito, seja na vida, seja para a forma como seus recursos financeiros e materiais são utilizados?

3. À luz das passagens citadas, como você está indo em relação ao cumprimento de seu propósito como investidor dos recursos que lhe foram confiados?

4. Dos cinco propósitos mencionados para o emprego de riquezas pessoais, em qual você precisaria trabalhar para se tornar melhor investidor? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 11:28; 15:6;  21:20;  23:4-5; 2Coríntios 9:8-11; Filipenses 2:3-4; 1Timóteo 6:18-19.

Deus, o ateu e, o ovo justifica a fé - R. Santana

Deus,  o ateu e, o ovo justifica a fé.

R. Santana

          Meu amigo, minha amiga, o título acima não é heresia, é um puxão de orelha na lógica corrompida do ateu. O ateu é um ingrato, Deus lhe deu vida e liberdade, mas, ele acha que foi parido por geração espontânea, não sabe que antes dele nascer, houve um processo natural divino. O suporte racional que o ateu possui para negar Deus é a presença do sofrimento no mundo, principalmente, o sofrimento dos inocentes.  O homem foi criado para não ter sofrimento, não ter dor, porém, no meio do caminho, ele Lhe desobedeceu, pecou, aí, o homem descobriu que na existência tem o bem e o mal, cabe-lhe escolher um ou outro. E, o leitor impaciente, pergunta: - E, o ovo? – Calma, amigo, o ovo é um simples sinal da Providência que discutiremos adiante.

          O ateu, geralmente, é um sujeito de conhecimento, mas de pouca fé. Ele é repositório de conhecimento do mundo e ignorante das coisas de Deus. Alguns cientistas e famosos foram e continuam ateus, a exemplo de Chico Buarque, Antônio Fagundes, Pedro Bial, Gauss, Freud, Carl Sagan, Machado de Assis, dentre outros, alguns se converteram antes de morte, outros, morreram com suas convicções. Admiro Albert Einstein, o maior físico teórico do Século XX, que depois de descobrir a harmonia matemática do Universo, o pai da Teoria da Relatividade (E= mc²), deixou a célebre frase: “Deus não joga dados com o Universo”, isto significa que Deus não criou o Universo de maneira aleatória, mas havia um plano divino de criação.

          O leitor desesperado, pergunta: - E, o ovo? Querido leitor, vós tendes razão: “E, o ovo? O porquê do ovo?”, amigo leitor, usei de um simples ovo para justificar a fé na existência de Deus. É mais fácil o homem produzir uma célula (gema) gigante de reprodução animal que uma bomba atômica? Não, Deus fez o ovo e o homem a bomba atômica. Será que o ateu ainda não encontrou a presença de Deus no ovo? Ainda não?!

          Foi o filósofo Demócrito de Abdera (Século V a. C.)  o maior teórico do átomo, todavia, foi o cientista Oppenheimer quem primeiro desintegrou o átomo e chegou à bomba atômica. O que é uma bomba atômica? É o rompimento de átomos em cadeia liberando energia - “fogo do inferno”. O calor destrói todos os seres vivos em questão de minutos.

          A bomba atômica é uma invenção do homem, o ovo, é um ser biológico que registra a existência de Deus. Será que o homem produzirá um ovo em laboratório um dia? Não acredito! Ele faz a forma, o desenho, não o ovo, pois a complexidade do ovo é grande. Se um dia o homem produzir um ovo, estará livre o caminho para o homem produzir outro homem, face à complexidade de sua composição.

          Leitor amigo, se o ateu se debruçar sobre a estrutura de um ovo, logo, ele irá dar razão a Einstein, Deus não é um Deus de ação aleatória, nada é feito por acaso nem para casualidade.  Quando Deus fez o mundo, não o fez aleatoriamente e o obtuso ateu tem que compreender isso antes que seja tarde. Quando alguém se debruça sobre a estrutura de um ovo, vê-lo como algo que desperta a fé no Altíssimo pela sua composição, veja leitor amigo: água, proteínas, gorduras saudáveis (lipídios), vitaminas (A, D, E e B); minerais: ferro, silênio, zinco e fósforo. Divide-se: casca, clara (albumina) e gema que é a grande célula. Será que existe uma composição mais perfeita? Sim, a composição biológica do homem! Interessante e curioso que o ovo tem uma forma elipsoide, mais estreito numa das extremidades e mais largo em outra, que facilita passar pelo oviduto da galinha.

