1.23.2026

5 poemas para refletir sobre a Consciência Negra

5 poemas para refletir sobre a Consciência Negra

Laura Aidar Laura Aidar Arte-educadora, fotógrafa e artista visual

O dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é uma data muito importante para a população brasileira. Isso porque nosso país sofreu quase 400 anos de escravidão, onde pessoas negras foram humilhadas e escravizadas.

O legado desse passado doloroso é um racismo com bases estruturais e o contínuo empobrecimento e opressão da população negra.

Por isso foi criada essa data, para que as pessoas reflitam sobre a história do povo negro no Brasil, sua importância e valorização.

Assim, nós do Toda Matéria selecionamos 5 poemas que trazem importantes reflexões acerca da negritude. Confira!

1. Negro forro, de Adão Ventura

Minha carta de alforria

não me deu fazendas,

nem dinheiro no banco,

nem bigodes retorcidos.


Minha carta de alforria

costurou meus passos

aos corredores da noite

de minha pele

 

2. Sou Negro, de Solano Trindade

Sou negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África

minh`alma recebeu o batismo dos tambores

atabaques, gongôs e agogôs

 

Contaram-me que meus avós

vieram de Loanda

como mercadoria de baixo preço

plantaram cana pro senhor de engenho novo

e fundaram o primeiro Maracatu

 

Depois meu avô brigou como um danado

nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso

Mesmo vovó

não foi de brincadeira

Na guerra dos Malês

ela se destacou

Na minh`alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação

 

3. Encontrei minhas origens, de Oliveira Silveira

Encontrei minhas origens

em velhos arquivos

livros

encontrei

em malditos objetos

troncos e grilhetas

encontrei minhas origens

no leste

no mar em imundos tumbeiros

encontrei

em doces palavras

cantos

em furiosos tambores

ritos

encontrei minhas origens

na cor de minha pele

nos lanhos de minha alma

em mim

em minha gente escura

em meus heróis altivos

encontrei

encontrei-as enfim

me encontrei

 

4. Integridade, de Geni Mariano Guimarães

Ser negra,

Na integridade

Calma e morna dos dias.

Ser negra,

De carapinhas,

De dorso brilhante,

De pés soltos nos caminhos.

Ser negra,

De negras mãos,

De negras mamas,

De negra alma.

Ser negra,

Nos traços,

Nos passos,

Na sensibilidade negra.

Ser negra,

Do verso e reverso,

Do choro e riso,

De verdades e mentiras,

Como todos os seres que habitam a terra. 

Negra

Puro afro sangue negro,

Saindo aos jorros

Por todos os poros.

 

5. Me gritaram negra, de Victoria Santa Cruz

Tinha sete anos apenas,

apenas sete anos,

Que sete anos!

Não chegava nem a cinco!

De repente umas vozes na rua

me gritaram Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

“Por acaso sou negra?” – me disse

SIM!

“Que coisa é ser negra?”

Negra!

E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.

Negra!

E me senti negra,

Negra!

Como eles diziam

Negra!

E retrocedi

Negra!

Como eles queriam

Negra!

E odiei meus cabelos e meus lábios grossos

e mirei apenada minha carne tostada

E retrocedi

Negra!

E retrocedi . . .

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Neeegra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

E passava o tempo,

e sempre amargurada

Continuava levando nas minhas costas

minha pesada carga

E como pesava!…

Alisei o cabelo,

Passei pó na cara,

e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Neeegra!

Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra!

E daí?

E daí?

Negra!

Sim

Negra!

Sou

Negra!

Negra

Negra!

Negra sou

Negra!

Sim

Negra!

Sou

Negra!

Negra

Negra!

Negra sou

De hoje em diante não quero

alisar meu cabelo

Não quero

E vou rir daqueles,

que por evitar – segundo eles –

que por evitar-nos algum disabor

Chamam aos negros de gente de cor

E de que cor!

NEGRA

E como soa lindo!

NEGRO

E que ritmo tem!

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro

Afinal

Afinal compreendi

AFINAL

Já não retrocedo

AFINAL

E avanço segura

AFINAL

Avanço e espero

AFINAL

E bendigo aos céus porque quis Deus

que negro azeviche fosse minha cor

E já compreendi

AFINAL

Já tenho a chave!

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO

Negra sou!


Laura Aidar

Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.

Foto: Google

1.22.2026

Sabedoria, Conhecimento e Entendimento - Por Rick Boxx

Sabedoria, Conhecimento e Entendimento

Por Rick Boxx

 

Se você for igual a mim, deve gastar bastante tempo procurando sabedoria para as muitas decisões que precisam ser tomadas no trabalho. E penso que você vai concordar que conhecimento e entendimento também são importantes no processo de tomada de decisões. Achei interessante descobrir textos da Bíblia que fazem referência simultânea à sabedoria, conhecimento e entendimento. 

