4.05.2026

Açaimei-me



Açaimei-me
Agilson Cerqueira

Visão em Desconstrução

Óleo Sobre Tela 

Agilson Cerqueira 


 Açaimei-me

Agilson Cerqueira*

Não me acontecem epifanias.
Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo.
O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez.
Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos.
Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro.
Reduzo-me ao essencial: calo.
Não por sabedoria, mas por economia.
Não por virtude, mas por recusa

*Professor, Engenheiro, Matemático, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons.

Amor é fogo que arde sem se ver - Luís de Camões

 







Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer.

 

É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.

 

É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor.


Nesse poema, Luís Vaz de Camões (1524-1580), poeta português que dispensa apresentações, trabalha o tempo todo com antíteses, o que alcança a grande expressividade do poema:


Fonte: Cultura Genial

Amor é fogo que arde sem se ver, de Luís de Camões

Imagem de Luís de Camões com coroa de folhas na cabeça

Camões, o maior escritor do Classicismo

4.04.2026

Dúvidas do viver - Agilson Cerqueira







Dúvidas do viver

(Ensaio de Prosa Poética em golpes secos)

Agilson Cerqueira*.


Não sei.
E não importa.
Penso.
Não sai do lugar.
Produção,
Nome bonito pro vazio.
Sinto.
Não explica.
Razão falha.
Sentimento também.
Sem saída.
Cético —
De quê?
Prático —
Pra quê?
Nada sustenta.
Nem povo,
Nem Intelectual.
Ciente inconsciente.
Nem isso.
Não ser —
Sem drama.
Querer ser —
Erro.
O ser não falta.
Nunca houve.
Inquietude corrói.
Insatisfação gasta.
Nada constrói.
Tudo desgasta.
Resta —
Nem resto.
Nem nada.

*Professor, Engenheiro, Matemático, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons.


Assim eu vejo a vida - Cora Coralina (1889-1985)

 

Cora Coralina (1889-1985)

Cora Coralina

Nascida em Goiás, Ana Lins dos Guimarães Peixoto (conhecida no meio literário como Cora Coralina) começou a publicar apenas aos 76 anos.

Com pouca educação formal, a escritora frequentou a escola somente até a terceira série do curso primário. Para se sustentar foi doceira e, nos tempos livres, escreveu poemas.

A sua poesia é marcada pelo tom informal e pela relação de cumplicidade que estabelece com o leitor.

Os seus versos giram em torno do cotidiano e das experiências de vida que procura transmitir através da poesia, como é possível comprovar através do poema Assim eu vejo a vida:

 

A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria

Que eu possa dignificar

Minha condição de mulher,

Aceitar suas limitações

E me fazer pedra de segurança

dos valores que vão desmoronando.

Nasci em tempos rudes

Aceitei contradições

lutas e pedras

como lições de vida

e delas me sirvo

Aprendi a viver.

 

Fonte: Cultura Genial

Foto: Google

Solucionando Conflitos e Disputas nos Negócios - Rick Boxx

 

Solucionando Conflitos e Disputas nos Negócios

Por Rick Boxx

 

Ao longo dos anos venho tendo o privilégio – e o desafio – de ser mediador em disputas entre sócios em diversos negócios. Em grande parte dos casos, encontrar a solução não é algo agradável ou fácil, mas muito necessário. Quando uma pessoa começa a se sentir desconsiderada de alguma forma por seu parceiro o relacionamento pode deteriorar rapidamente. 

 

Essas disputas resultam de muitos fatores, mas comumente são geradas por falhas na comunicação. As acusações do tipo  “ele disse”, “ela disse”, “eles disseram”, se somam e as ameaças de processo se avolumam. Parcerias formadas com as melhores das intenções e grandes expectativas são destruídas – geralmente de modo desnecessário - por causa de um único acontecimento.

 

Por isso é essencial abordar e trabalhar para resolver o problema com cuidado. No processo de mediação, provar que sua posição é a certa não deve ser o maior objetivo, mas, sim, considerar como trabalhar de modo mais eficiente para encontrar uma solução razoável – aquela que deve trazer ganho para todas as partes envolvidas.

