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4.19.2026

ARTIGO — O Progresso que Não Foi Limpo: Armas, Expansão e Poder na História dos Estados Unidos - Gustavo Velôso (*)

ARTIGO — O Progresso que Não Foi Limpo: Armas, Expansão e Poder na História dos Estados Unidos

*Gustavo Velôso

18/04/2026

A história do desenvolvimento dos Estados Unidos não começa como potência global, começa como necessidade de ocupar território, crescer e se afirmar, e nesse caminho o que aparece primeiro não é a indústria nem a tecnologia, mas a arma, presente desde as milícias coloniais, legitimada pelo direito constitucional de portar armas, incorporada como cultura e instrumento de sobrevivência, e é com ela que o país avança para o Oeste, não de forma pacífica, mas empurrando, cercando e destruindo povos inteiros, como mostra o retrato apresentado por Dee Brown em “Enterrem Meu Coração na Margem do Rio”, onde o crescimento territorial e econômico se revela inseparável da expulsão, dos massacres e da quebra sistemática de acordos com os povos indígenas, estabelecendo um padrão que se repete: expansão, conflito, domínio, consolidação; esse padrão se amplia no século XIX com a Guerra Civil Americana, que consolida o poder industrial e militar, transforma a produção de armas em indústria e prepara o país para projetar força além de seu território, o que se concretiza quando os Estados Unidos deixam de ser apenas uma nação em expansão interna e passam a disputar influência global, entrando no jogo das grandes potências; no século XX, com as guerras mundiais e o uso de armas nucleares, o país alcança um nível de poder que redefine a guerra, e na disputa entre Estados Unidos e União Soviética esse poder se transforma em estratégia permanente baseada em influência, pressão e confronto indireto, e é nesse ambiente que decisões de curto prazo geram efeitos duradouros, como o apoio aos combatentes no Afeganistão contra a União Soviética, dentro de um programa conduzido pela agência de inteligência dos Estados Unidos, que arma, treina e financia grupos que depois se reorganizam e dão origem a redes como a Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden, evidenciando o retorno do conflito nos ataques de 11 de setembro de 2001 e desencadeando a chamada guerra ao terror; ao mesmo tempo, figuras como Saddam Hussein revelam a lógica das alianças temporárias, sendo apoiado durante a guerra entre Irã e Iraque e posteriormente combatido na guerra do Golfo e na invasão do Iraque sob a justificativa de armas que não se confirmaram, reforçando um padrão de interesses variáveis onde o armamento acompanha a conveniência política; no caso do Irã, a tensão se estende desde o golpe apoiado pelos Estados Unidos em 1953 até o cenário atual, marcado por disputas envolvendo petróleo, rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, influência regional e programa nuclear, configurando um conflito muitas vezes indireto, sustentado por sanções, alianças e confrontos pontuais; ao longo desse percurso surge a interpretação de que guerras serviriam para descartar armas antigas, mas isso não se sustenta como causa real, pois o custo dos conflitos supera qualquer lógica de simples renovação de estoque, o que ocorre, na prática, é que guerras motivadas por interesses maiores acabam também consumindo arsenais, acelerando a substituição tecnológica e movimentando a estrutura que integra indústria, Estado e forças armadas; quando se observa o conjunto, da expansão sobre os povos indígenas aos conflitos contemporâneos, revela-se uma lógica contínua em que desenvolvimento econômico, expansão territorial, indústria e poder militar caminham juntos, e a arma deixa de ser apenas defesa para se tornar instrumento de construção de poder, manutenção de influência e organização do mundo ao redor de interesses estratégicos, produzindo avanços inegáveis, mas também conflitos persistentes, evidenciando que o progresso não foi limpo, foi marcado por disputa, imposição e consequências que atravessam o tempo.



*Gustavo Velôso é escritor ferradense, autor da Coleção Raízes Grapiúnas – Selo FERRADAS e Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

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