Essas três palavras têm significados diferentes, mas as Escrituras salientam que elas se completam. Elas dizem que o entendimento vem pelo estudo da Palavra de Deus. O conhecimento vem das experiências e habilidades que Deus nos dá. E sabedoria resulta do acúmulo do entendimento e conhecimento que recebemos no decorrer do tempo. Porém, as três provêm de Deus: “Porque o Senhor  dá a sabedoria, e da Sua boca vem o conhecimento e o entendimento.”  Provérbios 2.6

Para compreender como eles se relacionam vamos examinar cada termo individualmente, começando por Entendimento. O significado hebraico é definido como, “discernimento de um critério com habilidade para julgar”. Um cliente certa vez me consultou, pedindo a mim e a outros consultores que o ajudássemos numa questão. Um deles recomendou um plano que era imoral. O tempo que eu tinha passado com a Palavra de Deus foi o que me capacitou a ter consciência dos perigos daquela escolha e a ter entendimento da situação, o que resultou numa solução bem melhor. 

Jó 28.28 ensina: “No temor do Senhor está a sabedoria, e evitar o mal é ter entendimento.” Para ter entendimento precisamos usar nossos sentidos para ouvir e observar. Porém, a habilidade para julgar de forma apropriada vem do entendimento da Palavra de Deus.

Conhecimento vem de Deus por meio das experiências, habilidades, talentos e dons que Ele fornece, permitindo que enfrentemos a vida e aprendamos, se tivermos humildade para nos deixar ensinar. 

Quando jovem, como funcionário da área de empréstimos de um banco, meu primeiro empréstimo para Administração de Pequenas Empresas foi um desastre. Esse tipo de empréstimo exige muita atenção aos detalhes e o desafio de dúzias de documentos.  Sem nenhuma experiência, fiz confusão com o formulário de pedido de empréstimo e fui criticado pelo meu líder pela minha atuação. Humildemente reconheci minha falha.  E essa falha proporcionou o conhecimento que eu precisava para que eu me tornasse um excelente analista de empréstimo para pequenas empresas. “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina” (Provérbios 1:7). Temor do Senhor — respeito reverente — proporciona a humildade necessária para obter conhecimento e se tornar excelente.

Sabedoria surge do conhecimento e entendimento que obtemos ao longo dos anos.   Depois de termos cometido erros, o conhecimento adquirido nos capacita a ter sabedoria. Poderíamos dizer que a aplicação da sabedoria é estratégica, enquanto que o conhecimento é mais tático. Meu primeiro negócio começou com um empréstimo empresarial de 21% de juros. As dolorosas lições aprendidas com aquele empréstimo e meus clientes bancários que financeiramente extrapolaram seus limites de crédito, me proporcionaram sabedoria para aconselhar outras pessoas com risco de incorrer em débitos. 

Aplicar as lições que aprendemos com o tempo, pavimenta o caminho para adquirirmos sabedoria, mas, de novo, exige humildade. Como resume Provérbios 9:10:  O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Como você define e distingue entre conhecimento, entendimento e sabedoria?

2. O que você pensa da forma como o autor fez distinção entre os três termos? As diferenças são importantes? Explique.

3. Você concorda com a afirmação que os três provêm de Deus? Por quê?

4. Em sua opinião, qual dos três é mais importante?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 3:13-15; 10:14-15; 14:8; 15:7, 21; 16:16, 21; 18:4; 19:20. 

1.21.2026

Tristeza não tem fim Felicidade sim

 

Tristeza não tem fim

Felicidade sim


A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem parar

 

A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou de pirata ou jardineira

Pra tudo se acabar na quarta-feira

 

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

 

A felicidade é como a gota

De orvalho numa pétala de flor

Brilha tranqüila

Depois de leve oscila

E cai como uma lágrima de amor

 

A felicidade é uma coisa boa

E tão delicada também

Tem flores e amores

De todas as cores

Tem ninhos de passarinhos

Tudo de bom ela tem

E é por ela ser assim tão delicada

Que eu trato dela sempre muito bem

 

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

 

A minha felicidade está sonhando

Nos olhos da minha namorada

É como esta noite, passando, passando

Em busca da madrugada

Falem baixo, por favor

Pra que ela acorde alegre com o dia

Oferecendo beijos de amor

Vinicius de Moraes


Nota:

Letra da música "A Felicidade", composta Vinicius de Moraes e Antônio Carlos Jobim

 

 

Feitos Para Adorar - Até no Trabalho Por Jim Mathis

Feitos Para Adorar - Até no Trabalho

Por Jim Mathis


Parece que o ser humano está destinado a adorar alguma coisa, mesmo dentro do contexto da vida profissional. Aparentemente é preciso ter um objeto para depositar nossa afeição para que sejamos inteiros, completos. Algumas pessoas adoram os esportes ou um esporte, um time ou um jogador em particular. Conhecem todas as estatísticas e dedicam incontáveis horas e quantias significativas para acompanhar seus times. A linha divisória entre fã dedicado e ardente adorador desaparece facilmente.