 

Falando a Seus seguidores, Jesus fez observações específicas acerca de conflitos interpessoais e sobre como eles deveriam ser resolvidos. Por exemplo, Ele advertiu: “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz...” (Mateus 5:25).

 

Dois princípios importantes são mencionados aqui. Primeiramente, reconhecer áreas de conflito e resolvê-las antes que pequenos problemas cresçam e se transformem em grandes causas de contenda. Hoje nós chamamos a isso “fazer tempestade em copo d’água”. 

 

O segundo ponto mostrado por Jesus implicava em evitar, sempre que possível, ter que levar uma disputa para ser resolvida por um juiz em um tribunal. As razões para isso são muitas:

 

- Disputas legais são caras.

- AS decisões tomadas pelos juízes podem ser arbitrárias.

- O resultado obtido por meio do tribunal deixa de resolver as questões emocionais e relacionais envolvidas.

- Os grandes recursos da sabedoria de Deus e o poder de cura podem ficar de fora do processo.

 

É verdade que às vezes é inevitável levar uma questão diante do tribunal. Uma ou mais partes podem não estar dispostas a procurar um mediador ou um árbitro que lhes possibilite trabalhar na busca de soluções aceitáveis. Entretanto, isso é uma pena, porque embora resulte num julgamento legal, é grande a possibilidade de que os sentimentos feridos impeçam a continuidade de relacionamentos empresariais que anteriormente eram apreciados. Se você está em conflito com um sócio, procure envolver uma terceira parte sábia e racional, em quem ambos confiem, para ajudá-los a esclarecer o assunto rapidamente. 

 

O apóstolo Paulo, escrevendo para um grupo de cristãos contenciosos da antiga cidade de Corinto, instigou-os: “Quando algum de vocês tem uma queixa contra um irmão na fé, como se atreve a pedir justiça a juízes pagãos, em vez de pedir ao povo de Deus que resolva o caso?  Será que vocês não sabem que o povo de Deus julgará o mundo? Então, se vocês vão julgar o mundo, será que não são capazes de julgar essas coisas pequenas? Por acaso vocês não sabem que nós julgaremos até mesmo os anjos? Muito mais, então, devemos julgar as coisas desta vida! Portanto, se surgir alguma questão dessas, será que vocês vão procurar pessoas que são desprezadas na igreja para julgarem esses casos? Que vergonha! Será que entre vocês não existe alguém com bastante sabedoria para resolver uma questão entre irmãos?” (I Coríntios 6:1-5). 

 

 

4.03.2026

Espero-te - Valter Luis de Oliveira Moraes (*)

 

Valter Luis de Oliveira Moraes (*)

Espero-te

Nesse momento, espero-te.

Simplesmente espero-te ansiosamente para vê-la como poema lírico e revolucionário, impulsionando a vida.

Espero-te para ver teu lindo sorriso trazido pelos ventos.

Pelas chuvas torrenciais,

Pelo sol,

Pela lua.

Espero-te em todos os instantes que meus olhos vejam a beleza da arte.

Da estética flutuante da poesia em você.

Espero-te no lugar mais profundo do meu coração,

Para admirar teus versos recitados na minha alma,

Que dorme profundamente.

 

Valter Luis de Oliveira Moraes (*)

Natural de Ibicaraí- Ba. Graduado em filosofia - UESC. Pós-Graduado em Psicologia em Relação ao Trabalho - Universidade de Guanambi- Unigrade.

Pós-Graduado em Economia das Sociedades Cooperativas -  Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.

Bancário, Diretor da Federação dos Bancários da Ba/Se.

Poeta, escritor, com várias participações em antologias poéticas pelas editoras: Cogito, Tertúlias, Via Literarum,

Agora Editora Gráfica, Shan Editores Ltda, Editora Ceala - Centro de Estudios por la amistad de latinoamérica, Ásia e África e a Fundação Maurício Grabois - FMG.

Autor do livro: Vida, Minha Vida, Prosa Poética. Edição VM - 2024.


Autoria: Valter Luis de Oliveira Moraes,

Foto: Produção

Ponto de literatura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

 

Sexta-Feira Santa - Cruz e Souza

 







Sexta-Feira Santa

Lua absíntica, verde, feiticeira,

Pasmada como um vício monstruoso...

