Amor
é fogo que arde sem se ver,
é
ferida que dói, e não se sente;
é
um contentamento descontente,
é
dor que desatina sem doer.
É
um não querer mais que bem querer;
é
um andar solitário entre a gente;
é
nunca contentar-se de contente;
é
um cuidar que ganha em se perder.
É
querer estar preso por vontade;
é
servir a quem vence, o vencedor;
é
ter com quem nos mata, lealdade.
Mas
como causar pode seu favor
nos
corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor.
Nesse
poema, Luís Vaz de Camões (1524-1580), poeta português que dispensa
apresentações, trabalha o tempo todo com antíteses, o que alcança a grande
expressividade do poema:
Fonte: Cultura Genial
Amor é fogo que arde sem se ver, de Luís de Camões
Imagem de Luís de Camões com coroa de folhas na cabeça
Camões, o maior escritor do Classicismo


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