 

Outras pessoas adoram música, colocando num pedestal sua banda ou artista favorito. Algumas pessoas adoram um partido político ou uma causa. Outras adoram uma carreira, como a militar, ou um símbolo, como uma bandeira, e honram seu objeto de adoração. O nacionalismo, que é a adoração de um país considerando-o superior às demais nações, tem gerado problemas reais em alguns lugares, inclusive em meu país natal. 

 

Para muitos empresários, seu trabalho se torna objeto de adoração. Dedicam quantidade excessiva de tempo à sua empresa ou profissão, à custa da família, amigos, da saúde e especialmente Deus.

 

Às vezes adoramos o dinheiro ou sua aquisição, esquecendo-nos que o dinheiro foi planejado para ser uma ferramenta, não um “deus”. Esse é um dos motivos por que Jesus tenha dito: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.  Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6:24).  Ele estava afirmando que não podemos crescer espiritualmente se o dinheiro disputar com Deus, nosso tempo, energia e reverência. 

 

Mesmo no cristianismo a adoração pode assumir diversas formas, desviando nossa atenção da dedicação ao único e verdadeiro Deus. Tem gente que adora uma ordem ou estilo de culto, ou até mesmo a Bíblia, colocando-a acima do Deus cuja história ela conta. Outras adoram seu cônjuge, confundindo tal adoração com o amor e afeição normais. 

 

Desde o início Deus sabia que isso seria um problema. Ele colocou dentro de nós um desejo de adorar, mas quando Ele entregou os Dez Mandamentos a Moisés, deixou claro que somente Ele deveria ser o foco de nossa adoração. O primeiro mandamento que Ele deu dizia: “Eu sou o Senhor, o teu Deus... Não terás outros deuses além de Mim” (Êxodo 20:2-3). 

 

A Bíblia, A Mensagem, expressa Êxodo 20:3-6 desta maneira:  “Não tenham outros deuses além de Mim. Não tenham deuses esculpidos de nenhum tamanho ou forma nem com aparência de coisa alguma, seja de coisas que voam, seja de coisas que andam, seja de coisas que nadam. Não se curvem a elas nem as sirvam, pois sou o Eterno, o Deus de vocês, e sou um Deus ciumento, que pune os filhos pelos pecados dos pais até a terceira e quarta gerações dos que Me odeiam. Mas sou leal a milhares que Me amam e guardam Meus mandamentos.”

 

Ao ler o relato bíblico sobre a entrega dos Dez Mandamentos, descobrimos que quando Moisés voltou da montanha com os mandamentos, os israelitas já tinham feito um bezerro de ouro para adorar. Não foi preciso muito tempo para abandonar o objeto de sua adoração e se dividirem. 

 

Nós temos a necessidade de adorar alguma coisa. A pergunta a fazer é: o objeto de nossa adoração verdadeiramente merece nossa devoção e dedicação?  Ele é um “deus” que jamais falhará conosco? Pela minha experiência, existe apenas um, o Deus que disse: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5).  Que outro “deus” pode dizer isso?

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1. Como você define adoração? Em sua opinião, adoração é uma prática estritamente religiosa ou envolve outros aspectos da vida? 

2. Que tipo de coisas você tende a adorar?

3. Como ordenar nossa vida para eliminar outros “deuses” ou impedir que eles se insinuem?

4. Em sua opinião, como a adoração afeta a forma como você aborda sua carreira ou o seu trabalho no dia a dia?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Êxodos 20:5; 23:24-26; 2Reis 17:36-39;  Salmo 29:1-2; Mateus 4:8-10; Lucas 4:5-8. 

 

1.20.2026

Frases de Anatole France

 

O que seriam os desertos da vida sem as brilhantes miragens dos nossos pensamentos! Anatole France

Só os homens que não se interessam por mulheres interessam-se pelas suas roupas. Os homens que realmente gostam de mulheres nem percebem o que elas estão a usar. Anatole France

As verdades descobertas pela inteligência são estéreis. Apenas o coração é capaz de fecundar os seus sonhos.  Anatole France

O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim. Anatole France

Pois todas as nossas misérias verdadeiras são íntimas e causadas por nós mesmos. Acreditamos erradamente que elas vêm de fora, mas formamo-las dentro de nós, da nossa própria substância.  Anatole France

O que os homens chamam de civilização é o estado atual dos seus costumes e o que chamam de barbárie são os estados anteriores. Os costumes presentes serão chamados bárbaros quando forem costumes passados. Anatole France

Chamamos perigosos àqueles cujo espírito é diferente do nosso e imorais aos que não têm a nossa moral. Anatole France

A majestosa igualdade das leis, que proíbe tanto o rico como o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão. Anatole France