Um cão estranho fuça na esterqueira,

Uivando para o espaço fabuloso.

 

É esta a negra e santa Sexta-Feira!

Cristo está morto, como um vil leproso,

Chagado e frio, na feroz cegueira

Da Morte, o sangue roxo e tenebroso.

 

A serpente do mal e do pecado

Um sinistro veneno esverdeado

Verte do Morto na mudez serena.

 

Mas da sagrada Redenção do Cristo,

Em vez do grande Amor, puro, imprevisto,

Brotam fosforescências de gangrena!

 

Publicado no livro Últimos Sonetos (1905).

In: SOUSA, Cruz e. Últimos sonetos. Org. Adriano da Gama Kury. 2.ed. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1988. p. 85

Cruz e Sousa

João da Cruz e Sousa foi um poeta brasileiro, figura proeminente do Simbolismo, conhecido pelo seu nome de artista Cruz e Sousa. A sua obra poética é marcada por uma profunda espiritualidade, misticismo, musicalidade e um uso inovador da linguagem, explorando o transcendente e o etéreo. Enfrentou o preconceito racial e a pobreza ao longo da sua vida, o que se reflete na sua escrita com temas de dor, sofrimento e busca pela redenção através da arte.

O Estado de ser e os problemas do Ser - Agilson Cerqueira

 

O Estado de ser e os problemas do Ser

Agilson Cerqueira


Inebriar-se ou embriagar-se não é fugir — é um método.

Um experimento contra a tirania da inconsciência.

Pois existir, quando plenamente percebido, não é um dado — é um privilégio.

A lucidez não ilumina: ela expõe.

E o que ela expõe não é o mundo, mas a impossibilidade de habitá-lo sem fissuras.

Há, portanto, uma tensão irreconciliável:

entre o esquecimento, que dissolve o ser, e a consciência, que o torna insuportavelmente nítido.

Não se trata de escolher entre dois estados, mas de reconhecer que ambos falham.

O esquecimento falha porque não sustenta.

A lucidez falha porque sustenta demais.

O sujeito, então, não é algo estável —

é um movimento de oscilação.

Um pêndulo sem centro.

Aquilo que se chama “eu” não passa de um intervalo entre percepções, uma tentativa precária de continuidade num fluxo que não admite permanência.

Conhecer-se torna-se impossível,

não por falta de profundidade,

mas por excesso de instabilidade.

O ser não é oculto — é inconsistente.

E talvez por isso o outro se torne intolerável: não por diferença, mas por revelar que também ele sustenta, com igual fragilidade,

a ficção de existir.

Recusar-se a ser o outro

é, no fundo, recusar a evidência

de que não há saída fora dessa condição.

Ser é estar preso numa estrutura sem fundamento, onde o instante é tudo o que há — e, ainda assim, não se sustenta.

O agora não é presença: é ruptura contínua.

Assim, as palavras “loucura e lucidez”

perdem o sentido.

Porque ambas partem do mesmo erro:

acreditar que há um estado correto do ser.

Não há.

O que existe é apenas a consciência

tentando justificar o fato bruto de estar aqui.

Sem motivo.

Sem centro.

Sem garantia.

E talvez o pensamento mais radical

não seja compreender isso

— mas continuar, mesmo assim.


Autoria: Agilson Cerqueira

Foto: Produção

 

blog; rilvanbatistadesantana.blogspot.com (link)

Um blues para a liberdade - Alineci Cardoso (*)

 








Um blues para a liberdade - Alineci Cardoso (*)

Cante uma canção

Vestida de liberdade

em verso e prosa

Na frente

Nas costas

Da América martirizada

Um blues para a

liberdade

Que sangra

Que chora os seus filhos perdidos

sem teto

Sem terra

Sem nada

Um blues para a Liberdade

Amputada

Exilada

Um blues para a

Resistência

De um povo que chora e ri

E decerto se encharca

Àqueles

Que não perdem a Coragem


(*)Alineci Cardoso, natural de Itororó-BA, é graduada em Filosofia/UESC e Psicologia/Unime.. Pós Graduada em Neuropsicologia, Saúde Mental, e Dependência Digital.

