Questão de Chamado (Parte II)
Por Rudolfo Dainis Smits
Este ano a história cristã comemora 500 anos desde que a
Reforma começou na Europa. A Reforma mudou a Igreja impactando a civilização
ocidental e seus ensinamentos sobre chamado. Essa visão revitalizou o mercado
de trabalho. Vale a pena considerar como a Reforma revolucionou a forma de
abordarmos o trabalho.
Martinho Lutero, professor de teologia moral e um dos
principais líderes da Reforma desafiou a autoridade da religião estabelecida
nas questões de fé, vocação e trabalho. Ele ensinava que todo homem e mulher
são chamados por Deus, não importa sua vocação ou posição. Por causa disso,
devemos trabalhar fielmente, com diligência e dignidade. Estes princípios podem
parecer evidentes para a sociedade atual, mas não eram assim tão evidentes
naquela época. Nosso trabalho,
profissão, negócio ou missão – seja o que for que nos chegue às mãos para fazer
– quando guiados por uma paixão pessoal e amor por servir, trarão prosperidade
à sociedade e honrarão a Deus.
Uma citação estimulante atribuída a Lutero explica: “A criada que varre a cozinha está
fazendo a vontade de Deus da mesma forma que o monge que ora – não porque ela
pode estar cantando um hino enquanto varre, mas porque Deus ama pisos limpos. O sapateiro cristão
desempenha sua responsabilidade cristã não por colocar pequenas cruzes nos
sapatos, mas sim fazendo bons sapatos, porque Deus está interessado
em bons artesãos.” Fomos chamados para
fazer boas obras, como nos diz Efésios 2:10: “Porque somos criação de Deus realizada
em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós
praticarmos.”
Lutero ensinou que a vocação é o meio e a plataforma que
nos permite servir à sociedade e a Deus. Através do trabalho, negócio ou
ministério, proporcionamos, produtos, serviço e liderança, promovendo uma
multidão de benefícios a indivíduos e à sociedade. Pela combinação de talentos,
habilidades e dons de vários indivíduos, nosso trabalho, profissão e empresa
produzem mercadorias e serviços para outras pessoas e assegura nosso próprio
sustento. Isso não decorre da busca de ganhos ou lucros pessoais, mas sim da
excelência no serviço que verdadeiramente beneficia e impacta a comunidade.
Todo chamado honroso ou objetivo digno caminha lado a lado com tomadas de
decisões e serviços justos e fiéis. Cumprir nosso chamado com disciplina,
habilidade e excelência leva ao crescimento necessário para sustentar uma
empresa, abençoar a sociedade e glorificar a Deus.
Compreender nossa vocação trará realização
pessoal, alegria e prosperidade social. “Fiel é esta palavra, e
quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que creem em
Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis
aos homens.” (Tito 3:8).
Compreender a vocação nos ajuda a ver que o
trabalho feito com excelência nos atrai para a verdade e o serviço de Deus. “O chamado é a verdade de que Deus nos
chama para Si mesmo de forma tão decisiva que tudo o que somos, tudo o que
fazemos e tudo o que temos se reveste de uma dedicação e dinamismo especiais
que se traduz numa resposta a Sua convocação e Seu serviço.” Os Guinness,
escritor, sociólogo e co-fundador do Trinity Fórum.
Compreender chamado não determina sucesso
ou assegura posição, mas nos fortalece para vencermos dificuldades e provações. O chamado pode levá-lo diretamente às
provações e ao fracasso, porque obedecer a Deus não é necessariamente uma
questão de sucesso. Martinho Lutero se arriscou a ser preso ao colocar sua tese
de 95 pontos na porta do Castelo Wittenberg. Ele estava pronto para morrer
ensinando e defendendo a doutrina bíblica que se opunha à autoridade da igreja
estabelecida. Sua paixão por compreender e ensinar o que a Bíblia ensina, uma
consciência limpa e a obediência a Deus, permitiram-lhe permanecer fiel à obra
de Deus nele. “Pois é Deus quem
efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade
Dele.” (Filipenses 2:13). A dedicação de Lutero libertou a Igreja
e revolucionou o entendimento de vocação, estabelecendo a atual ética de
trabalho essencial a qualquer empreendimento.
Questões Para Reflexão ou Discussão
1. Vocação exige fidelidade, diligência e trabalho
habilmente executado para servir nossos clientes e honrar a Deus. Você concorda
que esses princípios promovem um bom trabalho e serviço à sociedade? Dê
exemplos desses princípios em operação causando impacto positivo.
2. O falecido Steve Jobs, fundador da Apple, foi
um inovador criativo e revolucionário que não desistiu de seus ideais. Ele
afirmou: “O único caminho para realizar um grande trabalho é amar o que você
faz.” Você ama o que faz ou
está apenas esperando o relógio assinalar o fim do dia? O que motiva você a
usar seus talentos, dons e habilidades para fazer o seu melhor? De que forma o
trabalho deveria definir quem você é (ou não é)? Como o trabalho deveria ser reflexo
daquilo que você crê (ou não crê)?
3. “Aqueles que são loucos o bastante para
acreditar que podem mudar o mundo são os que realmente o fazem.” - Steve Jobs.
Martinho Lutero venceu grande oposição para trazer mudanças que impactaram toda
a Europa. Por quê compreender a vocação pessoal nos ajuda a vencer obstáculos e
provações e por que é tão importante para a sociedade, empresas e transações
comerciais?
4. Vocação patrocina a excelência e dá dignidade
ao que fazemos. Tito 2:7 diz: “Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles,
fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade.” Com quem começa o trabalho de qualidade
e qual a melhor forma de facilitar o bom trabalho?
Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia
relacionadas ao tema, sugerimos: Mateus 5:16; Colossenses 3:23-24; 2Timóteo 6:18; Tito 3:14; Hebreus
10:24; Tiago 2:14; 3:13.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Estimular a leitura e a aprendizagem de jovens e adultos