O Estado é como o corpo humano. Nem todas as funções que desempenha são nobres. Anatole France

Pois a mulher é a grande educadora do homem: ensina-lhe as virtudes encantadoras, a polidez, a discrição e essa altivez que teme ser importuna. Ela mostra a alguns a arte de agradar, a todos a arte útil de não desagradar. Anatole France

Uma besteira repetida por trinta e seis milhões de bocas não deixa de ser uma besteira. As maiorias têm mostrado as mais das vezes uma aptidão superior à servidão. Anatole France

Todos os homens que não sabem o que fazer desta vida desejam outra, que nunca acabe. Anatole France

As coisas, em si mesmas, não são grandes nem pequenas, e quando nós consideramos que o universo é vasto, trata-se de uma ideia meramente humana. Anatole France

Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar. Anatole France

Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo estúpida. Anatole France

Para conseguir grandes coisas, é necessário não apenas planejar, mas também acreditar; não apenas agir, mas também sonhar. Anatole France

É uma grande tolice o «conhece-te a ti mesmo» da filosofia grega. Não conheceremos nunca nem a nós nem aos outros. Mas não se trata disso. Criar o mundo é menos impossível do que explicá-lo. Anatole France

Raramente tenho aberto uma porta por descuido sem ter deparado com um espectáculo que me fizesse sentir, pela humanidade, compaixão, nojo ou horror. Anatole France

Educação não é o quanto você tem guardado na memória, nem mesmo o quanto você sabe. É ser capaz de diferenciar entre o que você sabe e o que você não sabe. Anatole France

 A fome e o amor são os dois sexos do mundo. A humanidade gira toda sobre o amor e a fome. Anatole France

A pobreza é indispensável à riqueza, a riqueza é necessária à pobreza. Esses dois males engendram-se um ao outro e sustentam-se um ao outro. O que é preciso não é melhorar a condição dos pobres, mas acabar com ela. Anatole France

Os homens brigam com mais frequência por via das palavras. É por palavras que eles matam e se fazem matar com maior empenho. Anatole France

Os acontecimentos tinham ampliado a sua inteligência naturalmente estreita. A imensa ironia das coisas tinha passado na sua alma e a tornara fácil, sorridente e leve. Anatole France

A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas. Anatole France

A ignorância é a condição necessária da felicidade dos homens, e é preciso reconhecer que as mais das vezes a satisfazem bem. Anatole France

Os homens animados por uma fé comum nada têm feito mais depressa senão exterminar aqueles que pensam de modo diferente, sobretudo quando a diferença é muito pequena. Anatole France

Considero a piedade do rico para com o pobre injuriosa e contrária à fraternidade humana. Anatole France

 O trabalho convém ao homem, (...) evita que ele olhe para esse outro que é ele e que lhe torna a solidão horrível. Anatole France

Com que direito os deuses imortais rebaixariam um homem virtuoso ao ponto de o recompensar? Anatole France

 A vida de uma nação, como a de um indivíduo, é uma ruína perpétua, uma sequência de desabamentos, uma interminável expansão de misérias e crimes. Anatole France

 Em matéria de propriedade, o direito do primeiro ocupante é incerto e pouco seguro. O direito de conquista, pelo contrário, assenta em fundamentos sólidos. Ele é respeitável porque é o único que se faz respeitar. Anatole France

O senso comum diz-nos que a terra é imóvel, que o sol gira à sua volta e que os homens que vivem nos antípodas andam de cabeça para baixo. Anatole France

 Definem-nos o milagre: uma derrogação das leis da natureza. Não as conhecemos; como saberíamos que um fato as derroga? Anatole France

 Da mesma forma que o bem, tem a sua nascente profunda na natureza, e um não poderia exaurir-se sem o outro. Anatole France

As opiniões comuns passam sem exame. Na maioria das vezes não as admitiríamos se lhes prestássemos atenção. Anatole France

 As razões de nossos atos são obscuras e os impulsos que nos impelem para a ação ficam profundamente ocultos. Anatole France


Fonte: Pensador

Foto: Google

 

1.19.2026

Líderes Efetivos Abraçam e Alimentam Mudanças - Rick Boxx

 

Líderes Efetivos Abraçam e Alimentam Mudanças

Por Rick Boxx

 

    Escrevendo para Harvard Business Review, Edith Onderick-Harvey examinou o que chamou de “cinco comportamentos de líderes que abraçam mudanças”. Segundo ela, entre 70 e 90 por cento das fusões ou aquisições deixam de alcançar seus objetivos por causa da relutância de seus líderes em aceitar ou admitir mudanças. Já que é impossível escapar das mudanças, vamos analisar esses cinco comportamentos mencionados. 

 

    Compartilhar um propósito atrativo e claro é o primeiro comportamento. Você já teve um líder que costumava lhe pedir coisas sem lhe dizer o porquê? As pessoas abraçam mudanças quando compreendem a razão para elas. Provérbios 20:5 ensina,”Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona.” 