Participação em Antologias: pela Cogito Editora ( Mulher Poesia), Poiesis Antologia Poética Vol 4. Via Literarium (Pétalas e Lâminas), Antologia Poética I, I e III.


Autora: Alineci Cardoso

Foto: Produção


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com 

4.02.2026

Grupo Social - R. Santana

 


Grupo Social

R. Santana

 

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja adequada” (Gênesis: 2 – 18)

 

          O homem por natureza não veio ao mundo pra ficar sozinho. Ele não gosta de solidão, gosta de viver em grupo, o grupo mais histórico é o grupo familiar. Mas se algum desavisado, perguntar-me: “E, a solitude?”,  responderei: “Solitude não é solidião!" A solidão é carregada de tristeza, angústia e irritação, enquanto, a solitude é um modo de vida... Algumas pessoas preferem ficar sozinhas, liberdade plena, elas não gostam de compartilhar sua vida com o outro. A solitude é desejada, é alegre, é saudável, é feliz; a solidão é involuntária, é depressiva, é melancólica, às vezes, doente.

          Abre parêntesis:

          Ainda jovem, comecei trabalhar no magistério itabunense e cidades vizinhas, notadamente, Itajuípe e Buerarema. Juntei algum dinheiro em 1 ano de trabalho e comprei uma casa popular por preço de bagatela, e, deixei a casa dos meus tios que me criaram. Meu tio, do alto de sua experiência de vida, dizia: “...puta só e ladrão só”, e, justificava: “... tudo de certo ou errado que fizer, só você sabe”.

          No início, senti-me um “Sheik” das arábias: “jovem, casa própria, emprego, dinheiro no bolso e liberdade”.

          À medida que o tempo passava, tudo dentro de casa foi ficando de ruim pra péssimo: a comida sem gosto, os serviços caseiros por obrigação, a cama tinha “pulgas”, o estudo mais difícil e a solidão chegou, como não bebia, não fumava nem jogava, não tinha namorada, afundei-me no trabalho diuturno. 

    Fecha parêntesis.

          A interação do homem com o seu semelhante é uma necessidade e melhora sua autoestima, sua condição física e emocional, por isto, valoriza-se tanto os amigos, as amigas e a família. O homem que não teve família, passou na vida e não viveu. A vida completa é: Deus, Pátria e família. O destino do homem não é viver isolado numa ilha como Robson Crosué.  

          Hoje, as novas tecnologias produzem a formação de grupos sociais sem o homem arredar o pé de casa, com valores, objetivos comuns e sentimento  de pertencimento. A Internet propicia ao pai falar com seu filho que mora na Austrália, em tempo e imagem reais. São muitos os grupos do homem moderno: familiar, religioso, educativo, político e etc. Todos esses grupos interagem-se com o uso de redes sociais: WhatsApp, Instagram, “Xis”, Facebook, etc.

          Seu José de minha rua ficou de queixo caído quando soube que sua audiência com o meritíssimo juiz não seria “tête-à-tête”:

          - Dotor qui negoço é esse? Num vô falar cum home cara-cara?

          - Não, seu José. O Senhor vem para o escritório, eu vou ligar o celular, coloco-o em sua frente, o senhor irá falar, quando sua excelência lhe perguntar, deixe que falo pelo senhor!

          - Qui pesti, num pudê falar?!

          - Para isso, o senhor paga ao seu advogado – o seu José entendeu.

          As mudanças nos meios de comunicação, desde o Século passado, foram rápidas e radicais. Não faz muito tempo, passei enorme decepção quando conversei com a mãe de um recém advogado, saiu:

          - Seu filho tem muitos livros de Direito?

          - Livros físicos?

          - Sim!

          - Não se usa mais! Os livros tradicionais empoeiram a estante, agora, é tudo feito pela Internet, até as audiências! Papel? Tudo é feito no computador!...

          Por isso, vivemos num mundo de profissionais incompetentes, profissionais do mundo virtual e não do mundo real, concreto, o grande problema, é que não lhes ensinaram pensar, o mundo da tecnologia pensa por esses ineptos profissionais, na esteira da incoerência entre a tecnologia e a ignorância. 


Ponto de Leitura: rilvanbatistadesantana.blogspot.com

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Foto: Google

         

 

         

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