          Portanto, leitor amigo, a falta de fé do ateu é uma ignorância qua só a compaixão do Senhor do Universo o perdoa. Espero que, ele tenha entendido esse texto alinhavado e ininteligível  desde o começo, contudo, se ele não entendeu, é como o cego que não quer ver e o surdo que insiste não escutar. A tarefa é de Deus para converte-lo.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Foto: Google

 

         

         

O Silêncio Necessário: por que certos temas não habitam o espaço da palavra - Gustavo Velôso (*)

 

O Silêncio Necessário: por que certos temas não habitam o espaço da palavra

 Gustavo Velôso (*)

A escolha de não tratar de política, religião e futebol em uma academia de letras como gesto de preservação do diálogo, da convivência e da criação intelectual.

Nem todo silêncio é ausência; há silêncios que são condição de possibilidade. Em determinados espaços, aquilo que não se diz não é lacuna, mas fundamento. Compreender que uma academia de letras inscreve-se precisamente nesse horizonte: não como lugar de contenção arbitrária do discurso, mas como território em que a palavra, para cumprir sua vocação mais alta, exige um campo previamente cuidado, protegido das forças que a desviam de sua natureza reflexiva.

A palavra, quando elevada à condição de instrumento de pensamento, não pode ser reduzida à função de afirmação identitária. Ela exige distância, elaboração, escuta e tempo — elementos frequentemente tensionados quando se adentra os domínios da política, da religião e do futebol. Não por insuficiência desses temas, mas por sua intensidade constitutiva. Neles, o sujeito não apenas opina: ele se afirma. E, ao afirmar-se, tende a reduzir o espaço do outro.

Política, religião e futebol operam como zonas de condensação simbólica. São campos em que poder, transcendência e pertencimento se entrelaçam, mobilizando camadas profundas da experiência humana. Nesse entrelaçamento, o discurso deixa de ser apenas linguagem e torna-se extensão do próprio sujeito. O resultado é conhecido: a palavra, em vez de mediar, passa a delimitar; em vez de abrir, passa a separar.

A academia de letras, ao recusar a centralidade desses temas, não os nega — desloca-os. Reconhece-lhes a força, mas compreende que há espaços nos quais essa força, se não mediada, pode comprometer a própria possibilidade do encontro. O que se preserva, portanto, não é o silêncio em si, mas o campo onde a palavra pode existir sem ser capturada pela urgência da afirmação ou pela rigidez das posições.

Há, nesse gesto, uma escolha ontológica sutil: a de privilegiar a palavra enquanto mediação, e não enquanto fronteira. A literatura, nesse contexto, não se apresenta como veículo de disputa, mas como forma de abertura. Ela não elimina as diferenças, mas as reinscreve em um plano onde podem ser pensadas, e não apenas defendidas.

Historicamente, toda tradição intelectual reconheceu a necessidade de tais espaços. Desde as antigas escolas filosóficas até os salões literários, houve sempre a intuição de que o pensamento exige uma certa suspensão das paixões mais imediatas, não para negá-las, mas para compreendê-las. Trata-se de um movimento de elevação: retirar o discurso do plano da reação e conduzi-lo ao plano da reflexão.

A recusa em tratar de política, religião e futebol, portanto, não é um empobrecimento do horizonte, mas sua depuração. Ela delimita um espaço em que o diálogo não é capturado pela lógica do confronto, e em que a divergência não se converte automaticamente em oposição. Nesse espaço, a palavra pode recuperar sua densidade originária: não a de instrumento de poder, mas a de ponte entre consciências.

Em última instância, trata-se de reconhecer que nem toda verdade se afirma no embate. Algumas se revelam apenas no intervalo, na pausa, no silêncio que antecede e sustenta o dizer. E talvez seja nesse silêncio — não como ausência, mas como escolha — que se encontre a condição mais fértil para que a palavra, enfim, floresça.