 

    Olhar adiante e ver oportunidade é o segundo comportamento. A autora argumenta que todos os empregados deveriam ser estimulados a olhar adiante e ajudar a trazer à tona as oportunidades. O fundador do Marion Laboratories, Ewing Kaufman, entendeu o valor de levar todo seu quadro funcional a olhar adiante. A empresa é famosa por promover encontros anuais com os colaboradores para premiar os ganhadores das ideias mais criativas. Provérbios 20:12 diz: “Os ouvidos que ouvem e os olhos que veem foram feitos pelo Senhor.”  Deus dá a cada um de nós olhos e ouvidos para explorar novas oportunidades. Libere essa qualidade dentro do seu quadro de colaboradores e as mudanças ocorrerão de modo mais suave. 

 

    Procure descobrir o que não está funcionando é o terceiro. Sempre há necessidade de descobrir quais são os problemas, mas especialmente quando mudanças importantes estão acontecendo. Trabalhei para um CEO que começou bem sua função, visitando as filiais e ouvindo os pontos de vista de todos os níveis de colaboradores. Mas, pouco depois ele se isolou. Existiam outros problemas significativos sobre os quais ele pouco ou nada ouviu. Provérbios 28:26: “Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo.”  Quando estiver em meio a mudanças, assegure-se de que seu pessoal se sinta seguro para expressar suas preocupações.

 

    Promover experimentos e permitir que assumam riscos calculados é o quarto comportamento. Confrontadas com oportunidades de risco, muitas organizações perguntam: “Por quê?” Mas aquelas que lidam bem com mudanças perguntam: “Por que não?” Sem a oportunidade de assumir riscos calculados e ocasionalmente falhar, a inovação será sufocada. Deus deu ao homem liberdade para cometer erros, até mesmo grandes erros. Em Gênesis 2, Deus disse: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal.” Para lidar bem com mudanças, dê a sua pessoal liberdade de inovar e assumir riscos razoáveis sem medo de represálias. 

 

    Busque parcerias que proporcionem limites abrangentes é o último comportamento. Muitas empresas têm departamentos ou “feudos” que dificultam o desenvolvimento da empresa. Um grande banco estava implementando uma importante mudança tecnológica que iria impactar diversos departamentos. Formou uma equipe multidisciplinar com pessoas chave de cada um, o que permitiu conhecer e tratar das mudanças específicas para cada departamento, promovendo solução unificada para o problema. Salmo 133: “Como é bom e agradável que o povo de Deus viva unido como se todos fossem irmãos!”  Parcerias que proporcionam limites abrangentes ajudam sua organização a buscar uma unidade mais ampla e geral. 

 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

 

1. Os líderes de sua organização, e você mesmo, aceitam e facilitam mudanças ou as tornam mais difíceis de implementar? Explique. 

2. Qual a diferença de encarar mudanças como um problema ou como uma oportunidade?

3. Por que é importante comunicar eficientemente quais mudanças precisam ser feitas e por que, e dar a todos oportunidade de responder, questionar e expressar suas preocupações?

4. O que você entende por “promover experimentos e assumir riscos calculados”? Quais os pontos positivos e os negativos em estimular esta abordagem nas mudanças?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 37:4-5; Provérbios 3:5-6; 11:14; 15:22; 16:3;  19:20-21; 20:18; 27:1; Isaías 43:18-19. 


Foto: Google



 

O professor, o relógio e a lição de vida.

 

O professor, o relógio e a lição de vida

Em muitos anos não li uma história assim. Acaba de ser-me enviada por um amigo. Tudo o que fiz foi torná-la graficamente mais fácil de ler [Fernando Venâncio, Mértola, Alentejo, Portugal].

    Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

    — Se lembra de mim?

    E o velho professor diz:

    Não!

    Então o jovem diz que ele era aluno dele. E o professor pergunta:

    — O que você está fazendo, o que você faz para viver?

    O jovem responde:

    — Bem, eu me tornei professor.

    — Ah, que bom, como eu? (disse o velho)

    — Pois sim. Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você.

    O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor. E o jovem conta a seguinte história:

    — Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele. Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você. Então, você parou a aula e disse:

    — O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje. Quem o roubou, devolva-o.

    Eu não devolvi porque não queria fazê-lo. Então você fechou a porta e disse para todos nós levantarmos e iria vasculhar nossos bolsos até encontrarmos o relógio. Mas, nos disse para fechar os olhos, porque só procuraria se todos tivéssemos os olhos fechados. Então fizemos, e você foi de bolso em bolso, e quando chegou ao meu, encontrou o relógio e o pegou. Você continuou procurando os bolsos de todos e, quando ele terminou, ele disse:

    — Abra os olhos. Já temos o relógio.

    Você não me disse nada e nunca mencionou o episódio. Nunca disse quem foi quem roubou o relógio. Naquele dia, você salvou minha dignidade para sempre. Foi o dia mais vergonhoso da minha vida. Mas também foi o dia em que minha dignidade foi salva de não me tornar ladrão, má pessoa, etc. Você nunca me disse nada e, mesmo que não tenha me repreendido ou chamado minha atenção para me dar uma lição de moral, recebi a mensagem claramente. E, graças a você, entendi que é isso que um verdadeiro educador deve fazer. Você se lembra desse episódio, professor?

    E o professor responde:

    — Lembro-me da situação, do relógio roubado, que procurava em todos, mas não lembro de você, porque também fechei os olhos enquanto procurava.


Autor: Desconhecido

Imagem: Google

1.18.2026

Conversa sobre a literatura francesa - Graciliano Ramos

 Conversa sobre a literatura francesa

De Graciliano Ramos

 Não necessitamos de outras palavras para os nossos leitores sobre Graciliano senão aquelas que andam na boca de todo mundo; é um dos maiores romancistas novos do Brasil. Grande cultura a serviço de bela inteligência — Aqui damos o seu “por que amo a França”, apanhado por um dos nossos redatores.

Graciliano Ramos preferiu responder verbalmente. Estávamos na Livraria José Olympio e o romancista de Angústia atendeu à nossa pergunta, apontando risonhamente para os livros espalhados num balcão, diante de nós:

— Eu amo a França por isso…

Resposta vaga e precisa, ao mesmo tempo, e a que o nosso companheiro antepôs o ardil das insinuações, diante das quais Graciliano Ramos, com o seu hábito de falar poupado, foi compelido a ir discreteando longamente sobre a sua grande fascinação intelectual pela gente gaulesa.

— Os franceses certamente influíram bastante em sua formação literária…

— Sim. De França evidentemente recebi as primeiras sugestões propriamente literárias. Por uma questão de programa e de uso, sempre que o brasileiro deixa o curso primário, o primeiro livro que lhe vem às mãos são Os Lusíadas. A mentalidade da criança experimenta dificuldades terríveis para surpreender o pensamento do clássico. Cria-se então a ojeriza pela epopeia e também pela literatura portuguesa. Em geral, prolonga-se essa aversão pelo resto da vida. Em tal circunstância, só há um recurso: refugiar-se na literatura francesa. Comigo, foi assim. Li primeiramente a chamada literatura de cordel, é certo que não o fiz por uma questão de estética e de enlevo, mas por uma exigência da curiosidade do adolescente. A língua francesa, direta, facilita os autodidatas, que somos todos nós, intelectuais brasileiros. Em pouco, familiarizei-me principalmente com os romancistas. Balzac foi para mim um deslumbramento. Ainda hoje me detenho diante de sua obra com a certeza de que me encontro com o maior romancista do mundo.

— Quer dizer que pensa como aquele homem exótico que Anatole France encontrou a revolver velhos livros num alfarrabista de Paris, e que dizia, gravemente, indicando as prateleiras: Balzac é um mundo…

— Evidentemente. Depois, Zola impressionou-me também, mas não conseguiu desviar a fascinação pela obra balzaquiana. Julgo ter sido verdadeiramente diabólica a mentalidade do autor das Ilusões perdidas. A propósito, acho que é este o seu melhor livro. Que surpresa de técnica! Ali há de tudo, desde a base econômica, admiravelmente definida e levantada, e sobre a qual o resto do livro cai, para consistência eterna. O resto do livro caminha impulsionado por aquela rajada até à surpresa daqueles pensamentos filosóficos que Balzac coloca na boca de um cura. Por isso, bastava apenas Balzac para que eu amasse intensamente a França. O escritor português que me deixou maior influência foi, em parte, francês: Eça de Queirós. O seu ritmo, a sua construção, o seu riso — tudo teve o seu berço sob o solo de Paris, muito embora ele construísse os seus volumes num hotel de Londres ou mesmo na ambiência sossegada de Leiria. A minha fascinação e o meu entusiasmo pela literatura francesa determinaram em mim quase um desconhecimento total do que se escreveu no Brasil. Basta lhe dizer que somente há uns dois ou três anos vim conhecer Machado de Assis.

— Considera Machado de Assis um caso de genialidade?

— Certamente que não. Justifica-se esse meu ponto de vista por uma questão de educação literária, quando não fosse por um imperativo do temperamento. Meu espírito se formou numa ambiência de riso claro e vivo, como o de Anatole France. Ademais, o que mais me distancia de Machado de Assis é o seu medo de definir-se, a ausência completa da coragem de uma atitude. O escritor tem o dever de refletir a sua época e iluminá-la ao mesmo tempo. Machado de Assis não foi assim. Trabalhando a língua como nenhum, poderia ter feito uma obra transitável às ideias. Como vê, ainda é o amor à França que me faz discordar da maioria dos homens cultos do Brasil: não amo Machado de Assis. Entretanto, releio o Eça de Queirós, pelo que me transmite, harmoniosamente, do espírito francês.