 

(*) Gustavo Velôso é membro fundador da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) ocupando a Cadeira de n° 15 que tem como Patrono José Haroldo Castro Vieira. É autor intelectual da Coleção Raízes Grapiúnas Selo FERRADAS com onze volumes.  

 Em: 16/03/2026

 

 

3.16.2026

A Ética da Paixão - Maria Luiza Nora de Andrade (Baisa)

 

A Ética da Paixão - Maria Luiza Nora (Baísa)

(Resenha)

Publicada em 2010 pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a obra A Ética da Paixão, de Baisa, nome literário de Maria Luiza Nora, apresenta um conjunto poético que transforma o amor em objeto de reflexão existencial. Mais do que narrar experiências afetivas, a autora investiga o papel das emoções na construção da vida humana.

A estrutura do livro revela uma natureza tríplice, organizada em três momentos fundamentais da experiência amorosa: a explosão da paixão, sua plenitude e, por fim, a perda ou dissolução do sentimento. Essas três fases formam um percurso emocional que acompanha o próprio movimento da vida afetiva, sugerindo que a paixão nasce, se intensifica e inevitavelmente se transforma.

A poesia do livro apresenta a paixão como força transformadora. Amar significa expor-se à vulnerabilidade, ao risco e à dor, mas também ao autoconhecimento. Nesse sentido, a “ética” mencionada no título não se refere a normas morais rígidas, mas à responsabilidade existencial de viver plenamente as experiências humanas.

A linguagem da autora é marcada por imagens simples e expressivas, que aproximam o leitor das situações descritas. A paixão aparece como um caminho delicado e incerto, semelhante a uma travessia em equilíbrio entre esperança e perda.

Ainda que de forma implícita, percebe-se no horizonte sensível da obra a presença dos relacionamentos amorosos vividos em FERRADAS, pelos Ferradenses, que sobreviveram ao tempo e permanecem na memória afetiva. Nesse cenário evocativo surgem, como pano de fundo da experiência humana, o Rio Cachoeira, as ruas simples, a única praça, as fazendas de cacau, o campo de futebol, palhoça de São João, escadaria do cemitério, os bares e as casas de amigos — espaços cotidianos em que a vida e os afetos se entrelaçam e que parecem alimentar a atmosfera emocional da obra.

Assim, A Ética da Paixão propõe uma reflexão sensível sobre a condição humana: amar é aceitar a intensidade da existência. A poesia torna-se, portanto, um meio de compreender e dar sentido às experiências profundas que marcam a vida e os afetos. Por essa densidade reflexiva, a obra também convida o leitor a uma releitura, permitindo novos olhares e interpretações a cada contato com seus versos.

Entre os diversos momentos líricos da obra, o poema “Amor de Gueixa” revela com delicadeza a entrega afetiva e a intensidade da experiência amorosa evocada pela autora:

 

AMOR DE GUEIXA

Parece mentira

partindo de mim

mas eu amo você

com um amor de gueixa

daqueles dóceis e submissos

carinhosos e apaixonados

de poucas perguntas

e muitas acolhidas.

Eu amo você

com olhos pidões

de quem pensa em cama

e com mãos de artesã

capaz de tecer carinhos

por caminhos sem fim.

Partindo de mim

parece mentira

pois me faltam estas características

mas em verdade

eu as criei, em meu ser,

pra você.

 

Fonte (enviado): Gustavo Fernando Veloso Menezes

Foto: Google

3.15.2026

O Imenso Valor da Empatia - Rick Boxx

O Imenso Valor da Empatia

Por Rick Boxx

O principal hospital do Texas construiu uma torre de U$ 165 milhões,  destinada a moderníssimas instalações médicas. Contudo, a equipe de funcionários ficou perplexa ao descobrir que, apesar do enorme investimento financeiro, o nível de satisfação dos pacientes estava em desanimador 1%. O CEO do hospital declarou ao Washington Post que fora feito que um estudo para detectar a causa do elevado nível de insatisfação. O ingrediente negligenciado, disse o alto executivo, era empatia.

Determinado a remediar a situação, o hospital adotou medidas decisivas para corrigir o problema. Desenvolvendo novo treinamento, forneceu a todos os funcionários instruções importantes sobre como praticar uma liderança de serviço, dando-lhes maior autoridade para satisfazer as necessidades dos pacientes sem que fosse preciso receber aprovação de uma supervisão.