Nesse instante, vinha chegando Amando Fontes. Graciliano Ramos despediu-se, sorrindo:

— Parece que satisfiz a curiosidade de seu jornal…

Do livro Conversas, de Graciliano Ramos. Organização de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla. Rio de Janeiro: Record, 2014, pp. 281-4.


Fonte: Blog um texto por mês

Foto: Google


O Pouco Valorizado Presente do Descanso - Sergio Fortes

 

O Pouco Valorizado Presente do Descanso

Por Sergio Fortes

    Recentemente passei um sábado inteiro em casa fazendo... nada. Tinha planejado ir a um belo parque na pequena cidade onde vivo, e vaguear por entre suas árvores gigantes, seus lagos e áreas abertas onde algumas famílias desfrutam de afetuosos piqueniques.

    Por alguma razão, não pude fazer nenhuma dessas coisas. Ócio – você poderia chamar isso de preguiça, ou apatia espiritual e inatividade – tomaram conta de mim. Li um pouco, assisti TV por algum tempo, comi e dormi. Ao final do dia, porém, senti-me péssimo, quase culpado. Não pude deixar de sentir que havia desperdiçado o dia, sendo improdutivo.  Era como se tivesse perdido um dia.

    Falando sobre isso com minha filha, uma psicóloga, ela despertou minha atenção ao me apresentar uma perspectiva diferente: “Não, pai, o descanso é um presente de Deus. Receba esse presente sem culpa e o curta.” Inatividade, descanso — presentes de Deus?

    Isso me fez lembrar que a semana que passou havia sido intensa, com muito trabalho difícil, além de várias viagens. É claro que eu precisava de um tempo de pausa, uma oportunidade para me reenergizar. Me lembrei de que a Bíblia nos diz que até mesmo Deus “...Acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que havia feito” (Gênesis 2:2). Não sei por que Deus precisou descansar, mas a Bíblia diz claramente que Ele “descansou”. Então faz sentido que, tendo sido criados à Sua imagem, a cada semana, ao término do nosso trabalho, nós também separemos tempo para descansar. 

    Certa vez, os apóstolos retornaram para Jesus depois de uma viagem ministerial de que Ele os havia incumbido. Ao apresentar seu relatório, eles narraram dias de trabalho árduo e fraqueza emocional. Nem mesmo tiveram tempo para comer. A resposta de Jesus lhes proporcionou uma lição significativa: “Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco” (Marcos 6:31). 

    Há uma história de um sacerdote de uma pequena vila, depois de anos de trabalho duro, comunicou a seus paroquianos no sermão de domingo pela manhã, que ele pretendia tirar uns dias de férias. Na saída da igreja, três irmãs idosas fizeram objeção ao seu plano, expressando sua discordância e argumentando: “Como o senhor pode sair de férias? O senhor não sabe que o diabo não tira férias?” O velho sacerdote respondeu com humildade e sabedoria: “É por isso que eu preciso de férias: para não fazer as obras do diabo.”    

    Os desafios empresariais e profissionais diários que enfrentamos são imensos. Nem sempre conseguimos alcançar os objetivos que queremos. Os resultados às vezes são mínimos; em outros momentos, sentimo-nos como se não tivéssemos realizado nada. Em consequência, somos tentados a pensar que não temos direito ao lazer, porque ainda temos trabalho que precisa ser feito. 

    Inconscientemente punimos a nós mesmos com programas de final de semana e atividade frenética, incluindo tudo o que podemos imaginar, exceto descansar. Nada de lazer. Algumas pessoas chegam a falar em “ócio criativo”, talvez como uma reação inconsciente que mesmo no descanso deveríamos estar produzindo algo de valor. Contudo, não há necessidade para essa “punição” auto infligida. Como minha filha me fez lembrar, descanso é presente de Deus.

    A próxima vez que você decidir descansar, lembre-se que não há razão para culpa ou para sentir que estar fazendo alguma coisa é sempre melhor do que não fazer nada. Ao contrário, dê a si mesmo o direito de não fazer nada, e faça isso com alegria e em perfeita paz, como presente de Deus para você. 

    “Eu mesmo serei o pastor do Meu rebanho e encontrarei um lugar onde as ovelhas possam descansar. Sou Eu, o Senhor Deus quem está falando” (Ezequiel 34:15). 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

 

1.  Como você se sente quando lhe é permitido descansar, sem atividades agendadas ou coisas que se espera que você faça?  Você recebe bem esses momentos ou se sente culpado, como se fosse sua obrigação estar fazendo alguma coisa?

2. O que é para você um tempo de descanso significativo?

3. Quando o sacerdote mencionado no texto disse que planejava descansar para “não fazer as obras do diabo”, o que você acha que ele quis dizer?