Foram notáveis os resultados decorrentes do treinamento e remodelagem do ambiente de trabalho dentro do hospital. Com o tempo, o nível de satisfação dos pacientes foi de 1% para 90%.  Devido ao fato de a equipe ter aprendido a focar mais nas necessidades do paciente ao invés de simplesmente concluir as tarefas que lhes tinham sido atribuídas, os pacientes se sentiram mais bem cuidados e valorizados, e não apenas como casos médicos sem identidade ocupando quartos específicos.

O salmista abordou a importância deste tipo de sensibilidade em Salmos 69:20 quando escreveu: “A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero! Supliquei por socorro, nada recebi; por consoladores, e a ninguém encontrei.”

Isto é tão verdadeiro hoje em dia como era então. Quando uma pessoa está em um leito de hospital, sofrendo de algum mal ou se recuperando de uma cirurgia, precisa sentir que alguém se importa e compreende seu sofrimento e temores, tanto quanto precisa de um tratamento médico especializado.

Contudo, empatia não é algo que se espera receber apenas dentro de instalações médicas. Na maioria dos negócios, os clientes buscam por alguém que se importe, estejam eles comprando um carro, avaliando programas de software, alugando um espaço para escritório ou escolhendo o local perfeito para um evento. A capacidade de demonstrar um cuidado sincero para com os clientes, certamente recompensará você largamente, com sua lealdade e patrocínio constantes.

Aqui estão alguns princípios bíblicos que se aplicam à forma como devemos tentar cultivar um espírito de empatia para com aqueles que somos chamados a servir como empresários e profissionais:

Olhe as coisas pela perspectiva deles.  Pergunte a si mesmo:  Se eu fosse o paciente – ou o cliente – como gostaria de ser tratado? A resposta que você der pode ser um bom indicativo de como deveria tratar seus próprios clientes buscando satisfazer suas necessidades e responder a suas preocupações. Jesus disse o mesmo em Sua chamada “regra de ouro”: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam...” (Mateus 7:12).

Coloque seus interesses de lado e foque nos outros.  Somos todos egocêntricos numa certa medida; é preciso uma grande dose de trabalho intencional para mudar o foco para outras pessoas. Mas é isso o que precisamos fazer para conquistar altos níveis de satisfação por parte de nossos clientes. “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmo. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2:3-4).  

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Como você reagiria ao descobrir que o nível de satisfação em sua empresa beira 1%? Que medidas imediatas você tomaria para resolver o problema?

2. Lidar com pessoas é um desafio e não podemos agradar a todas, o tempo todo. Sendo assim, por que a satisfação do cliente é tão importante, já que não podemos controlar a forma como eles se sentem?

3. Como você definiria “empatia” no tocante às situações do ambiente de trabalho? Como ela se daria em sua interação com colegas, equipe, vendedores e fornecedores, e não apenas com seus clientes?

4. Por que nós, às vezes, deixamos de considerar importante tratar as outras pessoas como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar delas? O que podemos fazer para evitar a repetição desse erro?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 15:30; 20:28; 22:1,4; 27:23-27; 28:2; Atos 20:35; Romanos 12:10. 

3.14.2026

Eu, e eu divagando - Agilson Cerqueira (*)

 








        Retirantes - Agilson Cerqueira

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Eu, e eu divagando

Agilson Cerqueira

 

Vida de mandrião —

não do corpo apenas,

mas da vertigem do pensar.


Em inércia aparente

o pensamento se adianta,

sempre antes,

sempre além da ação.


Divago.


Habito um ócio paliativo,

remendo do espírito,

intervalo da vontade.


Não possuo

o privilégio do ócio social:

esse descanso legitimado

pelos rituais do mundo.


Resta-me apenas

a inquietação.


Atitudes comportamentais

como gestos incompletos,

ensaios de movimento

numa consciência

que pensa demais

e age tarde.


Sou eu

— e eu divagando —

no intervalo incerto

entre a ideia

e o ato.


Autoria: Agilson Cerqueira (*) - Professor, engenheiro, poeta e artista plástico.

Foto: Produção



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