4. Você já pensou em incluir Deus ao planejar um tempo para descanso, especialmente depois de um período de muito trabalho e agenda lotada?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Êxodo 33:12-14; 1Reis 19:3-9; Salmos 37:3-7 34; 46:10;  Isaías 40:31; Mateus 11:28.  



Fonte: Igreja Adventista

Foto: Google 

 


Inteligência emocional - Raquel Rocha

Inteligência emocional: entender suas emoções muda a forma como você vive

A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer, compreender e administrar as próprias emoções, assim como perceber e lidar de forma adequada com as emoções das outras pessoas. Essa habilidade influencia diretamente a maneira como reagimos aos desafios cotidianos, tomamos decisões e construímos relações. Em um mundo marcado por pressões constantes, excesso de estímulos e relações cada vez mais complexas, entender o que é inteligência emocional deixou de ser apenas um tema acadêmico e passou a ser uma necessidade prática.

Emoções influenciam mais do que imaginamos

As emoções fazem parte do funcionamento humano e estão presentes em todas as escolhas, inclusive naquelas que julgamos puramente racionais. Elas afetam a atenção, a memória, o julgamento e o comportamento. Quando não são reconhecidas, tendem a se manifestar de forma impulsiva, exagerada ou inadequada.

A inteligência emocional não propõe eliminar sentimentos como raiva, medo ou frustração, mas aprender a identificá-los, compreender sua origem e escolher conscientemente como agir a partir deles. Vale refletir: quantas decisões importantes já foram tomadas no calor do momento e depois geraram arrependimento? Quantos conflitos poderiam ter sido evitados com uma pausa ou uma escuta mais atenta?

Como o conceito ficou conhecido?

O tema ganhou grande visibilidade a partir das obras do psicólogo Daniel Goleman, que apresentou a inteligência emocional como um conjunto de competências relacionadas ao autoconhecimento, ao controle emocional, à empatia, à motivação e às habilidades sociais. Embora a psicologia científica trate o conceito com cautela e reconheça diferentes modelos teóricos, há evidências consistentes de que habilidades emocionais bem desenvolvidas favorecem relações mais saudáveis, melhor adaptação ao estresse e maior equilíbrio psicológico. Não se trata de prometer sucesso garantido, mas de reconhecer que pessoas emocionalmente mais conscientes tendem a lidar melhor com erros, críticas, frustrações e pressões inevitáveis da vida.

A Inteligência emocional no seu cotidiano

No dia a dia, a inteligência emocional aparece em atitudes simples, porém decisivas. Está presente quando alguém consegue ouvir uma crítica sem reagir de forma defensiva, quando reconhece que está irritado antes de falar algo de que possa se arrepender ou quando percebe que o outro está fragilizado e ajusta o tom da conversa. No ambiente profissional, ela influencia a liderança, o trabalho em equipe, a gestão de conflitos e a capacidade de manter o foco sob pressão. Na vida pessoal, reflete-se na qualidade dos vínculos afetivos, na comunicação e na forma como cada pessoa lida com perdas, mudanças e frustrações. É inevitável perguntar: como tenho reagido quando algo foge do meu controle? Minhas emoções têm orientado minhas decisões ou têm me conduzido de forma automática?

Autoconhecimento e empatia como base

Um aspecto central da inteligência emocional é o autoconhecimento. Reconhecer padrões emocionais, identificar gatilhos e compreender limites pessoais são passos fundamentais para qualquer mudança. Ao mesmo tempo, desenvolver empatia amplia a capacidade de convivência, pois permite compreender que o outro também age a partir de emoções, histórias e fragilidades próprias. Essa compreensão não significa concordar com tudo, mas favorece respostas mais equilibradas e relações menos desgastantes.

Uma habilidade que pode ser desenvolvida

A inteligência emocional não é uma característica fixa nem determinada desde o nascimento. Ela pode ser desenvolvida ao longo da vida por meio de reflexão, prática consciente e, quando necessário, apoio profissional. Observar as próprias reações, exercitar a escuta, aprender a pausar antes de responder e refletir sobre as consequências das atitudes são caminhos possíveis. Esse processo exige tempo e disposição, mas traz ganhos reais para o bem-estar e para a qualidade das relações.

Desenvolver a inteligência emocional significa assumir responsabilidade pelas próprias emoções, compreender o impacto delas sobre os outros e escolher respostas mais conscientes. Para finalizar, deixo uma pergunta para que você possa refletir e responder para si mesmo: o quanto suas emoções têm ajudado, ou atrapalhado, a forma como você vive?

Leia também: Por que o sono é vital para o corpohumano?

 Artigo de Raquel Rocha, Neuropsicóloga, Especialista em Saúde Mental, Escritora e Presidente da Academia de Letras de Itabuna.



Fonte: A Região 


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